Hoje enveredei por uma missão de espionagem que consiste no seguinte.

Há uns dias fui convidado para um jantar de antigos colegas de escola, daqueles que eu já não via desde 2005.
Enfim, recusei obviamente, por uma razão muito simples. Por muito que tivesse curiosidade em ver como estavam essas pessoas, não que me preocupe com elas, eu, por tranquilidade da minha consciência não tenho qualquer vontade de ver pessoas, que na maior partem, durante três anos apenas me desprezaram e não ligaram nenhuma àquilo que eu achava ou deixava de achar e que raramente se interessaram pelo que eu disse ou fazia. Muitas vezes e tirando os meus amigos que ainda vejo de vez em quando, sentia-me invisível de certo modo. Contudo já estava habituado.


Então a minha missão de espionagem consistiu em comprar uma barbicha
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e um casaco daqueles usados nos filmes de "bondage"
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De sapatilhas XDYE calçadas inflitrei-me no restaurante com um gravador por baixo do casaco e um micro no meio da barbicha artificial.

Então gravei tudo e ouvi as conversas todas, foi espectáculo :)

Estava a brincar obviamente.

A minha missão de espionagem consistiu em inscrever-me no facebook com um nome muito giro e tentar encotnrar as pessoas que me convidaram para o jantar só para ver que tipo de vida espectacular é que levam. E descubri aquilo que já suspeitava. Que algumas engravidaram precocemente, que outras estão tão queimadas do tabaco e outras coisas que tais que parecem dealers no feminino e que outras vivem vidas deprimentes em que, apesar de durante os três anos de convivência que tive com elas nunca terem dado qualquer sinal de perceberem um tostão furado de política, mas que agora subscrevem o Bloco de Esquerda. Nada em particular contra gostar do BE mas o problema do Bloco é que muita gente só gosta deles por causa da liberalização da droga porque são pessoas que não saberiam distinguir um marxista dum fascista nem que o marxista tivesse o bigode do Lenine e o fascista o bigode do Hitler.

O que mais me desagrada é que estas pessoas, que estão a falhar redondamente na vida delas, têm uma aparência de alguém que na realidade triunfou.
Por exemplo e é o que mais me incomoda por várias razões.
Uma das que engravidou aos 18 anos teve de casar com um tipo de 40 anos e imigrar para França. Agora a imagem dela no facebook é ela com o filho ao colo como se estivesse a baptizar o Rei Leão na piscina. E por mim tudo bem, ainda bem que ela gosta do filho e lhe dá carinho. Só que é uma pessoa que continua com toda a arrogância que já detinha na escola. Toda a sua expressão denota o triunfo quando na verdade é um falhanço.
É um falhanço que não tem nada de indigno, são coisas que acontecem, mas que este tipo de pessoas não consegue reconhecer como falhanço e como sinal de que algo está errado na aproximação que fazem à vida em geral.
Chateia-me também que depois este é o tipo de pessoas que nos vem lavar a cara um dia e dar lições de moral porque lhe aconteceram estes acidentes na vida e porque os conseguiu ultrapassar nunca se questionando porque é que os acidentes se sucedem.
Eu nunca dei lições de moral a ninguém nem sinto absolutamente necessidade nenhuma disso, mas estas pessoas que dão estas fabulosas lições, fazem-me confusão. Enfim.
Por momentos chego a ficar em baixo com estas parvoíces mas a verdade é que estas pessoas não fazem mais parte da minha vida. Estas pessoas seguiram o seu caminho que a meu ver é medíocre e continuam a gostar das mesmas futilidades de há 6 e 7 anos atrás. Podem ter ido a muitos sítios mas não parecem, na verdade, sair do sitio.
Algumas delas foram pessoas que em momentos isolados me fizeram sentir algum gosto por elas, mas bem, apenas para ser desfeito nos momentos a seguir com atitudes parvas e quase discriminatórias.
Isso faz-me lembrar uma música, que obviamente, é uma música de um amor falhado e no meu caso não se trata de amor falhado, mas sim, desilusão. A música dizia:

"If the love that I got for you is gone
If the river I cried ain' that long
Then I'm wrong, Yes I'm wrong
This ain't a love song"

Obviamente a música fala de um sentimento mais profundo, mas a verdade é que o gosto que eu tinha por essas pessoas foi-se e a dor disso não foi assim tão grande e por isso o que eu sentia por essas pessoas não era gosto. Talvez compaixão, gosto não era.

Enfim, coisas que me incomodam um pouco e que quis partilhar, embora no fundo e com a distância e aquilo que sei sobre essas pessoas, torna-se apenas cómico.

Já agor partilho aqui uma música que tenho ouvido bastante ultimamente na minha versão preferida, ao vivo em Wembley, Londres 1995 que, curiosamente, foi gravado precisamente há 16 anos em 25 de Junho de 1995.

Blaze Of Glory