Areia na cabeça

Preparados para uma viagem ao deserto intelectual?

https://www.youtube.com/watch?v=PUcX3oCa7mY

Há uns dias, quando falei de Bill Hicks, não mencionei, mas tanto este programa que o Bill Maher apresenta, como o programa the Daily Show apresentado por Jon Stewart, foram formatos imaginados com Bill Hicks como apresentador. Enfim, muitas voltas deve ele dar no túmulo.

Vamos por pontos.

- Maher vê e compreende o argumento dos palestinianos, mas não vê que tenham mais moral que Israel. Depois é apoiado pelos convidados (aparentemente, todos concordam o que torna o show muito mais interessante!!!) enquanto diz "tenho muita pena das crianças palestinianas, mas de quem é a culpa se os pais dessas crianças é que estão a disparar rockets contra Israel?

Israel há muito que fez e continua a fazer aquilo que a comunidade internacional classifica como ilegal à luz da lei internacional com a expansão e construção de illegal settlements em território palestiniano.
É fácil dizer que a culpa é de quem dispara os rockets, porque isso dá a impressão que está tudo bem até que o palestiniano lança o rocket. Mas a verdade é que há razões e motivações para esses ataques, que no fundo é como fazer uma festinha na cabeça de um crocodilo. É insignificante, embora seja um comportamento de guerra. Mas as guerras têm um motivo.
Imaginemos que Espanha mandava espanhóis construir uma cidade nova em território português, e depois povoava essa cidade com espanhóis e proclamava aquele terreno como seu. Era suposto os nossos pais ficarem quietos?
Agora transportemos a situação para o Médio-Oriente onde de um lado temos uma população sobre embargo que basicamente apenas lhes chega o suficiente para sobreviver e do outro, uma nação apoiada pelo país mais forte do mundo (EUA) e com armamento nuclear.

http://www.nytimes.com/2013/02/01/world/middleeast/un-panel-says-israeli-settlement-policy-violates-law.html

Neste artigo do NY Times fala-se sobre conclusões das Nações Unidas acerca destes settlements.
De destacar:

Israel has pursued a creeping annexation of the Palestinian territories through the creation of Jewish settlements and committed multiple violations of international law, possibly including war crimes, a United Nations panel said Thursday, calling for an immediate halt to all settlement activity and the withdrawal of all settlers.Asked if Israel’s actions constituted war crimes, Ms. Chanet replied that its offenses fell under Article 8 of the International Criminal Court statute. “Article 8 of the I.C.C. statute is the chapter of war crimes,” she said at a news conference. “That is the answer.”

E estes settlements continuam- http://www.theguardian.com/world/2014/jun/12/dfismay-israeli-illegal-settlements

Portanto, que fique claro que o que está aqui em causa não é um palestiniano que se lembrou e matou um israelita com um rocket. Foi um palestiniano, que vive em condições deploráveis, abaixo do limiar da pobreza, que viu a sua terra ser invadida e que, provavelmente, quis fazer algo para tentar mudar.
Maher pergunta se a Palestina não esperava retaliação, mas isto é apenas uma manobra de inversão. O agressor é Israel.

- Depois, Jane Harman (quem?) diz que não sei das quantas disse "Israel uses missiles to protect its citizens, and Hamas uses its citizens to protecto its missiles"

Isto é tão estúpido que nem merece resposta. Mas bem, esta idiota diz isso porque quem absorve mais mortes é a Palestina, muito naturalmente, mas então que dizer quando Israel tentou invadir a Península de Sinai e envolveu-se em guerra com o Egipto sofrendo uma pesada derrota? A diferença é que aqui agrediu um país com força, o que não acontece com a Palestina que nem um sistema económico tem, quanto mais um exército organizado e financiado. Sugestão para a Jane, livre o mundo da sua existência.

Ah e antes há este tipo a dizer que o que os palestinianos querem é eliminar todos os israelitas. É engraçado que sempre que há tréguas Israel é o primeiro a quebrá-las, mas pronto, pormenores. Falam ainda do Hamas e que eles matariam o máximo de israelitas, quando o Hamas não é um grupo armado e é um grupo político dos mais moderados e que mais concessões está disposto a fazer para que a paz seja alcançada, mas mais uma vez, pormenores.

-Israel tem a oportunidade de matar muitos mais palestinianos e não matam. Seguido de, "quando os EUA invadiram o Iraque em 1990/91 mataram muitos mais iraquianos do que os iraquianos mataram americanos, significa que estávamos errados e deveríamos ter retirado em vez de expulsar os iraquianos do Kuwait?"

Mais uma vez, há aqui tanta coisa errada.
Israel na última grande tirada de violência matou mais de 2000 palestinianos, quebrando o cessar-fogo que estava a decorrer há uns meses largos sem qualquer problema. Razão? Três israelitas foram mortos e Israel sem provas acusaram o Hamas de o ter feito. Mais tarde seria dito que não havia provas e que as suspeitas recaiam sobre um grupo palestiniano dissidente do Hamas. Mas Israel não quis saber e matou 2000 pessoas, porque sim. Ainda bem que eles poderiam matar mais e não matam!
Depois a parte do Iraque e do Kuwait é hilariante e não vou entrar por aí, apenas quero dizer que esse senhor está muito equivocado e confuso. Este senhor nem sequer percebe a política externa do seu próprio país.

- Depois passamos à masturbação de Israel e a questão é a seguinte. Porque é que Israel ganha todas as guerras? Eu acho que tem a ver com o facto de eles acreditarem na ciência. E os judeus têm mais prémios Nobel do que os Árabes.

Sei lá, os EUA vendem armas a Israel...
http://blog.amnestyusa.org/uncategorized/the-united-states-is-not-just-a-bystander-in-israel-gaza-violence/

A venda de armas dos EUA a Israel é um grande desequilibrador na questão.
Os prémios Nobel ainda têm credibilidade? Pensava que já não havia dúvidas quanto à credibilidade quando deram o prémio da paz ao Obama.

- Depois há acusações infundadas de túneis para lançar rockets contra Israel?! Devem andar a disparar aos esgotos ou qualquer coisa do género.
- Israel não vai desaparecer e os palestinianos têm que seguir em frente-

Sobre este segundo ponto tenho a dizer que os palestinianos estavam dispostos a chegar a um acordo para a paz em que se previa aquilo que se chama The Two State Solution. http://peacenow.org.il/eng/OsloSummary
Esta solução foi rejeitada por Israel e pelos EUA à última das horas em Oslo. Os palestinianos, bem ou mal, têm direito a ter o seu território. Até que Israel, ou melhor, até que os EUA mandem Israel aceitar certos termos, os palestinianos vão continuar a viver sem governo, sem economia, sem educação, sem segurança... sem nada!
Os EUA precisam de Israel para manter o controlo daquela área. Quando se falar muito do Irão e da possibilidade de haver armas nucleares no Irão, poderiam também falar que o Irão aceitou um acordo, proposto na Finlândia, em que se previa uma zona livre de armas nucleares naquela região, que englobaria Irão, mas também ...*tan tan tan* Israel. E assim os EUA nem sequer deram opinião e limitaram-se a cancelar o acordo dizendo que era uma boa ideia, mas agora não.

Portanto, há muito mais nesta história do que este saco de lixo Bill Maher quer fazer parecer. E é natural que os americanos sejam os lavados cerebrais que não vêem nada. É pena é que o resto do mundo não faça nada.

A veneração das crianças e das mamãs

A seguinte notícia relata como uma mulher se sentiu "humilhada" porque num hotel lhe pediram para pôr um pano por cima do seu bebé enquanto estava a amamentar o dito cujo.

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4275230

Não volta mais ao hotel e depois, sei lá porquê, diz que já teve mais duas cabaças e que não as pôde amamentar e que agora estava a conseguir amamentar a terceira e tinha de lhe acontecer isto.

Isto irrita-me muito. Porque eu sempre detestei e sempre me senti imensamente constrangido com a situação de entrar em algum sítio e de repente estar ali uma mulher com a mama de fora a dar o leite ao filho.
Há imensas atitudes que são proibidas em espaços públicos e maior parte delas nem sequer está escrita, é apenas senso comum, e alguém que tem de dar de mamar devia ter senso comum para saber que outras pessoas também podem ficar incomodadas.

O empregado, certamente e expectavelmente, deve ter sido bem educado com a senhora. Pelo que não há necessidade de misturar alhos com bugalhos e transformar isto num "titgate" sem sentido. De repente o hotel passa por ser anti-amamentação, o que é absolutamente ridículo. E que é que tem a ver o facto de ter tido duas crianças antes e não as ter conseguido amamentar? É suposto agora nos hotéis saber os traumas anteriores das pessoas para podermos passar qualquer tipo de mensagem?
Até parece que o empregado chegou lá e disse

"Põe as mamas para dentro da blusa ó porca!"

"No final estava mais calma mas não deixei de me sentir humilhada. Fui muito discreta. Hoje em dia ninguém deve fazer alguém a sentir-se desta maneira, principalmente quando uma mãe se sente pressionada a amamentar". 

Pois, mas eu já posso ser confrangido com a amamentação dos outros quando eu não quero ver. As sensibilidades só funcionam para um lado.

Mas isto é comum. Tudo o que tem a ver com crianças tem desculpa. Este ano fui acampar. Estava a mudar de roupa e, portanto, estava semi-nu, quando duas crianças decidem que é uma boa ideia começar aos murros à tenda. De dentro da tenda pedi para pararem, por favor. Depois disse para estarem quietos. E por fim saí, olhei para um deles e perguntei-lhe se estava a achar piada e se está a gozar comigo. A criança olha desafiadora e dá mais dois estrondos na janela da tenda. Saio, enfurecido, devo dizer, e digo à mãe das crianças para tomar conta das crianças porque andam a bater na minha tenda, não sei porquê, ao que a mãe responde:

"Não sabe porquê? São crianças." (com aquele ar enternecido que me mete nojo)

Ao que respondi que se são crianças devem ter mãe para cuidar deles. Essa mesma mãe procedeu de forma correcta e disse para as crianças não tocarem na nossa tenda porque tinha veneno (good parenting). 

Mas voltemos atrás, não sabe porquê, são crianças?!! Que raio de pensamento é esse?! 

Olhe, o seu filho matou a minha mulher! Não sei porquê?!

"Não sabe porquê? São crianças."

É desculpa para tudo. E temos todos que ser tolerantes e adorar as crianças que são as papoilas que embelezam o nosso planeta e o nosso espaço nunca é respeitado (aliás, raramente há pais que sabem educar as crianças). Está-se no comboio lá vem a criança e nós temos de apaparicar a criança como se quiséssemos saber, sei lá porquê.

"Não sabe porquê? São crianças."

Enfim. As crianças valem mais que tudo. Mas parafraseando Bill Hicks " No smoking on British Air. Now let me get this straight, no smoking, right, but they allow children. Little fairness, huh? "Well smoking bothers me." Well guess what?"

Mas as pessoas confundem o direito que eu penso ter ao meu espaço com "Uh odeias crianças, devias morrer". Eu não odeio crianças, simplesmente não me sinto à vontade perto delas. Não tenho direito a isso e a não ter que lidar com esse desconforto sem ser um anti-cristo?
 

No More McDonalds

A morte de Tugce Albayrak está a causar a consternação na Alemanha e onde quer que alguém tome conhecimento da história.

Não é muito comum comentar este tipo de episódios tão em cima da hora. As emoções estão em alta e por vezes é fácil deixar que a nossa opinião seja muito influenciada por essas emoções que muitas vezes nos toldam a razão.

Posto isto, é claro que é uma morte muito trágica. Albayrak tentou e conseguiu ajudar duas jovens e na sequência disso o mundo e todas as suas engrenagens deram-lhe a morte como consequência. É um trágico acontecimento do destino.
Contudo, a morte é também um pouco acidental. Creio que, apesar da atitude extremamente condenável, o agressor não teria em mente assassinar Albayrak, não com uma chapada ou soco ou empurrão. A atitude é, no entanto, de uma crueldade e insensibilidade incomensurável e digna da maior das punições.

O que me está a chocar mais no meio disto tudo é a forma relativamente intocada com que o McDonalds está a sair desta situação.

http://www.dw.de/germany-mourns-death-of-courageous-tugce/a-18101069

De acordo com as notícias, o incidente começou quando se ouviram gritos oriundos de uma casa de banho onde duas jovens estavam a ser assediadas. Os empregados do McDonalds não interviram e Tugce Albayrak interviu pondo cobro à situação.

Na sequência dos eventos trágicos que se seguiram, o McDonalds, criticado pela não intervenção dos funcionários na situação, veio a público DEFENDER a não intervenção dos seus funcionários.

Isto para mim, que trabalho em hotelaria, é absurdo e impensável. O McDonalds defende que se alguém está a ser violado na casa de banho de um dos seus restaurantes, os empregados deverão deixar a situação correr normalmente sem intervir nem incomodar, descendo a um nível cavernoso de preservação da dignidade humana.

O McDonalds, após semelhante tragédia, não vê nada de mal com o facto dos seus funcionários serem uns robots automatizados que não têm qualquer preocupação com o bem estar de quem sofre ou deixa de sofrer. Desde que o dinheiro entre na caixa e os hamburgers continuem merdosos, não há problema.

Assim sendo, a minha atitude perante esta situação é nunca mais pôr os pés num restaurante do McDonalds e farei questão de o mencionar sempre que alguém lá vá, já que o meu blog não tem expressão suficiente para conseguir que se crie um boicote universal a esta cadeia.

McDonalds, nunca mais!

O Cante e o (en)Fado

Estas duas formas de expressão foram reconhecidas como Património Imaterial da Humanidade. Nada contra.

O que eu tenho contra, e muito, é de repente a importância nacional que estas expressões adquirem. Subitamente, são motivo de orgulho para os portugueses. Não só aqueles que são do Alentejo, ou de Lisboa/Coimbra, mas sim de todo o país. De todos os habitantes de Portugal. E contra isso tenho tudo.

Em muitos, aliás, na maior parte de Portugal, o fado (já nem vou falar do cante), não é ouvido com regularidade e muito menos reproduzido com qualquer tipo de frequência. Aqui e ali há um programa de rádio, numa hora muito concreta, que transmite fado, mas não mais do que isso. Sou então, agora, obrigado a confrontar-me com algo que não faz, nem nunca fez, parte da minha educação cultural, só porque é Património Imaterial da Humanidade? Ou será porque o Carlos do Carmo ganhou um Grammy Latino?

Poderiam dizer-me que é apenas uma questão de levar o fado a todas as pessoas que o querem ouvir. Só que não é apenas isso. Se fosse isso para mim era igual, porque basta-me não ir. Agora ver festivais de fado em locais onde raramente se ouvia falar de fado, pretensas casas de fado a abrir aqui e ali onde não faz sentido nenhum que as mesmas existam, já para não falar da falsidade das mesmas. Afinal, estas expressões têm na genuinidade um bem fundamental (a meu ver) para a sua existência e valorização. Há necessidade de disseminá-las e plantar na cabeça da população que fado é Portugal? Há necessidade de generalizar uma expressão cultural a todo o país? Especialmente quando há outras formas de expressão igualmente válidas.

Não seria melhor conservar o fado, onde ele é intrínseco?

Mas não, vamos obrigar toda a gente a ouvir falar do fado aqui e do fado ali e que o fado é Portugal e vamos generalizar ainda mais a população. Somos todos portugueses e gostamos todos de fado e temos todos o fado em nós. E quando estamos a tomar o pequeno almoço optamos antes pelo cante alentejano com torradas.

E tudo é desculpa. Tudo serve a para insuflar as percepções.

"Oh o Carlos do Carmo ganhou um Grammy, Laticno, mas é sempre um Grammy."
Pois, mas a verdade é que nunca ninguém ligou patavina aos Grammys Latinos. Alguém sabe quem foram os vencedores anteriores do prémio? Não, e muito normalmente, porque ninguém-quer-saber! Mas, afinal é importante. Convenientemente importante.

Em reflexão, e notem que critico essencialmente as questões que têm a ver com o fado, o que eu penso é que tudo isto é um produto da centralização de poder e opinião na capital. Tudo o que vem de Lisboa, é ouro.

Um pouco off-topic, mas que serve de perfeito exemplo, onde vivo já tive cheias que me obrigaram a andar em gôndolas improvisadas para tentar ajudar a evacuar uma garagem, mas nunca foi notícia, mas quando é em Lisboa, são quinze, vinte, vinte e cinco minutos de notícias a mostrar todas as avenidas, descritas de forma quase familiar, como se fosse suposto todos os portugueses conhecerem aquelas avenidas em que nunca passamos e que possivelmente nunca vimos. É quase revoltante. No mesmo dia, houve cheias em muitos sítios, mas Lisboa (ou lesboa, como muitos jornalistas pronunciam), porque todos os lisboetas disseram que nunca viram nada assim, não saiu das notícias. E o fado é igual. Vem de Lisboa (essencialmente) então é de todo o país.

Está errado e é mais um exemplo da mediocridade intelectual da nossa sociedade.

Bill Hicks



Hoje quero falar de Bill Hicks. Já havia postado aqui duas citações dele anteriormente, mas hoje gostaria de falar mais em profunidade sobre esta pessoa.

Bill Hicks, resumidamente, era um comediante norte americano de stand up. Fez parte dos Outlaw Comics em Houston nos anos 80 e destacou-se por si só após isso, sendo considerado uma das maiores promessas da comédia americana, tendo algum sucesso nos EUA. Em Inglaterra teve muito sucesso, contudo, após o grande sucesso que experienciou nunca teve oportunidade de voltar pois viria a morrer em 1994 aos 32 anos.

Os temas de Bill Hicks, inicialmente eram os coloquiais temas de stand up. Situações diárias com a família, com os amigos, com os seus animais. O típico stand up comum de se ver em qualquer lado.
Contudo, Bill Hicks, sendo uma pessoa extremamente inteligente, não demorou a tornar a sua comédia mais "séria". Temas como a guerra do Vietname, a Guerra do Golfo, consumismo, controlo político da informação, mediocridade artística, marketing, drogas, fanatismo patriótico e religioso, entre outros, tornar-se-iam os temas fulcrais das suas actuações.

O que é que para mim separa Hicks de todos os outros. Hicks conseguia fazer com que temas sérios fossem tratados de forma intelectualmente acutilante, sem perder a graça, mas sem entrar em devaneios irrealistas. Com isto não quero dizer que tudo o que Hicks dizia era 100% verdade, mas eram dramatizações perfeitamente possíveis.

É incrível como a comédia de Hicks é intemporal. Tomemos os seus comentários sobre a Guerra do Golfo e, não soubéssemos nós a data, poderíamos pensar que ele estaria a falar da Guerra no Iraque em 2003.

"Remember how it started, they kept talking about ‘the Elite Republican Guard’ in these hushed tones like these guys were the bogeymen or something. Yeah, we’re doing well now, but we have yet to face-THE ELITE REPUBLICAN GUARD. Like these guys were twelve feet tall, desert warriors. KRRASH. NEVER LOST A BATTLE! KRRASH. WE SHIT BULLETS! Yeah, well, after two months of continuous carpet bombings and not one reaction at all from them, they became simply, ‘the Republican Guard.’ Not nearly as elite as we may have led you to believe."

Substituam Reagan, Bush e Clinton, por W. Bush e Obama, e tudo funcionaria na mesma.


Na área não política, possivelmente estaremos a falar de coisas mais subjectivas, mas as diatribes de Hicks contra a mediocridade na música e a contaminação do mundo artístico pela publicidade, acertam em cheio. Substituir New Kids On The Block, Michael Bolton e Marky Mark por Bieber, Beyoncé etc e continua tudo a ser actual. A mediocridade, o marketing e as estrelas construidas, com as mesmas ideias e imagens semelhates.
"Ball-less, soul-less, spiritless corporate little bitches! Suckers of Satan's cock, each and every one of them"

Hicks nunca abdicou da sua coerência em favor de nada. Apesar de ter olhado sempre para Jay Leno como um exemplo, não hesitou em ridicularizar Leno após o mesmo ter feito um anúncio de Doritos.
 "Do a commercial and you are off of the artistic roll call, every word you say is suspect, you’re a corporate whore and uh, end of story"

Bill Hicks em linha com a visão que tinha da arte, tinha a mesma opinião sobre o marketing para as massas.
"By the way, if anyone here is in marketing or advertising...kill yourself. Thank you. Just planting seeds, planting seeds is all I'm doing. No joke here, really. Seriously, kill yourself, you have no rationalisation for what you do, you are Satan's little helpers. Kill yourself, kill yourself, kill yourself now. Now, back to the show. Seriously, I know the marketing people: 'There's gonna be a joke comin' up.' There's no fuckin' joke. Suck a tail pipe, hang yourself...borrow a pistol from an NRA buddy, do something...rid the world of your evil fuckin' presence."

A comédia  e a filosofia de Hicks residem apenas na vontade própria de cada um, com a certeza de ver o mundo com mais clareza do que os outros. Bill Hicks conseguia dar um passo atrás e observar o mundo à distância, com lucidez, não se deixando enganar pela propaganda, não deixando de questionar tudo o que não fazia sentido com sua forma de viver, não se deixando levar por aquilo que a maioria diz que é certo.
"But you know, I saw this movie last year called Basic … Instinct. Okay. Now, Bill's quick capsule review: Piece of shit. Okay, now … yeah, yeah. End of story, by the way. Don't get caught up in that fevered hype phoney fucking debate about that piece of shit movie. "Is it too sexist? And what about the movies, are they becoming too …" You're just confused, you've forgotten how to judge correctly. Take a deep breath … look at it again. "Oh, it's a piece of shit!" Exactly, that's all it is. Satan squatted, let out a loaf, they put a fucking title on it, put it on a marquee – Satan's shit, piece of shit, walk away. "But is it too … and what about the lesbian content, they …" You're getting really baffled here. Piece of shit! Now walk away. That's all it is, it's nothing more! Free yourself, folks. If you see it: "Piece of shit!" Say it and walk away. You're right! You're right, not those fuckers who want to tell you how to think! You're fucking right!"

Para mim, a honestidade intelectual é o que mais me fascina neste comediante. Não concordo com tudo. Algumas opiniões acerca de drogas, tabagismo entre outros assuntos não são de todos coisas que defenderia, mas podemos sempre contar com ressalvas e, mesmo sem elas, o material continua a ser engraçado desde que entendamos que no fundo está uma mensagem de liberdade.

Nos seus anos finais, sofrendo de cancro do pâncreas, continuou a dar espectáculos, com segurança suficiente para em cada um deles afirmar que cada um seria o seu último espectáculo, sem que o público soubesse que ele estava doente. Apenas a família sabia da doença e sabia que a mesma era terminal.
Apesar de saber que a morte se aproximava rapidamente, continuou a trabalhar atá não poder mais. O último espectáculo que deu foi em Janeiro de 94, quando já se encontrava visivelmente debilitado. Passados dias perdeu a fala e viria a morrer em Fevereiro.

A morte não o propulsionou para a fama. As pessoas que gostam e que descobrem hoje, descobrem porque tropeçam neste comediante quando ouvem alguém falar. No meu caso só tomei conhecimento através do "John Cleese's Heroes of Comedy"

Muitas citações poderia deixar aqui, mas vou deixar aquela que eventualmente se tornou a mais famosa e uma das que mais vale a pena ouvir e pensar e as últimas palavras que ele desejou que fossem lidas no seu funeral

The World is like a ride in an amusement park, and when you choose to go on it you think it's real, because that's how powerful our minds are. And the ride goes up and down and round and round, and it has thrills and chills and is very brightly colored, and it's very loud. And it's fun, for a while.

Some people have been on the ride for a long time, and they've begun to question, 'Is this real, or is this just a ride?', and other people have remembered, and they've come back to us and they say 'Hey, don't worry. Don't be afraid, ever, because this is just a ride.' and we KILL THOSE PEOPLE.

"Shut him up! We have alot invested in this ride! SHUT HIM UP! Look at my furrows of worry. Look at my big bank account, and my family. This just has to be real."

It's just a ride.

But we always kill those good guys who try and tell us that. You ever noticed that? And let the demons run amok. But it doesn't matter, because ... It's just a ride.

And we can change it anytime we want. It's only a choice. No effort, no work, no job, no savings of money. A choice, right now, between fear and love. The eyes of fear wants you to put bigger locks on your door, buy guns, close yourself off. The eyes of love, instead see all of us as one.

Here's what we can do to change the world right now, to a better ride:

Take all that money we spent on weapons and defense each year and instead spend it feeding, clothing, and educating the poor of the world, which it would many times over, not one human being excluded, and we can explore space, together, both inner and outer, forever ... in peace.

Bill Hicks (1961 - 1994)
(últimas palavras)
"I left in love, in laughter, and in truth, and wherever truth, love and laughter abide, I am there in spirit."

Coisas

A Suécia reconheceu ontem o Estado Palestiniano. Israel, apressou-se a dizer que conseguir a paz no médio-oriente não é tão fácil como montar um móvel do IKEA.

È pena mais nenhum país da UE se chegar à frente e reconhecer aquilo que é óbvio. A Palestina é um estado que não tem armas para se defender e está fraccionada pelas acções hostis  de Israel.
Como se pode perceber pela resposta de Israel à notícia, Israel está inchado de arrogância para com a comunidade internacional que não alinha pelo discurso pró Israel. É curioso como 135 países já reconheceram oficialmente o Estado Palestiniano e no mundo só há 196 países.
Reconhecer o Estado Palestiniano não é a solução para o problema, ma sé umk passo para pressionar o maior alidade de Israel, EUA, a mudarem de ideias e deixarem de apoiar as acções bárbaras e contínua violação dos direitos dos palestinianos.
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O CEO da Apple assumiu a sua homossexualidade. Tudo bem. O que não está bem é a frase "Tenho orgulho de ser gay".

E não está bem porquê. Não quero aqui dizer que ele não deva estar feliz ou não deva ser respeitado pela sua escolha. Para mim, gay, hetero, trans, bi, é tudo água do mesmo balde. Não sou homofóbico e que fique bem claro isto, para não ter de ouvir choro.
O meu problema com esta frase é que se eu saísse à rua e dissesse "Tenho orgulho em ser heterossexual" como é que isso seria interpretado? Seria interpretado como um comentário homofóbico que nada mais visaria do que elevar a virtude de ser heterossexual. E para mim o comentário do CEO da Apple, entra na categoria do querer mais do que aquilo que se deve.
É gay? Óptimo, podemos continuar com as nossas vidas? Porque a mim não me interessa se ele tem orgulho ou não. E acho que é daqueles "double standards" que existe. As minorias (e muitas feministas que não são uma minoria), em vez de lutarem pela igualdade, lutam pela superiorização. E isso é perfeita estupidez. Eu sou gay, sou melhor. Sou mulher, sou melhor. Sou preto, sou melhor. Não não sou. Eu sou branco, sou homem e sou hetero. Também posso dizer que sou melhor? Não. Eu sou um ser que anda nesta terra e mais nada. E é assim que todos nos devíamos ver. Apenas alguém que tem o privilégio de estar vivo e poder viver uma vida única respeitando sempre os outros.
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 Marco Chagas, antigo ciclista português, deu uma entrevista em que falou de Lance Armstrong como sendo um bode expiatório de todo o escândalo de doping, que culminou com a sua irradiação do desporto e perda de todos os títulos.

Pois bem. Há muita coisa que Marco Chagas diz nesta entrevista acerca deste tema que não fazem sentido. Primeiro diz que o escândalo Festina foi em 93 quando foi em 98. Estranho de um comentador tão requisitado enganar-se num pormenor tão histórico como esse escândalo de doping, que curiosamente, é exactamente antes da subida ao destaque de Armstrong.
Depois diz que no tempo dele já havia EPO e que ele não sabia, mas que estranhava como outros corredores eram tão mais rápidos que ele. Atribui isso à abertura do ciclismo ao leste (WTF!x2000), quando maior parte dos estudos para utilização de EPO vem de Itália, nomeadamente, dos estudos efectuados por Conconi e consequentemente pela profissionalização da utilização desta (e de outras) substâncias e técnicas por Michele Ferrari. Estranho, mais uma vez, um comentador tão requisitado como Marco Chagas não saber isto.
Afirma que como não havia teste para a EPO os ciclistas pediram que a UCI estabelecesse um limite de densidade sanguínea. Primeiro, os ciclistas não pediram coisa nenhuma Bjarne Riis venceu o Tour com um hematócrito de 64. Segundo, não se trata de densidade sanguínea mas sim de nível de glóbulos vermelhos no sangue (que, consequentemente, tem impacto na espessura do sangue). Este nível, referido como hematócrito, tem uma importância grande, porque é o nivel físico que determina a nossa capacidade de esforço. Uma pessoa com um hematócrito baixo, tem um rendimento menor, devido à incapacidade do seu sangue de transportar oxigénio. EPO aumenta a produção de glóbulos vermelhos, tornando o hematócrito mais alto e fazendo do mais amador e inútil corredor um vencedor das montanhas.
O pior é que o excesso de glóbulos vermelhos aumenta a espessura do sangue potencialmente provocando coágulos que podem causar sério danos, incluido mortes.
Este nível (que era hematócrito 50) foi estabelecido porque não havia teste para a EPO, mas apenas para prevenir perigo, porque em condições naturais, um bom ciclista teria à volta de 48 de hematócrito no início e cerca de 38 no final do Tour, pois o corpo não consegue regenerar-se em períodos tão pequenos de tempo entre grandes esforços. Assim sendo, é estranho que os níveis dos ciclistas fossem sempre 46, 48, 49, 47, 48, durante toda a volta. Mas a UCI nada fez. Mas enfim, mais uma vez, o mair comentador de ciclismo em Portugal está mal informado.
Depois saiu-se com a velha frase "todos estavam a fazer doping". Bem, não, não estavam (ver Christophe Bassons). E desde quando é que isto é desculpa? Matou a mãe mas é ok porque todos matam? Que demência é esta?
Entrou em campos falaciosos de dizer que Lance Armstrong era um grande atleta e depois do cancro, por causa da sua luta, passou a ser ainda melhor e por isso é que ganhou o Tour sete vezes. Vamos olhar para os triunfos de Armstrong antes de ganhar o Tour em '99.
Uma das primeiras vitórias de Armstrong foi o Thrift Drug Triple Crown. Era tão bom atleta que subornou a equipa adversária para o deixar ganhar. WOW, que atleta!
Foi campeão do mundo. Ok. Primeiro, todos os indícios indicam que essa vitória já terá EPO misturada, mas não há provas, por isso enfim. Segundo. O Rui Costa também foi campeão do mundo. Ganhar esse título não atesta em nada da qualidade de um ciclista para poder ganhar um Tour. Porque o Campeonato do Mundo decide-se numa só etapa e o Tour em três semanas de continuo esforço. Provas diferentes. Basta ver que de 93, ano em que Armstrong foi Campeão do Mundo, nenhum dos vencedores venceu uma das grandes voltas.
E depois ganhou clássicas (provas de curta duração) aqui e ali. No Tour participou quatro vezes e só chegou ao fim numa das edições em 36º.
Isto é um registo de um bom atleta. Um atleta que se consegue aguentar e num dia consegue superar-se, mas não a imagem de alguém que, do dia para a noite, vence Tours, não só vencendo mas varrendo a concorrência.
Mas Marco Chagas acha que Armstrong ganhou porque era melhor atleta num mundo em que todos faziam o mesmo. E eu digo. Armstrong ganhou porque dopou-se melhor que os outros. Dopou-se de uma forma organizada, profissional e dedicada com um médico que trabalhava para poucos ciclistas. E tratava também de se certificar que os seus colegas de equipa também estavam à altura, com os devidos tratamentos e passos tomados no sentido de usarem o doping da melhor forma.

Marco Chagas não é digno sequer de comentar o ciclismo. Porque por causa de pessoas como ele, é que muitos outros andam com os olhos tapados em vez de verem a verdade de um assunto, neste caso, tão vergonhoso como este que envolveu Lance Armstrong.

Well...

'Young man on acid, thought he could fly, jumped out of a building. What a tragedy.' What a dick! Fuck him, he’s an idiot. If he thought he could fly, why didn’t he take off on the ground first? Check it out. You don’t see ducks lined up to catch elevators to fly south—they fly from the ground, ya moron, quit ruining it for everybody. He’s a moron, he’s dead—good, we lost a moron, fuckin’ celebrate. Wow, I just felt the world get lighter. We lost a moron! I don’t mean to sound cold, or cruel, or vicious, but I am, so that’s the way it comes out. Professional help is being sought. 

“Let’s see: two kids, big fans of Judas Priest commit suicide—wow—two less gas station attendants in the world. We didn’t lose a cancer cure here, folks. We saved those kids a long, troublesome job search.”

Bill Hicks


Ódios de estimação

Pessoa que faz casamentos com grande pompa e circunstância e que, basicamente, encharcam-se de alegria (e outras coisas) num dia, desenhado para ser o dia mais bonito da vida deles e em que todo o extase reprimido, de uma vida inútil e inconsequente, sai à rua.
Depois vão de lua-de-mel ao passo que o extase começa a diminuir até que a lua-de-mel acaba e depois encontram satisfação na mobília da casa e em compra tretinhas, mas a satisfação desaparece e o que lhes fica nas cabeças é o extase que viveram brevemente e em como nada é tão bom como esse dia e nada corresponde às expectativas, porque, meu deus, nunca pensámos nisso antes e avida afinal não se resume à cerimónia de casamento e o casamento em si não é passaporte para a felicidade.
Por serem deficientes mentais deste género é que depois se encontram a procurar explicações a culpar outros pelos seus fracassos. Porque simplesmente nunca pensaram. Pensavam, antes, que o casamento era um botão mágico em que se carregava e tudo ficava bem. Tudo seriam rosas. Pois bem, assim não é!

Am I right?

Muitas vezes, sou acusado de não ser muito sociável e não me esforçar para manter amizades vivas.

Venho então contar uma história, muito recente, para elucidar a minha posição em relação à acusação.

Em tempos tive um colega de trabalho com quem me dei bastante, bem. Falávamos bastante nas nossas trocas de turno e até nos encontrámos uma vez fora do trabalho para tomar um café, coisa que raramente faço porque, normalmente, não gosto de grandes intimidades com colegas de trabalho.

Mas bem, com este colega senti que me dava bem e que poderia ser honesto em muitas das minhas opiniões controversas. Por exemplo, a minha teoria segundo a qual as pessoas só gostam de leite por pressão social.

De qualquer das maneira, a primeira coisa que me incomodou um pouco, foi este colega ter deixado o trabalho de forma extremamente repentina e sem aviso, deixando os colegas de secção em posição delicada. Pessoalmente, tive de adiar as minhas férias para fazer face à saída repentina. Mas o que me incomodou mais ainda foi o facto de não ter tido a simples atitude de mandar um sms ou falar pessoalmente e deixar-me a par da situação, em vez de me deixar ser surpreendido com a saída e consequentes consequências (por assim dizer).

Eu tinha emprestado um livro a este colega (vejam lá a confiança que eu não tinha). Um livro, que como todos os que são do Júlio Verne, é-me muito querido.

Após algum tempo da sua saída do meu trabalho contactei-o para marcarmos um café. Não vou dizer que não tinha interesse em reaver o livro, mas a verdade é que também gostaria de falar com ele e saber o que ele andava a fazer etc. Marcou-se um dia que foi desmarcado em cima da hora.

Após mais umas semanas largas, voltei a contactar, mas desta vez não havia possibilidade. Entre estas vezes não recebi nenhum contacto de volta.

Após mais umas semanas, contactei novamente, e desta vez ficou marcado novamente mas com um ponto de interrogação porque não sei o quê e ele poderia não ter tempo de ir ter comigo embora viesse até à minha cidade. Disse ok, e que se ele não pudesse vir ter comigo e quisesse entregar o livro que o deixasse no trabalho do meu pai que era fácil de chegar. Assim foi, o encontro foi cancelado e o livro entregue no meu pai.

Deixei passar mais de um ano e até hoje nem uma mensagem me chegou. Portanto ainda bem que pelo menos o livro voltou às minhas mãos.

E voltando à acusação inicial, eu não me esforço para manter amigos. Mas a verdade é que neste caso, por duas vezes tentei marcar algo e o problema para mim não é que tenha havido impossibilidade, mas sim que não tenha havido vontade. Porque se houvesse vontade tinham havido outros contactos e poderíamos ter arranjado uma situação qualquer em que fosse possível encontrar-nos e conversar e etc, aquilo que amigos fazem.

Posto isto, eu é que me devo esforçar, ou os outros não têm de se esforçar também? Que mais deveria fazer. Ir de joelhos até casa dele para que ele viesse tomar um café comigo. Nem pensar.

Para mim, amizade é recíproca e, neste caso, não fosse pelo livro ao fim da segunda tentativa deixava de tentar, porque obviamente para mim não funciona de todo ser só eu a ligar e tentar marcar coisas. Se me derem a entenderem que não estão interessados, eu não interessado estou, porque, francamente, algo melhor do que ficar em casa com a cara metade a ver os gatinhos fazerem parvoíces?

MH17

Não era para escrever nada acerca disto, mas vou escrever porque já irrita e vai continuar a irritar.

O voo MH17 que foi abatido/despenhou-se (sim, porque aparte das conclusões super rápidas dos EUA em assuntos que lhes convem, ainda não há assim tantas provas, daquelas em que se possa acreditar a 100%. Só gostava que os EUA fossem rápidos a esclarecer outras coisas, mas enfim) e desde então, como é perfeitamente natural, muitas mensagens de luto e lamentação apareceram.

Perfeitamente normal, volto a sublinhar.

O que não é perfeitamente normal é a exacerbação das mortes porque eram investigadores contra a Sida. Esta ideia de que as coisas são mais ou menos trágicas porque não sei quem ia no avião é ridícula e só serve, exactamente, para exacerbar o incidente através da sensibilidade da questão que é a Sida.

Curiosamente, muitas das pessoas que fazem este luto apalermado por investigadores que não conhecem, só porque eles eram investigadores, são muitas das mesmas pessoas que se queixam que a vida só vai mal para nós e os políticos é que estão bem, inferindo, e criticando, a ideia de que há cidadãos de primeira e cidadãos de segunda. Contudo, na hora de lamentar as mortes de um desastre aéreo, lamentam sempre mais intensamente as mortes de uns quantos que iam lá e que eram assim e assado. Aqui já é ok haver cidadãos de primeira e de segunda.

Quanto ao acidente, não devemos crer em interpretações imaturas e precipitadas, diria mais, propositadamente precipitadas, acerca de um incidente ocorrido num local onde a informação é confusa e difícil de obter. Portanto, é estranho que em menos de 24 horas um país tenha vindo a terreiro dizer que já sabia tudo o que se tinha passado com 100% de certezas.

Mas bem, cada um acredita no que quer. Apesar de este ser considerado, por algumas pessoas, o incidente mais trágico envolvendo acidentes de aviões, para mim continuo a achar o do AF447 muito mais trágico a nível humano, por todas as vertentes do acidente.