Exageros e porque é que Portugal está mal

1ª parte - Exageros

Estava a ver perfis de facebook, com o meu perfil falso,  de pessoas que conheço mas que não quero que sejam minhas amigas, nem as quero perto de mim pois a falta de capacidade de pensar é demasiada e pode ser contagiosa.

Anyway, estava a ver um perfil de uma tipa que acabou agora o mestrado, bem, não vou revelar que mestrado é, porque não interessa, mas foi finalizado por via de estágio e não tese/projecto. Em termos de valor, penso que fazer um projecto ou tese será sempre mais desafiante e exigente. Mas há palermas que fazem projectos, isso no fundo não quer dizer nada.
De qualquer das formas, a onda de parabéns porque acabou o mestrado era quase um tsunami. Eu tenho uma notícia para as pessoas, e eu sei que é difícil de imaginar o que vou dizer a seguir, mas é a verdade.

Um mestrado (ou doutoramento ou até pós-douturamento) não significa nada. Principalmente na área das humanidades. E não digo que não significa nada em termos de CV. Digo que não significa nada em termos de intelectualidade.

Quando era mais novo, aliás, a minha primeira entrevista de emprego, tinha dezoito anos e quando cheguei lá estava lá uma tipa que tinha um mestrado e eu pensei "uau, um mestrado...". Para mim, era como se essa rapariga reluzisse, que mente obrigatoriamente brilhante que ali estava. Mas isso é uma concepção errada. Qualquer idiota apalermado pode tirar um mestrado ou doutoramento. Basta que se aplique o suficiente no necessário.

Portanto, mestres e doutores e familiares, desçam lá dos vossos cavalinhos, porque vós continuais a ser, na maior parte, ignorantes idiotas, com pouco para oferecer ao mundo. Eu, com o meu curso de nível III, encontro poucos que mereçam qualquer tipo de reconhecimento intelectual. E ide p'ro real caralho se achais que eu sou arrogante. Whatever!

2ª parte - Porque Portugal está mal.

Prova A

Esta mestre, é uma pessoa que, testemunhei eu e vou passar a acusações claras, numa conferência com alguém de muito interesse para a área dela (e que eu fui ver por interesse próprio pois não tem interesse nenhum para a minha área) passou a conferência no facebook.
Esta mestre agora que concluiu o mestrado diz que vai ter mais tempo para socializar... Muito bem, certamente estava a pesquisar material relevante para o seu mestrado... no facebook.
Esta mestre, aquando da entrevista para o estágio, foi-lhe perguntado o que achava de certa pessoa. Note-se que esta mestre concordava com quase tudo o que essa pessoa dizia, mas na entrevista e, certamente, lembrando-se de dissidentes no discurso deu esta brilhante resposta.
"Houve quem não gostasse muito!"
O que o entrevistador adorou porque ele próprio não gostava. Este entrevistador, obviamente outro idiota, não percebeu que tinha sido enganado por outra idiota.
E isto é, basicamente, o porquê de Portugal ser o país medíocre que é.

Em Portugal as pessoas não formam opiniões. Esperam pela missa de Domingo do Cardeal Marcelo Rebelo de Sousa que lhes vai dizer o que e como é que devem opinar durante a semana. Depois esperam pelo Cónego Miguel Sousa Tavares. Depois há alguns que vêem aqueles debates absolutamente patéticos que passam no absolutamente patético Canal Q e o, também, absolutamente patético Governo Sombra e que acham que estão a ter a luz do verdadeiro pensamento livre quando no fundo são mais uns palermas a serem amestrados, todos para pensarem o mesmo por palavras diferentes, mas igualmente incipientes, sem conteúdo e sem ideias novas. É sempre o mesmo.

E depois há ainda aqueles que não querem assumir o seu próprio pensamento e colam-se a opiniões alheias de pessoas "iguais". E há ainda aqueles que em lugar de posição poderiam mudar as coisas, mas, como vêm do mesmo tipo de criação, são outras ovelhas que pensam e agem como todas as outras pessoas.

Prova B

Onde eu trabalho, há cerca de um ano, veio trabalhar uma miúda que tinha acabado de completar o seu cursinho (mais uma que as pessoas apenas dão crédito porque "ó meu deus" tirou uma licenciatura). Para ela vir trabalhar outro trabalhador foi dispensado. Que se fique desde já a saber que o dispensado era melhor que a contratada, mas bem, pormenores.

Esta trabalhadora veio para o mesmo posto que eu. E, basicamente, dos sete a desempenhar a mesma função, em turno continuo e em funções que exigem que todos trabalhem bem para que se trabalhe de forma fluida, esta era das piores. Daquelas que mais vale nem ensinar certas coisas e sermos nós, os outros que conseguimos fazer as coisas direitas, a resolver as coisas e a prever os desastres.

Esta trabalhadora, num dia de muito trabalho, teve ajuda de dois colegas que estavam de folga mas que vieram para a ajudar, porque obviamente era inconcebível que ela conseguisse dar conta do recado. Acompanhada por duas pessoas que fizeram o sacrifício para estar com ela a ajudar, a certo ponto, ela, vira-se e diz, após receber uma chamada: "Bem, esperem só um bocadinho que vou ali beber uma cerveja". Sim senhora, belíssima profissional.

De qualquer das formas, e borrada atrás de borrada, meses mais tarde o que acontece? O natural, num país normal e numa empresa normal, seria que esta pessoa fosse substituída. Certo? ERRADO! Esta pessoa foi promovida para um cargo directivo.
E o que faz esta pessoa no seu posto directivo? Pergunta tudo. "O que farias na minha situação?" "Como achas que devo proceder?" "Achas que faça assim? Fica bem?"

Pergunta tudo. E basicamente a cadeia de decisões está igual, mas a capacidade de trabalho e decisão está no escalão mais baixo, que está sobre alçada de uma pessoa incompetente que nem o trabalho mais abaixo na cadeia sabia fazer direito.

Esta pessoa, que para além de incompetente é altamente ignorante, é alguém que não anda a fazer nada neste mundo. Por um acaso qualquer aconteceu-lhe uma série de coisas e agora está acima dos outros a tomar decisões estúpidas.

Esta situação é algo que eu quero que seja visto, tal como a primeira, como algo que nada tem a ver com factores externos. Não tem a ver com o governo. Não tem a ver com os corruptos políticos. Não tem a ver com a crise internacional. Não tem a ver com impostos. Não tem a ver com nada.
Tem apenas a ver com estupidez pura e dura. E depois queixam-se que as empresas faliram. Com gestões destas... As pessoas que têm poder hoje em dia não passam de pessoas que provavelmente na escola eram considerados os nabos. Os estúpidos. E agora têm poder, mas não deixam de ser estúpidos.

Há solução para isto? Não, nem por isso. No outro dia li que para um rio se livrar de uma contaminação de chumbo naturalmente poderia demorar mais de cem anos. Para a humanidade se livrar desta ignorância extrema e repugnante, tem obrigatoriamente, de demorar muito mais.

Há pessoas boas, e talvez por essas pessoas boas valha a pena dizer a verdade como a vemos. Talvez por essas pessoas ainda haja alguma esperança e certamente há muitas pessoas boas.
O problema é que enquanto os estúpidos são extremamente estúpidos, os inteligentes nem sempre são extremamente inteligentes, sendo que há vários níveis de intelectualidade e só alguns, poucos, lá chegam e assim sendo, há um desequilíbrio difícil de ultrapassar.

O verdadeiro dono disto tudo

A Sony foi vítima de um ataque informático que revelou milhares de documentos internos que causaram grande celeuma em todo o mundo.

Inclusivé, levaram à não exibição de um filme e, pelo que vi, não se perdeu nada. (Porquê? Porque sim!!!)

O ataque foi feito pelos Guardians Of Peace (GOP) e com algumas ameaças, bastante sérias, à mistura. Enfim, leiam as noticias que faz bem.

Para mim que a Sony tenha sido atacada é-me totalmente indiferente. Como grande companhia que é a nível mundial, a Sony devia saber melhor que ninguém que estes ataques existem, frequentemente. Aliás, a PlayStation Network é um caso claríssimo de como ataques do género acontecem regularmente, e a Sony, como detentora da PSN já se deveria preparar melhor, em todos os seus campos de negócio.

http://www.aljazeera.com/news/asia-pacific/2014/12/20141220132043560905.html

Barack Obama reagiu e após ter defendido a Sony e condenado a mesma por não exibir o filme que foi retirado, disse "We will respond. We will respond proportionately and we'll respond in a place and time and manner that we choose,"

Portanto, Obama, é o dono disto tudo. Primeiro porque a Sony é uma companhia privada. Senhor Obama, se amanhã atacarem informaticamente um merceeiro do Ohio roubando-lhe todas as poupanças, o senhor Obama vai intervir pessoalmente no caso? Porque é exactamente a mesma situação. Um indivíduo lida com as suas próprias consequências. No outro dia assaltaram-me o carro, fiz queixa, mas nada se resolveu e nada se recuperou. Acredito que as autoridades fizeram o possível, mas deveria eu escrever ao Cavaco para me ajudar nesta situação? Não. Seria um disparate e se o Cavaco viesse publicamente dizer que me ajudava, então seria injusto, porque todos os dias, carros são assaltados.

Segundo, Obama diz, por outras palavras, que uma companhia privada foi atacada pela Coreia do Norte e que nós (EUA) vamos responder da maneira que eu achar mais adequada e em maneira proporcional. E toda a gente diz "ok, é justo". É justo? Isto implica duas coisas.

A primeira, se lerem o artigo cujo link está acima, a acusação é fundada em muito poucos factos e muita especulação, mas está tudo bem porque são os Estados Unidos da América.

A segunda, é que, basicamente, os EUA vão responder a um crime contra a Sony com outro crime contra a Coreia do Norte, porque a retaliação não vai ser deixar de ir jogar Monopoly com o Kim Jong. A reacção será algo de criminoso, pelo menos tão criminoso como o ataque que a Sony sofreu.

Com isto, Obama está a agir como o dono disto tudo. O dono disto tudo não é Ricardo Salgado é Barack Obama (ou qualquer outra pessoa que tenha influência nas decisões da Casa Branca).

Finalmente, porque o filme não foi exibido, muita gente está a dizer que não podemos deixar que outros países ditem o que passa ou não na tv. Um deles, David Letterman, já censurou um comediante por absolutamente nada, portanto, que moral tem ele?

Aliás, que moral tem o público norte-americano para se queixar do que quer que seja neste aspecto? Porque não se preocuparam quando o jornalista Abdulelah Haider Shaye foi detido sem razão e preso, só porque reportou um ataque americano contra uma tribo no Yemen que matou 50 pessoas, incluindo 14 mulheres e 21 crianças?
Porque não se preocuparam, quando este jornalista ia ser libertado, que o seu presidente (Obama) tenha ligado ao presidente do Yemen e expressado preocupação sobre a libertação do jornalista, fazendo com que o mesmo continuasse detido? Ah, nesse caso já é ok impedir o público do Yemen de ver certas coisas?

Acho que dá para perceber o que quero dizer.

Da privatização da TAP

O processo de privatização da TAP dá muito que falar e que entender.

Por partes.

Primeiro a greve que os funcionários e sindicatos decidiram fazer.

A minha opinião sobre isto é a seguinte. É óbvio que quando se faz uma greve o que se quer é conseguir algum impacto. E não há datas que mais impacto tenham na vida da companhia do que os escolhidos para esta greve. Só que, ao mesmo tempo, é uma greve hipócrita. Porquê?
Porque a greve, supostamente, é para defender os interesses de Portugal e dos portugueses, para manter em mãos estatais uma companhia de bandeira bem sucedida. Contudo, esta greve prejudica essencialmente esses mesmos portugueses. Essencialmente aqueles que estão emigrados e que vêm a Portugal passar o Natal perto das suas famílias. No outro dia, um comentador (Octávio Teixeira) qualquer de meia tigela, mais um, disse que não há mal, porque quem quiser viajar pode fazê-lo no dia 26. Este comentador é de meia tigela porque só uma pessoa ignorante pode acreditar que as 130 000 (informação constante no site TAP, que agora já não está por causa da requisição civil reservas previstas para esses dias poderiam ser enfiados num dia só. Enfim. Mas vamos supor que só metade diriam respeito a emigrantes. Continuaria a ser praticamente impossível enfiar nesse dia à martelada 75 000 passageiros.
Resumindo, a greve é para defender os interesses dos portugueses, mas prejudica os portugueses.

Agora, aos motivos da greve.

Eu tenho a dizer que nada vejo de mal com a privatização. Acho que a TAP é neste momento uma companhia de bandeira e que representa Portugal e garante ligações a pontos fulcrais do mundo de língua portuguesa. Graças a esta contingência (países de língua portuguesa) a TAP tem condições para no futuro se tornar uma companhia de classe mundial.
O governo diz que não pode investir na TAP, Bruxelas diz que é uma matéria delicada mas não é impossível. A questão prende-se que num mundo que corre à velocidade da luz, é fazível, para a TAP, ter de respeitar os prazos definidos pelo lento Estado Português? É concebível ter de esperar meses para poder recrutar funcionários? Não, não é!
"Mas a TAP só dá prejuízo por causa do negócio no Brasil! De outra forma seria rentável e não teria de ser recapitalizada". Isso é por um lado verdade, mas uma empresa como a TAP precisa de investimento e não de viver de lucros, que, por muito bom que seja o desempenho, são variáveis. Basta haver uma crise qualquer e lá se vão os lucros.
Provas de que a TAP precisa de investimento estão naquele período em que muitos voos foram cancelados, alegadamente por causa dos aviões que tinham sido encomendados e chegaram atrasados. Toda a gente criticou e "ai meu deus, este é estado em que está a TAP, sempre atrasada etc etc". Mas agora não interessa, preferimos os voos cancelados e os atrasos sistemáticos.

Outro ponto é a questão das ligações a pontos estratégicos para Portugal.
Primeiro ponto, o caderno de encargos para a privatização (que ainda não saiu) deverá contemplar esse ponto. Se não contemplar, aí sim estamos perante uma parvoíce.

Segundo, mesmo que o caderno de encargos não o contemple, alguém acredita que a TAP em mãos privadas irá desistir de fazer essas ligações aos PALOP que são rentáveis? Podem não haver tantos voos, mas continuarão a existir na certa. Como continuarão a existir voos para qualquer lugar para onde haja procura. É a lei do mercado, que é mais fielmente seguida por privados do que por empresas estatais.

Finalmente, e isto é algo que ninguém fala, mas vamos ver a situação de outras companhias de bandeira com interesses semelhantes aos nossos.

- British Airways - Inglês é a língua mais falada do planeta (em termos de nativos a terceira mais falada). Existe portanto uma necessidade premente de satisfazer esses destinos, assim como, para a TAP, existe a necessidade de viajar para os PALOP. A British Airways é privada desde 1987. Hoje em dia é parte da Iternational Airlines Group que resultou da fusão da British Airways  com a Iberia (companhia de bandeira de Espanha)

- Air France - Francês é outra língua relevante em termos de falantes a nível mundial. Há muitos destinos em África que interessam por antigas ligações colonialistas e questões de língua (tal como Inglaterra e Portugal) e como tal deve servir esses destinos. Esta companhia foi sendo privatizada sendo que França deixou de ter o controlo maioritário da companhia quando foi fundida com a KLM em 2004. Actualmente o governo francês tem 15.9% da companhia resultante da fusão a Air France-KLM. KLM e Air France continuam a voar com as suas distintivas marcas e são também das maiores companhias aéreas da Europa, sendo que a Air France é a que tem a maior quota do mercado europeu.

- Lufthansa - Alemão não é uma língua tão relevante como inglês e francês (ou até mesmo português) mas é a língua do mais país mais forte da Europa, economicamente falando, e, portanto, é também relevante analisar. Esta companhia foi privatizada em 1994 e hoje em dia o Estado Alemão nem uma acção da companhia tem.

Estas três companhias aéreas estão as três no top 10 das maiores da Europa e são, sem dúvida, empresas prestigiadas em todo o mundo. Todas privadas. Não pode a TAP, privatizada, aspirar a ser uma das maiores também? Pode, mas como estatal dificilmente lá chegará.

Acerca de ontem

Acerca do tema de ontem, fica aqui um link para nos ajudar a reflectir um pouco.

Se invadissem as nossas casas e as nossas cidades, o que faríamos nós?

http://www.aljazeera.com/indepth/inpictures/2014/09/pictures-erasing-palestine-201492614175356567.html

Não seria altura de a comunidade internacional reconhecer e pressionar uma solução?

Areia na cabeça

Preparados para uma viagem ao deserto intelectual?

https://www.youtube.com/watch?v=PUcX3oCa7mY

Há uns dias, quando falei de Bill Hicks, não mencionei, mas tanto este programa que o Bill Maher apresenta, como o programa the Daily Show apresentado por Jon Stewart, foram formatos imaginados com Bill Hicks como apresentador. Enfim, muitas voltas deve ele dar no túmulo.

Vamos por pontos.

- Maher vê e compreende o argumento dos palestinianos, mas não vê que tenham mais moral que Israel. Depois é apoiado pelos convidados (aparentemente, todos concordam o que torna o show muito mais interessante!!!) enquanto diz "tenho muita pena das crianças palestinianas, mas de quem é a culpa se os pais dessas crianças é que estão a disparar rockets contra Israel?

Israel há muito que fez e continua a fazer aquilo que a comunidade internacional classifica como ilegal à luz da lei internacional com a expansão e construção de illegal settlements em território palestiniano.
É fácil dizer que a culpa é de quem dispara os rockets, porque isso dá a impressão que está tudo bem até que o palestiniano lança o rocket. Mas a verdade é que há razões e motivações para esses ataques, que no fundo é como fazer uma festinha na cabeça de um crocodilo. É insignificante, embora seja um comportamento de guerra. Mas as guerras têm um motivo.
Imaginemos que Espanha mandava espanhóis construir uma cidade nova em território português, e depois povoava essa cidade com espanhóis e proclamava aquele terreno como seu. Era suposto os nossos pais ficarem quietos?
Agora transportemos a situação para o Médio-Oriente onde de um lado temos uma população sobre embargo que basicamente apenas lhes chega o suficiente para sobreviver e do outro, uma nação apoiada pelo país mais forte do mundo (EUA) e com armamento nuclear.

http://www.nytimes.com/2013/02/01/world/middleeast/un-panel-says-israeli-settlement-policy-violates-law.html

Neste artigo do NY Times fala-se sobre conclusões das Nações Unidas acerca destes settlements.
De destacar:

Israel has pursued a creeping annexation of the Palestinian territories through the creation of Jewish settlements and committed multiple violations of international law, possibly including war crimes, a United Nations panel said Thursday, calling for an immediate halt to all settlement activity and the withdrawal of all settlers.Asked if Israel’s actions constituted war crimes, Ms. Chanet replied that its offenses fell under Article 8 of the International Criminal Court statute. “Article 8 of the I.C.C. statute is the chapter of war crimes,” she said at a news conference. “That is the answer.”

E estes settlements continuam- http://www.theguardian.com/world/2014/jun/12/dfismay-israeli-illegal-settlements

Portanto, que fique claro que o que está aqui em causa não é um palestiniano que se lembrou e matou um israelita com um rocket. Foi um palestiniano, que vive em condições deploráveis, abaixo do limiar da pobreza, que viu a sua terra ser invadida e que, provavelmente, quis fazer algo para tentar mudar.
Maher pergunta se a Palestina não esperava retaliação, mas isto é apenas uma manobra de inversão. O agressor é Israel.

- Depois, Jane Harman (quem?) diz que não sei das quantas disse "Israel uses missiles to protect its citizens, and Hamas uses its citizens to protecto its missiles"

Isto é tão estúpido que nem merece resposta. Mas bem, esta idiota diz isso porque quem absorve mais mortes é a Palestina, muito naturalmente, mas então que dizer quando Israel tentou invadir a Península de Sinai e envolveu-se em guerra com o Egipto sofrendo uma pesada derrota? A diferença é que aqui agrediu um país com força, o que não acontece com a Palestina que nem um sistema económico tem, quanto mais um exército organizado e financiado. Sugestão para a Jane, livre o mundo da sua existência.

Ah e antes há este tipo a dizer que o que os palestinianos querem é eliminar todos os israelitas. É engraçado que sempre que há tréguas Israel é o primeiro a quebrá-las, mas pronto, pormenores. Falam ainda do Hamas e que eles matariam o máximo de israelitas, quando o Hamas não é um grupo armado e é um grupo político dos mais moderados e que mais concessões está disposto a fazer para que a paz seja alcançada, mas mais uma vez, pormenores.

-Israel tem a oportunidade de matar muitos mais palestinianos e não matam. Seguido de, "quando os EUA invadiram o Iraque em 1990/91 mataram muitos mais iraquianos do que os iraquianos mataram americanos, significa que estávamos errados e deveríamos ter retirado em vez de expulsar os iraquianos do Kuwait?"

Mais uma vez, há aqui tanta coisa errada.
Israel na última grande tirada de violência matou mais de 2000 palestinianos, quebrando o cessar-fogo que estava a decorrer há uns meses largos sem qualquer problema. Razão? Três israelitas foram mortos e Israel sem provas acusaram o Hamas de o ter feito. Mais tarde seria dito que não havia provas e que as suspeitas recaiam sobre um grupo palestiniano dissidente do Hamas. Mas Israel não quis saber e matou 2000 pessoas, porque sim. Ainda bem que eles poderiam matar mais e não matam!
Depois a parte do Iraque e do Kuwait é hilariante e não vou entrar por aí, apenas quero dizer que esse senhor está muito equivocado e confuso. Este senhor nem sequer percebe a política externa do seu próprio país.

- Depois passamos à masturbação de Israel e a questão é a seguinte. Porque é que Israel ganha todas as guerras? Eu acho que tem a ver com o facto de eles acreditarem na ciência. E os judeus têm mais prémios Nobel do que os Árabes.

Sei lá, os EUA vendem armas a Israel...
http://blog.amnestyusa.org/uncategorized/the-united-states-is-not-just-a-bystander-in-israel-gaza-violence/

A venda de armas dos EUA a Israel é um grande desequilibrador na questão.
Os prémios Nobel ainda têm credibilidade? Pensava que já não havia dúvidas quanto à credibilidade quando deram o prémio da paz ao Obama.

- Depois há acusações infundadas de túneis para lançar rockets contra Israel?! Devem andar a disparar aos esgotos ou qualquer coisa do género.
- Israel não vai desaparecer e os palestinianos têm que seguir em frente-

Sobre este segundo ponto tenho a dizer que os palestinianos estavam dispostos a chegar a um acordo para a paz em que se previa aquilo que se chama The Two State Solution. http://peacenow.org.il/eng/OsloSummary
Esta solução foi rejeitada por Israel e pelos EUA à última das horas em Oslo. Os palestinianos, bem ou mal, têm direito a ter o seu território. Até que Israel, ou melhor, até que os EUA mandem Israel aceitar certos termos, os palestinianos vão continuar a viver sem governo, sem economia, sem educação, sem segurança... sem nada!
Os EUA precisam de Israel para manter o controlo daquela área. Quando se falar muito do Irão e da possibilidade de haver armas nucleares no Irão, poderiam também falar que o Irão aceitou um acordo, proposto na Finlândia, em que se previa uma zona livre de armas nucleares naquela região, que englobaria Irão, mas também ...*tan tan tan* Israel. E assim os EUA nem sequer deram opinião e limitaram-se a cancelar o acordo dizendo que era uma boa ideia, mas agora não.

Portanto, há muito mais nesta história do que este saco de lixo Bill Maher quer fazer parecer. E é natural que os americanos sejam os lavados cerebrais que não vêem nada. É pena é que o resto do mundo não faça nada.

A veneração das crianças e das mamãs

A seguinte notícia relata como uma mulher se sentiu "humilhada" porque num hotel lhe pediram para pôr um pano por cima do seu bebé enquanto estava a amamentar o dito cujo.

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4275230

Não volta mais ao hotel e depois, sei lá porquê, diz que já teve mais duas cabaças e que não as pôde amamentar e que agora estava a conseguir amamentar a terceira e tinha de lhe acontecer isto.

Isto irrita-me muito. Porque eu sempre detestei e sempre me senti imensamente constrangido com a situação de entrar em algum sítio e de repente estar ali uma mulher com a mama de fora a dar o leite ao filho.
Há imensas atitudes que são proibidas em espaços públicos e maior parte delas nem sequer está escrita, é apenas senso comum, e alguém que tem de dar de mamar devia ter senso comum para saber que outras pessoas também podem ficar incomodadas.

O empregado, certamente e expectavelmente, deve ter sido bem educado com a senhora. Pelo que não há necessidade de misturar alhos com bugalhos e transformar isto num "titgate" sem sentido. De repente o hotel passa por ser anti-amamentação, o que é absolutamente ridículo. E que é que tem a ver o facto de ter tido duas crianças antes e não as ter conseguido amamentar? É suposto agora nos hotéis saber os traumas anteriores das pessoas para podermos passar qualquer tipo de mensagem?
Até parece que o empregado chegou lá e disse

"Põe as mamas para dentro da blusa ó porca!"

"No final estava mais calma mas não deixei de me sentir humilhada. Fui muito discreta. Hoje em dia ninguém deve fazer alguém a sentir-se desta maneira, principalmente quando uma mãe se sente pressionada a amamentar". 

Pois, mas eu já posso ser confrangido com a amamentação dos outros quando eu não quero ver. As sensibilidades só funcionam para um lado.

Mas isto é comum. Tudo o que tem a ver com crianças tem desculpa. Este ano fui acampar. Estava a mudar de roupa e, portanto, estava semi-nu, quando duas crianças decidem que é uma boa ideia começar aos murros à tenda. De dentro da tenda pedi para pararem, por favor. Depois disse para estarem quietos. E por fim saí, olhei para um deles e perguntei-lhe se estava a achar piada e se está a gozar comigo. A criança olha desafiadora e dá mais dois estrondos na janela da tenda. Saio, enfurecido, devo dizer, e digo à mãe das crianças para tomar conta das crianças porque andam a bater na minha tenda, não sei porquê, ao que a mãe responde:

"Não sabe porquê? São crianças." (com aquele ar enternecido que me mete nojo)

Ao que respondi que se são crianças devem ter mãe para cuidar deles. Essa mesma mãe procedeu de forma correcta e disse para as crianças não tocarem na nossa tenda porque tinha veneno (good parenting). 

Mas voltemos atrás, não sabe porquê, são crianças?!! Que raio de pensamento é esse?! 

Olhe, o seu filho matou a minha mulher! Não sei porquê?!

"Não sabe porquê? São crianças."

É desculpa para tudo. E temos todos que ser tolerantes e adorar as crianças que são as papoilas que embelezam o nosso planeta e o nosso espaço nunca é respeitado (aliás, raramente há pais que sabem educar as crianças). Está-se no comboio lá vem a criança e nós temos de apaparicar a criança como se quiséssemos saber, sei lá porquê.

"Não sabe porquê? São crianças."

Enfim. As crianças valem mais que tudo. Mas parafraseando Bill Hicks " No smoking on British Air. Now let me get this straight, no smoking, right, but they allow children. Little fairness, huh? "Well smoking bothers me." Well guess what?"

Mas as pessoas confundem o direito que eu penso ter ao meu espaço com "Uh odeias crianças, devias morrer". Eu não odeio crianças, simplesmente não me sinto à vontade perto delas. Não tenho direito a isso e a não ter que lidar com esse desconforto sem ser um anti-cristo?
 

No More McDonalds

A morte de Tugce Albayrak está a causar a consternação na Alemanha e onde quer que alguém tome conhecimento da história.

Não é muito comum comentar este tipo de episódios tão em cima da hora. As emoções estão em alta e por vezes é fácil deixar que a nossa opinião seja muito influenciada por essas emoções que muitas vezes nos toldam a razão.

Posto isto, é claro que é uma morte muito trágica. Albayrak tentou e conseguiu ajudar duas jovens e na sequência disso o mundo e todas as suas engrenagens deram-lhe a morte como consequência. É um trágico acontecimento do destino.
Contudo, a morte é também um pouco acidental. Creio que, apesar da atitude extremamente condenável, o agressor não teria em mente assassinar Albayrak, não com uma chapada ou soco ou empurrão. A atitude é, no entanto, de uma crueldade e insensibilidade incomensurável e digna da maior das punições.

O que me está a chocar mais no meio disto tudo é a forma relativamente intocada com que o McDonalds está a sair desta situação.

http://www.dw.de/germany-mourns-death-of-courageous-tugce/a-18101069

De acordo com as notícias, o incidente começou quando se ouviram gritos oriundos de uma casa de banho onde duas jovens estavam a ser assediadas. Os empregados do McDonalds não interviram e Tugce Albayrak interviu pondo cobro à situação.

Na sequência dos eventos trágicos que se seguiram, o McDonalds, criticado pela não intervenção dos funcionários na situação, veio a público DEFENDER a não intervenção dos seus funcionários.

Isto para mim, que trabalho em hotelaria, é absurdo e impensável. O McDonalds defende que se alguém está a ser violado na casa de banho de um dos seus restaurantes, os empregados deverão deixar a situação correr normalmente sem intervir nem incomodar, descendo a um nível cavernoso de preservação da dignidade humana.

O McDonalds, após semelhante tragédia, não vê nada de mal com o facto dos seus funcionários serem uns robots automatizados que não têm qualquer preocupação com o bem estar de quem sofre ou deixa de sofrer. Desde que o dinheiro entre na caixa e os hamburgers continuem merdosos, não há problema.

Assim sendo, a minha atitude perante esta situação é nunca mais pôr os pés num restaurante do McDonalds e farei questão de o mencionar sempre que alguém lá vá, já que o meu blog não tem expressão suficiente para conseguir que se crie um boicote universal a esta cadeia.

McDonalds, nunca mais!

O Cante e o (en)Fado

Estas duas formas de expressão foram reconhecidas como Património Imaterial da Humanidade. Nada contra.

O que eu tenho contra, e muito, é de repente a importância nacional que estas expressões adquirem. Subitamente, são motivo de orgulho para os portugueses. Não só aqueles que são do Alentejo, ou de Lisboa/Coimbra, mas sim de todo o país. De todos os habitantes de Portugal. E contra isso tenho tudo.

Em muitos, aliás, na maior parte de Portugal, o fado (já nem vou falar do cante), não é ouvido com regularidade e muito menos reproduzido com qualquer tipo de frequência. Aqui e ali há um programa de rádio, numa hora muito concreta, que transmite fado, mas não mais do que isso. Sou então, agora, obrigado a confrontar-me com algo que não faz, nem nunca fez, parte da minha educação cultural, só porque é Património Imaterial da Humanidade? Ou será porque o Carlos do Carmo ganhou um Grammy Latino?

Poderiam dizer-me que é apenas uma questão de levar o fado a todas as pessoas que o querem ouvir. Só que não é apenas isso. Se fosse isso para mim era igual, porque basta-me não ir. Agora ver festivais de fado em locais onde raramente se ouvia falar de fado, pretensas casas de fado a abrir aqui e ali onde não faz sentido nenhum que as mesmas existam, já para não falar da falsidade das mesmas. Afinal, estas expressões têm na genuinidade um bem fundamental (a meu ver) para a sua existência e valorização. Há necessidade de disseminá-las e plantar na cabeça da população que fado é Portugal? Há necessidade de generalizar uma expressão cultural a todo o país? Especialmente quando há outras formas de expressão igualmente válidas.

Não seria melhor conservar o fado, onde ele é intrínseco?

Mas não, vamos obrigar toda a gente a ouvir falar do fado aqui e do fado ali e que o fado é Portugal e vamos generalizar ainda mais a população. Somos todos portugueses e gostamos todos de fado e temos todos o fado em nós. E quando estamos a tomar o pequeno almoço optamos antes pelo cante alentejano com torradas.

E tudo é desculpa. Tudo serve a para insuflar as percepções.

"Oh o Carlos do Carmo ganhou um Grammy, Laticno, mas é sempre um Grammy."
Pois, mas a verdade é que nunca ninguém ligou patavina aos Grammys Latinos. Alguém sabe quem foram os vencedores anteriores do prémio? Não, e muito normalmente, porque ninguém-quer-saber! Mas, afinal é importante. Convenientemente importante.

Em reflexão, e notem que critico essencialmente as questões que têm a ver com o fado, o que eu penso é que tudo isto é um produto da centralização de poder e opinião na capital. Tudo o que vem de Lisboa, é ouro.

Um pouco off-topic, mas que serve de perfeito exemplo, onde vivo já tive cheias que me obrigaram a andar em gôndolas improvisadas para tentar ajudar a evacuar uma garagem, mas nunca foi notícia, mas quando é em Lisboa, são quinze, vinte, vinte e cinco minutos de notícias a mostrar todas as avenidas, descritas de forma quase familiar, como se fosse suposto todos os portugueses conhecerem aquelas avenidas em que nunca passamos e que possivelmente nunca vimos. É quase revoltante. No mesmo dia, houve cheias em muitos sítios, mas Lisboa (ou lesboa, como muitos jornalistas pronunciam), porque todos os lisboetas disseram que nunca viram nada assim, não saiu das notícias. E o fado é igual. Vem de Lisboa (essencialmente) então é de todo o país.

Está errado e é mais um exemplo da mediocridade intelectual da nossa sociedade.

Bill Hicks



Hoje quero falar de Bill Hicks. Já havia postado aqui duas citações dele anteriormente, mas hoje gostaria de falar mais em profunidade sobre esta pessoa.

Bill Hicks, resumidamente, era um comediante norte americano de stand up. Fez parte dos Outlaw Comics em Houston nos anos 80 e destacou-se por si só após isso, sendo considerado uma das maiores promessas da comédia americana, tendo algum sucesso nos EUA. Em Inglaterra teve muito sucesso, contudo, após o grande sucesso que experienciou nunca teve oportunidade de voltar pois viria a morrer em 1994 aos 32 anos.

Os temas de Bill Hicks, inicialmente eram os coloquiais temas de stand up. Situações diárias com a família, com os amigos, com os seus animais. O típico stand up comum de se ver em qualquer lado.
Contudo, Bill Hicks, sendo uma pessoa extremamente inteligente, não demorou a tornar a sua comédia mais "séria". Temas como a guerra do Vietname, a Guerra do Golfo, consumismo, controlo político da informação, mediocridade artística, marketing, drogas, fanatismo patriótico e religioso, entre outros, tornar-se-iam os temas fulcrais das suas actuações.

O que é que para mim separa Hicks de todos os outros. Hicks conseguia fazer com que temas sérios fossem tratados de forma intelectualmente acutilante, sem perder a graça, mas sem entrar em devaneios irrealistas. Com isto não quero dizer que tudo o que Hicks dizia era 100% verdade, mas eram dramatizações perfeitamente possíveis.

É incrível como a comédia de Hicks é intemporal. Tomemos os seus comentários sobre a Guerra do Golfo e, não soubéssemos nós a data, poderíamos pensar que ele estaria a falar da Guerra no Iraque em 2003.

"Remember how it started, they kept talking about ‘the Elite Republican Guard’ in these hushed tones like these guys were the bogeymen or something. Yeah, we’re doing well now, but we have yet to face-THE ELITE REPUBLICAN GUARD. Like these guys were twelve feet tall, desert warriors. KRRASH. NEVER LOST A BATTLE! KRRASH. WE SHIT BULLETS! Yeah, well, after two months of continuous carpet bombings and not one reaction at all from them, they became simply, ‘the Republican Guard.’ Not nearly as elite as we may have led you to believe."

Substituam Reagan, Bush e Clinton, por W. Bush e Obama, e tudo funcionaria na mesma.


Na área não política, possivelmente estaremos a falar de coisas mais subjectivas, mas as diatribes de Hicks contra a mediocridade na música e a contaminação do mundo artístico pela publicidade, acertam em cheio. Substituir New Kids On The Block, Michael Bolton e Marky Mark por Bieber, Beyoncé etc e continua tudo a ser actual. A mediocridade, o marketing e as estrelas construidas, com as mesmas ideias e imagens semelhates.
"Ball-less, soul-less, spiritless corporate little bitches! Suckers of Satan's cock, each and every one of them"

Hicks nunca abdicou da sua coerência em favor de nada. Apesar de ter olhado sempre para Jay Leno como um exemplo, não hesitou em ridicularizar Leno após o mesmo ter feito um anúncio de Doritos.
 "Do a commercial and you are off of the artistic roll call, every word you say is suspect, you’re a corporate whore and uh, end of story"

Bill Hicks em linha com a visão que tinha da arte, tinha a mesma opinião sobre o marketing para as massas.
"By the way, if anyone here is in marketing or advertising...kill yourself. Thank you. Just planting seeds, planting seeds is all I'm doing. No joke here, really. Seriously, kill yourself, you have no rationalisation for what you do, you are Satan's little helpers. Kill yourself, kill yourself, kill yourself now. Now, back to the show. Seriously, I know the marketing people: 'There's gonna be a joke comin' up.' There's no fuckin' joke. Suck a tail pipe, hang yourself...borrow a pistol from an NRA buddy, do something...rid the world of your evil fuckin' presence."

A comédia  e a filosofia de Hicks residem apenas na vontade própria de cada um, com a certeza de ver o mundo com mais clareza do que os outros. Bill Hicks conseguia dar um passo atrás e observar o mundo à distância, com lucidez, não se deixando enganar pela propaganda, não deixando de questionar tudo o que não fazia sentido com sua forma de viver, não se deixando levar por aquilo que a maioria diz que é certo.
"But you know, I saw this movie last year called Basic … Instinct. Okay. Now, Bill's quick capsule review: Piece of shit. Okay, now … yeah, yeah. End of story, by the way. Don't get caught up in that fevered hype phoney fucking debate about that piece of shit movie. "Is it too sexist? And what about the movies, are they becoming too …" You're just confused, you've forgotten how to judge correctly. Take a deep breath … look at it again. "Oh, it's a piece of shit!" Exactly, that's all it is. Satan squatted, let out a loaf, they put a fucking title on it, put it on a marquee – Satan's shit, piece of shit, walk away. "But is it too … and what about the lesbian content, they …" You're getting really baffled here. Piece of shit! Now walk away. That's all it is, it's nothing more! Free yourself, folks. If you see it: "Piece of shit!" Say it and walk away. You're right! You're right, not those fuckers who want to tell you how to think! You're fucking right!"

Para mim, a honestidade intelectual é o que mais me fascina neste comediante. Não concordo com tudo. Algumas opiniões acerca de drogas, tabagismo entre outros assuntos não são de todos coisas que defenderia, mas podemos sempre contar com ressalvas e, mesmo sem elas, o material continua a ser engraçado desde que entendamos que no fundo está uma mensagem de liberdade.

Nos seus anos finais, sofrendo de cancro do pâncreas, continuou a dar espectáculos, com segurança suficiente para em cada um deles afirmar que cada um seria o seu último espectáculo, sem que o público soubesse que ele estava doente. Apenas a família sabia da doença e sabia que a mesma era terminal.
Apesar de saber que a morte se aproximava rapidamente, continuou a trabalhar atá não poder mais. O último espectáculo que deu foi em Janeiro de 94, quando já se encontrava visivelmente debilitado. Passados dias perdeu a fala e viria a morrer em Fevereiro.

A morte não o propulsionou para a fama. As pessoas que gostam e que descobrem hoje, descobrem porque tropeçam neste comediante quando ouvem alguém falar. No meu caso só tomei conhecimento através do "John Cleese's Heroes of Comedy"

Muitas citações poderia deixar aqui, mas vou deixar aquela que eventualmente se tornou a mais famosa e uma das que mais vale a pena ouvir e pensar e as últimas palavras que ele desejou que fossem lidas no seu funeral

The World is like a ride in an amusement park, and when you choose to go on it you think it's real, because that's how powerful our minds are. And the ride goes up and down and round and round, and it has thrills and chills and is very brightly colored, and it's very loud. And it's fun, for a while.

Some people have been on the ride for a long time, and they've begun to question, 'Is this real, or is this just a ride?', and other people have remembered, and they've come back to us and they say 'Hey, don't worry. Don't be afraid, ever, because this is just a ride.' and we KILL THOSE PEOPLE.

"Shut him up! We have alot invested in this ride! SHUT HIM UP! Look at my furrows of worry. Look at my big bank account, and my family. This just has to be real."

It's just a ride.

But we always kill those good guys who try and tell us that. You ever noticed that? And let the demons run amok. But it doesn't matter, because ... It's just a ride.

And we can change it anytime we want. It's only a choice. No effort, no work, no job, no savings of money. A choice, right now, between fear and love. The eyes of fear wants you to put bigger locks on your door, buy guns, close yourself off. The eyes of love, instead see all of us as one.

Here's what we can do to change the world right now, to a better ride:

Take all that money we spent on weapons and defense each year and instead spend it feeding, clothing, and educating the poor of the world, which it would many times over, not one human being excluded, and we can explore space, together, both inner and outer, forever ... in peace.

Bill Hicks (1961 - 1994)
(últimas palavras)
"I left in love, in laughter, and in truth, and wherever truth, love and laughter abide, I am there in spirit."