Rage



Este tipo de comportamento exibido por esta jurada do vídeo é o tipo de comportamento que mais raiva me provoca seja onde for e parece que é daqueles mais comuns.

Esta jurada acusa uma pessoa de falta de originalidade, esquecendo-se que ela própria é um poço de falta de originalidade. E que o seu marido, que supostamente teve a sua identidade roubada pelo concorrente, é ainda mais um caso de originalidade espectacular. No sentido de ser igual a centenas de outros.

Incrivelmente este é dos tipos de comportamento mais frequentes e que mais me tocam nos nervos e me deixam a pensar porque é que o ser humano, apesar de ser racional, é o ser mais estúpido à face da terra.

O que não falta é gente a vangloriar-se de ser melhor que não sei quem e não sei quem mais. Porque eu sou pela liberdade. Je suis fucking Charlie. Eu defenderei a tua liberdade com uma convicção Voltairiana. Até que o teu ponto não me agrade e nessa altura tentarei calar-te por todos os meios possíveis. Utilizarei falácias, subversões, farei perguntas que pouco têm a ver com assunto em discussão e guiarei a conversa noutro sentido. Farei uso da minha autoridade e da tua fragilidade para que te obrigar a submeter aos meus desejos mesquinhos e idiotas.

Este é o retrato da humanidade.

A sociedade ocidental, e a portuguesa em particular que é a que me é mais próxima, é uma palhaçada diária. Desde políticos, da esquerda até à direita, a jornalistas que extrapolam informação sem verificar absolutamente nada, comentadores que falam como se o que eles dizem fosse o santo graal da informação a última gota de sabedoria. Professores completamente cegados por uma ideologia bairrista e tacanha. Com visões deformadas e deturpadas da realidade. Professores de história que dizem que o Código Da Vinci é um livro relevante em termos de teoria histórica, apesar de ser um romance e apesar de ser o maior monte de merda que existe em termos literários. Juntamente com o Crepúsculo. Juntamente com as 50 merdas de Grey. Mas nós, o povinho, adoramos estas coisas. Descrevem tão bem os nossos desejos mais escondidos. Reflectem tão bem as emoções do ser humano. Idiotice.

A juventude de hoje a quem tudo é dado de mão beijada. Queres estudar? Estuda. Vai para uma universidade e faz as três escolhas. Escolhe um que tenha uma média baixinha para teres a certeza que entras e depois escolhe mais dois á sorte, sempre de olho na média, para teres escolha. Deixa de lado a necessidade de conhecimento. Quem é que precisa disso? Só aqueles que tem a mania que são superiores é que precisam disso para se exibirem. Eu? Quero é a vida louca. Quero curtir e ir para uma praia morrer numa onda. Quero ir para cima de uma parede e saltar até ela cair e depois ficar soterrado. Quero ser um coitadinho. Quero ser um idiota que vive dos despojos da sociedade e dos rendimentos dos meus pais. Não tenho dinheiro para livros para o meu curso professora. Gastei tudo nos jantares deste mês e no meu estúpido traje. Não é lindo? Já comprei a colher e o chapéu para todos assinarem para me lembrar para sempre deste dia fantástico em que me licenciei num curso acerca do qual pouco sei e pouco me interessa. Mas sou licenciado e tenho direito a queixar-me de não ter emprego. Porque sou uma merda naquilo que aprendi, supostamente, e agora ninguém me dá emprego. Desculpa pai, gastaste três mil euros para nada. Gasta mais uns milhares para me manteres aqui em casa enquanto eu sirvo a inutilidade com aplicação.

E quando encontrar um trabalho, graças a uma cunha de um amigo de não sei das quantas, irei aplicar-me imenso. Na primeira semana esgotarei o profissionalismo e daí para a frente preocupar-me-ei mais com fofocas e irrelevâncias. E preocupar-me-ei mais com fazer amizades e aplicar-me em socializar. Será muito fixe e divertido. Tal como na primária. Tal como no ciclo e na secundária. Tal como na universidade. Serei amigo de toda a gente que tem um facebook. Os que não têm e eu nunca lhes ligo, o problema é deles. Eles é que se querem afastar. Têm a mania. Não são como eu.

Um dia encontrarei uma companheira e iremos viver para uma casa. O meu pai trata disso tudo. Ele dá-me ou ajuda-me com a renda. Não há problema. Podemos ir para uma outra casa. Melhor e mais cara. Assim também posso comprar um carro novo. Sempre quis ter um. Talvez até consiga comer uma outra gaja sem tu veres. Se tu não vires não faz mal. Casamos há seis meses mas isso não quer dizer nada. Temos de variar para manter a chama acesa. A barreira dos seis meses é a mais difícil. Vou ter com os meus amigos. Fica aí sozinha. Limpa a casa e trata da minha roupa. Perde oito horas do teu descanso semanal para que eu possa ir ter com os meus amigos e beber cervejas e perder-me em bares. Até logo. Qualquer coisa liga à tua mamã. Ela vem-te ajudar. Logo à noite venho e faço-te um filho. Cuidaremos dele com todo o zelo enquanto ele estiver na tua barriga. Derreteremos o máximo de dinheiro possível para que ele tenha todas as condições. Porque o meu filho é a coisa mais importante deste mundo. Ele terá tudo de bom. Nada lhe irá faltar. Amor, a criança nasceu. Que momento lindo. Não há nada como esta sensação. Ser pai. Chama a tua mamã. A tua mamã que a leve para casa dela e que cuide lá dela. Ela sabe cuidar da criança melhor que nós e nós não temos tempo. Afinal, tu nem sequer tratas da minha roupa. Levas para a tua mãe. Fazes bem amor. A vida são dois dias. Vamos passar um fim de semana fora. Vamos comprar o maior saldo que encontrarmos na internet e vamos para lá exigir um tratamento de cinco estrelas. Porque eu sou especial. Você sabe quem é que eu sou? Bem me parecia.

Paz e liberdade. Detesto pessoas desonestas e mentirosas. Eu defendo a liberdade e a paz. Que todo o mundo viva em paz. O que é que nós fizemos para merecer tantas guerras e atentados. O que é que está de errado com essas pessoas. Esses subalternos que não sabem o seu lugar no mundo. Esses seres estranhos que têm inveja da nossa forma de viver. Têm inveja da minha liberdade e da minha paz. Da minha liberdade de ser como querem que eu seja. De ser um carneiro num rebanho. Ainda hoje vinha nas notícias a dizer que nós temos razão amor. Vamos manifestar-nos. Pela liberdade e pela paz. Pela igualdade e pela fraternidade.

Que sociedade podre. Que sociedade podre. É este o tipo de idiotice que abunda. Um bando de idiotas. Que é que vocês sabem? Citar generalidades? Viver numa bolha e acreditar em tudo aquilo que contribui para a bolha de felicidade. E quando alguém te der um ponto de vista diferente? Subverterás e encontrarás todas as desculpas necessárias para continuares a acreditar na tua rica vida. É isto que vocês chamam de vida? Uma vida de obscuridade? De regularidade excruciante disfarçada de excitação fantástica em férias e viagens sem as quais não podes passar? Mas espera. É claro. Eu é que tenho inveja. Claro. Onde estava eu com a cabeça? Que mais poderia ser? Tal e qual. I-N-V-E-J-A. Eu queria ser como tu. Choro de cada vez que estou em casa e te imagino na festa com os teus incipientes e aparvalhados amigos. Estou de mal com a vida. Sou carrancudo. Só quero ver as coisas más e pulo de alegria com a infelicidade dos outros. É claro.

Como poderia eu esperar que me compreendesses? Fraco humano de cérebro subdesenvolvido. O erro é meu. Como poderia eu esperar que o animal mais egoísta do planeta me entendesse? Esta é a derradeira parvoíce.

Calar-me-ei, então.

Chef Mike

http://www.latimes.com/opinion/op-ed/la-oe-0315-douglas-anti-semitism-20150315-story.html

O filho de Michael Douglas, aparentemente, foi vítima de um ataque anti-semítico.

Pontos prévios:
-Não tenho nada contra judeus,
-Anti-semitismo existe.

Postos estes dois pontos prévios para que não hajam dúvidas de onde eu me detenho nestas duas questões essenciais, passo a comentar sobre esta coluna de opinião no LA Times escrita pelo Michael Douglas (daqui para frente MD para facilidade de digitação).

A coluna fala de como um homem abusou verbalmente o filho do actor. O actor diz que apercebeu-se de que teria sido o facto do jovem estar a usar uma estrela de David que teria despoletado a reacção do homem. Michael Douglas não diz o que é que o homem disse à criança nem esclarece o que falou com esse mesmo homem quando o confrontou.

Mais adiante MD faz a seguinte declaração.

While some Jews believe that not having a Jewish mother makes me not Jewish, I have learned the hard way that those who hate do not make such fine distinctions.

Basicamente MD diz que é judeu, apesar de alguns judeus dizerem que se a mãe não é judia não se é judeu, mas fica ofendido porque alguém achou que ele era judeu, apesar de ele admitir que é judeu. Ok.

Depois fala sobre as concepções pré estabelecidas acerca de judeus. Nomeadamente:

“Michael, all Jews cheat in business.”

E continua:
With little knowledge of what it meant to be a Jew, I found myself passionately defending the Jewish people. Now, half a century later, I have to defend my son. Anti-Semitism, I've seen, is like a disease that goes dormant, flaring up with the next political trigger.

Em toda a honestidade, a grande pré-concepção que existe acerca de judeus tem precisamente a ver com dinheiro. Que são gananciosos e que são habilidosos nos negócios. 
Posto isto MD considera que este episódio retrata a ódio/discriminação que os judeus sofrem. 

Parafraseando Norman Finkelstein (Doutor em Ciências Políticas e proeminente investigador na área do conflito Israelo-Palestiniano) este preconceito não ultrapassa em nada o preconceito que uma pessoa gorda sofre, que uma pessoa feia sofre, que um preto sofre, ou que qualquer minoria sofre. A meu ver acho até que é insensível que este seja sempre o preconceito essencial contra judeus quando muitas outras pessoas sofrem são vítimas de preconceitos muito mais macabros e impeditivos do que os judeus.

Mais à frente fala das razões para a inflamação do anti-semitismo. Não vou falar sobre a primeira razão que ele dá, por isso salto directamente para a segunda.

A second root cause of anti-Semitism derives from an irrational and misplaced hatred of Israel. Far too many people see Israel as an apartheid state and blame the people of an entire religion for what, in truth, are internal national-policy decisions. Does anyone really believe that the innocent victims in that kosher shop in Paris and at that bar mitzvah in Denmark had anything to do with Israeli-Palestinian policies or the building of settlements 2,000 miles away?

MD queixa-se que as pessoas culpam toda a religião pelo que acontece em Israel. O problema é que é Israel que se declara repetidamente como sendo The Jewish State. O primeiro ministro Israelita Benjamin Netanyahu afirmou, repetidamente, que todos os judeus são bem-vindos em Israel. É a casa deles. Mais ainda, Israel comete atrocidades regularmente. Onde estão os judeus estrangeiros para se insurgirem contra essas atrocidades? São uma pequeníssima fracção os que o fazem. Se vamos olhar para a injustiça (que é, sem dúvida alguma, o ataque indiscriminado de cidadãos com pretextos discriminatórios) vamos olhar para todas as injustiças e não, simplesmente, resumir essas injustiças a uma questão de "Internal national-policy decisions".

Mais à frente fala de demografia da comunidade árabe e como vão haver sempre radicais. Isto é verdade, mas é verdade que os radicais são, muitas vezes, radicalizados por aqueles que são agora as vítimas. A questão da Palestina é um ponto evidente disso. Podia estar resolvida desde 1967 com a Resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas 242 se a mesma tivesse sido completamente implementada. Mas o que assistimos hoje é uma barbaridade. O estado em que se encontra a Faixa de Gaza após o último ataque é miserável. Os palestinianos vivem sob imensas restrições e sem grande futuro pela frente. É óbvio que esta injustiça de tratamento incita à radicalização. E enquanto isto não justifica ataques terroristas (nada justifica) é sem dúvida uma das causas na raiz do ódio extremista contra os judeus que existe e, nomeadamente, contra Israel.

It's also the responsibility of regular citizens to take action. In Oslo, members of the Muslim community joined their fellow Norwegians to form a ring of peace at a local synagogue. Such actions give me hope — they send a message that together, we can stand up to hatred of the Jewish people.

MD fala bem. Formar um anel de paz. Mas esse anel de paz só engloba o ódio contra os judeus? E o tumulto causado pelo ocidente (nomeadamente EUA e mais alguns países europeus) no Afeganistão, No Iraque, na Síria, na Líbia? Essas pessoas não merecem paz? E o povo da Palestina? Não merece paz. Por estes lugares não é necessário "gritar" por paz e por acções no sentido de implementar essa mesma paz?
No meio disto tudo o filho do MD é mais importante do que isso. Sem dúvida, para um pai, não há-de existir nada mais importante que o filho/s. Mas para uma figura pública expressar a sua opinião, deveria fazê-lo com um pouco mais de zelo, não pelo bem estar do seu filho, mas pelo bem estar do mundo.

Deverei preocupar-me mais com um punhado de idiotas que ainda é contra judeus só porque sim (como esse tipo que supostamente tratou mal o filho do MD) ou preocupar-me com povos que vivem na miséria e sem futuro à vista?



http://www.aljazeera.com/topics/events/syria-broken-nation.html

http://www.aljazeera.com/indepth/interactive/2015/03/syria-displaced-worst-humanitarian-crisis-decades-150314161720009.html

http://www.aljazeera.com/indepth/features/2015/03/fallen-leaves-arab-spring-150310060732982.html

http://www.aljazeera.com/news/2015/03/lebanon-formal-refugee-camps-syrians-150310073219002.html

http://www.aljazeera.com/indepth/inpictures/2015/03/gaza-fishermen-life-attack-150310063651354.html

http://www.aljazeera.com/indepth/inpictures/2015/02/gaza-farmers-front-lines-perpetual-war-150223184305316.html

http://www.aljazeera.com/news/2015/02/palestinian-farmers-endure-constant-war-gaza-150224054058539.html

http://www.aljazeera.com/news/2015/02/legal-battles-horizon-ruins-gaza-150212072631357.html

http://www.aljazeera.com/indepth/interactive/2015/01/24-hours-gaza-150128124650715.html

http://www.aljazeera.com/news/2015/01/rights-group-israeli-bombing-gaza-homes-policy-150128042200506.html

Open Letter to Kobe Bryant


Dear Kobe,

I know that you will probably never read this, but well, it'll be here for posterity, and this is my blog, so anyway.

First of all, I have been a fan of you since 2008. From 08/09 have seen you play and grew admiration over the way you played. The aggressiveness and determination were really the things that caught my eye watching you play. Championship rings, glory and success etc., seen it all and enjoyed it but this letter is not about your basketball prowess. It's about you as a person and how you portray yourself, on the eve of debut of your Muse documentary.

I may say, just as preliminary point, that when I like something I really like to like. Meaning that I am not half hearted about anything. I'm either all in or all out. There is no middle term, although, I still see the qualities if I am all out I won't rejoice that much when appreciating those things.

During the last days, many interviews surfaced on the media of you. And many things I read, in conjunction with other things I read previously, made me reassess the view I had from you.

So let's see.

During your media appearances you very much talk in a way that people get convinced that you are a very knowledgeable person. You might talk about Mozart, Beethoven. And then you talk about J.K. Rowling and Harry Potter. And then you talk about basketball (which I will leave aside because you are, undoubtedly, one of the greats so there is no need to talk about that). And then when it comes to the present, one can look at your twitter timeline to see the names you evoke. And one can only look at your "cold calling" history to see the ones you call. So let's see.

Emma Watson, Michael Jackson, Ariana Huffington, Lorde, Beyoncé, Nicky Minaj, Hillary Swank, Oprah Winfrey, Mark Parker, Jony Ive, Anna Wintour... And that's all my quick minute research gave me back. Let's add Giorgio Armani who you supposedly (as reported on the news) you talk about on your documentary and let's add also Lance Armstrong (who you said, in 2006, was your hero) Do you notice a trend here? Power.

But my problem isn't the trend. You might very well cold call whoever you want. Is the portrayal of a quasi renaissance man. A man who can solve many riddles. But one has to question it.

And I question it strongly. How can you, a purported fan of Beethoven, drag this man into this mix? It seems to me a bit ignorant and incoherent.

We've seen you play the Moonlight Sonata. We've seen you saying that Beethoven wasn't supposed to write the Ninth Symphony because he was legally deaf.

By points, it is very nice that you play the Moonlight Sonata and I will refrain to comment something very obvious about that.

Secondly, apart from this comment on Beethoven the other thing I heard you say was that the Moonlight Sonata calms you down and reminds you of fragility, strength, joy, love etc.

I must admit that I should wait for the documentary (and I certainly hope that there is something more substantial about Beethoven there), but what I reckon from this is that you cannot possibly be even a bit knowledgeable on the subject of Ludwig van Beethoven, and because I am a fan and a bit knowledgeable I am seriously disappointed.

First of all let's take the "legally deaf" comment. I'll assume that this is just a way of saying because there was no such thing during Beethoven's days as legal deafness. I don't know if you caught that expression from the "Japanese Beethoven" bust, but whatever. It is not important.

What is important is that anyone who can just scratch the surface of Beethoven's life and music very quickly finds out that deafness never entered his art nor his ability to write it. He could even play, however from a certain point on, and following a shaming exhibition during the performance of one of his Piano Concertos where he was out of synch with the orchestra, he refused to play in public again. He couldn't conduct his symphonies, but that was where his deafness ended regarding his limitations to music.

If you bothered to know you'd understand that he was a troubled man. That he was very conflicted within himself and his thoughts and his head was agitated and restless. That restlessness, those conflicts and his stoic conviction were the main reasons of why he was such a composer and why he ultimately closed his symphonies book with one for the ages.

On the other side you, as a fan, would not be the one to circumvent Beethoven to the Ninth and Moonlight. That is criminal. To put these two extraordinary pieces above all the other extraordinary pieces is a disservice to Beethoven's memory. It is natural that one has his preferences, but it is a great coincidence that you, the purported die hard Beethoven fan, has precisely these two as your favorites and only references to Beethoven's work because these are, probably, the most known works on each field from Beethoven. Ninth (and Fifth Symphony which to my awe you never referred, despite this being a much better match to your image and even the process you're undergoing right now with injuries and all) is the most famous symphony and Moonlight Sonata's first movement is popular beyond belief.

So how come a deep Beethoven admirer came to enjoy so much this two works, leaving no space for a single reference to other great works?

Finally, the juxtaposition of people you admire with Beethoven makes for a ridiculous case. Business moguls and popularoid people right next to Beethoven is a cringe-worthy sight. To put all those people who are sold on nothing but money and success together with a man that was sold on nothing but art and his own moral standard is pathetic.

My final point, is that, to me, when you talk about something not related with basketball you seem to be filibustering the whole time. I can't even go into examples, but on one of the latest interviews you gave you even talk about Chris Kyle ( :-/) as being in the same discussion as Phil Jackson and Steve Jobs.

I am no big fan of Jobs but to portray a maniac killer about many weird reports about lies have surfaced, and a guy who becomes the next one in promoting USA violence (remember when you tweeted about a school boy or girl, can't remember, who was shot and you said it had to stop? Yeah, right.) as being in the same wavelength as Jobs is weird. You just look like you talk generally about the subject without compromising and when you're on the internet you come up with pictures and wikipedia fun facts and that doesn't bode well with your purported intellectual side.

So yeah. I am stating my admiration for your basketball prowess but also calling you out on your intellectual shortcomings. And I didn't even need proofreading on this! (ahah)

Best of luck on your recovery and let's go Lakers.

Have a nice day.

Cheers

Porque é que o ataque ao Charlie Hebdo não é uma questão de liberdade de expressão

O cartoon acima, da autoria de Joe Sacco e publicado no Guardian, explica, e bem, algumas questões que passam ao lado da discussão actual sobre o massacre de Paris.

Primeiro e antes de tudo, eu não lamento o ataque ao Charlie Hebdo, eu lamento a morte de inocentes, que são todos os que morreram no ataque. As vidas das pessoas foi o que se perdeu. Quanto a liberdade de expressão nada se perdeu e nada se ganhou. Á excepção de um aproveitamento político europeu e ocidental para mais uma vez dar palmadas nas nossas próprias costas e congratular-nos com a nossa superioridade moral.

O ataque ao Charlie Hebdo não foi um ataque à liberdade de expressão. Foi um ataque movido por um fanatismo espicaçado pelas atitudes de superioridade e imperialismo ocidental.

Esta notícia fresca é uma prova de como o ocidente não quer saber da liberdade de expressão para absolutamente nada.

http://www.publico.pt/mundo/noticia/blogger-saudita-que-insultou-o-islao-fustigado-com-50-chicotadas-1681778

E porque é que eu digo que não quer? Porque a Arábia Saudita é apenas o nosso maior aliado estratégico dentro dos países muçulmanos. Será que nos vamos manifestar contra isso? E será que vão haver 700 000 a manifestarem-se pela liberdade de expressão? Parece que não. No site da Human Rights Watch se fizermos uma procura por Saudi Arabia os resultados abundam e no entanto não há pudor em ser aliado de um país que viola de forma grave e constante os direitos humanos e, que eu saiba, nunca se falou em intervir seja de que maneira for neste país para o forçar a melhorar a sua conduta em termos de direitos humanos.
O facto do Charlie Hebdo ter despedido um cartoonista por ter ridicularizado os judeus é uma prova que nem o Charlie era assim tão livre. O que é natural, por um lado, mas altamente hipócrita por outro.
O facto de jornalistas australianos que denunciaram a invasão de Timor Leste pela Indonésia em 1975 terem sido assassinados por tropas indonésias, mostra também porque é que nós ocidentais temos pouca preocupação com a liberdade de expressão. Esta invasão da Indonésia foi sancionada, apoiada e militarmente financiada pelos EUA, o nosso grande aliado.

As mesmas notícias não chegam a todo o lado, significando isto que aquilo que é notícia por acontecer aqui não é notícia se acontecer noutro sítio. Isto não é liberdade de expressão. É selectividade de informação.

Liberdade, igualdade e fraternidade. Ideais da Revolução Francesa de 1789.

Há liberdade? De certa forma, sim, só para alguns, mas há.
Há igualdade? Não, não há. As noções que Edward Said defende no seu livro Orientalismo e nas suas palestras sobre o assunto deveriam ser revisitadas. Porque é que a percepção sobre o Oriente é tão má?
Há fraternidade? Não. Ao permitirmos a invasão de alguns países do Médio Oriente, ao permitirmos o imperialismo persistente, que resultados tão asquerosos deram em África, ao permitirmos que as violações dos direitos humanos sejam perpetradas muitas vezes por forças por nós apoiadas, ao olharmos de cima para baixo para o mundo islâmico, como se este fosse uniforme e todo igual, ao fazer isto tudo (e muito mais) não estamos a ter uma atitude de fraternidade. Estamos a ter uma atitude de desprezo, de domínio, por razões geo-estratégicas.

Onde está a fraternidade no meio disto tudo? Ao defender a noção da liberdade de expressão ter sido atacada estamos a cair na arena do aproveitamento político. Ver reacções de Marine Le Pen, por exemplo. E mais uma vez nós nos deixamos levar e deixamos as nossas emoções imediatas sobrepor-se à nossa racionalidade. Exigimos vingança. Exigimos mais sangue. Exigimos mais morte. Exigimos menos fraternidade.

Enquanto assim pensarmos nada vai mudar e se mudar não será para melhor. Ficam alguns vídeos e citações que talvez ajudem o mundo a tornar-se melhor.



"Folks: It’s time to evolve ideas. You know, evolution didn’t end with us growing thumbs. You do know that, right? Didn’t end there. We’re at the point, now, where we’re going to have to evolve ideas." - Bill Hicks

"Joy, daughter of Elysium
Thy magic reunites those
Whom stern custom has parted;
All men will become brothers
Under thy gentle wing.

Be embraced, Millions!
This kiss for all the world!
Brothers!, above the starry canopy
A loving father must dwell."

Ode to Joy - Original An Die Freude - Friedrich Schiller

Finalmente, e terminando com Beethoven, é chocante como as pessoas estão a mostrar-se consternadas e de seguida postam imagens do verniz que compraram. Ou da viagem que fizeram ou das fotografias que tiraram. A sério? Os sentimentos são sinceros? Há alguma preocupação? Há aí qualquer tipo de reflexão feita. Ou isto é apenas um fenómeno social? É como ir aos top trends do twitter e estar em primeiro #AnittaCabritaSempreImita? É o significado que isto tem?

Por isso deixo esta citação que reflecte aquilo que eu sinto.

“To play a wrong note is insignificant; to play without passion is inexcusable.” 
Dar opiniões fracas é uma coisa, mas não ter qualquer tipo de convicção e preocupação com as opiniões e os assuntos a que se referem é simplesmente indesculpável.

Suis je Charlie?

Pontos prévios.

-Condeno completamente o crime cometido em Paris e espero, sinceramente, que os perpetradores sejam capturados e julgados da forma que a nossa civilização publicita. Com justiça.
-Não. Não apoio qualquer acto de terrorismo, venha ele de onde for.

Posto isto, vamos seguir em frente.

Não me interessa questionar muitas coisas aqui. Aliás, não me interessa questionar de todo os factos. Foi um atentado, teve conotações islâmicas e atingiu um jornal mais ou menos polémico e controverso.

O que me interessa discutir é a nossa reacção. A nossa reacção é sempre a de condenar e ficar horrorizados e isto francamente é repugnante. A Europa é um lugar de onde são originárias algumas das maiores atrocidades da história (escravatura, guerras mundiais, colonialismo etc.) e, no entanto, é o continente mais pacífico do mundo. Os europeus ao longo dos anos cultivaram esta sensação de superioridade. Nós exploramos meio mundo, destruímos culturas inteiras, olhamos de cima para baixo para todos aqueles que não são europeus, somos os mais preocupados com as nossas fronteiras e somos o continente onde mais expressão é dada aos partidos de extrema direita, tão preocupados com as nossas pátrias que somos.

Dos romanos a Hitler. Destruição, alienação de culturas, escravização de povos inteiros, tráfico de humanos, eliminação de raças, inquisição, tudo isto, e muito mais, os europeus cometeram. Uma perpetuação de um poder imperialista. Vamos dispor de África como queremos. Dividimos isto aqui em partes proporcionais e isto é teu e isto é meu, porque que se lixe quem lá vive, dizem que nem são bem pessoas como nós.

Após tudo isto e nos tempos modernos a Europa é o maior apoiante das políticas terroristas dos nossos aliados EUA. Apoiamos a invasão do Afeganistão (18 000 civis mortos), apoiamos a guerra contra o Iraque (110 000 civis mortos), não somos firmes na questão Israelo-Palestiniana (só no ano passado, 2 000 mortos), deixamos os EUA conduzirem as hostilidades contra a Rússia apesar de sermos aqueles que mais vamos perder num potencial conflito (seja ele militar ou não).

Nós europeus estamos habituados a que nada nos aconteça e ficamos contentes em pagar um pouco mais de impostos, porque o terror não nos incomoda. O terror vivido diariamente no Médio Oriente e Ásia Menor não nos incomoda, aliás, é bem feito. Esses islâmicos que não são como nós. Ficamos contentes porque o Saddam Hussein foi deposto, porquê e para quê não interessa, eles vão ficar melhor assim. Agora têm o Estado Islâmico à porta? Mandam-se aviões. O que interessa é que depusemos um déspota que desrespeitou os direitos humanos. Mas não importa que sejamos aliados da Arábia Saudita, um dos países com mais atraso civilizacional no tratamento de homossexuais e mulheres, mas que interessa isso? O que nós queremos é combustível para o pópó andar.

A pobreza extrema a que votamos os países africanos que degeneramos ao longo de séculos não nos incomoda. A culpa é deles. Eles é que partiram tudo. Nós deixamos tudo direitinho e eles estragaram tudo. Não interessa que tenhamos uma atitude paternalista para com eles e que, basicamente, tenhamos desrespeitado completamente a cultura que já existia. Não interessa que tenhamos obrigado os países a avançar numa direcção que nos aprouvesse, mas que não fazia sentido nenhum na óptica dos países que colonizamos. Não interessa que os tenhamos escravizado e obrigado a um estilo de vida absolutamente deplorável e sem educação. Eles é que escolheram partir tudo e destruir tudo o que de nobre construimos.

Os europeus têm sempre a moral do seu lado. Nós fizemos tudo correctamente. Graças a uma união económica e de vontades que preserva a paz no nosso continente (e que nós muito criticamos e da qual muito nos queixamos) somos o continente mais avançado em termos civilizacionais. Este avanço está a fazer com que o europeu tenha a segurança como um dado adquirido independentemente das barbaridades que apoiamos. Estamos abstraídos do mundo e quando surgem estas situações só sabemos dizer QUE TERROR! ATROCIDADE! A NOSSA LIBERDADE ATACADA! QUE MUNDO É ESTE!?

Que mundo é este? É um mundo construído pela Europa, convém nunca esquecer, o ocidente (à excepção de algumas regiões como América do Sul) é uma obra europeia e nós não temos que lidar apenas com as coisas boas. Temos que lidar com as coisas más. E estes ataques, embora reprováveis, vão continuar a acontecer enquanto os europeus actuarem como se nada do que fizemos fosse mau. Fizemos muitas coisas más e as consequências vão chegar-nos de vez em quando. Mas mais importante do que perceber o terror que nos é infligido, temos que perceber o terror que se passa noutros lugares do mundo, nomeadamente África e Médio Oriente e no qual temos a nossa mão aprovadora.

Graças a essas acções dos nossos governantes, liderados por interesses um tanto ou quanto dúbios, inocentes morreram no crime cometido em Paris. Até quando é que vamos deixar os inocentes pagar sem fazer nada? Sem obrigar os governos a mudar para políticas mais justas e equilibradas, que não visem apenas o domínio de recursos e o apoio incondicional ao nosso aliado EUA? Em França houveram 12 Charlies. No Iraque, Palestina e Afeganistão já houveram mais de 130 000. Estes contam?

Christmas-less forever

Eu até sou uma pessoa que gosta do Natal. Passá-lo em família com as pessoas mais próximas etc. Valorizo isso bastante.

Contudo, esta diarreia publicitária que é o Natal fora de minha casa é quase insuportável.

E já nem falo das compras que as pessoas fazem. Falo mesmo é da falsidade que o Natal é. Todos somos queridos e todos nos preocupamos uns com os outros durante estes dias. Partilhar não custa nada. Os anúncios da Coca Cola. Como é que uma companhia envolvida em tantas controvérsias, que vão desde problemas ambientais a problemas de trabalho, entre outros, nos pode vir dizer o que dizem no Natal? Isto faz algum sentido? Está tudo bem porque os anúncios são bonitos, suponho...

As marcas de telecomunicações afogam-nos com don't stop me now e all together now e somos todos lindos e perfeitos e iguais. Ninguém vê nada de errado nisto? Ninguém vê que mais e mais parecemos um bando de ovelhas que vamos para onde nos mandam? Compra um telemóvel, liga-te à internet, sê fixe como as pessoas dos anúncios. Compra um telemóvel com gigas de internet e a tua vida tornar-se-á assim. Linda e perfeita e rodeada de pessoas incríveis.

É nojento. A maneira como um estilo de vida é enfiado pela goela abaixo, principalmente dos jovens, e como todos eles, hoje em dia parecem iguais. O barulho é tanto que para qualquer pessoa menos informada (95% da população, e sim é uma estatística patrocinada por mim!) é fácil perder-se e seguir só porque sim.

Sejam iguais a todos os outros. Porque se todos forem iguais todos terão o tarifário com x gigas de internet e x minutos grátis por x euros por mês. Não percas!!!

Francamente, isto irrita-me e muito. É este o futuro? É para isto que a tecnologia serve. A era da informação à velocidade da luz serve para criar pessoas alienadas a um estilo de vida idealizado por anúncios de operadoras móveis e telenovelas? Enfim...

Feliz Natal, penso, mas tentem usar estas alturas em que estão mais com a família e mais isolados um pouco para pensar um bocado. Para pensar que, apesar da mensagem de unidade, muita gente se não tiver facebook é esquecido (é o meu caso, por exemplo) por causa disso. Já não dá jeito. Somos uma anomalia que não se associa àquela lista de contactos tão útil e sem a qual nos esquecemos que existem pessoas que não têm conta oficial no facebook. Esses excluídos. Os anti-sociais, porque all together now se tiveres facebook, se não tiveres nem me lembro de ti. És um anti-social. És um peso para a sociedade. Estás a estragar aquilo que há de bom na nossa vida e ainda te queixas que nós é que não te ligamos nenhuma, quando tu é que te recusas a ter facebook. Tu é que te recusas juntar a nós e ser como nós. Mas bem, Feliz Natal.

DANCE WITH ME BABY!


Notícia que deviar ser e não foi porque Portugal!

Hoje (25/12) não apareceu nas notícias, mas uns quantos maquinistas da CP decidiram faltar porque simplesmente lhes apeteceu.

Sem aviso nem nada. Simplesmente não apareceram e os passageiros que se desenrasquem. Eu sei que é difícil imaginar que há pessoas que dependem dos comboios e de outros meios de transporte para se moverem, mas é verdade!

Como é que é possível depois virem com a lata dizerem "Deixe o carro em casa, use os transportes públicos!"

Para adicionar à vergonha hoje a CP estava a fazer uma promoção com bilhetes de ida e volta a 2€.

Depois não querem que as pessoas se queixem quando fazem greve.

Só me merece uma reacção, à falta de #unclaugh...



Exageros e porque é que Portugal está mal

1ª parte - Exageros

Estava a ver perfis de facebook, com o meu perfil falso,  de pessoas que conheço mas que não quero que sejam minhas amigas, nem as quero perto de mim pois a falta de capacidade de pensar é demasiada e pode ser contagiosa.

Anyway, estava a ver um perfil de uma tipa que acabou agora o mestrado, bem, não vou revelar que mestrado é, porque não interessa, mas foi finalizado por via de estágio e não tese/projecto. Em termos de valor, penso que fazer um projecto ou tese será sempre mais desafiante e exigente. Mas há palermas que fazem projectos, isso no fundo não quer dizer nada.
De qualquer das formas, a onda de parabéns porque acabou o mestrado era quase um tsunami. Eu tenho uma notícia para as pessoas, e eu sei que é difícil de imaginar o que vou dizer a seguir, mas é a verdade.

Um mestrado (ou doutoramento ou até pós-douturamento) não significa nada. Principalmente na área das humanidades. E não digo que não significa nada em termos de CV. Digo que não significa nada em termos de intelectualidade.

Quando era mais novo, aliás, a minha primeira entrevista de emprego, tinha dezoito anos e quando cheguei lá estava lá uma tipa que tinha um mestrado e eu pensei "uau, um mestrado...". Para mim, era como se essa rapariga reluzisse, que mente obrigatoriamente brilhante que ali estava. Mas isso é uma concepção errada. Qualquer idiota apalermado pode tirar um mestrado ou doutoramento. Basta que se aplique o suficiente no necessário.

Portanto, mestres e doutores e familiares, desçam lá dos vossos cavalinhos, porque vós continuais a ser, na maior parte, ignorantes idiotas, com pouco para oferecer ao mundo. Eu, com o meu curso de nível III, encontro poucos que mereçam qualquer tipo de reconhecimento intelectual. E ide p'ro real caralho se achais que eu sou arrogante. Whatever!

2ª parte - Porque Portugal está mal.

Prova A

Esta mestre, é uma pessoa que, testemunhei eu e vou passar a acusações claras, numa conferência com alguém de muito interesse para a área dela (e que eu fui ver por interesse próprio pois não tem interesse nenhum para a minha área) passou a conferência no facebook.
Esta mestre agora que concluiu o mestrado diz que vai ter mais tempo para socializar... Muito bem, certamente estava a pesquisar material relevante para o seu mestrado... no facebook.
Esta mestre, aquando da entrevista para o estágio, foi-lhe perguntado o que achava de certa pessoa. Note-se que esta mestre concordava com quase tudo o que essa pessoa dizia, mas na entrevista e, certamente, lembrando-se de dissidentes no discurso deu esta brilhante resposta.
"Houve quem não gostasse muito!"
O que o entrevistador adorou porque ele próprio não gostava. Este entrevistador, obviamente outro idiota, não percebeu que tinha sido enganado por outra idiota.
E isto é, basicamente, o porquê de Portugal ser o país medíocre que é.

Em Portugal as pessoas não formam opiniões. Esperam pela missa de Domingo do Cardeal Marcelo Rebelo de Sousa que lhes vai dizer o que e como é que devem opinar durante a semana. Depois esperam pelo Cónego Miguel Sousa Tavares. Depois há alguns que vêem aqueles debates absolutamente patéticos que passam no absolutamente patético Canal Q e o, também, absolutamente patético Governo Sombra e que acham que estão a ter a luz do verdadeiro pensamento livre quando no fundo são mais uns palermas a serem amestrados, todos para pensarem o mesmo por palavras diferentes, mas igualmente incipientes, sem conteúdo e sem ideias novas. É sempre o mesmo.

E depois há ainda aqueles que não querem assumir o seu próprio pensamento e colam-se a opiniões alheias de pessoas "iguais". E há ainda aqueles que em lugar de posição poderiam mudar as coisas, mas, como vêm do mesmo tipo de criação, são outras ovelhas que pensam e agem como todas as outras pessoas.

Prova B

Onde eu trabalho, há cerca de um ano, veio trabalhar uma miúda que tinha acabado de completar o seu cursinho (mais uma que as pessoas apenas dão crédito porque "ó meu deus" tirou uma licenciatura). Para ela vir trabalhar outro trabalhador foi dispensado. Que se fique desde já a saber que o dispensado era melhor que a contratada, mas bem, pormenores.

Esta trabalhadora veio para o mesmo posto que eu. E, basicamente, dos sete a desempenhar a mesma função, em turno continuo e em funções que exigem que todos trabalhem bem para que se trabalhe de forma fluida, esta era das piores. Daquelas que mais vale nem ensinar certas coisas e sermos nós, os outros que conseguimos fazer as coisas direitas, a resolver as coisas e a prever os desastres.

Esta trabalhadora, num dia de muito trabalho, teve ajuda de dois colegas que estavam de folga mas que vieram para a ajudar, porque obviamente era inconcebível que ela conseguisse dar conta do recado. Acompanhada por duas pessoas que fizeram o sacrifício para estar com ela a ajudar, a certo ponto, ela, vira-se e diz, após receber uma chamada: "Bem, esperem só um bocadinho que vou ali beber uma cerveja". Sim senhora, belíssima profissional.

De qualquer das formas, e borrada atrás de borrada, meses mais tarde o que acontece? O natural, num país normal e numa empresa normal, seria que esta pessoa fosse substituída. Certo? ERRADO! Esta pessoa foi promovida para um cargo directivo.
E o que faz esta pessoa no seu posto directivo? Pergunta tudo. "O que farias na minha situação?" "Como achas que devo proceder?" "Achas que faça assim? Fica bem?"

Pergunta tudo. E basicamente a cadeia de decisões está igual, mas a capacidade de trabalho e decisão está no escalão mais baixo, que está sobre alçada de uma pessoa incompetente que nem o trabalho mais abaixo na cadeia sabia fazer direito.

Esta pessoa, que para além de incompetente é altamente ignorante, é alguém que não anda a fazer nada neste mundo. Por um acaso qualquer aconteceu-lhe uma série de coisas e agora está acima dos outros a tomar decisões estúpidas.

Esta situação é algo que eu quero que seja visto, tal como a primeira, como algo que nada tem a ver com factores externos. Não tem a ver com o governo. Não tem a ver com os corruptos políticos. Não tem a ver com a crise internacional. Não tem a ver com impostos. Não tem a ver com nada.
Tem apenas a ver com estupidez pura e dura. E depois queixam-se que as empresas faliram. Com gestões destas... As pessoas que têm poder hoje em dia não passam de pessoas que provavelmente na escola eram considerados os nabos. Os estúpidos. E agora têm poder, mas não deixam de ser estúpidos.

Há solução para isto? Não, nem por isso. No outro dia li que para um rio se livrar de uma contaminação de chumbo naturalmente poderia demorar mais de cem anos. Para a humanidade se livrar desta ignorância extrema e repugnante, tem obrigatoriamente, de demorar muito mais.

Há pessoas boas, e talvez por essas pessoas boas valha a pena dizer a verdade como a vemos. Talvez por essas pessoas ainda haja alguma esperança e certamente há muitas pessoas boas.
O problema é que enquanto os estúpidos são extremamente estúpidos, os inteligentes nem sempre são extremamente inteligentes, sendo que há vários níveis de intelectualidade e só alguns, poucos, lá chegam e assim sendo, há um desequilíbrio difícil de ultrapassar.

O verdadeiro dono disto tudo

A Sony foi vítima de um ataque informático que revelou milhares de documentos internos que causaram grande celeuma em todo o mundo.

Inclusivé, levaram à não exibição de um filme e, pelo que vi, não se perdeu nada. (Porquê? Porque sim!!!)

O ataque foi feito pelos Guardians Of Peace (GOP) e com algumas ameaças, bastante sérias, à mistura. Enfim, leiam as noticias que faz bem.

Para mim que a Sony tenha sido atacada é-me totalmente indiferente. Como grande companhia que é a nível mundial, a Sony devia saber melhor que ninguém que estes ataques existem, frequentemente. Aliás, a PlayStation Network é um caso claríssimo de como ataques do género acontecem regularmente, e a Sony, como detentora da PSN já se deveria preparar melhor, em todos os seus campos de negócio.

http://www.aljazeera.com/news/asia-pacific/2014/12/20141220132043560905.html

Barack Obama reagiu e após ter defendido a Sony e condenado a mesma por não exibir o filme que foi retirado, disse "We will respond. We will respond proportionately and we'll respond in a place and time and manner that we choose,"

Portanto, Obama, é o dono disto tudo. Primeiro porque a Sony é uma companhia privada. Senhor Obama, se amanhã atacarem informaticamente um merceeiro do Ohio roubando-lhe todas as poupanças, o senhor Obama vai intervir pessoalmente no caso? Porque é exactamente a mesma situação. Um indivíduo lida com as suas próprias consequências. No outro dia assaltaram-me o carro, fiz queixa, mas nada se resolveu e nada se recuperou. Acredito que as autoridades fizeram o possível, mas deveria eu escrever ao Cavaco para me ajudar nesta situação? Não. Seria um disparate e se o Cavaco viesse publicamente dizer que me ajudava, então seria injusto, porque todos os dias, carros são assaltados.

Segundo, Obama diz, por outras palavras, que uma companhia privada foi atacada pela Coreia do Norte e que nós (EUA) vamos responder da maneira que eu achar mais adequada e em maneira proporcional. E toda a gente diz "ok, é justo". É justo? Isto implica duas coisas.

A primeira, se lerem o artigo cujo link está acima, a acusação é fundada em muito poucos factos e muita especulação, mas está tudo bem porque são os Estados Unidos da América.

A segunda, é que, basicamente, os EUA vão responder a um crime contra a Sony com outro crime contra a Coreia do Norte, porque a retaliação não vai ser deixar de ir jogar Monopoly com o Kim Jong. A reacção será algo de criminoso, pelo menos tão criminoso como o ataque que a Sony sofreu.

Com isto, Obama está a agir como o dono disto tudo. O dono disto tudo não é Ricardo Salgado é Barack Obama (ou qualquer outra pessoa que tenha influência nas decisões da Casa Branca).

Finalmente, porque o filme não foi exibido, muita gente está a dizer que não podemos deixar que outros países ditem o que passa ou não na tv. Um deles, David Letterman, já censurou um comediante por absolutamente nada, portanto, que moral tem ele?

Aliás, que moral tem o público norte-americano para se queixar do que quer que seja neste aspecto? Porque não se preocuparam quando o jornalista Abdulelah Haider Shaye foi detido sem razão e preso, só porque reportou um ataque americano contra uma tribo no Yemen que matou 50 pessoas, incluindo 14 mulheres e 21 crianças?
Porque não se preocuparam, quando este jornalista ia ser libertado, que o seu presidente (Obama) tenha ligado ao presidente do Yemen e expressado preocupação sobre a libertação do jornalista, fazendo com que o mesmo continuasse detido? Ah, nesse caso já é ok impedir o público do Yemen de ver certas coisas?

Acho que dá para perceber o que quero dizer.