Cinema - Coisas que devemos saber

Fomos ao cinema. E apercebi-me, novamente, porque é que normalmente não vamos ao cinema.

Primeiro. O bilhete custou 5.80€. Não vou dizer que seja exagerado. Contudo, eu paguei por um serviço. Paguei para ver um filme por isso ainda não me entrou na cabeça porque é que à hora de início do filme começou a dar anúncios de outros filmes. Menos ainda quando começa a dar publicidade. É que há uma suposta grande vantagem que à primeira vista se tem quando se pensa em cinema, que é: "Bem, ao menos livro-me da publicidade que apanharia se esperasse para ver este filme na tv!". Pois, desenganem-se, a publicidade está lá. O que eu acho bastante mal. Nem me vou dar ao trabalho de fazer as contas sobre lugares e respectivo preço de cada lugar para ver que as companhias de cinema não têm qualquer direito, ou não deveriam ter (pelo menos de moral) de fazer publicidade.

Segundo. Fomos ver um filme que estava apenas há alguns dias em exibição. Pois então, nunca façam isso. Por duas razões, mesmo que vão à sessão da meia noite vão sempre apanhar umas quantas pessoas, algumas delas obviamente incómodas pois está provado cientificamente que onde há dez pessoas que sabem estar há cinco que sabem estar de forma parola e incomodativa. Ao intervalo as luzes acenderam e de imediato houve um tipo que se chegou para a frente para estar constantemente a desviar o olhar para trás para ver o que se passa. Eu no lugar dele faria o mesmo, sabe-se lá quem é que está atrás de nós! Pode estar um bombista! Nunca se sabe... Ir ao cinema é perigoso!
A outra vantagem de ver o filme quando já está em exibição há alguns dias é que podemos ler reviews e saber o mínimo da história do filme. A isto chama-se - "Reduzir as probabilidades de deitar 5.80€ ao lixo" por João X e Efémera. Mas bem. Se não o fizerem há uma probabilidade de verem uma porcaria de um filme o que é raro (os filmes de hollywood são quase todos espectaculares!!!!!) (ou talvez não).

Terceiro. Quando vejo filmes na tv revolto-me sempre com o intervalo que é sempre prometido bastante curto e acaba a demorar meia hora. Pensava eu (eu sei, que inocente) que no cinema não havia intervalos longos. Mas SURPRESA há intervalos de 7 minutos. Isto em si já é abusivo, contudo a música que passam ainda é mais abusiva e pior ainda, o intervalo demorou 15 minutos. Que eu tenha reparado ninguém disse para deixar os relógios à entrada, para não controlarmos o tempo.

Mas bem, para aqueles que estão curiosos acerca do filme que nos despertou tanta atenção que nos permitiu reparar nestes pormenores todos eu deslindarei já o enigma.

Fomos ver o filme desse "so-called" humorista Sascha Baron Cohen. "Bruno".

O filme conta a história de um homossexual de Viena que quer ser famoso. Uma história muito simples, contudo, mal contada. Aliás, custa-me um bocado dizer que aquilo era um filme, era mais uma mescla de piadas contadas e re-contadas sobre homossexuais e respectivas vidas. Um punhado de imagens obscenas e ridículas sem sequer uma ponta de qualidade artística de filmagem. Posso admitir que o Ali-G tinha a sua piada pois brincava bem com estereótipos, contudo o Bruno cai na repetição de piadas velhas e sem sabor. No fim a pseudo-moralidade com uma canção onde entram Elton John, Slash, Bono Vox, Sting, Chris Martin e Snoop Dog, apoiando a causa homossexual e a paz mundial com outros temas como a fome à mistura. Para mim uma prova do pedantismo das referidas figuras. Se querem defender tais temas, pelo menos usem um espaço ou algo com mais qualidade e conteúdo. Pois referindo a homossexualidade, se nós fôssemos homessexuais sentiriamo-nos humilhados em certas partes do filme.
Para quem gostar de piadas ordinárias misturadas com cenas obscenas e argumento com intuito de ser apenas e só escandaloso, então este é o filme que procuram.
Se, como nós que devemos ser espécie rara (isto porque éramos os únicos que não esboçávamos qualquer sorriso) então guardem o vosso dinheiro. Não vale a pena pelas poucas partes engraçadas que derivam da estupidez total.

P.S. - Se querem rir com algum humor de qualidade comprem o mais depressa possível "Monty Python Flying Circus" as séries completas. Depois digam qualquer coisa sobre o que é que é o humor no mundo.

Filmes

Na última semana eu e a Efémera vimos dois filmes, dos quais esperavamos serem dois filmes que documentassem dois momentos da história mundial.

O primeio que vimos foi "A Queda - Hitler e o Terceiro Reich". Este filme documenta os útlimos dias de Hitler no bunker em Berlim. É um filme extremamente bem feito e que revela vários pormenores interessantes das últimas horas vividas no epicentro da actividade nazi. Proveniente de um testemunho de Traudl Junge, secretária de Hitler, é um filme essencial para se perceber as monstruosidades impostas por Hitler. Não se espere deste filme uma descrição da ascenção do regime nazi. Apenas trata da queda e do fim de todas as personagens principais intervenientes de um capitulo lamentavel da história mundial.
Um filme alemão com uma qualidade de imagem excelente, planos bem executados e bastante realistas. Cenários extremamente bem conseguidos e um guarda roupa que apesar de não ser exuberante cumpriu todos os propósitos requeridos para a realização de um filme da época. Destacar o guarda roupa de Eva Brawn que dispunha dos vestidinhos rurais alemães, característica registada pela secretária e amante de Hitler em várias filmagens feitas por ela própria (Há um documentário bastante interessante feito a partir das filmagens de Eva Brawn em Berghof, base de Hitler nos Alpes intitulado "A vida privada de Hitler". Filme a recomendar e que prova que não é só na América que se conseguem fazer grandes produções.

O segundo filme foi "Marie Antoinette" realizado por Soffia Coppola. Primeira metade do filme é de excelente qualidade. Documenta bastante bem a passagem de Marie Antoinette de Áustria para França e os costumes da época em relação à mulher que se tornaria a "Delfina" de França por casamento com o "Delfim" D. Luis que viria a ser Luis XVI. O filme reflecte o drama da rainha por não conseguir gerar um filho de Luis XVI. A corte não via com bons olhos esse impasse na criação de um Delfim herdeiro do trono de França. Aqui é onde o filme sofre uma transformação bastante discutivel. De uma banda sonora clássica e perfeitamente adequada ao ambiente passamos para uma banda sonora baseada em música contemporânea independente figurando bandas como New Order ou Strokes. Nada a apontar à qualidade das bandas em questão que está mais que comprovada mas em relação ao filme revela-se totalmente desadequado e influencia sobremaneira a vivência que se tem do filme tornando-o quase infantil e adolescente. De apontar também o total alheamento do guião aos acontecimentos que se passavam em França e que levaram ao desfecho do filme onde apenas se vê o rei e rainha dentro de uma carruagem a sair de Versalhes, sem sequer se entender se eles fogem ou se são levados à força. Muito menos mostra o julgamento e dacapitação da rainha. Final ambiguo e relativamente incompreensivel para entender o final da personagem principal, pelo menos para quem não conhece a história.
É uma pena. Condições maravilhosas para a rodagem de um excelente filme histórico. Guarda roupa espectacular e cenários edílicos no Palácio de Versalhes gentilmente cedido pelo governo francês para a rodagem do filme. Contudo estas duas grandes qualidades do filme são anuladas pelo guião pouco revelador e pela banda sonora lamentavel.