A Nova Europa & O Velho Mundo

Acabei há pouco tempo de ver o documentários A Nova Europa de Michael Palin. Previamente já tinha lido o o livro associado ao documentário, livro esse que traz bastante mais informação acerca do assunto. Este livro e documentário são a consequência de uma viagem que Michael Palin fez através dos países emergentes da Europa de Leste que foram afectados pelas Guerras dos Balcãs e pela Cortina de Ferro Comunista.

Uma das coisas que mais me choca é constatar que aqui a uns meros milhares de quilómetros a vida seja tão diferente da nossa.

Por exemplo países como Sérvia, Croácia, Bósnia e todos esses países envolvidos na Guerra dos Balcãs e desmembramento da Jugoslávia, são países com marcas profundas da guerra e que ainda não recuperaram. É difícil de acreditar que já neste milénio esses países viveram guerras e muitas pessoas perderam as suas vidas nessas guerras, aqui bem perto.

Hoje em dia Dubrovnik é um dos pontos de turismo mais procurado na Europa, contudo se desviando um pouco do centro para os subúrbios da cidade ainda é possível ver marcas da guerra em casas destruídas e ruas abandonadas. Parece impensável que aqui perto muita gente tenha visto a sua vida ser destruída por uma guerra. A realidade das guerras é relativamente desconhecida e ignorada pela minha geração e por todas as gerações pós 74. Nunca tivemos de ir para nenhuma guerra e as guerras mais próximas que tivemos foram mesmo estas nos Balcãs nas quais Portugal participou através da integração de soldados portugueses nos contingentes da NATO. Mas a verdade é que essa proximidade não nos faz perceber absolutamente nada do assunto.
É duro ver no documentário como várias cidades com raízes medievais ou até mais antigas, foram destruídas sem qualquer escrúpulo. E o maior problema não são os edifícios. O que é certo é que viviam ali pessoas. Basta imaginar se a nossa querida cidade fosse atacada e tivéssemos de a abandonar com medo. Basta imaginar que um dia poderíamos ir na rua e ser baleados ao calhas só porque estávamos do lado errado da barricada. Basta imaginar que uma simples ida à rua constituía um risco grave para nós e para os nossos. Eu andava confortavelmente a fazer o secundário enquanto essas pessoas vivia num clima de terror.

Eu vivo agora num país em que há linhas de comunicação suficientes, há comida, há divertimento, há paz, há dinheiro e há oportunidades.

Certamente poderiam haver mais linhas de comunicação, mas nos países afectados pelo domínio comunista nem comboios em condições têm. Numa das capitais visitadas nem sequer organização do trânsito tinham. Numa capital. Não era uma cidade perdida no meio de uma montanha. Era como se no Rossio cada um andasse como lhe conviesse por uma estrada bastante esburacada.

Certamente poderíamos ter mais dinheiro e um país mais rico, mas pelo menos a população em geral tem dinheiro para comprar o essencial e ainda fazer uma extravagância ou outra de vez em quando, sendo que muitas pessoas fazem-nas todos os dias. Em alguns países do leste da Europa e ainda é preciso em muitos casos cultivar para viver.

Ainda se sofrem as consequências de um Comunismo destructivo e que distorceu a realidade. Países que receberam de herança grandes edifícios e grandes complexos quer servem para nada. Países que basicamente estão onde nós estávamos no pós 25 de Abril, com a diferença de algumas tecnologias que a custo s vão impondo.

Desde que vi este documentário tive a certeza de que não vivemos num país de terceiro mundo como muita gente diz. Não vivemos numa país pobre como muita gente diz. Após constatar a realidade de outros países europeus só fiquei com a certeza que o nosso país, apesar das dificuldades, está melhor, muito melhor do que os países referidos no livro. Não temos marcas de um passado recente incomensuravelmente hórrivel. Não temos edifícios destruídos pela guerra. Não temos edifícios megalómanos construídos pela sede de poder ditatorial, edifícios esses que de nada servem a não ser lembrar um mau passado. Não temos campos de concentração.

Não nos apercebemos que escapamos, pela nossa localização, a grandes convulsões e horrores. Quantas pessoas na Europa Central não sabem quem são os seus avós, pois os mesmos perderam a vida na 2ª Grande Guerra? Quantas pessoas não tiveram de abandonar o seu lar e a sua cidade, para fugir? Quantas delas conseguiram regressar? E se regressaram, o que encontraram para além de escombros? Quantas pessoas não foram levadas para campos de concentração com pouco mais do que uma esbatida esperança de escapar ao horror? Quando vi as imagens de Auschwitz em que havia uma vitrine gigante de cabelo, outra de malas, outra de sapatos... Tudo aquilo pertencia a pessoas que tinham uma vida, tinham ambições. Pessoas que ainda hoje poderiam estar vivas e serem importantes. Ou então simplesmente pessoas que amanhã iriam comprar algo de completamente desnecessário como um iPad ou uma PS3. Quando penso nisso acho muito triste. E acho que grande parte das pessoas não valoriza aquilo que tem.

A Nova Europa tenta agora unir-se para formar um bloco de países solidários, sem mais guerras entre eles. Mas este continente que foi outrora conhecido como a Velha Europa, faz parte de um, esse sim, Velho Mundo.

Recentemente foi inventado pela polícia indiana uma hipótese de assassinato planeado contra o escritor Salman Rushdie. Rushdie iria estar presente no Festival de Literatura de Jaipur e faria uma conferência. Contudo, e por razões que ainda não compreendi bem, a polícia inventou que três snipers haviam sido contratados e que estes iriam tentar aniquilar Rushdie.

Para além das razões, este tipo de actos nos dias de hoje é completamente hediondo. Como é que é possível condicionar a este ponto a vida de alguém? Rushdie é Anglo Indiano, tem as duas nacionalidades e ele afirma que Bombaim é a sua "cidade mãe".
Convem recordar que este homem esteve 10 anos escondido, por causa da Fatuah sobre ele em consequência dos Versículos Satânicos. Um mero romance em que era contada uma mera estória, foi o suficiente para que alguém tenha decidido que Rushdie devia de morrer. Em consequência, Rushdie perdeu basicamente a sua vida. Não mais pôde fazer o que quis. Conduzir o seu carro, ou estar em sua casa foram regalias que lhe foram retiradas, regalias às quais damos tão pouco valor. Aliás, para nós é um dado adquirido.

Após esses 10 anos Rushdie pode desde 1999 caminhar livremente, mas o alvo não sai das suas costas. Por várias vezes ele próprio fez retweet de mensagens ameaçadoras à sua pessoa. É incrível como é que alguém pode viver nessas condições hoje em dia. E é este o nosso Velho Mundo,.

Poderão dizer que isso é por causa dos extremistas islâmicos. Sim é verdade. Mas não somos nós no nosso dia-a-dias os potenciadores desta realidade?

Acontece por vezes haverem comentários a posts de blogs, em que os bloggers em vez de responderem normalmente pegam antes nesses comentários e distorcem e respondem em tom desdenhoso. E falo de comentários bem estruturados e com a sua lógica, não de comentários de insulto. Não são esses bloggers potenciadores da discriminação, neste caso de um user online?

Não são as pessoas no dia-a-dia potenciadoras desta realidade sempre que avaliam alguém superficialmente e difundem essa avaliação pelos seus amigos, que mais tarde eventualmente discriminarão essa pessoa?

A conclusão a que chego é que este Velho Mundo, em que coisas horrivéis acontecem, não é mais que a ampliação da realidade do dia-a-dia. Obviamente não são as pessoas que andam por aí nos blogs ou na rua os culpados. Os culpados são essas pessoas, que poderiam escrever num blog ou andar na rua, mas que têm posições de influência em que as suas estupidezes provocam graves consequências, que me leva a outra pergunta.

São essas pessoas com poder piores que as pessoas com as mesmas atitudes mas sem o mesmo poder?

Inocência

Ao longo da minha vida ouvi muitas pessoas a dizer o mesmo. Ricos, pobres, famosos e desconhecidos. A inocência é algo de muito bonito.

"We all lose our innocence, it's impossible to hold,
I didn't know it then, I had a pocket full of gold"

É algo que nunca podemos recuperar. Os tempos em que acreditávamos que tudo seria bom e tudo parecia estático e sem risco de mudar. Tinha os amiguinhos, a família, a escola, a tv, a consola, a bicicleta etc. Tudo o que era meu de direito.

Com o crescimento e o conhecimento as coisas mudam ligeiramente. Os amiguinhos deixam de ser amigos, a consola já não nos preenche, a bicicleta deixou de ter piada porque descobrimos que fingir que somos o Lance Armstrong e que comigo vai um pelotão numa corrida que eu ganho sempre, já não tem assim tanta piada e afinal de contas com 12 ou 13 anos quem é que me quer ouvir? Pareceria ridículo certamente.
Descobri também que andar pelo quarto aos saltos a cantar ou segurar qualquer coisa na mão esquerda e fingir que tocava guitarra não era assim tão espectacular. Com os meus 16 anos ainda o devia de fazer, lembro-me que até gravava cds com um alinhamento ao qual cada vez se tornava mais difícil chegar ao fim. Cada vez era mais difícil fazer de conta e cada vez mais imaginava-me visto de fora e acabava por ir dormir triste porque tudo aquilo não passava de fantasia. Felizmente tive a possibilidade de aprender a tocar guitarra. Sempre sozinho e ainda hoje admito que me imagino muitas vezes num concerto ou qualquer coisa do género, mas quem nunca o fez estando a tocar um instrumento? Emulamos os nossos heróis.

O fim da escola é um momento precioso. É o momento em que tudo passa a contar. Quando se anda na escola poucos se preocupam com o futuro. Sabemos que vamos trabalhar e que outros vão para a universidade. No meu caso o trabalho era meu destino.

O problema é que quando andámos na escola queremos trabalhar para sair daquele mundo de aparências vãs das miúdas emproadas e dos tipos armados em maus. Queremos entrar no mundo das mulheres onde seremos reconhecidos pelo que fazemos e não pelo que aparentamos fazer.

Ainda que possam haver casos distintos, o facto é que no trabalho existe apenas uma acentuação desse mundo de aparências. "À mulher de César não basta ser, é preciso parecer".

Quando andei na escola tive alguma matéria na área das relações humanas e até eu, um ilustre desconhecido, percebi as teorias motivacionais. Num mundo em que muitos heróis de hoje em dia são heróis da psicologia, José Mourinho, Steve Jobs etc. Neste mesmo mundo é-me impossível perceber como é que alguém, com educação superior, não tem a mais pequena noção de como motivar as pessoas e como mantê-las satisfeitas. Nem um gesto pequeno como dar as condolências a alguém que perdeu um familiar, sabem dar. Se nem isso conseguem fazer, como é que é possível fazerem o resto? Não é.

Da mesma forma que quando as avaliações são superficiais caímos num grande erro. Quando há pessoas que nos momentos difíceis mantêm, quase sozinhos um "barco" em andamento e depois são ultrapassadas por alguém que nada faz mas que aparenta fazer, como é que é possível as pessoas que se sacrificaram sentirem-se motivadas? Não é. Principalmente quando quem aparenta facilmente se espalha em qualquer pequeno pormenor seja pelo que diz ou pelo que faz.

Saber de certas coisas que ocorrem longe da nossa vista é muitas vezes mau. É mau porque eu sou obrigado a sentir a injustiça. Embora mais tarde redescubra o caminho correcto é-me difícil ignorar estupidez e injustiça.

Quando vejo aquele anúncio da Optimus "All Together Now" é um pouco impossível não sentir repulsa por esta sociedade. Quando vejo a grande flash mob em que está toda a gente a divertir-se e todos juntos, sei que essas mesmas pessoas são as que gozam comigo e com a minha namorada quando vamos no comboio porque temos coisas fora do comum, embora nem eu sei bem quais são, mas pelos vistos temos pelas reacções. Essas pessoas "All Together Now" são as mesmas que têm blogs e facebooks extremamente livres de preconceito, mas sempre que são contrariadas convocam uma flash mob para insultar o opositor. Distorcendo ao invés de rebaterem as opiniões contrárias com argumentos lógicos.

O que eu não consigo compreender no meio disto tudo é porque é que as pessoas são más? Porque é que as pessoas não são sinceras? Porque é que as pessoas não vencem por serem quem são mas sim por aparentarem ser alguém diferente? Porque é que as pessoas não são justas quando olham para os outros?

Há uma pergunta recorrente na minha cabeça. As portas foram feitas para as fecharmos ou para as abrirmos? E tenho a mesma pergunta em relação ao saber. Devemos querer saber mais ou não querer saber nada?

Há pouco tempo alguém me disse que é preciso conhecer o que é mau para valorizar o que é bom. Saber o que é feio para valorizar o que é bonito. Tirando a morte e certas lesões físicas, nada é permanente. Tudo muda num piscar de olhos. Contudo o que se faz não se pode desfazer. Tal como a inocência de outros dias se perde e não volta.

E eu sinceramente não acho que isto seja um defeito de pessoas rancorosas. Até porque rancor é um ódio secreto e profundo e não se trata disso. Trata-se apenas que algumas pessoas têm acções com as quais eu nem sempre consigo compactuar e isso muda toda a perspectiva que se tem de alguém. Por muito que por vezes as acções não tenham a ver com o trabalho dessa pessoa. Tudo fica em perspectiva a partir de certo momento. Ainda há pouco tempo andei viciado num comediante do YouTube porque achava piada sim, mas porque ele me parecia ser uma pessoa igual a qualquer outra. Podia ser eu, podia ser o vizinho. Um tipo que só fazia vídeos porque gostava de fazer vídeos. Mas que agora faz vídeos porque é um negócio, não mantém a mesma linha de qualidade nos seus conteúdos e age como se fosse uma superestrela deslocando-se em limusines com tipas com ar de prostitutas lá dentro. Por muito que o seu trabalho até aí tenha sido bom, tudo muda, porque a minha perspectiva muda. Eu sei que ninguém é perfeito. Mas há coisas com as quais não consigo compactuar.

Enfim. Eu sinceramente gosto quando saio com pessoas que são divertidas, sinceras e verdadeiras. Mas as pessoas são cada vez menos assim.

Fica o amor pelas coisas belas que no fim deste texto me voltam a parecer meritórias do meu esforço.

Eu sei que sou um hater

Em Portugal há muito esta confusão entre contrastes, contradição, paradoxos.. Parece que é tudo a mesma coisa.

Mas não é. Mas em Portugal como toda a gente é super e... bem mais vale citar aqui o grande

"Ainda há muitos 'haters'. É sintomático de os ouvidos estarem viciados. As pessoas estão habituadas a pessoas que em estúdio nunca dão notas erradas, que tratam todas as suas ideias como se fossem as melhores. O meu desprendimento em relação às minhas ideias também incomoda"

Estejam descansados. Não fui eu o autor deste hediondo parágrafo.Isto vem na Ípsilon do dia 23 de Dezembro. O autor não é digno aqui do blog. Como diriam os ingleses "Too bad".

Mas sim isto veio com o Público, por vezes imagino se fosse eu a dizer uma coisa daquelas. Aposto que já teria o meu router a atirar raios laser para me decapitar.

Eu não gosto deste tipo e não percebo qual é a dele para dizer uma coisa destas. É típico do artista que não acredita numa palavra daquilo que diz ou canta. Os ouvidos estão viciados mas ainda deram para dar sucesso a este tipo, só por acaso. Que tem um ar de intelectualóide que até me faz impressão. Como grande parte dos músicos de Portugal. Manuel Cruz é bom exemplo em termos líricos.

A contradição por si só é estúpida. Mas isto é o problema de quem não consegue ver o paradoxo permanente em que vivem. Isso sim é interessante. O paradoxal. Aquilo que não faz sentido nenhum, mas no entanto estas pessoas satisfazem-se com a contradição, porque em Portugal as pessoas não entendem que quem se contradiz, ou não sabe o que diz, ou então é vira casaca.

"Quero que os homens tenha um machismo feminino e as mulheres um feminismo machista. É daí que nascem as contradições e os contrastes, que é o que me interessa"

Ora aí têm mais uma pérola. O que interessa são as contradições e os contrastes. Aos portugueses basta dizer muitas vezes coisas do género "Quero morrer para viver melhor" que é tão válido como dizer "Quero amputar uma perna para ficar mais leve" coisas sem sentido e sem objectivo.

Mas eu sou um hater. Um hater que se tivesse proferido estas duas frases era um estúpido de cima a baixo e que seria fulminado pela multidão enraivecida. Mas como foi quem foi, é maravilhoso.

Mas eu é que sou hater.

"And fiercely proud of it"

UPROAR!!! CONSTERNATION!!!

A Sábado fez um vídeo em que vários estudantes deram respostas estúpidas a perguntas relativamente básicas de cultura geral. Uma disciplina que por acaso ninguém tem, logo ninguém é obrigado a saber, pelo que dizem por aí. O vídeo essencialmente goza com os estudantes e realça a sua ignorância em assuntos que nos são esfregados nas fuças praticamente todos os dias.

Parece que já há processos e tudo ao barulho e houve um passarinho que me disse mais notícias.
Os Deolinda vão escrever uma música sobre isso (Parva que NÃO sou), o Michael Moore vai fazer um documentário (Bowling for ignorance) e as escolas vão ter a disciplina de cultura geral, mas só naqueles cursos em que as pessoas precisam mesmo de saber essas coisas, que francamente é quase ninguém.

Na verdade é só para as elites.

Agora a sério.

Já toda a gente sabe, ou devia de saber, que a juventude portuguesa tem bons e maus jovens. Da mesma maneira que tem jovens que andam de olhos abertos e outros que andam de olhos fechados.
Porque só alguém que ande de olhos fechados é que pode dizer que não precisa de saber essas coisas e então não sabe.

Sei lá, até eu que não vou nada com os livros de Saramago sei que ele escreveu o Evangelho Segundo Jesus Cristo. Ainda por cima este livro foi envolto em polémica porque o governo não deixou que representasse Portugal num prémio literário internacional.

E se alguém não soubesse de todo quem era Saramago, porque afinal ele não é nada conhecido, podiam sempre raciocinar que se é segundo Jesus Cristo então é porque teria sido ele o autor. Embora a resposta estivesse errada ao menos demonstrava raciocínio.

Agora um dos jovens que diz que a Sábado manipulou as respostas dele, porque em 10 falhou 1, que foi precisamente a que foi mostrada no vídeo, diz que vai processar a Sábado por uso indevido das imagens. Não creio que vá muito longe com esse processo. Diz também que passou uma grande vergonha, mas bem eu se cometesse o erro que ele cometeu limitava-me a aceitar e aprender. Mas bem, ficou muito envergonhado e agora há para aí grande consternação, parece que assassinaram a honra dos estudantes.

Eu acho que as pessoas estão simplesmente a tentar tapar o sol com a peneira, lançando ainda mais estupidez para o ar dizendo que quem sabe cultura geral são as elites, que não precisam de saber isso e que não lhes interessa política, religião (que curiosamente nem sequer foi referida na entrevista, tanto quanto me lembro) etc etc. Basicamente, não interessa nada.. Excepto a data do próximo jantar de curso, que aí estão batidinhos.

Eu pelo menos tenho a noção que a maior parte das pessoas da minha idade não sabe nada do que não estuda e o que estuda apenas sabe para a altura dos testes, muitas vezes com copianço.


Por exemplo, quando se está a falar com alguém sobre o Senhor dos Anéis é sempre engraçado quando de seguida dizemos que gostamos de Tolkien, porque 90% das pessoas da minha idade não sabe quem é o Tolkien. Mas gostam do Senhor dos Anéis, pelo menos logo que sabem que são livros antes de ser filmes. Gostam muito, mas do Tolkien ninguém ouviu falar.

Contudo, quando se pensa que a hipocrisia não podia ir mais longe. Diz o aluno que quer processar a jornalista que deviam era falar do corte de 50% nos passes sociais porque faz todos os dias 3 horas para chegar à universidade e, como vai deixar de ter o benefício vai passar a pagar 85€ e que lhe ficará mais barato andar de carro.

Dou-lhe toda a razão, deviam falar do corte dos passes sociais.

Citação presente aqui http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---economia/transportes-passes-sociais-passes-descontos-idosos-estudantes/1297753-5797.html

"«A subsidiação do transporte público só deve ser feita para aqueles que têm menor rendimento», disse em entrevista ao «Correio da Manhã» o secretário de Estado dos Transportes."

Portanto muito sinceramente acho que quem pode pagar, deve pagar, por muito que tenha pena de alguns velhinhos que terão de pagar para andar de autocarro. Dos jovens não tenho pena nenhuma porque têm bom arcaboiço para andar a pé.

Diz também que faz 2h30 / 3h00 de viagem até à universidade. Na melhor das hipóteses 1h15 em cada sentido. Portanto, razoavelmente, uns 20 km até à universidade. Ou então uns 50km se for de comboio. Mas vou ficar pelos 20km senão fica estúpido.
Assim sendo 40 km por dia, mas vamos reduzi para 20 porque os autocarros e comboios não andam pelas nossas horas e ele pode ter que esperar bastante tempo pelos mesmos.
Eu faço 26 km por dia e gasto em média 120 a 150€ de gasolina. O jovem em questão diz que fica mais barato ir de carro, porque o carro é de borla e anda a água do poço certamente.

100 x 12 = 1200 + 200 (reparações, pneus, mudanças de óleo e já estou a dar por baixo) = 1400/12 = 116€ por mês.
Contando que não tem de pagar o carro porque senão acresce sempre uns 90/100 euros por mês.

Tudo isto para dizer que até na sua argumentação o jovem em causa mostrou que apenas ficou ofendido porque era ele, porque se fosse outro era giro, se calhar. Aliás, ele até perguntou se iam fazer como o "5 Para A Meia Noite" faziam. Que é muito diferente, porque goza com os estudantes e realça a sua ignorância em assuntos que nos são esfregados nas fuças praticamente todos os dias.

Se quiserem ver os vídeos estão sob o nome de "Anda o meu pai a pagar um curso para isto" num YouTube perto de si.

Como não ter credibilidade.

Há por aí muitos críticos e cronistas que invariavelmente encontram uma maneira de perder credibilidade de forma extremamente rápida.

E há uma área em que é escandalosa a falta de critério que é possível ter.

Isto porque, enquanto alguns podem ter gostos diferentes acho que a coisa é como o Oscar Wilde dizia:

"There is no such thing as a moral or an immoral book. Books are well written or badly written."

Como é que é possível esses críticos em estrelas darem 3 e 4 estrelas a livros de Nora Roberts, Dan Brown etc? Onde está a credibilidade nisso, quando qualquer autor decente diz, sem papas na língua, que Dan Brown é horrendamente fraco. 
O que me dá a impressão é que as pessoas não querem ter trabalho de mergulhar nos verdadeiros pormenores do livro. Consomem os livros como se de fast food se tratasse em que ler Nicholas Sparks, que escreve o memso livro todos os anos e ler Salman Rushdie que leva 3, 4, 5 às vezes 10 anos para escrever um livro exactamente a mesma coisa.
Em que ler Tolkien, que é simplesmente a "Mastermind" da literatura de fantasia é o mesmo que ler o parvalhão do Christopher Paolini que inventa personagens no final do livro para dar sentido à história.

Será que é mesmo a mesma coisa? É que se é então andamos a ler livros diferentes. Porque os que eu leio do Tolkien estão sobrecarregados de pequenas lutas interiores descritas com a qualidade de um mestre que fazia-me sentir como se estivesse a ler a trilogia há anos, quando li os três livros em mês e meio. 

O que me dá a entender é que as pessoas lêem por ler e não se querem cansar a entender tudo o que se passa, os ambientes, os sentimentos e as ideias das personagens e das histórias. Querem apenas ler livros que de preferência terão um final feliz e que no fim tenham percebido a história e  na cabeça deles o essencial deve ser o personagem fez isto e isto encontrou este e aquele que lhe disseram isto e aquilo e depois aconteceu isto e o personagem fez aquilo e viveu feliz para sempre. Porque de facto os autores escrevem mais duzentas ou trezentas páginas só para dar despesa. 

Por muito que tente não consigo compreender como é que para as pessoas tudo é igualmente fantástico e espectacular. A não ser com o facto das leituras serem incipientes e sem desejo de entender, sem desejo de participar na construção da história e sentir aquilo que sentiríamos se realmente estivéssemos ali, ao lado dos personagens fascinantes vindos das mentes dos bons escritores. 

Enfim, é pena, porque se houvesse mais discernimento não havia tanta porcaria à venda nas livrarias e toda a gente leria mais e melhor.

Como fiz ali a citação do Oscar Wilde tenho de vos deixar mais algumas aqui por baixo :)



Faço minhas as palavras do Oscar Wilde, mais uma vez "There is only one thing worst than being talked about, and that is not being talked about!"

P.S - Este post referiu um blog, mas como as pessoas se vomitaram completamente em entusiasmo pela minha referência, esse nome desapareceu, pois felizmente apagando esse excerto o essencial continua no post, coisa que a maior parte das pessoas parece não entender, mas agora fica mais claro.

A Auto Estima das Pessoas


Ontem, aqui foi publicado um post acerca de uma coisa que está lá bastante bem descrita.

Contudo sinto-me um autêntico déspota, porque parece que destrui a auto estima de um blog, cujo um dos autores teve de escrever um post de infinito tamanho para rebater o que eu disse ontem.

Tenho a dizer várias coisas.

Só para irritar começo com...

"There is only one thing the world worst than being talked about, and that is not being talked about!"

Só para vocês saberem que o que todos dizem ou não é para o lado que durmo melhor.

Insinua-se que se tenho uma opinião pré-formatada de livros clássicos.


"Temos opiniões pré-formatadas sobre um clássico, sobre um bestseller. Queremos sentir-nos integrados num determinado grupo social, é isso?"

Não, não é caro autor do Lydo e Opinado. Se fores ver os comentários deste blog dá para entenderes que eu não me integro num grupo social e pelo contrário repudio qualquer tipo de subdivisão entre as pessoas. Mas bem, se olhares para o teu blog sinceramente, reparas que se alguém se integra num grupo social , és tu.

Mais digo, eu não pré-formatei as minhas opiniões sobre os clássicos, eu li clássicos, alguns, e tenho a devida opinião deles. Mas em certo tempo também li Paulo Coelho e não me arrependo disso, mas hoje, tenho a noção das diferenças e é sobre isso que o post de ontem fala, apesar de ninguém ter reparado.

Quero agora ABRIR ESTE POST A TODAS AS PESSOAS QUE AGEM DA MESMA FORMA (Em caps lock porque no outro post ninguém percebeu que ao fim de 1/4 do outro post deixei de falar do Lydo e Opinado).

É inacreditável que a vossa auto confiança seja abalada por uma coisa que um perfeito anónimo escreveu. Eu usei uma informação para basear a minha opinião de forma concreta. Não fosse toda a cagança que se armou e eu já hoje podia apagar a parte do Lydo e Opinado porque o post continuaria a ter o mesmo valor. Obviamente agora não apago porque senão vão dizer que me acobardei.(Acabei por apagar porque estou-me nas tintas para o que as pessoa dizem ou acham e estou farto da palhaçada).

O que eu escrevi prende-se com a minha discordância da forma como as pessoas lêem os livros. Tal como o Tiago do Lydo e Opinado, a maior parte das pessoas não vê problema em ler o Crepúsculo, eu também não vejo, mas vejo problema em ler o Crepúsculo e atribuir-lhe uma excelente nota. Porque o Crepúsculo é um livro sofrível. Assim como o Código Da Vinci também é. Ponto final.

Quantos autores, mais ou menos conhecidos, e já via a expressarem o seu desagrado, dado que o seu trabalho e dedicação durante anos foi menos valorizado, que o de uma tipa que teve um sonho e escreveu um livro medíocre e de um tipo que carregou um livro de falsidades comprovadas com o objectivo de levantar ondas. Se corroboram esse tipo de coisas, é-me indiferente, contudo a minha opinião é minha e eu posso emitir. Não vejo é onde está a infâmia que eu disse que motivou tamanha resposta do outro blog.

Por outro lado, tal como se lêem livros sem qualquer critério de julgamento e sem dar qualquer importância ao que os livros representam, o post de ontem foi lido exactamente da mesma forma. Não se leu todo e não se compreendeu que não era acerca do Lydo e Opinado, mas acerca de 95% do mundo de pessoas que lê. Temo até, que toda a gente visada amanhã irá fazer uma manifestação em frente a minha casa, porque eu insultei a honra das pessoas.

Finalizo dizendo, para todos os nossos leitores e para os leitores de passagem.

Eu não pertenço a qualquer elite literária, pois a elite literária promove o José Luís Peixoto, autor medíocre na minha opinião. Se o Tiago tivesse lido o meu post de ontem tinha percebido que a minha crítica se dirigia também à "Elite Literária" que ele acha a que eu pertenço. Mas bem, não sei porque esperei ser compreendido, mas é o pão nosso de cada dia para nós, autores do Taste Of Orange.

Podia aqui desfiar parágrafo a parágrafo o post de resposta (?) do Lydo e Opinado, mas não o farei porque obviamente não é algo a que dê assim tanta importância. Apenas quis realçar a falta de interpretação e o excesso de imaginação que levaram a este rebuliço, que me causa enorme tédio pois é mais do mesmo.

P.S - Triste é que este post num dia teve 117 visualizações, a entrevista em português com o Mauro Pawlowski, que é só um dos maiores músicos europeus só teve 39. Só para se ter noção da motivação das pessoas. E ainda há quem diga "Quem não gosta, tem bom remédio: clicar no x ao canto superior direito" imagino que devem ter adorado o que eu disse.

P.S.S - Não irei fazer mais qualquer post ou comentário sobre este assunto, pois já está tudo dito.

Adenda Efémera: em resposta aos últimos comentários no blog em questão.

Jovens, não dissemos nada contra aquilo que vocês defendem, acho que exageraram totalmente uma reacção em relação a uma mera opinião, sendo esta tão "credível" como a vossa. O mundo é relativo e aquela é a nossa verdade, o que não implica de vivermos em harmonia com a vossa. A única diferença é que temos uma opinião e uma selectividade que vamos defender (tanto na net como na vida real) digam o que disserem, ou seja, não mudamos consoante o vento. Temos esta opinião, é levada até ao fim, e que defendemos face seja a quem for. Não dissemos, em ponto algum, que vocês estão errados, ou que são totós, seja o que for. Apenas dissemos que é incoerente, e injusto para autores que se dedicaram à escrita toda a sua vida, sem serem reconhecidos, colocarem as suas obras de arte ao lado de caixas de cereais, veneradas e idolatradas como se fossem algo de bom (apesar das escritas miseráveis!). Mas lá está, esta é a nossa opinião, que não tem de ser, e ainda bem, a vossa, porque muito felizmente somos todos diferentes no mundo. 


Agora isto é um exagero em relação a uma opinião tão válida quanto a vossa. Nós fizemos um apontamento para explicar um ponto geral. Vocês levaram a parte que vos dizia respeito, mas tendo em conta o contexto, o circo é escusado, só isso. E se conhecessem o nosso blog, veriam que não foi com maldade ou intuito de vos acusar a vocês que demos o vosso como exemplo. Ou seja, no fundo, estás a defender um ponto que ninguém pôs em questão. Se soubesse, o João X teria escrito precisamente o mesmo, sem dar qualquer fonte, que foi meramente a título de exemplo. E já não tinha dado aso a tudo isto, inclusivamente várias acusações no teu texto ridículas, que nem me darei ao trabalho de puxar senão, nesta plataforma de entendimento, nem daqui a três mil anos sairíamos daqui. 
Ponto assente: nós não vos estamos a julgar, não é preciso estarem sempre com a conversa do "oh, que falta de credibilidade que nós temos mimimi" qual criança de sete anos, que não era a vocês em concreto que o texto se referia, mas sim ao mundo da crítica literária em geral. No fundo, demos a nossa opinião e tentar passar a mensagem de: O que é que importa o que é que dizem os críticos se são tão incoerentes (para nós)? Mais vale cada um ler e olha, gosta do que gosta, nós gostamos de "boa literatura", se vocês gostam de tudo, então melhor para vocês e melhor para o mercado editorial, muito sinceramente, mas eu tenho direito a achar que há livros de pura e simples porcaria, e há livros que valem o mundo. Porque é que vocês querem tanto fazer ver que tudo o que é livro é bom, e nós não podemos te a nossa opinião de que não, há coisas boas e há porcarias. Ninguém está a dizer que nós estamos certos ou que vós estão certos, e não podemos nós ter a nossa opinião também? Tentámos levar a um ponto de "decide tu o que é bom e não ligues ao que os outros dizem", e vocês acusam-nos de dizermos que não, ninguém deveria ler coisas más, o que é totalmente mentira e não é, definitivamente, a nossa opinião. Estamos a favor de cada um fazer as suas escolhas, tal como nós fizemos as nossas, porque é que vocês insistem em que "tudo é bom e mesmo se eu não gostar vou torturar-me a ler até gostar"? Porque é que não podemos gostar de umas coisas e de outras não sob o signo de que tudo o que vem com uma capa e páginas com letras é válido? Não tem de ser, e para nós não é! Devido a um leque imenso de factores. Se não concordam, ainda bem, podemos todos viver em harmonia, sinceramente. Ainda bem que és alegre, nós também, aliás, não fosse o vídeo dos Monty Python sugerir um final de post leve e alegre, num tom de "paz". Se não querem entende o ponto, problema vosso. Só me chateia teres ido por imensos caminhos desnecessários, em coisas que nós NUNCA tocámos em relação a ti, porque quero lá eu saber, demos a nossa opinião e pronto, tu dás a tua e pronto, valem as duas o mesmo apesar de podermos, ou não, achar coerentes. É só isso rapaz. Mais nada. 


E só um pequeno apontamento em relação ao tão referido por vós ponto sobre a data da leitura: eu quando era pequena também lia muita porcaria, como toda a gente antes de ler algo melhor (para mim) ou de continuar no mesmo tom. Com vocês, aconteceu o mesmo. Mas uma crítica é uma crítica, e não quero saber da data: está feita. Eu não tenho de saber da vossa idade quando leio isso (queres saber da idade ou da altura da vida dos críticos quando lês críticas em revistas?) e por ora, não tenho nada a ver com isso, para mim não é válido enquanto de uma crítica se tratar. Por isso esquece a idade, está feita, está feita, se já não concordas com o que escreveste, problema teu, se concordas, ainda bem, mas está feita e é tão válida quanto as deste ano. E por isso, a minha opinião é formada com base no que está escrito e não a ter em conta uma data de factores com os quais não tenho anda a ver. É tudo, não tenho nada contra vocês apesar de achar que em alguns pontos foste um bocado longe demais pois não nos conheces (aposto que nem o blog leste para ter noção da essência dele), mas ao contrário de ti, ultrapasso isso e aqui me esclareço em relação ao nosso ponto que em nada precisa de todas essas explicações. O texto é grande porque achei necessário para uma melhor compreensão, mas não volto a escrever nem aqui, nem no teu blog, nem sobre esse assunto, pois nem as tuas ideias têm nada a ver com as minhas nem a conversa está a ir numa direcção ascendente, fazendo mais o percurso de uma bola de ténis. Aliás, o último post já tem comentários e imensas "views" o que é absolutamente injusto quando temos outras coisas tão exclusivas neste blog, que não arranjas em mais nenhum, como uma entrevista a um dos melhores músicos europeus contemporâneos de imenso valor e ninguém quer saber, o que está bem, mas só mostra que as pessoas só querem saber de quando há "discordância" ou supostos ataques, que no fundo são um não-acontecimento. Aliás, com esse músico, e muitos outros, passa-se a mesma coisas que com a literatura: pessoas de criatividade infindável, na obscuridade duma Europa toldada por sons de sintetizadores e clichés repetidos.
Ps. Não estou à espera que concordes, visto que a tua opinião também tem algo de volátil, mas também não preciso que o faças. Peace out, muito honestamente, e pelos nosso lados, finito nisto.

The Reverb Of Time Is Our Vantage Point

Por muitas vezes falo com pessoas, que têm filosofias de vida completamente diferentes da minha, para o bem e para o mal.

Uma das coisas que mais me faz confusão é pro exemplo quando afirmo que só faz sentido termos relações sexuais com a pessoa que amamos. Isto porque as pessoas dizem que sexo é bom, o que eu subscrevo.

Contudo também afirmam, que sexo, como namorados/as, deve ser com várias pessoas diferentes para descobrir-mos a pessoa de quem gostamos realmente. Isto é, devemos experimentar para saber como são as coisas.

Pois bem, eu digo NONSENSE!!!

Porque bem não é melhor simplesmente esperar por aquela pessoa que realmente é a indicada para nós? Não é melhor esperar por essa pessoa que vai ser a nossa metade e com ela partilhar-mos tudo aquilo que temos de mais intimo? Física e psicologicamente.

Não será melhor apenas partilhá-lo com a pessoa certa que sabemos que estará connosco durante toda a vida?

E acho que é uma estupidez quando as pessoas dizem esse tipo de coisas. É como dizer que preferem comprar dez pares de sapatos para ver se ficam bem e se são confortáveis ao invés de comprarem um par que será o ideal para os seus pés.

Obviamente eu tenho noção de que esta ideia de relação amorosa é extremamente romântica eu que pouquíssima gente a segue hoje em dia, mas eu ainda penso desta maneira e não me estou a dar mal, definitivamente.

Neste e em muitos outros tópicos em conversas (porque aqui só há um comentário de cem em cem anos) recebo muitas vezes os elogios mais lisonjeantes.

"És arrogante! Tens a mania! Achas que sabes mais que os outros!" etc etc.

E eu acabo sempre por dizer que quem me acha arrogante tem toda a razão, porque para todos os efeitos as opiniões dessas pessoas não me interessam absolutamente nada.

Eu sou um crente de que através da observação do mundo podemos verificar quais são os melhores comportamentos a adoptar. Eu vejo uma pessoa a falhar por motivo x, identifico o problema e soluciono a imprevisibilidade, sem garantias de que isso evite que eu falhe, mas pelo menos reduzo a probabilidade, e esta acção repetida muitas vezes reduz as parvoíces muitas vezes. Porque vendo os erros dos outros também podemos aprender a não os cometer.

Embora eu como muitos outros tenha cometido erros e aprendido com eles, dando lógica ao dizer "Aprender com os seus próprios erros" sou apologista de que devemos aprender com os nossos erros e com os erros dos outros. Porque se temos a possibilidade de evitar certas coisas através da observação porque não fazê-lo? Simplesmente os resultados não são tão imediatos como abrir uma conta no Facebook e depois ir sair com os nossos mil amigos, apanhar uma bebedeira e fazer sexo com uma pessoa ao acaso. É mais divertido talvez, mas no fim, não é mais que uma perda de tempo.

O que eu constatei por diversas vezes ao longo da vida, foram pessoas a tomar decisões mal pensadas, que eu na mesma posição não tomei porque preferi esperar para ver em que davam as coisas, e mais tarde as pessoas que tomaram as más decisões vieram dizer-me que deviam ter feito o mesmo que eu. O mesmo em relação a atitudes para com outras pessoas, quem me conhece sabe que eu não sou arrogante, porque simplesmente as pessoas não aguentam que alguém não lhes ligue nenhuma ou que as achem desinteressantes  e então nessa altura sou arrogante porque não quero saber daquela pessoa, mas no fundo não sou porque a minha indiferença prende-se com o facto de eu ver nessas pessoas coisas que me afastam delas. A partir daqui a escolha é minha em dar-me ou não com pessoa x ou y. É preciso entender que eu não sou obrigado a ser simpático com toda a gente e a ser amigo de toda a gente. E isso leva-me a um ponto de vantagem, que é o momento em que se deixa de estar preso ao aspecto social para passar a viver a nossa felicidade espiritual fazendo as coisas que queremos como queremos, porque é a única coisa que nos dá satisfação garantidamente. Não é o número de amigos ou o número de pessoas que nos ligam, isso são apenas números para massajar o nosso ego quando queremos desviar o foco da nossa atenção.

O que nos faz feliz são as pequenas realizações que nós tentamos e conseguimos.

Durante o tempo têm sido várias as vezes em que o tempo mostrou-me que eu estava certo em ponderar as minhas acções.

E tudo isto vem da capacidade para parar e pensar. Pensar no que se passou e no que se pode passar. É o que toda a gente devia fazer, pelo menos um pouquinho mais!

Slow
Would be the tempo of the restless mind
You've seen what a listless life can bring
And wait and then he waits until he's waiting for
For the latency of everything

Gently behind the beat
We shuffle on ancient streets
The reverb of time
Is our vantage point
We slept for a million years
Lived through a million fears
We are not nervous
We will not ask for more
Pawns of the troubled times
And kings of our petty crimes
The minds will function
With a small delay
See what the past has planned
The future's a beggar's hand
The more we understand
The slower our days

Ifyou can slow up I'm gonna slow up too

Cavaco não dá Cavaco

O nosso nobre presidente da república mantém-se afastado das conversas dos portugueses, por vezes em alturas em que era bem preciso que falasse.

Porém nestes últimos dias o Presidente que nada diz quando certas coisas passam abriu a boca para dizer besteiras que, obviamente, vieram provocar uma certa divisão entre os portugueses.

Aparentemente agora passa-se a ideia de que há portugueses de primeira e portugueses de segunda com os cortes a que a função pública foi sujeita.

Porque o presidente decidiu dizer que estava em causa a equidade fiscal entre funcionários públicos e privados. Os cortes de subsídios são definitivamente algo de complicado. Eu compreendo isso, mas é preciso ver que os cortes que precisam de ser feitos têm de ser feitos na despesa do estado e não nas despesas das empresas. É um pormenor pequenino.

De seguida, em média qualquer funcionário público ganha mais do que qualquer funcionário privado com anos equivalentes de casa, ou de carreira na função pública. Por exemplo um funcionário privado com cinco anos de casa recebe menos, normalmente, que um funcionário público com cinco anos de carreira. Actualmente as progressões nas carreiras públicas devem estar congeladas, o que não é normal, mas enfim é um mal necessário para impedir que certas pessoas que já ganham muito ganhem ainda mais.

O Presidente da República diz que um dos seus deveres constitucionais é o de preservar a coesão social e o bom funcionamento das instituições.

Pois então o Presidente da República fez o favor de lançar uma bomba na coesão social ao afirmar que a equidade fiscal entre privado e público estava a ser violada pelo próximo Orçamento de Estado.

O que Cavaco Silva se esqueceu foi de dizer que no fundo os sacrifícios estão a ser exigidos a quem mais os pode pagar. Pessoas que ganham mais de 1000€ por mês não têm razão alguma para ficar a aguardar pelos subsídios para pagar as contas. Estas pessoas só precisam desse dinheiro porque pura e simplesmente vivem acima das suas possibilidades. Eu já digo isto há muitos anos. O português é o tipo de pessoa que se ganhar 500€ gasta tudo, o que não é difícil, diga-se de passagem. Contudo se esse mesmo português passar a ganhar 1000€ o seu orçamento vai esgotar-se todo na mesma, porque vai começar a viver como um novo rico, vai começar a ir ao restaurante sempre que possível, vai comprar um bom carro e alugar ou comprar uma boa casa e depois, quando o cinto aperta aparece aquele casal que ele e ela em conjunto ganham 2050€ por mês mas coitados não se conseguem governar o ano todo com apenas 28 000€ anuais. Eu sozinho não chego aos 11000 que daria 22000 se fosse um casal com o mesmo salário, mas eu trabalho à noite e por isso ganho mais um bocado, de contrário apenas faria 8000€. Para aquele casal de professores eu serei certamente um sem abrigo.

O que o Presidente da República se esqueceu de dizer foi que nunca houve igualdade entre funcionários públicos e privados. O acesso à saúde de um funcionário público é mais barato e mais prioritário do que um comum funcionário privado. Onde está a equidade nisto? Um funcionário público goza de constantes tolerâncias de ponto ao passo que os privados fazem uma ponte de mil em mil anos. Onde está a equidade nisso?

Um funcionário público ganha uma excelente reforma se tiver sempre trabalhado no Estado, porque no fim da carreira vai sempre receber acima de 1000€ à vontade. Um recepcionista de hotel, no máximo, se chegar a chefe de recepção recebe 1000€ senão ficar-se-à para sempre pelos 800€. Um recepcionista de um museu no final da carreira recebe para cima de 1500€ independentemente de ser bom ou não. É apenas mais um recepcionista que até podia muito bem ser incompetente. Onde está a equidade nisso?

E perante isto preocupa-se o Presidente com a equidade fiscal? Acho que definitivamente quem recebe mais e tem mais regalias deve fazer um esforço maior para evitar que famílias, já de si em situações complicadas atinjam o limite. Mas bem. Eu só gostava de ver um funcionário público a queixar-se em frente de outros portugueses que estão em situações periclitantes. isso é que eu gostava de ver, porque então existiria a confrontação de realidades e os funcionários públicos calariam a sua boca para sempre.

A ironia é que nos anos 80 quando os funcionários do privado vinham para a rua fazer greve os funcionários públicos diziam que os privados eram preguiçosos e chamavam-lhes comunistas. Talvez seja o Karma não é?

Queria acabar dizendo que o Presidente deveria ter dito era que na verdade os esforços são muito grandes e de exigência nunca vista, mas que na verdade a haver esforços devem ser os mais desafogados a fazê-los, para que os outros possam aguentar por estes tempos difíceis. E assim manteria a coesão social.

Os Traxistas

Good evening,

Li no Diário de Notícias que os taxistas de Lisboa foram considerados uns dos melhores da Europa numa avaliação que entre outros parâmetros tinha a seguinte:

"A relevância do táxi no meio de transporte urbano"

Pois bem, paritlho então convosco a seguinte narrativa.

No dia 31 de Julho de 2011 estiveram cá os Bon Jovi.  Nós fomos ver, tal como mais 55998 pessoas foram, acorrendo para tal ao Parque da Bela Vista. No final do concerto era meia noite e o metro prolongou o seu serviço até à 1:30 da madrugada. Obviamente à 1:15 ainda tinha o metro filas que vinham até à rua.

Pois então e estando alojados num hotel tinha pedido na recepção do hotel, não um, mas DOIS números diferentes de Centrais de Táxis (daqueles que são dos melhores da Europa) aos quais recorri dada a impossibilidade de apanhar o metro.

Ligo para a primeira central e sou atendido. Peço um táxi para a Estação de Metro da Bela Vista e obtenho a resposta de que só com o nome da rua é que se pode pedir um táxi, ao que respondi que a Estação era um ponto de referência tão óbvio que não percebo porque raio é que era preciso a rua.

Liguei para a segunda central e obtive a mesma resposta.

Caminhei então na esperança de ver uma placa que tivesse o nome de uma rua, coisa que diga-se foi muito difícil na nossa fabulosa capital. Deparei-me por fim com uma placa que dizia Avenida da Ucrânia  e pensei, "Que bom, já posso ligar para o táxi".

Liguei para a primeira central e disse o nome da rua ao que me responderam que não tinha conhecimento de tal rua, porque não aparecia no google maps. Depois fui posto em espera, pois a senhora ia perguntar a alguém se sabia Esperei 15 minutos, até desistir.


(As referidas Centrais de Taxistas foram a Autocoope e TeleTáxis. Devo assinalar que não me lembro qual foi a primeira para onde liguei e qual a segunda, contudo isso pouco interessa.)


Liguei para a segunda que me respondeu que também não aparecia no Google Maps. Quer dizer, onde é que eu tinha a cabeça, é claro que se não aparece no Google Maps, não existe.

A segunda perguntou-me por pontos de referência, pedido ao qual respondi com a Estação de Metro, Pingo Doce da Bela Vista, o PARQUE DA BELA VISTA. Obtive a resposta de que devia de me dirigir ao Pingo Doce enquanto me punham em espera para requisitar o taxista. Obviamente uma espera demasiado longa de 15 minutos à qual sucumbi porque ainda precisava de dinheiro no telemóvel para eventualmente chamar alguém.

Caminhei sem rumo, sem saber bem onde estava e sem qualquer direcção para o hotel, o qual dotado de um recepcionista fabuloso se limitou a dizer que não poderia fazer nada.

Havia um autocarro parado no trânsito, que era muito. O motorista, apesar de estar parado, não abriu a porta do autocarro para que lhe perguntássemos o caminho de volta ao hotel. Espero que tropeces vás com o focinho contra essa porta meu cabrão.

Por um lance de sorte apanhamos um autocarro apinhado em direcção ao Oriente onde por outro golpe de sorte apanhamos um táxi para o hotel.

Tudo isto para dizer que os taxistas de Lisboa são na sua maioria uns valentes traques ambulantes. Porque nem sequer têm a desculpa de quando estão parados no trãnsito não cobrarem porque o táximetro continua a contar mesmo com o carro parado. E eu não me importava nada de pagar 50€ pela corrida. Mas ali os traques não se quiseram dar ao trabalho de ir para o meia da confusão. Porque ninguém me diga que esses cornudos não sabem o caminho para o Parque da Bela Vista e não sabem onde é a estação de metro da Bela Vista.

E pro Diário de Notícias e todos os outros jornais que reproduziram a notícia tenho a dizer que Lisboa é uma capital ridicula em termos de tamanho face às outras capitais europeias, junto das quais foi classificada. Não sei qual é a alegria.

Mais ainda, não foi apenas por uma vez que tive para ter acidentes por causa dos táxis de Lisboa que pensam que só porque têm uma faixa reservada podem andar à velocidade que lhes apetece e ignorar os sinais de mudança de direcção de todos os carros que não são pretos nem amarelos.

Portanto tenho a dizer aos traques que conduzem táxis em Lisboa que bem podem enfiar a vossa classificação pelo cu acima, pois a mim ninguém me apanha mais a depender de vocês, meus grandes cabrões.

Gangsta!

Um dia destes numa das minhas raras viagens de autocarro apareceram dois miúdos com um ar muito parvo mas muito armados em durões com as suas roupas à bad-ass.

Não pude deixar de os achar um bocado estúpidos, mas o que mais me chamou a atenção foi estarem constantemente a cantar aquela canção da Adele, Someone like you.

Para começar não gosto da Adele, porque só essa música já jorra cliché pelas narinas. (Eu sei que a tipa agora tem muito sucesso, mas bem... é o que eu acho)

Depois, bem, antigamente os jovens com sangue na guelra ouviam o que vocês estarão a ouvir se tiverem o som ligado enquanto leem isto. Sei lá, música com power. Digo eu.

Hoje em dia é um bocado ao contrário, quer dizer os tipos ali a gozar com quem passava, baixinho claro e a conversar tipo:

"Ya eu sou bué mauzão ...Someone like you... Ya é verdade, olha aqui (mostra a carteira com os cinco euros de ganza)" e outro "Ya ...Someone like you..."

Foi mais ou menos assim que aconteceu. Não tão gay, ou se calhar mais gay ainda...

Há pessoas que fumam ganza e até ouvem coisas mais ou menos, mas outras fumam e ouvem uma grande merda, o que agora que penso, funciona exactamente da mesma forma com as pessoas que não fumam.

De qualquer das maneiras resolvi dizer isto porque de certa forma é curioso e faz-me rir.

A depressão é a festa

Neste fim de semana tive de trabalhar numa festa, daquelas festas que não gosto e em que as pessoas se vestem especialmente para a ocasião como se de um casamento se tratasse. Misturas de djs recheadas de clichês etc etc.

Apesar de ser tudo, na minha opinião, bastante deprimente, as pessoas divertem-se muito, sabe-se lá porquê. Vi pessoas em êxtase e a dizer "Oh, isto está fabulástico" e uma afluente excessiva de seres ao mesmo lugar, tendo em conta que não se passou nada que não se tenha passado em um milhão de festas pelo país fora na mesma noite.

Chegando ao título do post, fiquei com a sensação de que as pessoas se deixam inebriar demasiado por estes momentos de convívio (?) social e ficam deliciadas e completamente atrapalhadas de tanta espectacularidade (eu sei, é estúpido, mas as pessoas são assim). E fico a pensar, se estas pessoas ficam tão maravilhadas com uma merda de uma festa inútil que nunca mais ninguém na sociedade se vai lembrar e que eventualmente desaperacerá perdida nas páginas do Face(vaca)book, é muito natural que fiquem extremamente deprimidas com a vida miserável que levam no dia seguinte em que acordam sóbrios para mais um dia de inutilidade.

São pessoas que só lêem merda. Ouvem merda. Pensam merda e jorram merda por todos os poros e orifícios "on a daily basis".

Há uma pessoa que admiro especialmente que diz bastantes vezes "Not get too high, not get too low" isto realtivamente ao estado psicológico. E é verdade e aplica-se a tudo.

Devemos ser centrados e fasear as nossas emoções. Isto é, há coisas que eventualmente podem ser espectaculares. Por exemplo, se eu pudesse abrir o meu frigorífico e entrar e quando saísse estivesse em los Angeles e fosse 25 de Junho 1972 e eu pudesse ir ver o concerto dos Led Zeppelin no LA Forum, certamente iria delirar e seria um momento alto da minha vida. Ou quando fui ver as minhas bandas favoritas. Isso foram ocasiões memoráveis. Ou quando conheci a minha Cerejinha e comecei a namorar com ela. Andei a planar centímetros acima do chão durante semanas. Foi um momento único.

Agora ir a uma festa, onde estão imensas pessoas para ver djs relativamente desconhecidos a põr música que passa em qualquer discoteca... É que nem sequer era o David Guetta (que por muito merdoso que possa ser, sempre é mais conhecido e era natural que o viessem ver, porque como eu disse as pessoas só ouvem merda e quanto a isso não há nada a fazer).

E depois a euforia à volta de uma coisa que acabou em bebedeira e sem forma de voltar a casa para algumas pessoas. É isso que vão contar aos vossos netos?

Neto: Avô conta-me uma estória.
Avô: Um dia fui a uma festa que se chamava...Hmm... Bem não interessa. Estava lá muita gente conhecida...Hmm...E havia muitas luzes e uns Djs muito bons que eram...Hmm...Não me lembro e então no fim tropecei e entornei o copo. (gargalhada)
Neto: (corta os pulsos)

E depois da euforia sobre uma coisa insignificante é natural (dada a desregulação de emoções que para ali vai) que quando se deparam com a vida do dia-a-dia fiquem deprimidos, porque não sabem relativizar as coisas. Ou é tudo muito espectacular ou é tudo horrível. Ou então vêem-se ao espelho e é tudo uma merda (não resisti).

Anyway, escrever isto e ouvir When the levee breaks ao mesmo tempo é um bocado desconcertante, por isso peço desculpa se o texto não fizer lá muito sentido.

Mas deixo aqui um vídeo sobre relativização das coisas.

Profecias

Um post mais pequeno.

Imaginem que eu tenho um papel e um isqueiro. E que digo que, consequentemente, vou ter um incêndio.

Tenham cuidado. Porque este é o tipo de argumentos de desconfiar.

Se papel é A e o isqueiro é Z e só tivermos em conta os dois então teremos um incêndio.

Contudo eu estou-vos a omitir todo o alfabeto de factos e elementos a considerar entre A e Z.

Por exemplo, o papel pode estar a muita distância do isqueiro. O isqueiro não se acende sozinho. Pode estar a chover. Pode o isqueiro estar sem gás. Pode o papel estar molhado. Pode o isqueiro não ter pedra. Etc.

É preciso ter cuidado quando lêem coisas na internet. Nem tudo é verdade e devemos questionar sempre o que nos aparece, porque muitas vezes aparece-nos com factos obliterados ou omitidos o que turva a visão real das coisas.

E sobretudo, não acreditem em profetas que usam este tipo de argumentação. Porque os profetas de hoje em dia são personagens relativamente perigosas porque aparecem como heróis e que nos levam a sítios sem saída e sem resposta.

É só isto por hoje, porque acho que há demasiada a gente a vender gato por lebre e a espalhar coisas que não fazem lá muito sentido be vistas as coisas.

Coca Colha à escola

Hoje em dia há três tipos de Coca Cola. E eu não consigo bem perceber.

Eu já provei a Coca Cola Zero e tenho que admitir que sabe quase à mesma coisa que a velha Coca Cola.

Porém, se sabe à mesma coisa, porque é que continuam a vender a velha Coca Cola que a única coisa que tem a mais é açucares?

Por outro lado ainda, se vendem Coca Cola Zero como é que é possível haver ainda uma Coca Cola Light? Quer dizer, se a Zero não tem calorias, a Light deve retirar calorias do nosso corpo, porque de contrário não há qualquer vantagem na mesma.

Posto isto apenas queria dizer que acho estúpido vender três tipos de Coca Cola que nem tão diferentes em termos de sabor são umas das outras, porque sinceramente servem todas o mesmo propósito e maneira igual.

Verdade seja dita que nunca será tão boa quanto a Pepsi. AhAH!

Salman Rushdie diz a verdade

Salman Rushdie é um escritor que muito aprecio pela sua qualidade literária.

Recentemente e como tenho estado a ler (como podem ver no separador da direita) Shalimar O Palhaço, tenho me interessado por ver entrevistas dele, que achei extremamente interessantes, pois ele é uma pessoa muito inteligente e com excelente conhecimento das coisas de que fala.

Por isso aqui está uma grande verdade dita que prova que ele é um grande homem. Se quiserem saber a parte a que me refiro saltem logo para o minuto 48, quando ele responde a uma pergunta da plateia. Mas se virem tudo, não perdem nada, bem pelo contrário.




Acho muito bom que ele pelo menos tenha a coragem de dizer aquilo que, basicamente, está na cara de toda a gente e que ninguém quer ver.

Anarchistisch Suggestie

Olá, mais uma vez.

Nós por aqui no Taste of Orange, somos pessoas que não nos costumamos colar a uma coisa qualquer. Isto é, normalmente somos esquisitos.

Eu, pessoalmente, e acho que a Efémera também se revê muito nisto, não costumo gostar de algo porque gosto de partes desse mesmo algo. Posto isto, dificilmente seria pessoa de vir aqui realçar algo de que não gostasse totalmente.

Assim sendo hoje venho recomendar um Tumblr muito interessante, que provavelmente todos já conhecem porque basta pesquisar e aparece meia dúzia de blogues que o referem, mas bem, isto é nosso portanto eu escrevo que quiser. Para além do que este não é um blog qualquer, daqueles em que as pessoas comentam coisas em acordo. Aqui os únicos comentários que recebi foi a chamarem-me parvo ou coisa do género. O que é sempre espectacolher.

Refiro-me então ao tumblr "A Livreira Anarquista". Já foi lido de uma ponta a outra e tenho a dizer que gostei bastante e recomendo a qualquer pessoa que goste de livros. Sim, livros. Não papel higiénico encadernado com a cara da Mona Lisa na capa escritos pelo Daniel Castanho.


Não vou aqui, "repostar" os posts do Tumblr, mas a verdade é que achei A Livreira Anarquista muito interessante. Provavelmente a coisa mais interessante em formato de 'blog' desde que me lembro. Não só pela sinceridade em relação aos livros, mas também pelo sentido de humor refinado e os episódios típicos de qualquer pessoa que atenda pessoas no trabalho. Se para ela ligam a perguntar sobre a cabeleireira do lado, a mim ligam-me a perguntar pelo restaurante do lado. É bastante comum, mas a verdade é que A Livreira Anarquista escreve e descreve muito bem as situações e enquadra-as com um humor sarcástico bem temperado.

Portanto recomendo vivamente a consulta do Tumblr no seguinte endereço http://livreiranarquista.tumblr.com/

E finalizo dando os parabéns à Livreira Anarquista pelo belo pedaço de internet que construiu e espero que o mantenha por muito tempo.

Portanto vão lá sem mais demoras porque eu não estive aqui a escrever para nada!

Estava a brincar. Mas se não forem lá vão sonhar com os livros da Nora Roberts, só para avisar.

Afterparty

Após a hemorragia eleitoral, apresenta-se agora o AfterParty das eleições.

Não foi discutida uma única proposta durante esta campanha eleitoral.

O que é natural. Porque nos próximos anos não há lugares a pontos de vista. Há lugar a comer e calar, porque estamos dependentes do cumprimentos de objectivos impostos pela Troika e nenhum partido responsável que viesse a governar se atreveria a sair dos carris impostos.

Atrevo-me mesmo a dizer que quem, no dia em que se pediu ajuda externa, não sabia em quem votar e que quem até à última esteve indeciso, é porque estava muito distraído da realidade. A realidade é que dos três partidos passíveis de governar, PS, PSD ou PP, nenhum deles teria a loucura de renegar o acordo com o FMI, BCE e União Europeia. Portanto, desde aí esta campanha prendeu-se em detalhes irrelevantes e em ataques e defesas aborrecidas e sem qualquer interesse. Todos atacaram o PS, o partido que está no governo é sempre o mais vulnerável aos ataques, fundados ou infundados. Entre o PSD e o PP foi curioso assistir ao joguinho de ora chega p'ra lá ora chega p'ra aqui, ou por outras palavras, nós vamos governar juntos mas não somos um só partido, apesar de termos a mesma visão das coisas.

Portanto José Sócrates sai de cena. Faz bem em demitir-se. Foi o primeiro ministro mais desgastado que Portugal já teve. O sensacionalismo de casos como a UNI como o Freeport etc etc acumularam-se e, naturalmente, fez-se sentir.

Contudo, penso que daqui a uns anos a governação de José Sócrates vai ser mais bem reconhecida. Foi com ele que Portugal saiu da crise de 2004 após o desastre governativo da governação PSD-PP liderada por Durão Barroso e posteriormente por Santana Lopes. Recorde-se que nessa altura o défice era de 6.8%. Agora é de 9.3%. com os tais novos métodos de cálculo impostos pelo Eurostat. Pelo que matematicamente o défice aumentou apenas 2.5% sendo que os 6.8 de 2004 não foram contabilizados da mesma forma que o de 2010.
Contudo o défice em 2008 antes da crise era 2.3%, portanto constata-se que é um disparate dizer que este governo é o único culpado pela situação financeira actual do país. Seria preciso um governo suicida para passar de 2.3 para 9.3 em dois anos. Mas bem, isso agora não interessa nada e também não interessou até hoje a ninguém especialmente à comunicação social.

Para além da gestão financeira, que na minha opinião foi boa dentro dos possíveis, há também um impulso tecnológico com a implementação dos programas Magalhães e E-Escola, neste segundo onde por 150€ qualquer aluno até ao sétimo ano pode adquirir um portátil para andar no facebook e a fazer estupidez.
O ensino de inglês no primeiro ciclo e a modernização de equipamentos escolares. A educação é um bom ponto a apostar pois quanto maior for o nível educativo mais especializados serão os serviços que o país poderá dar e José Sócrates apostou e bem nisso. Outra aposta bastante bem conseguida foi a aposta na requalificação energética com a  contrução de muitos parques eólicos.

Obviamente que Sócrates também errou. Algumas vezes de forma mais grave do que outras. Mas nas linhas de orientação essenciais para a continuação da construção do país penso que esteve sempre bem. Por vezes gosto de imaginar como seria sem o colapso financeiro mundial de 2008. Neste momento Portugal seria um país em superavit e em rota de crescimento com uma população mais qualificada e melhor preparada para os desafios do futuro. Provavelmente impostos como o Iva estariam já mais baixos. Mas bem, a realidade infelizmente é diferente e nem toda a culpa reside em Portugal.

Foi um período difícil de governação para Sócrates e por isso gostaria de aqui deixar o meu agradecimento pelo trabalho que fez ao serviço de Portugal.

P.S - Para aqueles que pedem o julgamento de José Sócrates pela má governação (parte com a qual não concordo) gostaria de saber o seguinte:

-Se trabalhassem nas obras e deixassem cair um saco de cimento e e ele se desfizesse todo, gostavam que o vosso chefe vos obrigasse a pagar o saco?
-Se trabalhassem num restaurante e partissem meia dúzia de pratos gostavam que o chefe vos obrigasse a pagar os pratos?

Entre muitos outros exemplos que poderia dar a verdade é que os erros só acontecem a quem faz alguma coisa. E num país de inertes como Portugal é triste ver tantas pessoas com a lata e a estupidez de ainda pedirem o absurdo julgamento de alguém que trabalhou e pouco mais fez do que tomar decisões que só a ele cabiam.

A ver a banda

Às vezes recordo-me do tempo em que andava na escola e todos nós que tocávamos um instrumento sonhávamos em ter uma banda.

Tenho vários amigos de altura que entretanto estiveram envolvidos em bandas e projectos, mais ou menos interessantes e conheço um mar de gente que teve bandas ou ainda tem.

Sempre que penso nisso deparo-me com a questão existencial.

Olhando para mim próprio que toco guitarra e já tive uma banda, sempre encarei a minha banda, que consistia em mim e um amigo meu a tocar guitarra, como um projecto pessoal para dominar o mundo.

Estava a brincar.

Para mim, fazer música foi sempre uma diversão. Sempre me diverti simplesmente por fazer parte daquele processo, que a mim me fascina bastante, que é o processo criativo. O facto de a música ser minha e de eu poder fazer aquilo que bem me apetece é algo de bastante engraçado, ou melhor, interessante.

A minha banda chegou a dar um concerto, que, apesar de ter corrido mal, foi divertido para mim, precisamente pelo divertimento de estar ali em palco e, apesar de ninguém estar a ligar patavina, eu podia, se me apetecesse, dar um berro e por muito que as pessoas não gostassem eu já o tinha dado e não podia voltar atrás.

Resumidamente, nunca olhei para a música que fazia na altura e que faço ainda agora como um projecto de sucesso que me iria trazer uma vida melhor. Obviamente se eu dissesse que nunca sonhei com isso, estaria a mentir, mas tal como isso nunca esteve perto de acontecer, eu nunca estive perto de acreditar nisso. Aproveitava e aproveito o tempo em que estou a fazer música para me divertir e desfrutar do prazer de ver as peças a encaixarem-se como um pequeno puzzle, só que neste caso são as minhas peças e o meu puzzle, tudo feito por mim e ao meu gosto. E na realidade estou-me nas tintas para se as pessoas gostam ou não.

Contudo e sempre que me recordo desses tempos de escola e pós escola, recordo-me de amigos meus e pessoas que conheço de forma mais ou menos distante, levarem as suas bandas a sério como raio. E recordo-me de pensar precisamente a mesma coisa. É assim tão necessário o sucesso para a realização pessoal? Obviamente que é, mas no caso da banda, é realista a maior parte das pessoas pensarem que vão ter sucesso?
Eu muito sinceramente acho que não. Por vários factores. Primeiro é preciso ter muita qualidade, para chegar a algum lado, ou então é preciso ser uma maria-vai-com-as-outras e fazer o que tudo o resto faz e participar em meia dúzia de festas e concursos de bandas e esperar que um desses caça-talentos que anda à procura de mais do mesmo, nos descubra.
Em segundo lugar, estamos em Portugal e basta ver os nomes que aparecem na cena musical dos últimos anos para perceber que não é lá grande coisa e que para sermos iguais temos de ser medíocres. Portugal não é um país que aceite muito uma certa complexidade musical. A coisa mais complexa que eventualmente tem sucesso é o Pedro Abrunhosa e só por aí já está tudo dito. Obviamente que em Portugal há coisas mais bem feitas e mais trabalhadas, mas a verdade é que não é isso que tem sucesso.

Daí que sempre me fez confusão ouvir certas frases do género "Estou ansioso por viver só da música" entre outros soundbites, que para mim são um pouco perturbantes, no que toca a prioridades na vida.

Portanto chega-se a um beco sem saída que é dizer fuck the world e fazemos o que nos apetece. Ou então viver hipócritamente contente com o facto de sermos medíocres e como os outros. Na primeira hipótese hipotecamos quase automaticamente qualquer esperança de sucesso. Na segunda hipótese há uma infima possibilidade de ter sucesso, mas bem, é-se uma grade merda.

Eu escolho a opção fuck the world. Ao menos se não tiver sucesso posso olhar para aquilo que fiz e não me arrepender porque fiz o que quis. Posso até olhar para certas coisas que escrevi e achar ridiculo, o que é normal, mas no fundo na altura deu-me prazer e isso é que fica.

Contudo basta ir ao myspace ver as bandas desconhecidas que há por lá e é tudo sempre o mesmo ram-ram. Tudo não, mas a grande maioria não passam de bandas que só adicionam "friends" e comentam na esperança de serem comentados a seguir e promoverem-se uns aos outros.

Uma Verdade

Em tudo há muitas verdades. Mas esta é uma verdade sobre celebridades na qual eu acredito. Ou melhor, com a qual eu concordo.

Ricky Gervais partilha a sua opinião neste vídeo.



Também dá uma boa opinião sobre a recessão e atitude das pessoas para com essa situação.

Enjoy!

Penso que sim. Acho que não,

Penso que sim mas acho que não.

Parece ser este o lema de muitos políticos de hoje em dia, principalmente quando está em jogo a hipótese de poder ascender a um cargo ou a hipótese de levar para a frente a sua "donzela".

Notoriamente fala-se bastante de Fernando Nobre. Obviamente Fernando Nobre ou é extremamente hipócrita ou é extremamente ingénuo.

Porque só uma pessoa com uma destas duas personalidades, pode não ver mal nenhum, em candidatar-se como cabeça de lista de um partido, após ter afirmado a pés juntos que nunca o faria. E só uma pessoa dessas é que não vê onde está o erro de avaliação da coisa.
A isto adiciona-se a estupidez de dizer "Se não for eleito Presidente da Assembleia da Republica, renuncio"

Uma das pessoas que eu menos aprecio na política é o Sr. João de Deus Pinheiro que meia hora depois de ter sido empossado como deputado, após ter sido eleito como cabeça de lista por Braga, renunciou. Tempo recorde. É este tipo de manobra política que nem tem nada a ver com dinheiro mas tem a ver com falta de sinceridade. Eu lembro-me, aliás de se falar bem antes das eleições que se ele fosse eleito, renunciaria, mas a direcção de bancada do PSD (partido pelo qual foi eleito) não resistiu a dizer que tinha sido apanhada de surpresa. O Sr Deus Pinheiro argumentou razões pessoais.

Outra pessoa que, já me tinha dado essa impressão, mas que comprovou isso mesmo foi Carlos Abreu Amorim, personagem mais ou menos desconhecida mas que escreve alguns artigos de opinião aqui e ali e que agora aceitou ser cabeça de lista do PSD por Viana do Castelo. Veja-se a opinião que ele tinha há um ano sobre o líder do PSD Pedro Passos Coelho.

"demasiado enlaçado nos defeitos e vícios do regime para conseguir mudar"

"Escaqueirou o seu principal compromisso - não admitir uma subida de impostos - antes mesmo de ter chegado ao governo. Os políticos portugueses tinham-nos habituado a estilhaçar as suas juras eleitorais mal ascendiam ao poder, mas Passos Coelho antecipou-se" (em relação a Pedro Passos Coelho ter aprovado um PEC, imagino que deve ter ficado de baixa quando Passos Coelho aprovou o orçamento)

Mas após o convite...

"Fiquei bastante impressionado. É uma pessoa de muita confiança"

"O facto de ter sido convidado, depois das críticas que fiz, só demonstra a grandeza de Passos Coelho."

Mais ainda, não consegui encontrar um artigo que ele escreveu em que basicamente falava do dia em que soube que Sá Carneiro tinha falecido e como nunca mais se quis envolver na política. Mas bem, agora é candidato, não pelo dinheiro. Só que a mim, particularmente não me interessa o dinheiro, interessa-me sim a coerência.

"Candidato-me porque Portugal nunca esteve tão doente desde que me fiz homem. Porque não me recordo de termos sido tão mal governados como agora. Porque empobrecemos nas finanças e na economia mas, sobretudo, no orgulho que tínhamos em sermos portugueses e na mais elementar convicção quanto às nossas qualidades colectivas - desacreditamos em nós mesmos, uns dos outros e todos, em uníssono, do país." diz Carlos Abreu Amorim.

Só que Carlos Abreu Amorim esquece-se, com toda a conveniência, que se o governo em funções não queria apertar o cinto de uma vez era para não parecer que estávamos em pânico. Aliás, José Sócrates disse isso mais que uma vez. Mas para CAA é o orgulho em ser português que está em causa.
Pois tenho a dizer que pior que um governo fazer vários Pacotes de Estabilidade e Crescimento, é dizer que "o país está de Tanga", para toda a gente ouvir. Mas CAA acha que sim, isso passa uma imagem maravilhosa do país. E por isso se candidata a deputado, ostracizando a memória do grande (para os sociais democratas) Sá Carneiro. Toda a gente se preocupa com a morte de Francisco Sá Carneiro e se morreu ou foi morto. A verdade, que já foi mais ou menos documentada, é que a haver atentado foi contra Adelino Amaro da Costa que seguia no mesmo avião, mas bem, estou a desviar-me.

Quero apenas que se entenda que acho que a classe política em Portugal, não é incompetente e não creio que seja por culpa deles que o país está como está. Continuo a achar que a crise mundial de 2008 afectou-nos porque apesar de na altura estarmos em franca recuperação, continuávamos ainda vulneráveis, e as reformas que precisavam de ser feitas, e que Sócrates quis fazer como o PRACE que passava por reestruturar os quadros da administração central, nunca foram apoiadas pela oposição, talvez não houvessem tomates para isso porque ninguém quer ficar mal visto.

Não se pode num dia criticar José Sócrates porque o caso do Freeport foi, eventualmente, manipulado e depois fazer olhos fechados à completa palhaçada feita nos casos dos submarinos e o Caso Portucale, que apesar de terem sido protagonizados por personagens do PP convém dizer que essas personagens governavam num governo maioritariamente PSD.

Enfim CAA...