Coca Colha à escola

Hoje em dia há três tipos de Coca Cola. E eu não consigo bem perceber.

Eu já provei a Coca Cola Zero e tenho que admitir que sabe quase à mesma coisa que a velha Coca Cola.

Porém, se sabe à mesma coisa, porque é que continuam a vender a velha Coca Cola que a única coisa que tem a mais é açucares?

Por outro lado ainda, se vendem Coca Cola Zero como é que é possível haver ainda uma Coca Cola Light? Quer dizer, se a Zero não tem calorias, a Light deve retirar calorias do nosso corpo, porque de contrário não há qualquer vantagem na mesma.

Posto isto apenas queria dizer que acho estúpido vender três tipos de Coca Cola que nem tão diferentes em termos de sabor são umas das outras, porque sinceramente servem todas o mesmo propósito e maneira igual.

Verdade seja dita que nunca será tão boa quanto a Pepsi. AhAH!

Uma opinião diferente

Há uma coisa que a geração de jovens de hoje em dia não quer ouvir.

A vida é dura. Tem que se trabalhar muito para se chegar a algum lado. São mais as dificuldades que as facilidades. São mais as pessoas contra nós do que as pessoas a nossa favor. São mais as coisas que não gostamos do que as coisas que gostamos. São mais as coisas que nos puxam para trás do que as que nos empurram para a frente.

Isto obviamente tem a ver com a palhaçada que se instala em Portugal por causa da porcaria de uma música que diz e afirma algumas incoerências latentes na geração jovem da actualidade.

A música dos Deolinda, tal como disse aqui ontem, é incongruente com a postura criticada no Movimento Associativo Perpétuo. Se é certo que Movimento Associativo Perpétuo se referia a uma faixa etária mais velha que está actualmente em posse de mais poderes no nosso país, também é verdade que esse tratamento já se alastrou e muito aos jovens que entram agora no mercado de trabalho. Quanto menos se faz, menos se quer fazer.

Era bom que houvessem mais empregos e isso tudo e que os que há não fossem maioritariamente precários. Aliás, era bom que o mundo fosse perfeito. Mas não é. Por isso parem de bater com a cabeça na parede por causa disso. Não adianta. Não quero eu dizer que as pessoas não têm o direito à revolta ou ao sentimento de injustiça. Claro que têm.

Há vários problemas. E passo a citar notícias e a acrescentar os meus comentários.

"O tema novo reflecte as preocupações de uma geração que não tem emprego fixo, vive em casa dos pais e adia ter filhos porque não tem dinheiro."Sou da geração sem remuneração/e não me incomoda esta condição/Que parva que eu sou!/Porque isto está mal e vai continuar/já é uma sorte eu poder estagiar", canta Ana Bacalhau, vocalista do grupo português. E o refrão foi repetido e replicado nas redes sociais:"Que mundo tão parvo/onde para ser escravo é preciso estudar"."

Este excerto faz parte desta notícia. O tema pode reflectir muita coisa mas até os Deolinda cairam na esparrela de escrever isso na letra, inteligentemente omitida por este grande jornalista mas que eu citarei aqui, o verso completo.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,

se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar

Pois é, os Deolinda aqui retratam essencialmente duas realidades. A primeira. A casinha dos pais é um sítio de que toda a gente se queixa, mas ninguém quer de lá sair. É muito confortável. A segunda é, metade dos jovens portugueses não precisa do carro para nada. Principalmente aqueles que vivem em grandes centros urbanos. Porto e Lisboa têm uma excelente rede de Metro e as outras cidades não tão grandes têm normalmente uma rede suficiente de transportes públicos. Então para quê ter um carro? É que mesmo que se seja casado, a questão é a mesma. A maior parte das pessoas não precisa de carro para nada. Estas duas realidades conjugam-se num terceiro aspecto. Que é o de queixarmo-nos do mundo para dizer que a culpa não é nossa. E não é por um lado, mas é por outro porque cabe a cada um de nós mudar o rumo da nossa vida. E com essa mudança, mudar, progressivamente, as mentalidades. Se todos pensassem em trabalhar, duro. Se todos aceitassem trabalhar no duro numa fábrica, independentemente do curso de engenharias ou da licenciatura em ensino, se todos trabalhassem e continuassem à procura de algo melhor, conseguiriam algo melhor. É muito fácil olhar para o Belmiro de Azevedo e dizer que ele é que está bem, mas esquecemo-nos, ele para lá chegar, teve que trabalhar muito. Muito mais do que aquilo que possamos imaginar.

Eu por acaso já tive oportunidade de ver de perto pessoas que se esfolam a trabalhar. Sempre a viajar, sempre a atender o telefone, em constante contacto por e-mail, mal comem, quando vão para hotéis passam a noite acordados para fazer trabalho, dormem três ou quatro horas etc etc etc. O máximo que eu já fiz foi trabalhar em dois empregos simultaneamente, começava às 8 da manhã e acabava à meia noite. Todos os dias, não havia um dia de descanso. E foi duro. Agora imaginem o que é fazer isso todos os dias durante anos a fio e têm aí o estilo de vida necessário para chegar a algum lado, a pulso.

"A ironia caustica dos Deolinda não só sublinha, exemplarmente, o tipo de sociedade que estamos a construir - com o seu cortejo de injustiças, de negação do mérito e, até, de sublimação do sonho - como questiona de forma implacável, o fatalismo atávico que nos caracteriza "Sou da geração vou queixar-me para quê / há alguém muito pior que eu na TV". É uma letra simples mas poderosa, que o som, de raíz na música popular portuguesa, contribui para reforçar."

Este artigo poder ler-se na totalidade aqui.

Eu acho que se há alguma coisa que esta palhaçada toda sublinha é a falta de pensamento das pessoas, incluindo cronistas e jornalistas. Aqui em Portugal há muito de quem se queixe e pouco de quem trabalha. E normalmente os que se queixam mais, são aqueles que fazem menos. Eu não grito nem concordo com este burburinho que se criou e no entanto hoje quando cheguei ao trabalho tive de fazer todo o trabalho da pessoa que esteve aqui 8 horas a fazer nada. E não me queixo por uma razão muito simples, este local não merece que me desgaste a remar contra a maré, pois noutras ocasiões já teria vociferado contra a injustiça aqui presente. Eu olho à minha volta e só veja gente parva e ridícula que o maior orgulho que têm é poder mostrar o iPhone. É poder mostrar as fotografias que tiraram com um fotógrafo profissional (e que foram bem pagas) para eventuais trabalhos de moda (que é uma das típicas carreiras que aparentemente são fáceis). As pessoas querem a saída fácil. Ser músicos e dar concertos por aí fora e fazer dinheiro, ou então serem jogadores da bola. É o caminho aparentemente fácil, contudo, ao topo, só chegam aqueles que realmente estão dispostos a deixar tudo pela sua profissão, seja modelo, futebolista ou o que quer que seja. É assim que se ganha na vida. Dando tudo e mais alguma coisa. Não apenas enveredando pelo caminho aparentemente fácil e esperar que a vida nos ajude.
O fatalismos dos portugueses, é limitarem-se a conjurar conluios que outros fizeram contra nós. É dizer "Ah o meu patrão não percebe nada, porque no outro dia disse para eu falar menos e trabalhar mais e eu só estava a explicar não sei o quê" ou "Ah as minhas colegas de trabalho estão todos contra mim e de mim não gostam, não sei porquê, devem ter inveja, e por isso é que vim para a rua".
Se há coisa que eu aprendi desde que comecei a trabalhar é que para quem trabalha bem há sempre lugar. E há muita gente que a início trabalha bem mas depois desliza para uma posição cómoda e confortável da qual não querem sair e depois não gostam quando são chamados, e bem, à atenção.

Ah e música popular portuguesa não. Música popular lisboeta, convém esclarecer

Aqui pode-se ler a seguinte declaração.

"E, de repente, uma geração inteira descobriu o seu hino."

E eu digo. Uma geração inteira o caralho. Porque eu concordo muito com o que se diz na Month of May dos Arcade Fire. How you gonna make things right with your arms folded tight? Traduzindo, como é que se vão mudar as coisas de braços cruzados? Os Deolinda só estão a ajudar as pessoas a cruzar ainda mais os braços e a sacudir a água do capote, ao invés de incentivar a trabalhar mais para consegui mudar as coisas. A levantarem a sua voz contra aquilo que é realmente injusto, que é um bando de tipos que andam na universidade a queixarem-se do preço das propinas, mas que possuem todos um belo pópó. Que queixam-se do preço dos livros e dos materiais mas que arranjam sempre dinheiro para a festarola a meio da semana.

Há por aí um dizer que é "Quem não trabuca, não manduca"

Quem não trabalha não pode aspirar a luxos. Não pode estar sempre a comprar discos, a ir a concertos a festas e etc. Não pode ter um carro e em certos casos não pode ter independência.

Quem trabalha não pode dar tudo como garantido. Não pode gastar como se não houvesse amanhã. Quando se fala da crise penso. Ainda não ouvi ninguém a dizer, vou poupar porque está crise e então vou fazer contenção. Eu vejo antes as pessoas a consumir até não poderem mais e então dizem "Ah está crise, não se pode gastar muito" mas já o gastaram.

A música dos Deolinda é o espelho perfeito, não das dificuldades, mas da geração da lamentação. A tal geração precoce que eu falei num post em Setembro de 2010. Uma geração que se resigna a músicas de intervenção de merda e a fazer uns posts no facebook e nos blogues a concordar com a onda. E são todos muito revolucionários, mas o pensamento esse, é o mais comodista possível. Provavelmente estas pessoas vão todas comprar o single o que dá que pensar. Quem ainda não pagou o carro e tem trabalho precário, como vai conseguir o dinheiro? É só uma pergunta.

Podem dizer que sou do contra, mas é assim, esta é a minha opinião, diga-se o que se disser. Da maneira que eu vejo as coisas é tudo uma grande palermice. Apenas mais um tema para os coitadinhos dos jovens dissecarem nas suas tertúlias de fim de semana, que fazem, apesar do carro estar por pagar etc etc.

Se eu tivesse que dar uma mensagem seria.

Estudem bem, aproveitem para se formar, não só nas aulas, mas nos imensos recursos que as universidades dão. Comecem a pensar num plano. Quando sairem dos estudos procurem emprego que vos dê algum dinheiro e tentem pôr o vosso plano em prática, procurando o emprego que querem ou então reunindo o material que necessitam para a vossa própria empresa. E é esperar pelo momento certo para mudar e trabalhar quando a oportunidade certa aparecer. Agarrá-la com unhas e dentes e dar tudo por tudo. E acima de tudo, pensem pela vossa cabeça. Coisa que acontece muito pouco hoje em dia.

Vou colar aqui a mesma letra que colei da outra vez que escrevi sobre a geração precoce:

Air of a temptress
Buxom and bright
We're not missing anything
At least not tonight
Chimera of charm
Innocent of hardship
Luxurious qualm
In a self-darkened daytrip
And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone
We don't really care
If the world is a mess
We are programmed to the grid
Of pleasure and bliss

But arrows or drifters
We all just pretend
That we will not succumb
To the ultimate trend
And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone

We like the attention
But we hate to be judged
As we proudly parade
Where we see others trudge

We are slaves to addictions
That have no effect
And with loving precision
Isn't it love we dissect
And then I'll take you home
Where we live and where we roam
On the bed and on the phone
Don't stop, cause every place you've known
Is a robot zone

Considerações

Grande parte do movimento artístico português anda de mãos dadas com uma hipocrisia juvenil que mete nojo.

Falo do movimento artístico popularucho que passa na tv e que passa na rádio e que provem das classes mais jovens, que começaram a surgir no fim do milénio passado e início do novo milénio com mais frequência. Artistas que agora, passados estes anos, têm um lugar relevante com programas na tv, na rádio, bandas bem sucedidas e por aí fora.

O movimento artístico português está possuído de uma hipocrisia ridícula que me faz muita confusão. Por exemplo. Lembro-me de ter uma banda pela qual cheguei a dar um concerto. Foi uma festa de um clube e nós apenas tocamos quatro ou cinco músicas e depois entrava a banda principal, que é relativamente desconhecida a nível nacional, mas que bem, era mais conhecida do que a banda de que eu fazia parte.
Pois bem, a hipocrisia passa-se no seguinte. Enquanto a minha banda tocava nervosamente cometendo erros típicos de quem está pela primeira vez em palco. Tocamos uma cover no decurso do pequeno concerto e no final, a banda que ia tocar a seguir cumprimentou-nos e disse que a que tinham mais gostado havia sido a cover. Pois bem, preferia que não me tivessem dito nada porque bem, se não gostaram das nossas músicas e só gostaram da cover por ser sobejamente conhecida então preferia que não me dissessem nada. Porém, imbuído da minha ingenuidade agradeci fiquei encantado com o apoio.
Quando eles estavam a actuar fiquei a ver um pouco e apesar de não gostar da música, aplaudia, para retribuir o incentivo. Bem, consoante o concerto foi avançando comecei a aperceber-me que só os estava a aplaudir porque eles também nos aplaudiram, apesar de eles no fim terem reiterado que só gostaram de uma música. Que nem sequer era minha. O que me fez perceber que era tudo uma grande hipocrisia. Porque bem, se eles não gostaram porque que é que aplaudiram? Porque eles aplaudiram todas as músicas. E eu depois aplaudi, sem gostar. O que em si é uma hipocrisia.

Conclusão. A mim aborrece-me ver o movimento artístico de hoje a ser dominado por essa hipocrisia. Eu aplaudo-te a ti e tu aplaudes-me a mim. Eu elogio-te a ti e tu elogias-me a mim, etc.

Porque eu não ponho em causa o trabalho de ninguém. Toda a gente tem falhas no seu trabalho e por vezes as coisas saem menos bem mas nunca ninguém tem coragem de o dizer. Porquê?

Por exemplo, o José Pedro Gomes é, para mim, um bom actor, nomeadamente em programas como o Herman Enciclopédia, contudo há um livro que ele editou, em conjunto com o Eduardo Madeira, e eu achei o livro muito fraquinho e sem piada nenhuma. Contudo as pessoas que são amigas nunca irão dizer "Pois, aquele livro não correu lá muito bem". Aliás, as próprias editoras não vão impedir o livro de uma figura pública de sair. E depois toda a gente sugere o livro e tudo mais, mas bem, é fraquinho e ninguém tem a sinceridade de o dizer. Talvez porque o José Pedro Gomes noutras alturas os ajudou ou incentivou ou elogiou, com ou sem sinceridade.

Nisto as coisas evoluem e é impossível dissociar aquilo que é realmente bom, daquilo que apenas sobreviveu pelo lado de cima à troca de elogios. Outro exemplo, a Fátima Lopes, apresentadora, era tão generosa a sugerir discos de jazz e música normalmente associada a pessoas de classe mais alta e com escolaridade mais alta, como logo de seguida estava a sugerir Tony Carreira e Quim Barreiros. E tanto do artista jazz como do artista pimba era capaz de dizer que tinha o disco no carro e estava sempre a ouvir. É estranho e é bastante duvidoso.

Eu, pessoalmente, não gosto quando as pessoas referem este ou aquele artista como sendo muito bom, quando também são amigos desse mesmo artista. Normalmente só aceito esse tipo de consideração quando se trata de alguém com quem trabalhamos e tivemos oportunidade de constatar que é realmente bom no que faz. Por exemplo, no outro dia num programa de Tv apanhava-se uma esposa de um humorista conhecido a elogiar um actor com o qual nunca trabalhou mas que, certamente, conhece bem. Eu tenho dificuldades em elogiar os meus amigos ou familiares face a outros. Porque logo à partida não temos capacidade de distanciamento. As pessoas de quem eu gosto, certamente estão altas na minha consideração, o que consequentemente leva a que eu as elogie.

A mim cansa-me ir a blogues de pessoas conhecidas e ver coisas do género "fui ver o concerto dos meus amigos X e foi espectacular". É óbvio que se trata de um blog e cada um escreve lá o que lhe apetecer, mas bem, chega a ser cansativo e dá, bastante, a impressão de que o movimento artístico se cinge a um círculo em que tens de cumprir certas linhas para entrar nele.

Pergunto-me se alguém fizesse uma boa música e após isso o Bruno Nogueira lhe dissesse "Eh pá essa música é muito fixe" ao que a outra pessoa respondia "Obrigado". Eventualmente mais tarde se essa pessoa fosse sincera e não gostasse do Bruno Nogueira enquanto comediante teria de lhe dizer "Olha, não gosto do teu programa" enumerando ou não as razões, e o Bruno Nogueira até poderá ter poder de encaixe para uma crítica sã, mas também poderá sentir-se um bocado ultrajado, do tipo, "Eu elogiei-o e ele vem com aquela conversa?". Não estou a dizer que ele o faça, mas tenho a certeza que muita gente faz. E muita gente dirá, apesar de não gostar dos programas dele "Eh pá, o teu programa é espectacular" e daí será muito mais fácil continuar uma conversa com proveito para os dois, eventualmente elogiando-se mutuamente em situações públicas etc.

Depois isto tudo leva-me a questionar se há realmente sinceridade no meio artístico português quando o Bruno Nogueira convida uma pessoa que escreve coisas como:

"À partida, não tenho nada contra as Gordinhas, mas irrita-me que gozem de um estatuto especial entre os homens. Às Gordinhas tudo é permitido: podem dizer palavrões, falar de sexo à mesa, apanhar grandes bebedeiras e consumir outras substâncias igualmente propícias a estados de euforia, podem inclusive fazer chichi de pernas abertas num beco do Bairro Alto porque como são ‘do grupo’ toda a gente acha muita graça e ninguém condena.



Agora vamos lá ver o que acontece se uma miúda gira faz alguma dessas coisas sem que surja logo um inquisidor de serviço a apontar o dedo para lhe chamar leviana, ordinária, desavergonhada e até mesmo porca. Uma miúda gira não tem direito a esse tipo de comportamentos porque não é one of the guys: é uma mulher e, consequentemente, deve comportar-se como tal. E o que mais me irrita é quando as Gordinhas apontam também elas o dedo às giras, quando estas se comportam de forma semelhante a elas."

Uma pessoa que afirma coisas destas é obviamente leviana nas suas observações e sofre de um distúrbio de superioridade que as faz acharem-se no direito de generalizar uma situação que provavelmente acontecia raramente no tempo dela. Uma pessoa estúpida basicamente. E o que é que uma mulher ridícula destas tem para dizer? O que é que uma mulher ridícula como esta tem para escrever? Como é que é possível considerar-se este tipo de pessoa, para o que quer que seja? É absurdo e asqueroso. Tanto quem escreve como quem compactua com este tipo de comportamento estúpido, sem sequer ter a liberdade de discordar. Vá-se lá saber porquê.

Concluindo. Acho que em Portugal é impossível não se ser mentiroso para se chegar a algum lado. Se não o formos nunca vamos ser realmente bem aceites. Se expressarmos todas as opiniões sinceramente dificilmente se consegue granjear apoios ou simpatias. Resumidamente, é necessário entrar no círculo e viver dele. Se formos a ver, são sempre os mesmos e os que aparecem novos, na maior parte, aparecem por parte dos mesmos e passam a fazer parte do grupo.

Laranjadas musicais

Um dia estava numa pastelaria com um amigo meu e estava a dar música de porcaria. Naquela altura havia essa grande banda os EZ Special, que tinham aquela grande música do terererereru em que ele se confessava e dizia “I really am such a fool”. Nunca se disse tanta verdade numa canção. Mas bem, continuando. Eu e o meu amigo concordamos que se desse alguma música dessa banda tínhamos que ir embora. Basicamente, esse seria o limite que aguentaríamos. Eis senão quando, começa a dar aquela grande música da grande banda que tínhamos referido há cerca de 30 segundos. Saímos imediatamente e eu por mim falo, nunca mais lá voltei, já não me sabem bem as coisas de lá.

Uma outra ocasião passei pelo David Fonseca. Não nutria especial admiração mas também não tinha especial aversão. Obviamente, uns dias mais tarde li uma entrevista em que ele dizia algo do género (não exactamente mas com o mesmo significado), que uma tragédia era o dia em que o Jon Bon Jovi nasceu. Muito bem, eu gosto de Bon Jovi, mas analisando a música que o David Fonseca faz e aquilo que os Bon Jovi fizeram, não vejo qual é o problema dele. Até parece que ele, David, lançou algo de revolucionário na música. Isto para mim ainda é mais absurdo quando um dos riffs da música que o catapultou para a fama nos Silence 4, a Borrow, é bastante semelhante na sua composição, a um outro riff de uma música de 1986 dos Bon Jovi chamada Wanted Dead Or Alive.

Portanto, desde então abomino tudo o que ele faz. Porque bem, eu sei que parece bem dizer que Bon Jovi é parolo e é sempre a mesma coisa. Parece alternativo. Só que vindo do David Fonseca parece apenas alternativamente estúpido. Alternativamente estúpida é uma pessoa que critica as coisas que têm sucesso para parecerem diferentes mas no fundo fazem mais do mesmo, sem que a qualidade seja superior. Obviamente Bon Jovi é superior a David Fonseca. Por razões óbvias. Para além de ficar mal a um músico tão influenciado pelos anos 80 estar a criticar uma das maiores bandas dos anos 80. Hoje estava a dar música na rádio do Centro Comercial e quando reparei que era David Fonseca torci o pé, o que vem consumar a minha aversão actual à música dele.

Noutro dia tive, por circunstâncias profissionais, de atender um pedido do Pedro Abrunhosa. Nos meus tempos de empregado de mesa, a coisa que mais detestava era este tipo de diálogo:

Eu: Então o que deseja?
Cliente: Cabrito assado na sanita. Tem?
Eu: Desculpe mas de momento apenas temos assado no forno.
Cliente: Mas esteve a marinar em urina?
Eu: Com certeza.
Cliente: Então vou querer isso.
Eu: E para beber?
Cliente: Pode ser um Ice Tea?
Eu: De quê?
Cliente: Um qualquer.

Lá ia eu, pegava no primeiro Ice Tea e quando chegava lá:

Cliente: Ah de pêssego não gosto.

Era então que tinha vontade de lhe enfiar o saca rolhas nos olhos. Por essas e por outras a minha vida de empregado de mesa só durou três dias e meio. Não estou para aturar clientes parvos juntamente com patrões estúpidos e colegas de trabalho abomináveis.

Ora então o Sr Pedro Abrunhosa pede uma sandes de fiambre, implorada pelo seu representante ou lá quem era. Eu bem não queria, dado que não é minha função fazê-lo, mas após a insistência cedi e lá fui cortar fiambre para fazer a sandocha real. Quando chego, afinal o mestre já não queria de fiambre, queria de queijo. Arrependi-me logo de ter aceite fazer a porcaria das sandes de fiambre. E bem, lá fui eu fazer de queijo. Mas como vingança fiz no mesmo pão e espero que ele tenha alergia ao fiambre e que o pão tenha ficado com o sabor do fiambre. Ainda me apeteceu dizer lá ao tipo que fez o pedido “Olhe, com aqueles óculos até podia ser paté de óleo queimado. Nunca iria distinguir a diferença”. Mas pronto.

Outra parvoíce que me aconteceu foi com esse grande músico do heavy metal. Sim, aquele que participava no Amália Hoje, também esse um grande projecto de metal. Ou não. De qualquer das maneiras. Lembro-me do dia em que fui ver os dEUS ao Festival Marés Vivas no dia 17 de Julho. Antes do concerto quando estava em casa estava a ver uns vídeos no youtube de uma rubrica de humor. De entre dezenas tive de acertar em cheio naquele em que o convidado era o Fernando Ribeiro e lembro-me perfeitamente de dizer “Que chatice. Vamos ver o próximo que não me apetece ver este tipo”. Não é nada de pessoal. Apenas não gosto. Só que obviamente as coisas perseguem-me e quando após ter visto os dEUS me estava a vir embora cruzei-me precisamente com o mesmo Fernando Ribeiro e pensei “Que raio de sorte, tantos sítios no país e tinha que passar logo aqui”. Para além de que não percebi. Então não vai ver dEUS e vai ver Ben Harper? Concertos na praia? Pff.

E isto é muito giro.

Snob ou lógico?

Hoje num famigerado programa de TV alguém disse a uma das concorrentes "Não sejas snob em relação à música pop".


A frase é brilhante. Ora bem uma pessoa snob é alguém que aparenta e faz por aparentar ser melhor do que aquilo que realmente é. E eu não vejo mal nenhum em ser snob em relação a uma coisa snob. Porque a música pop de hoje é a snobice (não sei se isto existe mas vai assim) total.

E quando se diz "eu não gosto" ou "acho que é fraco" não se está a aparentar ser melhor do que nada. Está-se a expressar uma opinião. A sorte é que eu não sou a favor do wikileaks porque senão convocava já uma manifestação!!!!

Mas bem, na sequência disto li um artigo sobre esse concerto que passou por Lisboa um dia destes. Da autoria de Nuno Galopim. Podem ler o artigo na integra algures na internet. Procurem que eu não sou vosso pai.

Quanto a mim vou destacar algumas frases e comentar. Vou ser Marcelo por uma hora. Ora então:

"(...)na noite de sexta- -feira, perante um Pavilhão Atlântico cheio e rendido desde bem antes da entrada em cena da rainha da noite.(...)" - Rainha da Noite é um belo tema dos D'Arrasar, ora vejam lá aqui http://www.youtube.com/watch?v=X7COxfC8L0M
Se a Lady Gaga visse esta coreografia e soubesse quantos discos eles venderam nunca mais cá vinha. Ou se calhar vinha cá mais vezes.

"(...)não perdendo nunca a oportunidade para expressar uma atitude política, mais que uma vez trazendo a Lisboa uma mensagem de firme apoio à comunidade LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgénero) que tem defendido desde os primeiros passos da sua carreira pública. (...)" Carreira essa que antes de ser pública se limitava a ser uma pianista de jazz. Quem diria. "Be yourself" - That's what she said! Ah! E Nuno então. Isso é política? Vá lá, o que é que aprendemos na faculdade? Eu acho que isso é mais uma questão social. A consequência da sociedade torna-se lei. A lei não é consequência da política. Ai ai ai.

"(...)Lady Gaga não deixou de mostrar porque muitos dela fizeram um ícone de absoluta referência.(...)" Tenho todo o prazer em explicar. O porque é parvoíce. Dela e dos que gostam.

"(...)Tratando os presentes como os seus "monstrinhos" e integrando a palavra Portugal em inúmeros instantes ao longo de todo o concerto(...)"
Tenho a dizer que não gosto desta parte. Há drogados que o nome carinhoso que lhes davam era monstrinhos. Se eles lêem isto vão apanhar uma overdose de desgosto. Tenho a dizer também que 90% da população diz que o país deles, Portugal, é uma porcaria. Mas bem, no concerto é maravilhoso. Já eu vivo num país chamado Portugal e o meu país é extraordinário. Sobretudo do Mondego para cima.

"(...)transportando até a dada altura uma bandeira portuguesa, Lady Gaga mostrou que quem a reduz a uma ideia de estrela para aparato visual e ponto final mais não faz senão expressar um preconceito mal informado. (...)" Fantástico. Eu quando vejo os corredores a ganharem medalhas de ouro penso "Hey, deve-se achar o maior" Mas quando eles pegam nas bandeiras dos países sobem imediatamente na minha consideração. Mas bem, não é só aparato visual, é também música igual a qualquer outra. Aliás, há várias acusações de plágio. E não creio que ela tenha feito plágio, mas só há esse tipo de acontecimentos se as coisas forem bastante parecidas. Acho que isto é bastante claro.

"(...)De facto, e ao contrário de outros grandes espectáculos de grande produção do nosso tempo, ficou claro que a Monster Ball Tour não se limita a uma ideia de monumento para encher o olho.(...)"
Só tenho a dizer. Led Zeppelin - Royal Albert Hall 1970. Só havia uma luz para cada músico. Isso é um espectáculo. Obviamente que a Monster Ball para além de encher o olho enche a paciência.

"(...)ela mesma tocando piano (com uma espantosa atitude showbiz, cruzando diálogos com a plateia com a canção que nos ia apresentando) (...)"
Ah. Que saudades. Do tempo em que eu tinha uma banda e adoptava a minha atitude showbiz. Era eu a tocar uma música e depois parava para contar a história do lobo mau, depois continuava e parava novamente para contar a história da Branca de Neve. O que faz de mim um artista bastante completo. Só que bem, eu não sou protegido do Akon e não tenho jeito para vestidos estúpidos. Desisti da música.

"(...)Lady Gaga é um ícone pop dos nossos dias e a Monster Ball é talhada à imagem e personalidade da figura que já inscreveu na história recente da cultura popular.(...)"
Gostava de entender o que é que foi inscrito. Deve ser parvoíce.

"(...)É uma diva vestida a excesso e glamour, mas também a figura magoada.(...)"
É a primeira vez que vejo alguém dizer que um soutien e umas cuecas é uma indumentária excessiva.

"(...)Do jogo de contrastes nascendo uma voz que a si chama incompreendidos e diferentes, com eles partilhando o baile que, se por um lado é festa e libertação(...)"
É engraçado que quando vi as reportagens pareciam ser o mesmo tipo de pessoas que foram ver os U2, só que ainda mais parolos e havia mais gente com mais de 30 anos.

"(...)apresentando uma colecção de criações de fazer inveja a muita passagem de modelos(...)"
Se a Chanel não estivesse morta, agora morria de vez. Comentário ridiculo. Tal como as "criações".


Enfim.

Há comentários que dizem que ela é a Rainha da Arte, mais do que rainha da pop. Eu tenho a dizer, que Mozart não é só um marco porque o nome dele acaba em art(e) é porque bem, ele compôs música fabulosa. Tal como muitos outros artistas clássicos. Tal como outros artistas pop, rock e de todos os estilos. Lady Gaga é mais um cliché. Tal como a Rihanna tem sucesso por ser protegida do Jay-Z. Tal como a Nelly Furtado por ser protegida do Timbaland. A Lady Gaga é uma protegida do Akon. Infelizmente aqui na Europa tudo pega. E a Lady Gaga passa a mensagem fabulosa de que somos todos iguais, mas agora desafio qualquer pessoa que goste dela a contar as bandas não americanas que tiveram sucesso nos Estados Unidos.
Porque somos todos iguais até certo ponto. Nos EUA há muito poucas bandas europeias a vingar. Tirando U2, Rolling Stones, Beatles, Pink Floyd e, acima de todos, Led Zeppelin, são poucas as bandas que realmente lá chegaram. O que prova que não somos todos iguais e nós, aliás, a maior parte das pessoas aqui come sempre a mesma merda com cheiros diferentes.
Eu não gosto especialmente de U2, Roling Stones e Pink Floyd, mas temos que admitir, todas elas são bandas drasticamente diferentes. E acho que é impossível todas as porcarias que saem dos EUA serem boas ao ponto de merecerem airplay internacionalmente.
Portanto não me venha dizer que Lady Gaga é diferente. É a mesma coisa disfarçada. A música pop de hoje em dia é uma fórmula esgotada. Paradoxal é que continua a vender bastante, apesar de ser uma fórmula repetida. Continua a vender bastante porque continua a haver gente que se deixa levar pela porcaria.
Lady Gaga defende aqueles que são diferentes, mas na verdade entregou-se ao público daqueles que são iguais. Caso contrário não vendia tantos discos como vendeu. E acham mesmo que as pessoas realmente diferentes gostam da música que ela faz? Se eu me for a lembrar de artistas com problemas próprios, relativos à sexualidade lembro-me por exemplo de Placebo. Agora vejam as similaridades.

Eu sei que eventualmente haverá gente que dirá que a minha opinião é má língua, mas é esta a minha opinião, sem preconceitos mal formados. Simplesmente analisando os factos que temos à nossa disposição e estabelecendo um padrão lógico de acontecimentos. Só não vê quem não quer.