Plágio ou não Plágio?

Os Led Zeppelin são uma banda grandiosa, na minha opinião, e essa grandiosidade implica várias consequências em termos de imagem.

Enquadrando a época, os Led Zeppelin apareceram no final dos anos 60. Uma altura em que todos pegavam nas ideias uns dos outros e melhoravam ou trabalhavam de outra forma.

Desta forma há muitas músicas dos Led Zeppelin em que se pode ouvir uma certa ressonância com outras músicas anteriores de compositores de blues. Se procurarem no youtube há vários vídeos sobre plágio nos Led Zeppelin com a música mais antiga comparada de seguida com a dos Led Zeppelin. Na maior parte dos casos os Led Zeppelin usaram letras semelhantes ou fios condutores semelhantes, contudo uma coisa é inegável. Por muito que os Led Zeppelin tivessem pegado numa boa ideia de outro músico, o produto final com a marca dos Led Zeppelin nunca era menos do que extraordinário e em sincera opinião, não fossem os Led Zeppelin e muitos desses músicos, que viram as suas ideias usadas pelos Zeppelin, nem sequer seriam lembrados hoje.

Robert Plant, vocalista dos Led Zeppelin, tinha 20 ou 21 anos quando a banda surgiu e o facto é que nos dois primeiros discos praticamente não escreveu uma parcela de música ou texto. O que me leva a crer que perante as criações de Jimmy Page muitas vezes Robert Plant acompanharia com uma letra que já conhecia de músicos dos blues, que ele tanto apreciava. Há o exemplo de Nobody's Fault But Mine, presente no disco Presence, cuja letra é em grande parte a mesma de uma música de Blind Willie Johnson (acho eu). A verdade é que não aparece nos créditos no disco, contudo em alguns concertos Robert Plant referia-se a ele antes da música, reconhecendo de certa forma a influência desse músico para aquela música em particular.

Eu concordo que a verdade os Led Zeppelin deveriam de atribuir todos os créditos pelas músicas em que pegaram, apesar de na verdade as terem melhorado substancialmente a todas, músicas praticamente perdidas no tempo que passaram a músicas da eternidade do Rock. A verdade também é que muita gente fazia isso na altura. Há também a questão dos direitos de autor não ser nem de perto nem de longe como é agora. Até porque na altura muitas das músicas chegavam aos ouvidos das pessoas, ao serem tocadas por outras pessoas que não as originais. Não havia internet para procurar aquela canção gira que ouvimos na rádio ou num concerto num bar.

Contudo com os Led Zeppelin todas as músicas que foram aproveitadas, tornaram-se obras primas da música do Séc. XX. Verdadeiras gemas que perdurarão na história enquanto houver quem goste de Rock. Obviamente há muita coisa para além de Led Zeppelin que é Rock, mas se tivesse de escolher uma banda para definir o estilo musical, Led Zeppelin seria sem dúvida alguma a minha escolha. Portanto no fundo, com os Led Zeppelin ninguém se chateia muito, porque eles não copiaram coisas para fazer uma música de merda. Eles pegaram em coisas e adicionaram outras partes que levaram a que esses sons, hoje em dia perdidos praticamente na história, sejam hoje em dia obras de arte que devem ser contempladas e reconhecidas. Tudo graças aos Led Zeppelin.

A ver a banda

Às vezes recordo-me do tempo em que andava na escola e todos nós que tocávamos um instrumento sonhávamos em ter uma banda.

Tenho vários amigos de altura que entretanto estiveram envolvidos em bandas e projectos, mais ou menos interessantes e conheço um mar de gente que teve bandas ou ainda tem.

Sempre que penso nisso deparo-me com a questão existencial.

Olhando para mim próprio que toco guitarra e já tive uma banda, sempre encarei a minha banda, que consistia em mim e um amigo meu a tocar guitarra, como um projecto pessoal para dominar o mundo.

Estava a brincar.

Para mim, fazer música foi sempre uma diversão. Sempre me diverti simplesmente por fazer parte daquele processo, que a mim me fascina bastante, que é o processo criativo. O facto de a música ser minha e de eu poder fazer aquilo que bem me apetece é algo de bastante engraçado, ou melhor, interessante.

A minha banda chegou a dar um concerto, que, apesar de ter corrido mal, foi divertido para mim, precisamente pelo divertimento de estar ali em palco e, apesar de ninguém estar a ligar patavina, eu podia, se me apetecesse, dar um berro e por muito que as pessoas não gostassem eu já o tinha dado e não podia voltar atrás.

Resumidamente, nunca olhei para a música que fazia na altura e que faço ainda agora como um projecto de sucesso que me iria trazer uma vida melhor. Obviamente se eu dissesse que nunca sonhei com isso, estaria a mentir, mas tal como isso nunca esteve perto de acontecer, eu nunca estive perto de acreditar nisso. Aproveitava e aproveito o tempo em que estou a fazer música para me divertir e desfrutar do prazer de ver as peças a encaixarem-se como um pequeno puzzle, só que neste caso são as minhas peças e o meu puzzle, tudo feito por mim e ao meu gosto. E na realidade estou-me nas tintas para se as pessoas gostam ou não.

Contudo e sempre que me recordo desses tempos de escola e pós escola, recordo-me de amigos meus e pessoas que conheço de forma mais ou menos distante, levarem as suas bandas a sério como raio. E recordo-me de pensar precisamente a mesma coisa. É assim tão necessário o sucesso para a realização pessoal? Obviamente que é, mas no caso da banda, é realista a maior parte das pessoas pensarem que vão ter sucesso?
Eu muito sinceramente acho que não. Por vários factores. Primeiro é preciso ter muita qualidade, para chegar a algum lado, ou então é preciso ser uma maria-vai-com-as-outras e fazer o que tudo o resto faz e participar em meia dúzia de festas e concursos de bandas e esperar que um desses caça-talentos que anda à procura de mais do mesmo, nos descubra.
Em segundo lugar, estamos em Portugal e basta ver os nomes que aparecem na cena musical dos últimos anos para perceber que não é lá grande coisa e que para sermos iguais temos de ser medíocres. Portugal não é um país que aceite muito uma certa complexidade musical. A coisa mais complexa que eventualmente tem sucesso é o Pedro Abrunhosa e só por aí já está tudo dito. Obviamente que em Portugal há coisas mais bem feitas e mais trabalhadas, mas a verdade é que não é isso que tem sucesso.

Daí que sempre me fez confusão ouvir certas frases do género "Estou ansioso por viver só da música" entre outros soundbites, que para mim são um pouco perturbantes, no que toca a prioridades na vida.

Portanto chega-se a um beco sem saída que é dizer fuck the world e fazemos o que nos apetece. Ou então viver hipócritamente contente com o facto de sermos medíocres e como os outros. Na primeira hipótese hipotecamos quase automaticamente qualquer esperança de sucesso. Na segunda hipótese há uma infima possibilidade de ter sucesso, mas bem, é-se uma grade merda.

Eu escolho a opção fuck the world. Ao menos se não tiver sucesso posso olhar para aquilo que fiz e não me arrepender porque fiz o que quis. Posso até olhar para certas coisas que escrevi e achar ridiculo, o que é normal, mas no fundo na altura deu-me prazer e isso é que fica.

Contudo basta ir ao myspace ver as bandas desconhecidas que há por lá e é tudo sempre o mesmo ram-ram. Tudo não, mas a grande maioria não passam de bandas que só adicionam "friends" e comentam na esperança de serem comentados a seguir e promoverem-se uns aos outros.

Musicalidades III

dEUS - My Little Contessa

Album - Theme From Turnpike (CD Single) 1996



Esta música não tem letra. Apenas instrumental pelo que apenas ouvindo é que se pode tirar ilações. Esta música é carregada de um ambiente sinistro que várias vezes alterna para o assustador e aterrador.
O instrumental é basicamente piano e violino compassados com uma bateria intermitente. Duas explosões estranhas ocorrem na música, com duas sequências de violino e guitarra distorcidas.
Eu consigo imaginar uma viagem a pé, por entre igrejas abandonadas e cemitérios assustadores. Casas com as cortinas corridas mas iluminadas pela luz ululante de velas. Sombras assustadoras em noite de lua cheia e escuridão total enquanto os nossos passos se fazem acompanhar por um roçagar constante e ensurdecedor para a cabeça de quem está assustado.
Acreditem que já vi esta música num vídeo sobre um castelo bastante banal em Portugal. Com a My Little Contessa no fundo tudo se torna mais medieval naquele video. Parece que a qualquer momento as setas vão começar a caír e os escudos vão começar a embater uns nos outros como nas batalhas da Idade Média.
Toda a ambiência da música é fabulosa e é certamente um dos meus instrumentais preferidos.
Gostaria apenas de realçar que esta música foi escrita pelo violinista dos dEUS, Klaas Janzoons, que na banda não tem muita preponderância. Por isso aqui é uma boa forma de observar o que representa este senhor.

#1 - Magic Hour - dEUS
#2 - My Little Contessa - dEUS
#3 - Achilles Last Stand - Led Zeppelin
#4 - Tea For One - Led Zeppelin

Musicalidades II

Led Zeppelin - Achilles Last Stand
Album: Presence (1976)




Esta música é a primeira música do disco Presence dos Led Zeppelin.

It was an April morning when they told us we should go
As I turn to you, you smiled at me
How could we say no?

With all the fun to have, to live the dreams we always had
Oh, the songs to sing, when we at last return again

Sending off a glancing kiss, to those who claim they know
Below the streets that steam and hiss,
The devil's in his hole

Oh to sail away, To sandy lands and other days
Oh to touch the dream, Hides inside and never seen.

Into the sun the south the north, at last the birds have flown
The shackles of commitment fell, In pieces on the ground

Oh to ride the wind, To tread the air above the din
Oh to laugh aloud, Dancing as we fought the crowd

To seek the man whose pointing hand, The giant step unfolds
With guidance from the curving path, That churns up into stone

If one bell should ring, in celebration for a king
So fast the heart should beat, As proud the head with heavy feet.

Days went by when you and I, bathed in eternal summers glow
As far away and distant, Our mutual child did grow

Oh the sweet refrain, Soothes the soul and calms the pain
Oh Albion remains, sleeping now to rise again

Wandering & wandering, What place to rest the search
The mighty arms of Atlas, Hold the heavens from the earth

The mighty arms of Atlas, Hold the heavens from the earth
From the earth...

I know the way, know the way, know the way, know the way
Oh the mighty arms of Atlas, Hold the heavens from the earth..

Muito se diz sobre o significado desta música. Obviamente o nome presta-se bastante a isso. Contudo, e após alguma procura na internet sobre a letra, a teoria mais provável é Robert Plant (vocalista dos Led Zeppelin) ter escrito esta letra em alusão a umas férias que ele e a sua esposa fizeram em Abril de 1975, sem qualquer plano. Uma das localizações visitadas pelo casal terá sido a Montanha Atlas, daí a referência aos braços de Atlas.

Obviamente há aqui algumas referências susceptiveis de serem conectadas com a paixão de Plant pela obra de Tolkien. Na descida do rio Lothlorien a Irmandade do Anel passa por grandes estátuas de pedra com reis a apontar o infinito. É possível associar com o verso "To seek the man whose pointing hand, The giant step unfolds / With guidance from the curving path, That churns up into stone".

Há ainda a história ligada ao acidente de Robert Plant no qual feriu o calcanhar. Conta-se que na altura que escreveu a letra se pôs a pé mas que caiu rapidamente. Daí a referência ao calcanhar de Aquiles e o nome "Achilles Last Stand".

Apesar de todas as histórias que se contam sobre os Led Zeppelin e sobre as histórias à volta das suas músicas, nunca ninguém vai saber ao certo o que realmente significam. É isso que fascina e os Led Zeppelin são provavelmente a banda que conseguiu construir mais mitos fascinantes à sua voltal.

Voltando à música. Eu gosto bastante desta música, não só pela letra enigmática mas pela grandiosidade de toda a melodia. Cheia de variações complexas e agressivas, lideradas por uma guitarra a toda a força e acompanhada por uma das maiores intepretações em bateria, cortesia de John Henry Bonham, o melhor baterista de sempre.

Por todas as razões e mais uma é uma música de antologia dos Led Zeppelin, no seu melhor.

#1 - Magic Hour (dEUS)
#2 - Achilles Last Stand (Led Zeppelin)
#3 - Tea For One (Led Zeppelin)

Musicalidades

Hoje começo aqui aquilo que se pode considerar como o top das minhas músicas. As músicas que eu mais gosto e porquê.

Farei a descrição. Colocarei um vídeo, se houver algum disponível. E darei a minha opinião. Anuncio desde já que o post feito sobre a Magic Hour dos dEUS, já conta para esta "rubrica".

Portanto a música que decidi falar hoje é a música Tea For One dos Led Zeppelin.



Lançada em 1975 no album Presence.

How come twenty four hours, Baby sometimes seem to slip into days?
Oh twenty-four hours, Baby sometimes seem to slip into days
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way
Sittin, lookin at the clock, time moves so slow
I've been watchin for the hands to move
Until I just can't look no more
How come twenty four hours, Baby sometimes seems to slip into days?
A minute seems like a lifetime, Baby when I feel this way.

To sing a song for you, I recall you used to say
"Oh baby this one's for we two", Which in the end is you anyway

How come twenty four hours, Baby sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way.

There was a time that I stood tall, In the eyes of other men
But by my own choice I left you woman, And now I can't get back again

How come twenty-four hours, sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, Baby when I feel this way
A minute seems like a lifetime
When I feel this way...I feel this way 

A música é bastante calma e simples. Contudo há uma profundidade do ritmo seco da bateria. Há uma tristeza e uma lamentação que emana de toda a música. A letra fala de horas que parecem dias por nunca mais passarem. Saudades. A construção da música é exemplar. Todas as pequenas coisinhas aparecem no momento certo. A segunda guitarra. O baixo que é praticamente inexistente, mas que aparece em alturas determinantes que tornam toda a música bastante mais profunda e sentida.
Há ainda o facto de esta música terminar o disco. Ouvir o Presence, que é um disco relativamente acelerado, e no final ouvir o silêncio que fica depois desta música, é quase como um chamar à terra. Um acalmar consequente a uma tristeza e que se sobrepõe a qualquer euforia das músicas anteriores.

Por fim. Esta música não me deixa triste. Mas é bastante pacífica e introspectiva. Faz parecer que realmente o tempo pára.

Ranking:

#1 - Magic Hour (dEUS)
#2 - Tea For One (Led Zeppelin)

Para vocês que pensam que tocam guitarra

epic fail photos - Graph Jam: But I Know Smoke on the Water!
see more funny videos, and check out our Foul Bachelor Frog lols!

Se aprenderam a tocar guitarra, com ou sem professor, considerem seriamente este gráfico, pois há poucas probabilidades de pertencerem a algo que não seja o vermelho. Depois fazem bandas, e depois é a miséria que se vê por aí. E depois a música portuguesa não vale nada. E depois somos todos parvos à rasca.


E como eu não gosto de ser incluído nesse pacote, gostaria que a maioria das pessoas quando aprendessem um instrumento, o guardassem para si próprios. Poupavam muitos males à humanidade.

A propósito dos últimos acontecimentos...

   Como sei que o meu querido colega de blog vai escrever um post sobre o assunto, eu não vou repetir, até porque sou da mesma opinião (obviamente se fosse de opinião contrária não seria repetição), mas voltando ao ponto, a propósito das maravilhosas músicas de "intervenção" cof cof..., do momento, e da quantidade de cutxi-cutxi da geração que não têm nem trabalho, nem casa, curiosamente têm uma prestação de carro mas adiante, e a propósito também da maioria das atitudes que posso observar no meu dia-a-dia principalmente pela universidade, aqui fica uma música e, quem sabe, uma sugestão. Para quem? Bem, no fundo não é para ninguém em particular pois a maioria das pessoas que têm certas atitudes nunca iriam parar para pensar, muito menos por uma canção, por um blog, porque no fundo elas é que têm razão e eu não. Mas o blog é meu e eu escrevo o que me apetece, ahah ousadia!
Poderia pôr tantas músicas para isto. Mas a coisa é, eles vêm cá, e passados quatro anos, eu vou matar saudades, e vou cantar a plenos pulmões e emocionar-me e vibrar com cada segundinho da música mais que maravilhosa, mais que preenchedora, que estes senhores fazem, e com a qual tanto me identifico já desde há muito tempo atrás. E agora com umas músicas novas para entoar, para dar início a uma nova fase, para cantar ainda mais! E como eu vou estar lá, ao vivo e a cores para cantar com eles, para me divertir com eles, para aquela noite me encher a alma para uma data de tempo mais uma vez, aqui fica o vídeo, antes que eu me torne muito lamechas.


(Uma actuação particularmente energética e mega espectacular)




Now the kids are all standing with their arms folded tight
The kids are all standing with their arms folded tight
Now, some things are pure and some things are right
But the kids are still standing with their arms folded tight
I said some things are pure and some things are right
But the kids are still with their arms folded tight

So young, so young
So much pain for someone so young, well
I know it's heavy, I know it ain't light
But how you gonna lift it with your arms folded tight?

The End

Bem, acabaram-se os White Stripes. Não foi um choque. Primeiro porque para uma banda que editava discos quase todos os anos estar 3 anos sem fazer nada é obviamente mau sinal.

E depois porque o Jack White basicamente está a continuar a música que fazia nos White Stripes, nos Dead Weather, só que a tinta está a acabar. E Jack White parece estar parado no tempo, porque os Dead Weather são um remake fraquinho dos White Stripes e a perder gás.

Houve tempos em que eu achava que o Jack White era um génio da música. Vi os White Stripes ao vivo em 2007 na única visita que eles fizeram a Portugal e foi um grande concerto. Sem dúvida que ele é um grande guitarrista e tem todos os dotes necessários para fazer música de qualidade, como já fez, nos White Stripes e Raconteurs. Mas desde o Elephant que as músicas que ele faz soam a deja vu de algo que ele próprio já fez. As músicas são giras mas já não tem aquela espectacularidade que a simplicidade lhes dava. Nos Raconteurs Jack White realmente floresce. Não canta sempre e tem uma banda a apoiar os seus devaneios. Gostava de ouvir um novo disco deles. Acho que o Jack White combina muito bem com o Brendan Benson a compor.

Hoje em dia, acho o Jack White uma figura desgastada. Sempre a bater na mesma tecla do rock seventies e sem realmente fazer algo de novo. Sem surpreender.

É pena que os White Stripes tenha acabado porque sempre pensei que pelo menos iam dar os concertos que cancelaram em 2008, que era o mínimo, para todas aquelas pessoas que os queriam ver na altura  não puderam por causa da doença da Meg. Mas bem, também tinha esperança que voltassem diferentes e com coisas novas. Mas pronto, acabou.

Quanto ao comunicado acho piada dizerem que "não foi por divergências artísticas" como se alguém acreditasse que a Meg tinha alguma opinião no meio daquilo tudo. Ahah.
Porque era giro vê-la a tocar bateria, mas a verdade é que aquilo não era o dom dela.

Bem...

Farewell White Stripes

Uma Deo aos Odelinda

É verdade, hoje vou fazer uma ode sarcástica aos Deolinda.

E porquê? Porque me apetece.

Recentemente os Deolinda apareceram etiquetados como uma banda fora do normal e com alguns contornos de "música de intervenção". Principalmente por causa desta canção que o Nuno Markl publicitou na rádio na sequência de uma petição criada na internet para que esta música se tornasse hino nacional

Passo a citar a letra

"Agora sim, damos a volta a isto!

Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

-Agora não, que é hora do almoço...
-Agora não, que é hora do jantar...
-Agora não, que eu acho que não posso...
-Amanhã vou trabalhar...


Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!


-Agora não, que me dói a barriga...
-Agora não, dizem que vai chover...
-Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, e é esta a direcção!
-Agora não, que falta um impresso...
-Agora não, que o meu pai não quer...
-Agora não, que há engarrafamentos...
-Vão sem mim, que eu vou lá ter..."

Pois então, agora a mais recente intervenção dos Deolinda consta da seguinte letra.

"Sou da geração sem remuneração

E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração "casinha dos pais"
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar
Sou da geração "vou queixar-me pra quê?"
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração "eu já não posso mais!"
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar"

Pois bem, eu sei que a maior parte das pessoas acha que os Deolinda são o futuro da música portuguesa porque juntam fado com (super) pop e com (fairy) mais não sei o quê. Tanto quanto em dá a entender, para o bem e para o mal, não passa de um estilo de música bastante derivado do fado, com pouquíssimos toques de outro estilo qualquer. Isto quanto às músicas que já ouvi, que são as que passam na rádio, dado que eu, sem pôr em causa a qualidade ou falta dela, não gosto da música deles. E normalmente não faria um post apenas para dizer que não gosto.

O que eu não gosto menos é que se diga que o Movimento Perpétuo Associativo (MPA) seja uma música de intervenção que retrata o português e que depois o Que Parva Que Eu Sou (QPQES) seja também uma música de intervenção que choca de frente com o MPA.

Pois bem, que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar. O problema, é que a maior parte das pessoas vai para universidade fazer festa e por consequência tira uma licenciatura. É comum ver pessoas que queriam ir para coisas relacionadas com medicina, do género fisioterapia ou enfermagem, acabarem a estudar em cursos de línguas, porque bem, chegam aos 18 anos e não sabem bem o que querem e então é o que tem a média mais baixa. E por aí adiante. Podia entrar numa epopeia de disparates que a maior parte dos estudantes universitários faz.

Seguindo a minha linha de pensamento. Estas pessoas que andaram na universidade levianamente, mais tarde vão arranjar um emprego, ou pelo menos vão procurar. E alguns, vão arranjar um emprego num snack bar, ou num restaurante, ou a repôr as estantes de um hipermercado ou a vender de porta em porta, até que a oportunidade certa apareça para mudarem.

Outros, ficam por casa dos pais, à espera de que o emprego ideal lhes caia do céu. Não querem nada, a não ser aquilo para que foram formados. De preferência esperam que outros encontrem o emprego e avisem. É como se tivessem olheiros. Deve ser muito giro.

Por fim, há aqueles que têm sorte e lá arranjam um bom emprego, através de uma oportunidade realmente boa, ou então de uma cunha qualquer.

Obviamente de cada um dos três casos que enunciei poderão vir a sair grandes trabalhadores. Aplicados e interessados no seu trabalho. Mas a verdade é que praticamente todas as pessoas que eu conheço e que trabalham têm a filosofia de que quanto menos, melhor. São os do MPA que saíram do QPQES porque estão sempre a queixar-se que ganham pouco, mas também nunca fazem nada para melhorar.

Nunca se viu ninguém chegar a lado nenhum sem muito trabalho. Seja licenciado ou alguém com a 4ª classe. A verdade é que a licenciatura não nos garante nada. Pessoas com grandes médias são grandes fracassos a trabalhar e grandes trabalhadores foram estudantes que tiveram dificuldades na escola. Quando se chega ao mercado de trabalho, o trabalho é que prova a qualidade e, infelizmente, por enquanto nós portugueses somos maioritariamente o MPA e a QPQES juntos. O que é uma grande incongruência.

Aqui é que me irrita a intervenção dos Deolinda, porque como é possível ser sarcástico com a atitude no MPA e depois defender os coitadinhos que estudaram e agora têm de trabalhar na QPQES? É o que mais me irrita nas pessoas que nasceram nas décadas de 70 e 80. É que eu vejo a maior parte (e chamo a atenção que obviamente não são TODOS, mas sim uma franja que é maior do que aquilo que devia) e coitadinhos, estudaram tanto na Licenciatura de Turismo e agora sentem-se ultrajados por serem Agentes de Viagens, porque o curso deles é para administrativo, não para fazer o trabalho sujo de ir levar cartas aos correios ou de tratar de assuntos no banco. São o MPA que apesar de terem uma atitude reprovável são defendidos na QPQES.

Basicamente é que as pessoas que supostamente se encaixam no perfil de coitadinhos da QPQES apresentam as suas queixas e justificações para serem o Movimento Perpétuo Associativo.

E agora toda a gente vê e diz "Sim Senhor, que verdades bem ditas" ou "É difícil executar qualquer projecto de vida porque é tudo muito caro", apesar de na QPQES a personagem ter um carro a pagar, que maior parte dos portugueses não precisa.

Daí que se isto é intervenção, é uma intervenção forçada e que choca com outra intervenção. O que não faz sentido.

Um ponto válido

"Caleb Followill, baterista da banda, afirmou que jamais iria autorizar que as suas músicas sejam utilizadas pela série, numa entrevista à revista "The Hollywood Reporter".

Face à nega, Ryan Murphy, o criador da série, chamou aos membros da banda "estúpidos egocêntricos", incapazes de perceber que se "emprestassem" as músicas, "uma criança de sete anos poderia decidir entrar para um coro ou aprender a tocar um instrumento musical, depois de ver alguém cantar uma música de Kings of Leon"."
 
Isto refere-se a uma notícia acerca de uma troca de palavras azeda entre os criadores da série "Glee" e o baterista ou guitarrista (não sei ao certo) dos Kings Of Leon.
 
Não vou defender a série que nunca vi mas das pontas que me foram presenteadas obviamente não parece grande coisa. Mas uma coisa é certa. O criador da série faz um ponto bem visto.
 
Hoje em dia quando se põe uma criança no infantário perde-se o controlo sobre a criança no que diz respeito à criação de gostos e avaliação de qualidade, nomeadamente a nível musical.
 
Porquê? Porque no infantário as educadoras são bastante lestas a dar a ouvir às crianças não só as músicas do Mestre André como as músicas da Shakira. O que é errado, pois está desde logo a induzir as crianças a gostar da porcaria pop de terceira qualidade que se farta de passar na rádio e na tv, cortando logo à partida a maior parte do interesse que uma criança pudesse vir a ter num outro tipo de música.
 
Isto traz implicações profundas no que diz respeito à música que se ouvirá no futuro. As crianças, educadas musicalmente à base de porcaria vão crescer e eventualmente cantar ou tocar um instrumento. E a música que vai vir da voz ou do instrumento será arraçada da porcaria que lhe foi enfiada na cabeça durante todos os anos no infantário, na escola e na rua.
 
Daí que o criador tem um ponto válido que é, se uma criança ouvisse na mesma série Katy Perry e Kings Of Leon tinha uma escolha que poderia fazer. Poderia gostar de um ou do outro, sendo duas músicas perfeitamente diferentes.
 
Se bem que não só a série é fraca como os Kings Of Leon, são a meu ver, mais uma banda no monte Indie que continuam a surgir, pelo que a escolha seria fraca. Mas pelo menos era uma escolha.
 
Agora imaginem se no infantário em vez de darem às crianças a ouvir música brasileira rasca e Shakira, dessem música clássica, alguns clássicos ligeiros do rock, umas músicas dos Beatles, uns Blues do Ray Charles ou coisas do género. A diferença no futuro seria notória, porque as crianças ouviriam porcaria na rua mas no infantário ouviam coisas diferentes e aí teriam todas as condições para fazer uma escolha consoante os "seus gostos" e não consoante os gostos de um adulto qualquer que lhes deu uma porcaria qualquer.
 
Ah, e não venham dizer que são músicas demasiado pesadas para crianças, porque um Hit the road Jack do Ray Charles ou a Communicatio Breakdown dos Led Zeppelin são músicas bem divertidas e fáceis de dançar. Ou até mesmo a Yellow Submarine.
 
Obviamente estas músicas deveriam ser uma parte menor da música que uma criança ouve porque o importante nessa idade é aprender a música do Mestre André e do Atirei O Pau Ao Gato.

Laranjadas musicais

Um dia estava numa pastelaria com um amigo meu e estava a dar música de porcaria. Naquela altura havia essa grande banda os EZ Special, que tinham aquela grande música do terererereru em que ele se confessava e dizia “I really am such a fool”. Nunca se disse tanta verdade numa canção. Mas bem, continuando. Eu e o meu amigo concordamos que se desse alguma música dessa banda tínhamos que ir embora. Basicamente, esse seria o limite que aguentaríamos. Eis senão quando, começa a dar aquela grande música da grande banda que tínhamos referido há cerca de 30 segundos. Saímos imediatamente e eu por mim falo, nunca mais lá voltei, já não me sabem bem as coisas de lá.

Uma outra ocasião passei pelo David Fonseca. Não nutria especial admiração mas também não tinha especial aversão. Obviamente, uns dias mais tarde li uma entrevista em que ele dizia algo do género (não exactamente mas com o mesmo significado), que uma tragédia era o dia em que o Jon Bon Jovi nasceu. Muito bem, eu gosto de Bon Jovi, mas analisando a música que o David Fonseca faz e aquilo que os Bon Jovi fizeram, não vejo qual é o problema dele. Até parece que ele, David, lançou algo de revolucionário na música. Isto para mim ainda é mais absurdo quando um dos riffs da música que o catapultou para a fama nos Silence 4, a Borrow, é bastante semelhante na sua composição, a um outro riff de uma música de 1986 dos Bon Jovi chamada Wanted Dead Or Alive.

Portanto, desde então abomino tudo o que ele faz. Porque bem, eu sei que parece bem dizer que Bon Jovi é parolo e é sempre a mesma coisa. Parece alternativo. Só que vindo do David Fonseca parece apenas alternativamente estúpido. Alternativamente estúpida é uma pessoa que critica as coisas que têm sucesso para parecerem diferentes mas no fundo fazem mais do mesmo, sem que a qualidade seja superior. Obviamente Bon Jovi é superior a David Fonseca. Por razões óbvias. Para além de ficar mal a um músico tão influenciado pelos anos 80 estar a criticar uma das maiores bandas dos anos 80. Hoje estava a dar música na rádio do Centro Comercial e quando reparei que era David Fonseca torci o pé, o que vem consumar a minha aversão actual à música dele.

Noutro dia tive, por circunstâncias profissionais, de atender um pedido do Pedro Abrunhosa. Nos meus tempos de empregado de mesa, a coisa que mais detestava era este tipo de diálogo:

Eu: Então o que deseja?
Cliente: Cabrito assado na sanita. Tem?
Eu: Desculpe mas de momento apenas temos assado no forno.
Cliente: Mas esteve a marinar em urina?
Eu: Com certeza.
Cliente: Então vou querer isso.
Eu: E para beber?
Cliente: Pode ser um Ice Tea?
Eu: De quê?
Cliente: Um qualquer.

Lá ia eu, pegava no primeiro Ice Tea e quando chegava lá:

Cliente: Ah de pêssego não gosto.

Era então que tinha vontade de lhe enfiar o saca rolhas nos olhos. Por essas e por outras a minha vida de empregado de mesa só durou três dias e meio. Não estou para aturar clientes parvos juntamente com patrões estúpidos e colegas de trabalho abomináveis.

Ora então o Sr Pedro Abrunhosa pede uma sandes de fiambre, implorada pelo seu representante ou lá quem era. Eu bem não queria, dado que não é minha função fazê-lo, mas após a insistência cedi e lá fui cortar fiambre para fazer a sandocha real. Quando chego, afinal o mestre já não queria de fiambre, queria de queijo. Arrependi-me logo de ter aceite fazer a porcaria das sandes de fiambre. E bem, lá fui eu fazer de queijo. Mas como vingança fiz no mesmo pão e espero que ele tenha alergia ao fiambre e que o pão tenha ficado com o sabor do fiambre. Ainda me apeteceu dizer lá ao tipo que fez o pedido “Olhe, com aqueles óculos até podia ser paté de óleo queimado. Nunca iria distinguir a diferença”. Mas pronto.

Outra parvoíce que me aconteceu foi com esse grande músico do heavy metal. Sim, aquele que participava no Amália Hoje, também esse um grande projecto de metal. Ou não. De qualquer das maneiras. Lembro-me do dia em que fui ver os dEUS ao Festival Marés Vivas no dia 17 de Julho. Antes do concerto quando estava em casa estava a ver uns vídeos no youtube de uma rubrica de humor. De entre dezenas tive de acertar em cheio naquele em que o convidado era o Fernando Ribeiro e lembro-me perfeitamente de dizer “Que chatice. Vamos ver o próximo que não me apetece ver este tipo”. Não é nada de pessoal. Apenas não gosto. Só que obviamente as coisas perseguem-me e quando após ter visto os dEUS me estava a vir embora cruzei-me precisamente com o mesmo Fernando Ribeiro e pensei “Que raio de sorte, tantos sítios no país e tinha que passar logo aqui”. Para além de que não percebi. Então não vai ver dEUS e vai ver Ben Harper? Concertos na praia? Pff.

E isto é muito giro.

Snob ou lógico?

Hoje num famigerado programa de TV alguém disse a uma das concorrentes "Não sejas snob em relação à música pop".


A frase é brilhante. Ora bem uma pessoa snob é alguém que aparenta e faz por aparentar ser melhor do que aquilo que realmente é. E eu não vejo mal nenhum em ser snob em relação a uma coisa snob. Porque a música pop de hoje é a snobice (não sei se isto existe mas vai assim) total.

E quando se diz "eu não gosto" ou "acho que é fraco" não se está a aparentar ser melhor do que nada. Está-se a expressar uma opinião. A sorte é que eu não sou a favor do wikileaks porque senão convocava já uma manifestação!!!!

Mas bem, na sequência disto li um artigo sobre esse concerto que passou por Lisboa um dia destes. Da autoria de Nuno Galopim. Podem ler o artigo na integra algures na internet. Procurem que eu não sou vosso pai.

Quanto a mim vou destacar algumas frases e comentar. Vou ser Marcelo por uma hora. Ora então:

"(...)na noite de sexta- -feira, perante um Pavilhão Atlântico cheio e rendido desde bem antes da entrada em cena da rainha da noite.(...)" - Rainha da Noite é um belo tema dos D'Arrasar, ora vejam lá aqui http://www.youtube.com/watch?v=X7COxfC8L0M
Se a Lady Gaga visse esta coreografia e soubesse quantos discos eles venderam nunca mais cá vinha. Ou se calhar vinha cá mais vezes.

"(...)não perdendo nunca a oportunidade para expressar uma atitude política, mais que uma vez trazendo a Lisboa uma mensagem de firme apoio à comunidade LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgénero) que tem defendido desde os primeiros passos da sua carreira pública. (...)" Carreira essa que antes de ser pública se limitava a ser uma pianista de jazz. Quem diria. "Be yourself" - That's what she said! Ah! E Nuno então. Isso é política? Vá lá, o que é que aprendemos na faculdade? Eu acho que isso é mais uma questão social. A consequência da sociedade torna-se lei. A lei não é consequência da política. Ai ai ai.

"(...)Lady Gaga não deixou de mostrar porque muitos dela fizeram um ícone de absoluta referência.(...)" Tenho todo o prazer em explicar. O porque é parvoíce. Dela e dos que gostam.

"(...)Tratando os presentes como os seus "monstrinhos" e integrando a palavra Portugal em inúmeros instantes ao longo de todo o concerto(...)"
Tenho a dizer que não gosto desta parte. Há drogados que o nome carinhoso que lhes davam era monstrinhos. Se eles lêem isto vão apanhar uma overdose de desgosto. Tenho a dizer também que 90% da população diz que o país deles, Portugal, é uma porcaria. Mas bem, no concerto é maravilhoso. Já eu vivo num país chamado Portugal e o meu país é extraordinário. Sobretudo do Mondego para cima.

"(...)transportando até a dada altura uma bandeira portuguesa, Lady Gaga mostrou que quem a reduz a uma ideia de estrela para aparato visual e ponto final mais não faz senão expressar um preconceito mal informado. (...)" Fantástico. Eu quando vejo os corredores a ganharem medalhas de ouro penso "Hey, deve-se achar o maior" Mas quando eles pegam nas bandeiras dos países sobem imediatamente na minha consideração. Mas bem, não é só aparato visual, é também música igual a qualquer outra. Aliás, há várias acusações de plágio. E não creio que ela tenha feito plágio, mas só há esse tipo de acontecimentos se as coisas forem bastante parecidas. Acho que isto é bastante claro.

"(...)De facto, e ao contrário de outros grandes espectáculos de grande produção do nosso tempo, ficou claro que a Monster Ball Tour não se limita a uma ideia de monumento para encher o olho.(...)"
Só tenho a dizer. Led Zeppelin - Royal Albert Hall 1970. Só havia uma luz para cada músico. Isso é um espectáculo. Obviamente que a Monster Ball para além de encher o olho enche a paciência.

"(...)ela mesma tocando piano (com uma espantosa atitude showbiz, cruzando diálogos com a plateia com a canção que nos ia apresentando) (...)"
Ah. Que saudades. Do tempo em que eu tinha uma banda e adoptava a minha atitude showbiz. Era eu a tocar uma música e depois parava para contar a história do lobo mau, depois continuava e parava novamente para contar a história da Branca de Neve. O que faz de mim um artista bastante completo. Só que bem, eu não sou protegido do Akon e não tenho jeito para vestidos estúpidos. Desisti da música.

"(...)Lady Gaga é um ícone pop dos nossos dias e a Monster Ball é talhada à imagem e personalidade da figura que já inscreveu na história recente da cultura popular.(...)"
Gostava de entender o que é que foi inscrito. Deve ser parvoíce.

"(...)É uma diva vestida a excesso e glamour, mas também a figura magoada.(...)"
É a primeira vez que vejo alguém dizer que um soutien e umas cuecas é uma indumentária excessiva.

"(...)Do jogo de contrastes nascendo uma voz que a si chama incompreendidos e diferentes, com eles partilhando o baile que, se por um lado é festa e libertação(...)"
É engraçado que quando vi as reportagens pareciam ser o mesmo tipo de pessoas que foram ver os U2, só que ainda mais parolos e havia mais gente com mais de 30 anos.

"(...)apresentando uma colecção de criações de fazer inveja a muita passagem de modelos(...)"
Se a Chanel não estivesse morta, agora morria de vez. Comentário ridiculo. Tal como as "criações".


Enfim.

Há comentários que dizem que ela é a Rainha da Arte, mais do que rainha da pop. Eu tenho a dizer, que Mozart não é só um marco porque o nome dele acaba em art(e) é porque bem, ele compôs música fabulosa. Tal como muitos outros artistas clássicos. Tal como outros artistas pop, rock e de todos os estilos. Lady Gaga é mais um cliché. Tal como a Rihanna tem sucesso por ser protegida do Jay-Z. Tal como a Nelly Furtado por ser protegida do Timbaland. A Lady Gaga é uma protegida do Akon. Infelizmente aqui na Europa tudo pega. E a Lady Gaga passa a mensagem fabulosa de que somos todos iguais, mas agora desafio qualquer pessoa que goste dela a contar as bandas não americanas que tiveram sucesso nos Estados Unidos.
Porque somos todos iguais até certo ponto. Nos EUA há muito poucas bandas europeias a vingar. Tirando U2, Rolling Stones, Beatles, Pink Floyd e, acima de todos, Led Zeppelin, são poucas as bandas que realmente lá chegaram. O que prova que não somos todos iguais e nós, aliás, a maior parte das pessoas aqui come sempre a mesma merda com cheiros diferentes.
Eu não gosto especialmente de U2, Roling Stones e Pink Floyd, mas temos que admitir, todas elas são bandas drasticamente diferentes. E acho que é impossível todas as porcarias que saem dos EUA serem boas ao ponto de merecerem airplay internacionalmente.
Portanto não me venha dizer que Lady Gaga é diferente. É a mesma coisa disfarçada. A música pop de hoje em dia é uma fórmula esgotada. Paradoxal é que continua a vender bastante, apesar de ser uma fórmula repetida. Continua a vender bastante porque continua a haver gente que se deixa levar pela porcaria.
Lady Gaga defende aqueles que são diferentes, mas na verdade entregou-se ao público daqueles que são iguais. Caso contrário não vendia tantos discos como vendeu. E acham mesmo que as pessoas realmente diferentes gostam da música que ela faz? Se eu me for a lembrar de artistas com problemas próprios, relativos à sexualidade lembro-me por exemplo de Placebo. Agora vejam as similaridades.

Eu sei que eventualmente haverá gente que dirá que a minha opinião é má língua, mas é esta a minha opinião, sem preconceitos mal formados. Simplesmente analisando os factos que temos à nossa disposição e estabelecendo um padrão lógico de acontecimentos. Só não vê quem não quer.

Aquela coisa

Hello everyone.

Aqui estou eu para falar da música mais espectacular que se pode ouvir num concerto. É aquela coisa que eu não sei bem explicar, mas esta música tem algo que definitivamente me eleva a novas galáxias de emoção. Na verdade são três músicas. Uma mais que a outra e a outra mais que a terceira. Mas todas elas me tocam bem fundo em sentimentos diferentes.

Escusado será dizer que as três músicas são dessa banda que eu nunca falei aqui antes. Os dEUS. Ora nem mais. Há muita gente que gosta deles, mas daí, apenas um décimo deles deve entender em toda a sua plenitude o que significa gostar dos dEUS e o que é que significa gostar das músicas dos dEUS.

A música que mais excita, apenas pela adrenalina do carrossel de som e esquizofrenia que contem, é a Suds & Soda. É algo naquele violino electro-maníaco-repetitivo, junto com a guitarra marcada à qual juntamos o Tom Barman a cantar quase que num hip hop subvertido num rock, junto daquela voz insistente e poderosa que grita "FRIDAY". É algo nisso tudo que caminha a olhos vistos para uma apoteose que apesar de saber que vai chegar me surpreende sempre de tão intensa que é. Seja Super Sharp ou Sabotage naquela pausa final a música ganha uma força de explosão e êxtase contido que mais nenhuma consegue ter.






Eu estive lá!



A segunda música no meu top é uma música com a qual me identifico bastante até porque foi a banda sonora do período mais feliz da minha vida :)

Começa com uma inocência semelhante àquela que sentimos quando partimos à descoberta. É um fio que puxamos com uma mão de cada vez e que traz sempre qualquer coisa nova, qualquer detalhe novo e delicioso. Na música são as guitarras, o violino ou o piano, a voz e a outra voz que aparece no refrão. É a segunda parte onde nos recriamos num jardim repleto de dentes de leão e felicidade oculta nos sentimentos que não queremos bem mostrar ainda. E volta o refrão agora cantado a dois e que acaba no início do maior splash musical de sempre. Um solo de cinco notas apenas. com uma guitarra, normalmente empunhada por um senhor que deve ser um dos melhores escritores de música de sempre e que sente esta música bem a sério quando está em palco. E ver o violino a subir. A bateria a aumentar a densidade como o pulsar de um coração que caminha para um grande momento de emoção. E a outra guitarra cada vez mais depressa e a música cada vez mais intensa, apesar de parecer impossível aumentar, ela aumenta e na minha cabeça tudo o que aparece são momentos e fotografias que nunca poderei emoldurar mas que estão bem à vista na minha cabeça e no meu coração e que significam mais que tudo para mim e com isto tudo, quando a música acaba naquele fim que se perpetua eu tenho lágrimas nos olhos. Só nesta música.







Nesta versão tal como na seguinte não estive, mas já as vi ambas três vezes. O que é fucking amazing!

Finalmente a outra música desperta em mim algo de mais selvagem. Desperta um bocado a revolta. A sample é repetitiva, mas confiem em mim. Se ouvirem aquilo ao vivo sentem a roupa a tremer com a força daquele som. Um som que não nos deixa olhar para o lado. Chama-nos. A música evolui com uma coisa de cada vez, com uma letra sobre alguém que quer impôr algo com boas maneiras. He said No More Loud Music. E quando a música nos começa a conquistar pelo seu groove e pelo seu jingar (não em ocorre palavra melhor) "I told you once I told you twice" e bum! A música rebenta a intervalos de poucos segundos. Sendo que em cada explosão há sempre algo de novo e mais forte. Ao fim de algumas explosões a banda contenta-se com por tudo no mesmo ritmo, acompanhado de loops maníacos e sinistros, enquanto alguém pergunta "You got something to say? C'mon tell me right now!" sim, eu penso nisso muitas vezes, apetece-me muita vezes perguntar a muita gente se têm problemas e às vezes faço-o e digo o mesmo, forço e tenho vontade de forçar as pessoas a terem coragem para mo dizerem na cara. E depois STOP! e alguém começa a gritar acompanhado por uma guitarra que em breve é toda uma banda num ritmo maníaco e assustador que parece um sonho mas é na verdade um puro momento de adrenalina em que nos excedemos até que a música por breves segundos volta ao ritmo compassado e poderoso em que estava antes, apenas para voltar à adrenalina com a ainda mais força. Como alguém que reforça um argumento e que não esquece o que acabou de dizer e que quer dizer. A música volta ao ritmo anterior apenas para voltar a uma versão reduzida dos gritos que a mim me soa a apenas a "Eu não esqueço! E estás avisado".

Evil Superstars - Love Is Okay

E depois de ter falado sobre o EP desta banda belga falo agora do primeiro disco de longa duração dos Evil Superstars. Contextualizando. O EP foi lançado em 1994. Na onda do sucesso que haviam sido os dEUS, que tinham sido assinados pela Island Records, também os Evil Superstars foram assinados pela Island para o lançamento do primeiro album completo. A formação continuava a ser mesma apenas com a adição de um novo guitarrista descoberto por Mauro Pawlowski. Tim Vanhamel, um jovem de 16 anos por muitos considerado nos dias de hoje como o mais prodigioso guitarrista belga.

Assim sendo a banda grava um disco, novamente totalmente composto por Pawlowski. Se eu tivesse de descrever numa palavra o disco diria “desconcertante”.

Evil Superstars

O disco começa com No More Bad People. Punk rock hardcore logo a abrir a música antes de se transformar numa ladainha de fanfarra passando por fases de rock normal e terminando numa apoteose de descoordenação e desvario. É estranho mas estas músicas exercem um certo fascínio porque tal como eu já disse sobre o Hairfacts, também neste disco continua a revelar-se a capacidade de criar ambientes com a música e criar sensações.

The Power Of Haha é uma música mais sincronizada, mais 'normal' digamos. Transporta-nos para uma nostalgia um pouco tristonha entre os Haha's alegres e a letra estranha acompanhada de uma sonoridade que nos embala em pensamentos sobre coisas passadas.

Go Home For Lunch, é uma bela música. Nesta música é possível ver algo que Mauro Pawlowski faz com mestria. Há duas linhas de guitarra completamente diferentes, mas que juntas funcionam na perfeição e é bastante interessante porque há momentos na música em que uma das linhas fica sozinha e parece que aquilo não está bem ali, mas logo que tudo recomeça dá para ver que está bem, aliás, muito bem.

A seguir vem Parasol que é uma música curta que nos transporta para algures no fundo do mar, pelo menos a mim, e que vai-se transformando em bom hard rock.

É aqui que aparece para mim a música mais desconcertante do disco. Eu poderia comparar esta música a grandes canções de grandes senhores da música, como Leonard Cohen ou John Lennon. A música em si é apenas em piano e bateria. Grande grande composição. Apenas uma coisa estranha. A letra. Parece que foi escrito por alguém extremamente afectado.

“Tons of marshmallows I sell

Still there's one that I can't tell

When you smile at me oh well

It started to snow in hell,

Three hundred miles and now

I daydream about this pirate wedding bell

I farted as hard as I can

And you smiled at me again

Your lybrary of kicks

Your indoor fireworks

Your collection of ancient wine

Tell me what's it going to be on your dumb or mine...”

Bem, eu só escrevi esta parte mais extensa da letra porque demosntra bem o tipo de letra que faz a música. A acrescentar a tudo isto a interpretação de Mauro que faz dele, para mim, um dos melhores intérpetres da música europeia. Já agora, o nome da música é Your Dumb Or Mine. Tudo isto junto torna a música muito desconcertante.

Rocking All Over sucede-se numa música com uso exaustivo de harmónicos. Bem conseguida. Seguida por Pantomiming With Your Parents que dança entre aquele pop 80's feito de uh uh's, uma secção mais calma e um momento de hard rock, também bastante bem conseguida. Depois desta música começa a parte declinante do disco. Músicas como We Need Your Head e Miss Your Disease estão alguns furos abaixo do resto do disco. Pelo meio ainda 1,000,000 Demons Can't Be Wrong (analogia a um best of the Elvis Presley chamado 50,000,000 Elvis Fans Can't Be Wrong) uma boa música com uma aura negra à sua volta.

A penúltima música do disco viria a tornar-se uma música de assinatura dos Evil Superstars. Chama-se, nada mais nada menos que, Satan Is In My Ass. Uma música que vem do inferno para dizer que afinal o demo fica chateado porque a gente não sabe que ele veste um vestido de bailarina e usa um Fez na cabeça. E ficamos também a saber nesta música que, passando a citar “Somewhere in a fortress / He hide's his mistress / I'm talking about a plankton eating robotcow in a cardboard chest”. A música é desconcertante do sinistro ao gozão. Do jazzy ao hard rock a razar o heavy metal. É o espelho do disco.

A última música é uma música em que eu imagino um tipo, vamos imaginar neste caso um estudante, que no fim do verão, no fim de todas as borgas esta sozinho numa praia, com a barba por fazer, com a camisa suja e o cabelo despenteado, apercebendo-se que o verão chegou ao fim e está sozinho sem nada de importante no fim do verão tão agitado. A música chama-se Death By Summer e não tem letra. Apenas piano e bateria.

Resumindo. Love Is Okay é um misto de sensações. Em Hairfacts os Evil Superstars resumiram em quatro músicas todo o espírito da banda. Em Love Is Okay penso que encontraram algumas dificuldades em preencher o disco todo sem enveredar por caminhos não tão bem sucedidos. Mas no geral é um bom disco que contem algumas músicas excelentes, dentro do género absurd-rock, fundado e adoptado pela banda.

This Left Feels Right

Os Bon Jovi são perseguidos por uma aura de serem parolos porque apareceram nos anos oitenta. Na verdade são uma das poucas bandas que apareceu nos anos 80 e que conseguiu sobreviver até hoje. Livin'On a Prayer foi um sucesso aclamado em todo o mundo inserido num disco chamado Slippery When Wet onde ainda apareciam outras pérolas tais como You Give Love a Bad Name e Wanted Dead or Alive e que vendeu mais de vinte cinco milhões de discos. As músicas desse disco são canções que ainda hoje qualquer pessoa na rua conhece e até sabe como se cantar há quem não goste mas, convenhamos que, é um legado.

É também bastante relevante que os Bon Jovi tenham sido uma das únicas bandas que sobreviveram ao período grunge e ao nascimento comercial do rap. Maior parte das bandas de Rock foram dispensadas pelas editoras. Nessa época os Bon Jovi estavam separados mas haveriam de voltar com Keep The Faith. Um album com muito mais personalidade que outros dois anteriores e que marcaria o regresso da banda com uma perspectiva de futuro bastante diferente do passado mas sem renegar esse mesmo passado que projectou a banda para o estrelato.

Em 2003 a banda tinha agendado um lançamento de um Greatest Hits. A banda reuniu-se e em 23 dias completou, com a ajuda de Pat Leonard, aquilo que era para ser um simples “Best Of”. A realidade é que em vez disso os Bon Jovi surgiram com uma verdadeira obra de arte.

São por muitos considerados uma daquelas bandas da carneirada que faz apenas e só mais do mesmo dentro daquela forma garantida de sucesso. Contudo This Left Feels Right, para além de ser um excelente nome para o disco, é também um disco corajoso e capaz de criar reacções em qualquer apreciador razoável de música. Doze músicas mundialmente famosas e que fazem parte da vida de muitas pessoas, por boas ou más razões. Doze músicas completamente desfeitas e refeitas sendo que em algumas só se conseguirá identificar a música pela letra. À parte de Wanted Dead or Alive e It's My Life, que contêm algumas linhas presentes nas versões originais todas as músicas foram despidas e vestidas com novas roupas. A poderosa música de estádio que Livin' On a Prayer é aparece neste disco como uma música contando uma história triste e muito mais sombria. It's My Life deixa de ser a música marcante que toda a gente ouviu na rádio para passar a ser uma música apenas com piano e harpa com uma interpretação emocionante e bastante forte de Jon Bon Jovi. Keep The Faith e Everyday, duas músicas de puro hard rock foram desmontadas e refeitas com uma perspectiva muito mais profunda e ambígua. Keep The Faith passou a ser praticamente uma oração vinda da alma.

TLFR

O disco não foi muito bem recebido pelos fans e foi praticamente ignorado, como de costume, pela crítica. Jon Bon Jovi refere até que já o fez uma vez e não o voltará a fazer porque ninguém gostou. Mas a verdade é que eu pelo menos gostei. Obviamente é uma coisa muito perigosa mexer nas músicas que fazem parte do intímo das pessoas, mas a verdade é que se pensarmos que são outras músicas, que são, vamos encontrar músicas espectaculares.

Não estou aqui a querer provar nada mas sim a deixar escrita a minha admiração pela grande banda que os Bon Jovi são. Conseguiram tocar o céu, estiveram perto de acabar, voltaram melhores e souberam sempre renovar-se ao longo dos tempos com sucesso constante. A prova dessa renovação é This Left Feels Right. Poucas bandas teriam coragem de fazer o que os Bon Jovi fizeram mas ainda menos bandas se dariam ao trabalho de em 23 dias destruir e construir doze músicas para entregar algo de novo e artisticamente relevante. Mais o facto de tudo o que eles fazem estar repleto de sinceridade. Não há nada a esconder e é bom ver quarto pessoas que ao fim de vinte anos estão juntos como amigos e não como empresários que estão ali apenas para ganhar dinheiro.

Recomendo, obviamente, a audição deste disco, sem ligar ao passado da banda ou ao que as músicas eram. Simplesmente ouvir e apreciar.

Só para acabar relembra toda a gente que os Bon Jovi não são o Bon Jovi. Jon Bon Jovi é acompanhado por David Bryan no piano e Tico Torres na bateria. Sem desvirtuar nenhum dos membros da banda há que fazer homenagem ao grande guitarrista que é Richie Sambora. Há poucos guitarristas do nível dele, que é sem dúvida um dos melhores do mundo, que abdiquem de ser o centro das atenções em prol de uma banda. Sambora abdica disso mas qualquer pessoa que conheça minimamente a banda sabe que ele é grande parte daquilo que os Bon Jovi são. Este disco foi praticamente todo composto por Richie Sambora, tal como Jon Bon Jovi disse numa entrevista. Assim sendo aqui fica a minha homenagem a Richie Sambora.

The Ideal Crash


Este post não se pode dizer que seja bem um review, é mais a experiência de ouvir um disco, neste caso «The Ideal Crash» dos dEUS. É uma espécie de descrição com a minha interpretação das músicas e aquilo que sinto acerca delas. Sendo assim ficamos assim combinados! Cá vai:


Ideal Crash

Silêncio. Faixa um. Um som esquisito aparentemente concebido por uma guitarra e começa. Uma música bem rock, com guitarra constante e com uma letra dupla, significados e frases um pouco dispersas, provavelmente sobre droga provavelmente sobre amor. Mas nada em concreto, mais uma música com um tom esquizofrenico, cortesia dos dEUS. Put the freaks up front, venham eles!

Faixa dois, melodia calma acompanhada de um sussurro até à entrada melodiosa da voz de Tom Barman a contar a história de um homem que matou a sua namorada e passa por três estados de espirito. O primeiro, é o estado de arrependimento "Oh my sweet sister dew what have I done?". O segundo a tentar justificar o acto "Tell me sister, please I didn't have a choice". O último maléfico "Please forgive me if I, I keep on smiling But every sad story has a funny side in", todos estes estados acompanhados pela evolução da música, os sussuros iniciais podem ser interpretados como o grito abafado da namorada ao morrer e que mais tarde voltam à sua cabeça na descrição do momento. A música volta à calma final antes se desvanecer no som de um bar ou restaurante.

Do ruido do restaurante alegando a ligação entre duas histórias que podem ser contadas em qualquer local comum onde nos podemos também cruzar com aqueles que as vivenciaram. Para a história de uma pessoa que viu a sua relação terminada e que espera eternamente "where the nighthawks fly". Espera que a sua amada o vá procurar depois de a ter encontrado e de a ter perdido, mas ela não volta e ele cai e deixa-se cair "Down on the floor, got a closer look to hell, somebody pushed me I jst pretending that I fell" a acabar numa confissão de auto clausura de alguem que vive "Weirding out strangers and laughing at those...Not that we're special it's just that we're Closing in on a place where we might get to be Living real people regularly Send you some stuff and be good like you asked..."

Faixa quatro. Sobre alguem que tem um plano a executar numa hora mágica, que se vai, gasta em algo supostamente mais importante "as cool as a sigh, as murderous as something to say". Uma musica quase em forma de oração, virada para "the God Of Small Things" com uma melodia calma, numa guiatrra limpa um pequeno interludio com violino, com a musica a crescer até se desvanecer ao som de uma guitarra encantadora com os expressivos versos "There is room if you can trust, for anyone like us".

Stay by my side, é assim que começa a colisão perfeita, num carrossel de guitaras distorcidas, pianos e sintetizadores onde não se distingue bem o que é que faz o quê com uma batida no mínimo diferente, e cantada atraves de dois canais, um distorsido e um limpo, numa musica sobre amizade ou sobre amor onde alguem liberta outro sem realmente libertar "Stay by my side it's over ... Stay by my side I want you". Soa a alguem que lamenta por algo que correu mal mas que quer recomeçar apesar da poeira de da dor que sucedeu. Belíssima e comovente musica e na minha opinião uma das melhores interpretações de Tom Barman.

The instant street. Há quem aprecie imenso esta música. Eu sou um deles. Uma melodia inocente e que soa quase a infantil, com uma voz quase colegial a cantar uma letra para muitos sobre droga, mas para mim sobre o fim do "nojo" após a quebra de uma relação. O reconhecimento da sorte em ter tido aquela pessoa ao nosso lado, ainda que a perda nos faça ter reacções desreguladas "when on every single impulse, on every other move I react". A passagem à fase seguinte "This pain in my side, I had enough, this time we go for instant street...". pode ser visto como alusão às drogas no efeito instantaneo "instant stuff" e que acaba, mas para mim é mesmo sobre amor. Dito o poema um dos mais fascinantes solos de sempre, simples, directo e arrebatador. Dois minutos em que camada sobre camada a musica vais crescendo sempre acompanhada pelo violino a subir até tudo se conjugar num ritmo forte, solo simples e um climax espectacular a terminar a musica. Sublime.

Faixa 7. Magdalena, uma ex namorada de Tom Barman. Dá a impressão que ele queria se mover para outro sítio, vontade não partilhada pela Magdalena. Ou então que ela o deixou e ele está a descobrir como se virar e seguir o caminho "I wanna move, don't figure out much, into the new, out o the blue, out of the darkness". Uma música que caminha do nada para um fim ruidoso e confuso a terminar numa guitarra bela e harmoniosa a deixar entender que a história não acabou de forma muito alegre.

EVERYBODY'S WEIRD. Todos estamos bem até alguem nos chatear. "You're such a lovely guy, but it doesn't take so much, to get all there is out, all the dirt and all the sludge". Afinal não somos assim tao estranhos, embora aos olhos dos outros possa parecer irrflectido. A música também pode ser encarada como uma critica aos posers "And everybody's weird, and they all think they're God" ou àqueles que se acham no direito de criticar porque não há defeitos a apontar-lhes. Contem também os versos mais estranhos do disco
It's easier to trust
If it comes down to this my friend
I will help you if I must
I will kill you if I can
Experience is cheap
And you know that in the end
I will kill you if I must
I will help you if I can
A parte de "I will help you if I must, I will kill you etc" deve ser creditada a Leonard Cohen. Song For Isaac.A música em si contem uma sample de uma voz feminina a repetir ciclicamente o titulo da musica, musica também que se dá um pouco à electronica e que vê os seus decibeis aumentarem com o tempo. Uma participação bem activa do violino nesta musica.

Let's see who goes down first, letra sobre uma doença mental da qual Barman foi vitima e que o pôs completamente aluado durante uns tempos, acho que é um pouco de revolta contra a doença e a sua luta tal como o titulo indica. O poema em si vai caminhando em direcção à loucura e demencia voltado a si com a frase "Next time it calls me I'll be ready, because I KNOW". A unica musica do disco em que Barman não deu opinião composta por Craig Ward e Klaas Janzoons. A melodia em si um pouco esquisita a inicio e à base de muitas progressões de guitarra diferentes, acompanhados por um sample de percussão. Sobe, sobe, sobe até ao auge no verso "Next time it calls me I'll be ready, Because I KNOW!". Gosto particularmente desta frase, pois é um contra senso sobre a doença "It doesn't lose it just lets you win".

10 e o sonho na última pérola do disco. A música e a melodia transportam quase para a dimensão dos sonhos, algo que não sei explicar, mas que a musica transmite. Mais uma vez parece ser sobre uma relação mal terminada e um pouco à semelhança da terceira faixa do disco One Advice, Space e instant street, parece simbolizar um pouco o fim do "luto" "My little dreamone, you're okay, I'm thinking about you everyday" mais à frente "I'm getting better everyday, I just don't care what they say" Uma musica que sobe também mas não como as outras, esta sobe de intensidade mas sem acrescentar muito ao som. Dream sequence é o nome.

E assim se chegou ao fim da audição do disco mais bem conseguido e regular (não o melhor) dos dEUS, com melodias bem estruturadas e sem grandes devaneios ou loucuras a tomar conta das musicas, um disco com muito génio dos cinco mas principalmente Craig Ward e Tom Barman deixando saudades nos fans uma dupla de composição tão boa e assente. Um disco gravado em Espanha e durante o qual, segundo Craig Ward, os membros da banda não se falavam, contando mesmo o episódio da fractura no pé do baterista que quando voltou viu as musicas completamente alteradas e perguntou "AH isto agora está assim?" ninguem lhe respondeu.Um disco composto numa base acustica e que em várias músicas mostra a habilidade dos dEUS em fazerem músicas que progridem até um ponto alto assim como, magic hour, instant street, magdalena, let's see who goes down first e dream sequence.Espero que deixe aqueles que nunca ouviram o disco com àgua na boca para o conhecer. Vale a pena.

dEUS - Worst Worst Case Scenario

"Worst Case Scenario permanece como uma gema perdida na história da música". A afirmação não é minha mas eu concordo perfeitamente. Já agora é de Brian Molko, vocalista dos Placebo.

Worst Case Scenario foi em Dezembro de 2009 reeditado. O original continha catorze músicas de pura arte.

Os dEUS foram a primeira banda independente a assinar um contracto por uma major. Em 1994 a Island Records comprou os direitos do primeiro disco da banda que já havia sido editado pela editora independente belga BANG! e relançou o disco em toda a Europa. Suds & Soda caiu como uma bomba e os dEUS tornaram-se a banda sensação daquele ano. Ao mesmo tempo abriram um novo capitulo na história da música "indie".

O disco não é fácil de descrever. É uma mescla alucinante de estilos e ritmos. Variações e invenções. É possivel contemplar um pouco de imensos estilos naquele disco. Rock, Progressivo, Clássico, Pop, Jazz etc. etc.

15 anos volvidos e os dEUS, não diria que esquecidos, mas estão entre aquele grupo de bandas que actualmente se apelidam de bandas de culto. Aquelas bandas que não passam quase nada na rádio mas que têm uma fiel legião de seguidores. Maior parte dos apreciadores desta banda seguem não só pela música mas também pelo espírito da banda. Solta, leve e despreocupada com tudo o que a rodeia.

Na re-edição de Worst Case Scenario os dEUS incluiram o disco original remasterizado, um disco de b-sides, verdadeiras raridades de estúdio e também algumas músicas ao vivo. O jackpot vem em forma de dvd. Um documentário de sessenta minutos com a história contada na primeira pessoa dos tempos iniciais da banda. Desde o início até ao desmembramento da formação inicial. É possível ouvir todos. Tom Barman (vocalista e guitarrista), Klaas Janzoons (sinistro violinista sem aspecto de sinistro), Stef Kamil Carlens (virtuoso baixista e um dos mais carismáticos músicos belgas), Rudy Trouvé (um artista singular que nos dEUS tocava guitarra e pintava todo o artwork da banda) e Julles De Borgher (um condutor de carrinha de material convertido em baterista).
Todos eles expressam a sua opinião sobre o que se passou e como se passou. Um documentário bastante honesto sobre uma banda excepcional mas que vai permanecer para sempre como uma banda um pouco obscura no meio do cenário alternativo europeu.

dEUS W.C.S.

Vale a pena ouvir o disco. Se arranjarem a edição deluxe com o cd b-sides e o documentário ainda mais. Mas só o disco já é uma coisa bem valiosa pois poderão não gostar mas é inegavel que não há qualquer banda que tenha conseguido criar um som tão fresco e original como os dEUS no seu primeiro disco.


Evil Superstars - Hairfacts EP

EvilSuperstars
Já ouvi, e ainda ouço, esta banda há mais de meio ano. Só agora tive vontade de fazer um review acerca dos discos. Começando pela banda. Evil Superstars ganharam um concurso bastante popular na Bélgica chamado Humo's Rock Rally em 1994. Apenas a título de exemplo a banda belga dEUS, participou também neste concurso dois anos antes tendo ficado em nono. Os Evil Superstars ganharam e o prémio era a possibilidade de gravar um EP.
A banda liderada por Mauro Pawlowski gravou um EP com quatro músicas. Um cartão de visita perfeito. Todas as músicas foram escritas pelo guitarrista e vocalista Pawlowski. A entrada do disco faz-se com Must Be Mystery Puke. É uma música bastante leve oscilando entre uma guitarra bluesy e outra bastante mais suja seguinde sempre a mesma estrutura entrando depois num refrão pausado e perfeitamente encaixado em toda a música. A letra é simplesmente absurda. “What's this? Why don't you take a look? Must be mystery puke”. Sintomático.
A segunda música, Stay angry, é bastante nervosa e a alternância entre melodias, ritmos e tons é absurda, contudo espectacular. Compreendo que nem toda a gente goste, mas o facto é que aos meus olhos (ou ouvidos) a música tem uma personalidade fascinante. As alternâncias que estão todas no sítio exacto e oportuno. A guitarra delirante de Mauro revela o grande guitarrista escondido atrás da aparência “so called” sex symbol belga. Do hard rock, ao reggae a música abrange momentos dispares e sem relação aparente. A letra, igualmente absurda.
(Nothing but a) Sluthead. Sobre uma guitarra oscilante e um sintetizador alucinado monta-se esta música que mais tarde varia para um típico ritmo rock no refrão. A letra absurda revela a continuação do absurdismo na própria música. A constante oscilação entre melodias faz também oscilar-nos por entre ambientes.
O EP fecha com Nice Feelings Now. Uma música estranha pois aparentemente é mais uma música de Absurd Rock mas obtem um carácter bastante nostálgico durante a sua progressão, voltando mais tarde ao rock e acabando numa apoteose de som, com a guitarra forte acompanhada também de uma bateria pujante.
É bastante difícil descrever as músicas. Diria que é tão dificil descrever as músicas como arranjar o EP para comprar. As músicas contêm demasiadas nuances para que se possa entender a lógica dlo rock absurdista praticado pela banda. É preciso ouvir, e de preferência gostar, para compreender e assimilar a complexidade das músicas. O que se pode dizer mais é que o disco oscila não só entre ritmos, mas mais do que isso entre ambientes, da alegria e do extase de Stay Angry à nostalgia de Nice Feelings Now e à apatia de Must Be Mystery Puke. É essa capacidade de nos fazer viajar instantaneamente que eu admiro neste EP e na música em geral dos Evil Superstars.
Os Evil Superstars são Mauro Pawlowski, guitarrista vocalista e autor de todas as músicas, Dave Schroyen na bateria, Marc Requile no piano e Bart Vandenbroek no baixo.

The Raconteurs - Consolers Of The Lonely

Olá, a quem quer que leia isto. (Acho que ninguém, mas não quero que me acusem de ser mal educado!)

Hoje falo do segundo disco da curta carreira dos Raconteurs. Banda formada por Brendan Benson, Jack White, Jack Lawrence e Patrick Keeler.

Primeiro os membros. Jack White, guitarrista e vocalista da banda, nem vou dizer muito mais senão que é o lider dos White Stripes, productor dos seus próprios projectos e quem não o conhece é melhor conhecer porque estão a perder o trabalho de uma pessoa que certamente será uma lenda daqui a uns anos.
Brendan Benson é um autor a solo com alguns trabalhos lançados, é guitarrista e vocalista. Patrick Keeler e Jack Lawrence, baterista e baixista, respectivamente, são ambos de uma banda de jazz chamada Greenhorns.

O disco insere-se num estilo rock/country bastante leve e agradável. Todas as músicas foram escritas em colaboração entre Brendan Benson e Jack White.
Um dos detalhes que mais me agrada nesta banda é o cuidado de composição. Nenhum pormenor da música é deixado ao acaso e todas as músicas dão a sensação de estarem completas e na melhor forma possivel. Este pormenor, deve-se, a meu entender, muito à combinação de processo criativo entre Benson e White, White mais explosivo e Benson mais requintado.
Outra coisa que me agrada bastante é a uniformidade do disco. Não há altos e baixos, há sim um nível que se mantém durante todo o disco. Desde a primeira faixa à última faixa encontra-se um trabalho homogéneo. Note-se que com isto não quero dizer que as músicas são todas parecidas.

No álbum destaco a Consolers of the Lonely, primeira música do disco e também a que dá o nome ao mesmo. Uma música rock, com um tom divertido e com um fim espectacular com Jack White a mostrar que os grandes solos não são só os complicados. You Don't Undestand Me, uma balada com uma letra no mínimo incomum para uma música romântica "Why don't you turn it around, it might be easier to please me", sintomático.
Old Enough e Top Yourself, uma mistura futurista de guitarras acústicas num estilo country com uma música rock. As letras são bastante engraçadas e revelam uma visão que normalmente não se contempla em muitas bandas. Enfatizamos a riqueza e a diferença de lirismo em relação a outras músicas do género na Top Yourself com os versos iniciais "How you're gonna top yourself when there is nobody else, How you're gonna do it by yourself cause I’m not gonna be here to help you". Deveras inesperado!

Many Shades of Black, é uma música grandiosa por toda a carga emotiva que a acompanha. Mais uma vez a letra é inversa ao normal, usualmente em musicas românticas ouvimos o citar da dor e do mal estar pelo fim da relação, nesta é mais assim: "Everybody sees and everyone agrees that you and I were wrong and it's been that way too long, So take it as it comes and be thankful when it's done, there's so many ways to act, and there's many shades of black".
Continuando, outra das pérolas do disco é Rich Kids Blues, uma música perfeita e bastante tocante que vai num crescendo até ao final exfusiante.
No final, Carolina Drama, uma música que retrata uma história, segundo eu apurei, recorrente no estado da Carolina do Norte, de uma mescla de relações proibidas e violência doméstica. Se quiserem saber o final da história, perguntem ao senhor do leite. Interpretação espectacular de Jack White.

Estas são as que destaco, mas obviamente as restantes são também de óptima qualidade. A mistura das vozes e alternância das mesmas entre Benson e White confere um colorido enorme ás músicas. A mesma mistura se pode observar na guitarra com dois estilos totalmente diferentes mas que combinam de forma bastante interessante neste disco. Nota também para Jack Lawrence que toca baixo e proporciona um som bastante forte, às vezes quase como uma guitarra. Patrick Keeler, toca bateria e quase que livremente, não alinhando nas linhas comuns de bateria rock, o que é natural dado ser um baterista de jazz.

Se puderem ouçam.