O significado da Magic Hour

Há uns dias reparei nas estatísticas do blog que alguém chegou cá através da pesquisa "significado da música the magic hour deus". Sendo assim e dado que é uma das mais belas músicas que se pode ouvir, aqui deixo a minha interpretação da referida música.

Na minha opinião e tendo em conta tanto a letra como a música tenho o forte sentimento que se trata de uma história contada na primeira pessoa. A história de alguém que com o seu amor, viveu a hora mágica em que algo de muito grandioso poderia acontecer. "I had a plan, was all made up, an angel was sent for keeping all troubles away" e "I had a plan, a simple plot, I held out my hand as if she'd never pushed it away"

Contudo, o momento tão perfeito, não foi eterno e as coisas prazerosas que foram feitas foram também actos assassinos que impediram algo de muito mais grandioso de acontecer. Não sei especificar o quê, porque é uma música e uma letra sujeita a interpretação, obviamente. Na minha cabeça tenho algo de muito claro, mas não vou partilhar porque cabe a cada um encontrar em si mesmo ou perto de si as dezenas de situações em que estamos a fazer algo que nos dá prazer, por vezes de forma exagerada, e perdemos algo de muito bom no processo, porque fomos egoístas e nos viramos apenas para o nosso prazer individual, deixando coisas, muito mais importantes e gratificantes para a nossa vida, de lado.

Portanto pode-se dizer que a história em si é triste. É a história de alguém que se acaba a virar para coisas pequenas ("The God Of Small Things" era o nome original da música) em busca do que perdeu. Alguém que apesar de procurar sabe que nunca vai encontrar. Daí o nome Magic Hour. A hora mágica passou e não volta e há oportunidades que só as teremos uma vez na vida e deveremos agarrá-las com as duas mãos. É a história de alguém desiludido, até com os seus amigos. Com tudo.

A música termina com um murmúrio "There is room that you can trust, for anything like us". Repetido como alguém sussurrando pelo meio das suas tristezas implorando por um pouco de conforto e compaixão.

É complicado eleger uma música que seja a melhor de todas. Mas esta é certamente uma que estaria num eventual debate. Toda a ambiência da música. Um som quase orquestrado em que as guitarras eléctricas não soam a guitarras eléctricas e a bateria apesar de ser tocada de forma convencional, limita-se a desempenhar o papel de uma chuva leve e envolvente que dá uma atmosfera única e fabulosa à música.

Aqui fica o vídeo e a letra. Se ouvirem sintam toda a música. Esta é uma das músicas mais brilhantes que algum dia poderão ouvir. Por mim falo e tenho a certeza que muita gente pensa o mesmo. Não há um dia em que não me arrepie a ouvir esta música e não sinta algo a empurrar-me para uma emoção forte.

Não há palavras para descrever esta música.




I had a plan, was all made up
An angel was sent, for keeping all troubles away
'Cause lady and I, we could not stop
As cool as a sigh, as volatile as something to say

I had a dream, a simple plot
I held out my hand, as if she'd never pushed it away
The sun is still there, except it's not
Beside her I care to linger even though it's not safe.

Godawful I adore you
Angels were there before you
Nothing can stop what we do
It's breaking us up in two.

Hey maybe should we ask it
Could her friends be worthier.
Like things we trust for if we must
We must burn them.
And burn them good, real friends they would
Be understanding if it came to us
And us we must - we must turn to
The God of Small Things
The God of Small Things.

I had a plan, was all made up,
As good it was then the magic hour seemed to be fading.
'Cause lady and I we could not stop
As cool as a sigh, as murderous as something to say.

Godawful I adore you
Angels were there before you
Nothing can stop what we do
It's breaking us up in two.

There is room if you can trust
For anyone like us ...

dEUS é...

Ideal Crash.






A recordação de tardes de verão quentes, cá dentro. A recordação de uma energia constante, de uma vontade de dançar, de conhecer, vontade de ir ao ar e permanecer, permanecer onde ainda permaneço. Vontade de me evadir nesta música, de absorver cada notazinha, cada tempo, cada verso dentro de mim e não largar! Ouvi esta música TODOS os dias, a música e o disco, mas esta música foi das primeiras a encantar-me, com toda a sua inocência, com toda a sua verdade e diversão, a emoção que uma música a sério pode transmitir, e hoje traz-me a alegria de (não só continuar a ouvi-la e a apreciar cada bocadinho) me ter apaixonado ao som desta música, desta banda, e deste disco em particular, que me fez companhia sem igual, e que hoje marca, e me traz todos os sons, os cheiros, as sensações e a alegria que me é tão especial.

Tenho muita sorte. A banda sonora do início da relação que me irá durar para a vida não tem igual. E vai sempre ser para mim algo de inexplicável e de muito mágico, da simplicidade das coisas pequenas.
dEUS é a música que ilustra as horas que passo, dEUS é tudo aquilo que eu penso e sinto cantado, dEUS é as minhas convicções em versos, dEUS é a minha alegria em lembranças e é a melhor música para andar na rua, por comboios e por parques dez centímetros acima do chão, em dias de verão e com a segurança da sua mão! (e para todos os outros dias)

Stay by my side, it's sexy
The way that we talk about stuff
The way that we laugh with love
The way that we're falling off

Stay by my side. I want you
Continue the theme that's us
Even though it's only lust
The painkiller side of this life.

cRASH, you're life been sucking cause you wanna mess around
Can anybody down you with a cRASH
Another way of saying that you like to make it up as you move along. If it's a lot,
Show 'em what you got!
cRASH you're gonna go to hell with a certain inclination
Try and make it sell and then you cRASH,
You're gonna have to take yourself out of circulation into something else
If it's a lot, show them what you got
Right now I need my hands, to cover this shit up
I need my eyes to see where I'm going, and I need someone...

My Ideal Crash *my ideal love*

The Ideal Crash


Este post não se pode dizer que seja bem um review, é mais a experiência de ouvir um disco, neste caso «The Ideal Crash» dos dEUS. É uma espécie de descrição com a minha interpretação das músicas e aquilo que sinto acerca delas. Sendo assim ficamos assim combinados! Cá vai:


Ideal Crash

Silêncio. Faixa um. Um som esquisito aparentemente concebido por uma guitarra e começa. Uma música bem rock, com guitarra constante e com uma letra dupla, significados e frases um pouco dispersas, provavelmente sobre droga provavelmente sobre amor. Mas nada em concreto, mais uma música com um tom esquizofrenico, cortesia dos dEUS. Put the freaks up front, venham eles!

Faixa dois, melodia calma acompanhada de um sussurro até à entrada melodiosa da voz de Tom Barman a contar a história de um homem que matou a sua namorada e passa por três estados de espirito. O primeiro, é o estado de arrependimento "Oh my sweet sister dew what have I done?". O segundo a tentar justificar o acto "Tell me sister, please I didn't have a choice". O último maléfico "Please forgive me if I, I keep on smiling But every sad story has a funny side in", todos estes estados acompanhados pela evolução da música, os sussuros iniciais podem ser interpretados como o grito abafado da namorada ao morrer e que mais tarde voltam à sua cabeça na descrição do momento. A música volta à calma final antes se desvanecer no som de um bar ou restaurante.

Do ruido do restaurante alegando a ligação entre duas histórias que podem ser contadas em qualquer local comum onde nos podemos também cruzar com aqueles que as vivenciaram. Para a história de uma pessoa que viu a sua relação terminada e que espera eternamente "where the nighthawks fly". Espera que a sua amada o vá procurar depois de a ter encontrado e de a ter perdido, mas ela não volta e ele cai e deixa-se cair "Down on the floor, got a closer look to hell, somebody pushed me I jst pretending that I fell" a acabar numa confissão de auto clausura de alguem que vive "Weirding out strangers and laughing at those...Not that we're special it's just that we're Closing in on a place where we might get to be Living real people regularly Send you some stuff and be good like you asked..."

Faixa quatro. Sobre alguem que tem um plano a executar numa hora mágica, que se vai, gasta em algo supostamente mais importante "as cool as a sigh, as murderous as something to say". Uma musica quase em forma de oração, virada para "the God Of Small Things" com uma melodia calma, numa guiatrra limpa um pequeno interludio com violino, com a musica a crescer até se desvanecer ao som de uma guitarra encantadora com os expressivos versos "There is room if you can trust, for anyone like us".

Stay by my side, é assim que começa a colisão perfeita, num carrossel de guitaras distorcidas, pianos e sintetizadores onde não se distingue bem o que é que faz o quê com uma batida no mínimo diferente, e cantada atraves de dois canais, um distorsido e um limpo, numa musica sobre amizade ou sobre amor onde alguem liberta outro sem realmente libertar "Stay by my side it's over ... Stay by my side I want you". Soa a alguem que lamenta por algo que correu mal mas que quer recomeçar apesar da poeira de da dor que sucedeu. Belíssima e comovente musica e na minha opinião uma das melhores interpretações de Tom Barman.

The instant street. Há quem aprecie imenso esta música. Eu sou um deles. Uma melodia inocente e que soa quase a infantil, com uma voz quase colegial a cantar uma letra para muitos sobre droga, mas para mim sobre o fim do "nojo" após a quebra de uma relação. O reconhecimento da sorte em ter tido aquela pessoa ao nosso lado, ainda que a perda nos faça ter reacções desreguladas "when on every single impulse, on every other move I react". A passagem à fase seguinte "This pain in my side, I had enough, this time we go for instant street...". pode ser visto como alusão às drogas no efeito instantaneo "instant stuff" e que acaba, mas para mim é mesmo sobre amor. Dito o poema um dos mais fascinantes solos de sempre, simples, directo e arrebatador. Dois minutos em que camada sobre camada a musica vais crescendo sempre acompanhada pelo violino a subir até tudo se conjugar num ritmo forte, solo simples e um climax espectacular a terminar a musica. Sublime.

Faixa 7. Magdalena, uma ex namorada de Tom Barman. Dá a impressão que ele queria se mover para outro sítio, vontade não partilhada pela Magdalena. Ou então que ela o deixou e ele está a descobrir como se virar e seguir o caminho "I wanna move, don't figure out much, into the new, out o the blue, out of the darkness". Uma música que caminha do nada para um fim ruidoso e confuso a terminar numa guitarra bela e harmoniosa a deixar entender que a história não acabou de forma muito alegre.

EVERYBODY'S WEIRD. Todos estamos bem até alguem nos chatear. "You're such a lovely guy, but it doesn't take so much, to get all there is out, all the dirt and all the sludge". Afinal não somos assim tao estranhos, embora aos olhos dos outros possa parecer irrflectido. A música também pode ser encarada como uma critica aos posers "And everybody's weird, and they all think they're God" ou àqueles que se acham no direito de criticar porque não há defeitos a apontar-lhes. Contem também os versos mais estranhos do disco
It's easier to trust
If it comes down to this my friend
I will help you if I must
I will kill you if I can
Experience is cheap
And you know that in the end
I will kill you if I must
I will help you if I can
A parte de "I will help you if I must, I will kill you etc" deve ser creditada a Leonard Cohen. Song For Isaac.A música em si contem uma sample de uma voz feminina a repetir ciclicamente o titulo da musica, musica também que se dá um pouco à electronica e que vê os seus decibeis aumentarem com o tempo. Uma participação bem activa do violino nesta musica.

Let's see who goes down first, letra sobre uma doença mental da qual Barman foi vitima e que o pôs completamente aluado durante uns tempos, acho que é um pouco de revolta contra a doença e a sua luta tal como o titulo indica. O poema em si vai caminhando em direcção à loucura e demencia voltado a si com a frase "Next time it calls me I'll be ready, because I KNOW". A unica musica do disco em que Barman não deu opinião composta por Craig Ward e Klaas Janzoons. A melodia em si um pouco esquisita a inicio e à base de muitas progressões de guitarra diferentes, acompanhados por um sample de percussão. Sobe, sobe, sobe até ao auge no verso "Next time it calls me I'll be ready, Because I KNOW!". Gosto particularmente desta frase, pois é um contra senso sobre a doença "It doesn't lose it just lets you win".

10 e o sonho na última pérola do disco. A música e a melodia transportam quase para a dimensão dos sonhos, algo que não sei explicar, mas que a musica transmite. Mais uma vez parece ser sobre uma relação mal terminada e um pouco à semelhança da terceira faixa do disco One Advice, Space e instant street, parece simbolizar um pouco o fim do "luto" "My little dreamone, you're okay, I'm thinking about you everyday" mais à frente "I'm getting better everyday, I just don't care what they say" Uma musica que sobe também mas não como as outras, esta sobe de intensidade mas sem acrescentar muito ao som. Dream sequence é o nome.

E assim se chegou ao fim da audição do disco mais bem conseguido e regular (não o melhor) dos dEUS, com melodias bem estruturadas e sem grandes devaneios ou loucuras a tomar conta das musicas, um disco com muito génio dos cinco mas principalmente Craig Ward e Tom Barman deixando saudades nos fans uma dupla de composição tão boa e assente. Um disco gravado em Espanha e durante o qual, segundo Craig Ward, os membros da banda não se falavam, contando mesmo o episódio da fractura no pé do baterista que quando voltou viu as musicas completamente alteradas e perguntou "AH isto agora está assim?" ninguem lhe respondeu.Um disco composto numa base acustica e que em várias músicas mostra a habilidade dos dEUS em fazerem músicas que progridem até um ponto alto assim como, magic hour, instant street, magdalena, let's see who goes down first e dream sequence.Espero que deixe aqueles que nunca ouviram o disco com àgua na boca para o conhecer. Vale a pena.

dEUS - A Biografia Completa

Para começar o nome. Há várias versões quanto ao nome, há quem diga que Tom Barman se baseou num disco das Sugarcubes, das quais faziam parte Bjork, chamado Lifes too good que continha uma faixa chamada Deus. Há também a hipótese de querer dizer mesmo Deus no verdadeiro sentido que a palavra assume em português. Contudo o nome tem ainda a questão das Maiúsculas invertidas. dEUS. Maiúsculas invertidas são um simbolo do diabo. Mas há cinco hipóteses.

dEUS

dEUS é escrito com D pequeno porque eles não pretendem ser deuses.
dEUS é escrito com D pequeno porque é fixe.
dEUS é escrito com D pequeno porque sobressai na impressão.
dEUS é escrito com D pequeno porque o tecnico de impressão esqueceu-se do Caps Lock ligado quando escreveu o nome.
dEUS é escrito com D pequeno para que fiquemos todos a pensar porquê com D pequeno.

Versão oficial de Tom Barman diz que foi só para parecer melhor pois ele não gostava da forma normal de escrever Deus. A maneira de se pronunciar em inglês é como Play Us.

Pois então. dEUS foram formados em 1991 por Tom Barman e Stef Kamil Carlens semanas depois de terem tocados juntos numa jam session em Antuérpia.
A primeira formação consistia nos seguintes elementos que atingiriam a Final da Humo Rock Rally na Bélgica. Tom Barman (vocal e guitarra), Stef Kamil Carlens (vocal e baixo), Klaas Janzoons (violino), Oliver Defossez Deajean (harmónica), Mark Mayers (guitarra) e Mark Willems (bateria). Ficaram em nono na competição e fizeram uma pequena tour em Espanha.

No regresso a Antuérpia Mark Willems e Mark Meyers saíram e entraram Julles de Borgher (que era o condutor da carrinha de material dos dEUS) e Rudy Trouvé pintor e guitarrista bem mais experiente que os outros membros da banda. Assim esta formação partilhava influências por bandas como Captain Beefheart, Tom Waits e influências do Jazz como John Coltrane e apresentavam o seu show de uma forma totalmente livre e quase que improvisada acentando num estilo que abrangia desde prog rock a folk, jazz e punk. Na Bélgica abriram para várias bandas. Gravaram as suas primeiras demos que acentavam numa música ziguezagueante e irregular atravessando imensos estilos. Ainda em 1992 Peter Vermeersch (X-Legged Sally) e Pierre Vervloesem produziram o EP lançado em nome individual chamado Zea. Uma publicação muito rara entre fans portugueses que contava com três faixas. Zea, Great American Nude e Right as rain. Este Ep apenas foi lançado em 1993.

No fim do ano assinaram pela editora BANG e foram pra estúdio gravar o seu primeiro album lançado em Fevereiro de 1994. As actuações em Glastonbury e na abertura de um concerto da banda Girls Agains Boys chamaram a atenção da Columbia e da Island sendo que no final de Junho assinaram pela Island em Julho foi lançado internacionalmente o primeiro single. A caótica e brilhante Suds & Soda.

WCS

Seguiram-se vários concertos pela Europa em que nunca tocavam a mesma música duas vezes da mesma maneira e os shows incluiríam até artistas circenses em palco numa encenação caótica e nem sempre bem sucedida. Em Outubro de 94 foi lançado na Europa o disco Worst Case Scenario por mão da Island. O disco foi aclamado pela crítica recebendo até nomeação para os prémios MTV. O disco é uma mescla de estilos misturados com muita loucura e e um caos tremendo tornando cada musica mais imprevisível que a outra.

Uma extensiva tour por 17 países se seguiu sem Julles de Borgher nos primeiros 4 meses devido a uma fractura do tornozelo. Didier Fontaine, baterista de sessão, substitui-o. Nessa altura sai também o bootleg Hard Nights Daze. Gravado na capital inglesa em 15 de Março de 1995. Os outros singles foram a enigmatica Via, e a cinematografica e tensa Hotellounge (be the death of me). Refira-se que este bootleg não é oficial.

MS=

Junho de 1995 é lançado My sister = My Clock. Um trabalho quase surreal que consiste numa faixa de 25 minutos em que vêm 13 esboços de projectos de todos os membros da banda. Só disponivel por encomenda postal. Este lançamento marca também a saida de Rudy Trouvé que saiu para se concentrar nos seus imensos projectos.Foi susbsituído em Agosto pelo escocês Craig Ward que tocava com Tom Barman e Carlens na banda tENERIFE e já havia participado em algumas músicas dos dEUS.

A banda pára de dar concertos para se concentrar na gravação do seu segundo disco In a Bar Under The Sea. Escrito depois de Pukkelpops e Lowlands, Barman compôs 7 músicas, Ward 1 e Klaas uma também.

Porduzido por Eric Drew Feldman dos Captain Beefheart, este disco teve a sua primeira audição em Theme From Turnpike.

IABUTS

Baseada num riff de Charlie Mingus (Far wells, Mil valley) os dEUS adicionaram camada sobre camada de instrumentos, com uma voz sombria e distorcida a culminar num climax quase industrial. O video desta música abriu para o filme Trainspoting por toda a Europa e consistia em Seymour Cassel a caminhar pelas ruas de Paris com Sam Louwick, dançarino, a fazer figuras quase esquizofrénicas no percurso. Este video foi filmado como abertura de um filme inexistente. Refira-se também que este videoclip foi exibido em toda a Europa antes do filme "Trainspotting". Em Agosto de 1996 lançaram a "poppy" Little Arithemtics que só não teve mais sucesso comercial muito provavelmente por causa do caos que se instala no final da música.

Stef Kamil Carlens deixa a banda logo a seguir para se concentrar na sua banda Beatband, mais tarde Moondog Jr. e actualmente Zita Swoon. (versão não-oficial é de que terá deixado os dEUS depois de um desentendimento entre a namorada dele e Tom Barman). Para substituir veio o não tão original, mas não menos virtuoso Danny Mommens que também tocava nos tENERIFE. Perto do fim do ano é lançado Roses como single.

Uma música bastante calma com uma aceleração chocante de dois segundos que é o interruptor que liga o caos paranóico que evolui daí até ao fim.

No Reino Unido abriram shows de Placebo e nos EUA abriram para os Morphine e os Blur tendo tocado no South by Sothwest em Austin, concerto que lhes valeu excelentes críticas.
O último single deste disco foi Fell off the floor, men! que é uma musica que consiste numa mistura de rock e rap com harmonizações e batidas complexas. No final de 1997 Tom Barman e Craig Ward deram vários concertos acústicos na Bélgica terminando assim o periodo In a Bar under the sea.

Ainda neste disco está aquela que é considerada pelos fans a melhor música de sempre dos dEUS. O épico Gimme the heat.
Também neste disco está aquela que é considerada a pior música de sempre dos dEUS. A realmente esquisita Shocking Lack Thereof, a única música apenas escrita pelo violinista Klaas Janzoons.

Grande parte do ano de 1998 foi passado em Ronda, Espanha.

dEUS com a produção de David Botrill lançaram o disco mais regular da banda mas não menos brilhante.
The Ideal Crash é um disco que alterna entre a sombra e a luz onde aparece aquela que é para mim a pérola mais brilhante dos dEUS. Magic Hour.

TIC

O primeiro single, Instant street, uma música muito fácil de se gostar, bastante alegre e de uma simplicidade aparente apaixonante que se esborracha num final extasiante e caótico. Foi lançada em Fevereiro de 1999.

Este é também o primeiro disco sem a participação de Carlens e Trouve. É um disco que revela mais em cada audição e considerado por alguns uma obra prima do pop-rock. Não tem uma música má.
Uma extensiva tour com mais de 100 concertos se seguiu. Os concertos desta altura eram muito bons sendo uma das melhores bandas ao vivo da Europa e também uma banda estabelecida como uma das melhores bandas alternativas numa altura em que dominavam os Radiohead. Alguns críticos musicais belgas consideram que se os dEUS fossem Ingleses ou Norte Americanos teriam facilmente atingido o estatuto de bandas como os Radiohead ou R.E.M. cujo vocalista Michael Stipe é um admirador confessos dos dEUS.

Sister dew uma música sobre um homem que assassinou a sua namorada e que passa por três estados de espírito diferentes foi o segundo single. O terceiro e último single foi The ideal crash que consiste num carrossel de som assinalando uma pequena incursão electrónica da banda.

Cerca de 800.000 discos vendidos e o fim da década marcam o fim do glorioso ciclo dos dEUS. 5 anos de interregno se seguiram onde Barman aproveitou para realizar a sua primeira longa metragem "Any way the wind blows". Em 2004 a banda lança No more loud music e No more video, um cd e um dvd respectivamente com os maiores sucessos da banda. A nova música Nothing really ends figura no disco mas foi lançado em single também para que os fans não tivessem de comprar um cd por causa de uma música.

No more loud music

A banda reúne-se mas o ego de Barman e o ego de Julles de Borgher chocam numa absurda discussão sobre quem era o dono da banda (não oficial). De Borgher deixa a formação e é substituído por Stephen Misseghers ex soulwax. No fim da participação nos dEUS De Borgher diz que o momento mais alto da carreira dele foi quando no fim de um concerto o baterista de Radiohead, Phil Selway, o abordou e disse que dEUS era uma das suas bandas de eleição.

A banda começa a ensaiar para o novo disco num período conturbado onde o enorme ego de Barman terá levado à saida de Craig Ward e Danny Mommens. Craig Ward argumentou não querer mais fazer tournees extensas pois queria dedicar-se à família. Curiosamente poucos meses depois Carig Ward lança dois discos com Mauro Pawlowski e Rudy Trouvé, The Love Substitutes e um disco experimental intitulado "Pawlowski/Trouvé/Ward". Danny Mommens juntamente com a sua esposa formam os Vive La Fete e Danny sai dos dEUS para se dedicar exlusivamente ao projecto.

Assim Barman para terminar as gravações chama Alan Gevaert, baixista belga com pouco currículo e o improvável Mauro Pawlowski. Improvável porque esperava-se que Tim Vanhamel fosse o escolhido pois havia feito a tour do Ideal Crash com os dEUS e é considerado o mais talentoso guitarrista rock da Bélgica. Mauro Pawlowski que tocou com Tim Vanhamel nos Evil Superstars é também considerado uma lenda na Bélgica dada a sua extraordinária capacidade de lançar material novo sendo que consta que já tocou com 432 bandas diferentes, para além dos Evil Superstars e Mitsoobishi jackson. Os trabalhos deste homem vão desde música para teatro de marionetas até composições para musicais.

Pocket Revolution sai em 2005 e é um disco totalmente sombrio. Bad timing é o primeiro de três singles pessimamente escolhidos. Bad timing é uma excelente música mas peca por ter SETE minutos, embora a sua composição seja extraordinária dada a forma como se adiciona camada sobre camada para atingir o topo.
7 day 7 weeks sucede. Uma música banal demais para a banda em questão, isto quando no disco se encontram músicas como Nightshopping, Cold sun of circumstance, Sun Ra e If you don't get what you want e até a prórpria Pocket Revolution.
Por fim What we talk about (When we talk about love) é uma música sofrivel no disco mas bastante interessante ao vivo.

Pocket Revolution

Barman durante a tour e depois de um concerto em Lille decide acabar com os dEUS no fim da tournée. No show seguinte em Paris volta atrás na decisão após ter experienciado (segundo ele) um dos melhores concertos de sempre da banda.

Uma tour com 150 concertos em 4 continentes serviu de acentação para a formação actual que partiu para a composição de um novo disco.

0110

O fim desta tour foi no evento 0110 organizado por Tom Barman e consistia num festival de 1 dia em Antuerpia, Bruxelas, Charleroi e Gent com várias bandas belgas numa manifestação a favor da tolerância e contra o racismo. Do qual falaremos mais noutro post.

Após o final da tournée os dEUS entraram de imediato em estúdio, Tom Barman, contagiado pela velocidade com Mauro Pawlowski lança material em projectos diferentes, esperou apenas um ano para lançar um novo disco. A tour acaba em 2006 e nos finais de 2007 o album está quase pronto.
Durante a produção deste album os dEUS conseguiram também concretizar o projecto de criar o seu próprio estúdio ao qual chamaram Vantage Point.
Este estúdio localiza-se numa propriedade do violinista Klaas Janzoons e podem ser vistas algumas partes do mesmo no espectacular website que a banda criou com vistas panorâmicas do estúdio e das suas divisões. O disco que saiu chamou-se também Vantage Point.

Vantage Point

A qualidade deste disco é boa mas não compete com as pérolas Ideal Crash, Worst Case Scenario ou In a Bar Under The Sea. É um disco obviamente diferente numa vertente mais light. É um disco bastante mais fácil de ouvir que os primeiros e até mesmo que o antecessor Pocket Revolution. Os destaques deste album vão para o single Slow, uma música bastante sinistra com cantos gregorianos lá pelo meio e que conta com a participação de Karin Dreijer Anderson dos Knife.
O outro single foi Architect, uma música para pôr toda a gente a dançar. Simples mas viciante. Favorite Game foi o útlimo single e é uma música de rock bastante bem feita e conjugada com um lirismo um pouco ácido.

Das restantes citamos Oh Your God, psicadelismo e velocidade numa música exfusiante, Eternal Woman, a qual ganhou prémios para melhor videoclip em vários festivais de cinema. Lá no meio do disco aparece uma música fenomenal, Is a Robot. Excelente música desde a letra à sonoridade um pouco ácida e agridoce. Depois há Smokers Reflect, Vanishing of Maria Schneider, When She Comes Down que são músicas bastante aceitáveis. A última música chama-se Popular Culture, uma música bastantes furos abaixo do nivel da banda, mas bem, a gente perdoa.

Os concertos desta fase são de excelente qualidade, a banda firme e segura começa com setlists onde essencialmente figuram músicas dos dois últimos albuns de originais deixando os três primeiros albuns desprezados, essencialmente The Ideal Crash cuja única música presente nos concertos era a inevitável Instant Street. Fez-se notar descontentamento entre alguns fans dos dEUS e a banda na sua tour de outono introduziu jóias mais antigas como Little Arithmetics, Let's see who goes down first, Everybody's Weird, Magdalena, Morticiachair e até a mítica Gimme the Heat. Durante o Outono a banda também tocou uma música nova chamada, Dark Sets In. Neste momento os dEUS são uma banda afirmada no cenário europeu e são das melhores bandas europeias ao vivo. A mistura da exuberância de Tom Barman, com a postura e calma de Klaas Janzoons e a ausência permanente em que Mauro Pawlowski parece viver fazem desta banda um exemplo de mistura de ideias. Sempre com muita humildade e respeito pelos fans.

Uma banda simples e que os verdadeiros fans têm dificuldade em partilhar pois é tão especial que dá vontade de guardar só para nós.Agora a banda está em processo de criação e gravação do próximo disco, ainda não se sabe absolutamente nada do novo disco nem sequer uma data aproximada de publicação. Apenas que será em 2010, dado que até então Mauro Pawlowski vai estar ocupado com a companhia de teatro a Ultima Vez de Wim Wandekeybus.

Entretanto e comemorando os 15 anos da edição do primeiro disco da banda os dEUS reeditaram Worst Case Scenario com o disco original remasterizado, um cd de b-sides e um dvd com um documentário chamado "Time is the state of my jeans" e algumas performances ao vivo da época.