Musicalidades III

dEUS - My Little Contessa

Album - Theme From Turnpike (CD Single) 1996



Esta música não tem letra. Apenas instrumental pelo que apenas ouvindo é que se pode tirar ilações. Esta música é carregada de um ambiente sinistro que várias vezes alterna para o assustador e aterrador.
O instrumental é basicamente piano e violino compassados com uma bateria intermitente. Duas explosões estranhas ocorrem na música, com duas sequências de violino e guitarra distorcidas.
Eu consigo imaginar uma viagem a pé, por entre igrejas abandonadas e cemitérios assustadores. Casas com as cortinas corridas mas iluminadas pela luz ululante de velas. Sombras assustadoras em noite de lua cheia e escuridão total enquanto os nossos passos se fazem acompanhar por um roçagar constante e ensurdecedor para a cabeça de quem está assustado.
Acreditem que já vi esta música num vídeo sobre um castelo bastante banal em Portugal. Com a My Little Contessa no fundo tudo se torna mais medieval naquele video. Parece que a qualquer momento as setas vão começar a caír e os escudos vão começar a embater uns nos outros como nas batalhas da Idade Média.
Toda a ambiência da música é fabulosa e é certamente um dos meus instrumentais preferidos.
Gostaria apenas de realçar que esta música foi escrita pelo violinista dos dEUS, Klaas Janzoons, que na banda não tem muita preponderância. Por isso aqui é uma boa forma de observar o que representa este senhor.

#1 - Magic Hour - dEUS
#2 - My Little Contessa - dEUS
#3 - Achilles Last Stand - Led Zeppelin
#4 - Tea For One - Led Zeppelin

O significado da Magic Hour

Há uns dias reparei nas estatísticas do blog que alguém chegou cá através da pesquisa "significado da música the magic hour deus". Sendo assim e dado que é uma das mais belas músicas que se pode ouvir, aqui deixo a minha interpretação da referida música.

Na minha opinião e tendo em conta tanto a letra como a música tenho o forte sentimento que se trata de uma história contada na primeira pessoa. A história de alguém que com o seu amor, viveu a hora mágica em que algo de muito grandioso poderia acontecer. "I had a plan, was all made up, an angel was sent for keeping all troubles away" e "I had a plan, a simple plot, I held out my hand as if she'd never pushed it away"

Contudo, o momento tão perfeito, não foi eterno e as coisas prazerosas que foram feitas foram também actos assassinos que impediram algo de muito mais grandioso de acontecer. Não sei especificar o quê, porque é uma música e uma letra sujeita a interpretação, obviamente. Na minha cabeça tenho algo de muito claro, mas não vou partilhar porque cabe a cada um encontrar em si mesmo ou perto de si as dezenas de situações em que estamos a fazer algo que nos dá prazer, por vezes de forma exagerada, e perdemos algo de muito bom no processo, porque fomos egoístas e nos viramos apenas para o nosso prazer individual, deixando coisas, muito mais importantes e gratificantes para a nossa vida, de lado.

Portanto pode-se dizer que a história em si é triste. É a história de alguém que se acaba a virar para coisas pequenas ("The God Of Small Things" era o nome original da música) em busca do que perdeu. Alguém que apesar de procurar sabe que nunca vai encontrar. Daí o nome Magic Hour. A hora mágica passou e não volta e há oportunidades que só as teremos uma vez na vida e deveremos agarrá-las com as duas mãos. É a história de alguém desiludido, até com os seus amigos. Com tudo.

A música termina com um murmúrio "There is room that you can trust, for anything like us". Repetido como alguém sussurrando pelo meio das suas tristezas implorando por um pouco de conforto e compaixão.

É complicado eleger uma música que seja a melhor de todas. Mas esta é certamente uma que estaria num eventual debate. Toda a ambiência da música. Um som quase orquestrado em que as guitarras eléctricas não soam a guitarras eléctricas e a bateria apesar de ser tocada de forma convencional, limita-se a desempenhar o papel de uma chuva leve e envolvente que dá uma atmosfera única e fabulosa à música.

Aqui fica o vídeo e a letra. Se ouvirem sintam toda a música. Esta é uma das músicas mais brilhantes que algum dia poderão ouvir. Por mim falo e tenho a certeza que muita gente pensa o mesmo. Não há um dia em que não me arrepie a ouvir esta música e não sinta algo a empurrar-me para uma emoção forte.

Não há palavras para descrever esta música.




I had a plan, was all made up
An angel was sent, for keeping all troubles away
'Cause lady and I, we could not stop
As cool as a sigh, as volatile as something to say

I had a dream, a simple plot
I held out my hand, as if she'd never pushed it away
The sun is still there, except it's not
Beside her I care to linger even though it's not safe.

Godawful I adore you
Angels were there before you
Nothing can stop what we do
It's breaking us up in two.

Hey maybe should we ask it
Could her friends be worthier.
Like things we trust for if we must
We must burn them.
And burn them good, real friends they would
Be understanding if it came to us
And us we must - we must turn to
The God of Small Things
The God of Small Things.

I had a plan, was all made up,
As good it was then the magic hour seemed to be fading.
'Cause lady and I we could not stop
As cool as a sigh, as murderous as something to say.

Godawful I adore you
Angels were there before you
Nothing can stop what we do
It's breaking us up in two.

There is room if you can trust
For anyone like us ...

Uma opinião diferente

Há uma coisa que a geração de jovens de hoje em dia não quer ouvir.

A vida é dura. Tem que se trabalhar muito para se chegar a algum lado. São mais as dificuldades que as facilidades. São mais as pessoas contra nós do que as pessoas a nossa favor. São mais as coisas que não gostamos do que as coisas que gostamos. São mais as coisas que nos puxam para trás do que as que nos empurram para a frente.

Isto obviamente tem a ver com a palhaçada que se instala em Portugal por causa da porcaria de uma música que diz e afirma algumas incoerências latentes na geração jovem da actualidade.

A música dos Deolinda, tal como disse aqui ontem, é incongruente com a postura criticada no Movimento Associativo Perpétuo. Se é certo que Movimento Associativo Perpétuo se referia a uma faixa etária mais velha que está actualmente em posse de mais poderes no nosso país, também é verdade que esse tratamento já se alastrou e muito aos jovens que entram agora no mercado de trabalho. Quanto menos se faz, menos se quer fazer.

Era bom que houvessem mais empregos e isso tudo e que os que há não fossem maioritariamente precários. Aliás, era bom que o mundo fosse perfeito. Mas não é. Por isso parem de bater com a cabeça na parede por causa disso. Não adianta. Não quero eu dizer que as pessoas não têm o direito à revolta ou ao sentimento de injustiça. Claro que têm.

Há vários problemas. E passo a citar notícias e a acrescentar os meus comentários.

"O tema novo reflecte as preocupações de uma geração que não tem emprego fixo, vive em casa dos pais e adia ter filhos porque não tem dinheiro."Sou da geração sem remuneração/e não me incomoda esta condição/Que parva que eu sou!/Porque isto está mal e vai continuar/já é uma sorte eu poder estagiar", canta Ana Bacalhau, vocalista do grupo português. E o refrão foi repetido e replicado nas redes sociais:"Que mundo tão parvo/onde para ser escravo é preciso estudar"."

Este excerto faz parte desta notícia. O tema pode reflectir muita coisa mas até os Deolinda cairam na esparrela de escrever isso na letra, inteligentemente omitida por este grande jornalista mas que eu citarei aqui, o verso completo.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,

se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar

Pois é, os Deolinda aqui retratam essencialmente duas realidades. A primeira. A casinha dos pais é um sítio de que toda a gente se queixa, mas ninguém quer de lá sair. É muito confortável. A segunda é, metade dos jovens portugueses não precisa do carro para nada. Principalmente aqueles que vivem em grandes centros urbanos. Porto e Lisboa têm uma excelente rede de Metro e as outras cidades não tão grandes têm normalmente uma rede suficiente de transportes públicos. Então para quê ter um carro? É que mesmo que se seja casado, a questão é a mesma. A maior parte das pessoas não precisa de carro para nada. Estas duas realidades conjugam-se num terceiro aspecto. Que é o de queixarmo-nos do mundo para dizer que a culpa não é nossa. E não é por um lado, mas é por outro porque cabe a cada um de nós mudar o rumo da nossa vida. E com essa mudança, mudar, progressivamente, as mentalidades. Se todos pensassem em trabalhar, duro. Se todos aceitassem trabalhar no duro numa fábrica, independentemente do curso de engenharias ou da licenciatura em ensino, se todos trabalhassem e continuassem à procura de algo melhor, conseguiriam algo melhor. É muito fácil olhar para o Belmiro de Azevedo e dizer que ele é que está bem, mas esquecemo-nos, ele para lá chegar, teve que trabalhar muito. Muito mais do que aquilo que possamos imaginar.

Eu por acaso já tive oportunidade de ver de perto pessoas que se esfolam a trabalhar. Sempre a viajar, sempre a atender o telefone, em constante contacto por e-mail, mal comem, quando vão para hotéis passam a noite acordados para fazer trabalho, dormem três ou quatro horas etc etc etc. O máximo que eu já fiz foi trabalhar em dois empregos simultaneamente, começava às 8 da manhã e acabava à meia noite. Todos os dias, não havia um dia de descanso. E foi duro. Agora imaginem o que é fazer isso todos os dias durante anos a fio e têm aí o estilo de vida necessário para chegar a algum lado, a pulso.

"A ironia caustica dos Deolinda não só sublinha, exemplarmente, o tipo de sociedade que estamos a construir - com o seu cortejo de injustiças, de negação do mérito e, até, de sublimação do sonho - como questiona de forma implacável, o fatalismo atávico que nos caracteriza "Sou da geração vou queixar-me para quê / há alguém muito pior que eu na TV". É uma letra simples mas poderosa, que o som, de raíz na música popular portuguesa, contribui para reforçar."

Este artigo poder ler-se na totalidade aqui.

Eu acho que se há alguma coisa que esta palhaçada toda sublinha é a falta de pensamento das pessoas, incluindo cronistas e jornalistas. Aqui em Portugal há muito de quem se queixe e pouco de quem trabalha. E normalmente os que se queixam mais, são aqueles que fazem menos. Eu não grito nem concordo com este burburinho que se criou e no entanto hoje quando cheguei ao trabalho tive de fazer todo o trabalho da pessoa que esteve aqui 8 horas a fazer nada. E não me queixo por uma razão muito simples, este local não merece que me desgaste a remar contra a maré, pois noutras ocasiões já teria vociferado contra a injustiça aqui presente. Eu olho à minha volta e só veja gente parva e ridícula que o maior orgulho que têm é poder mostrar o iPhone. É poder mostrar as fotografias que tiraram com um fotógrafo profissional (e que foram bem pagas) para eventuais trabalhos de moda (que é uma das típicas carreiras que aparentemente são fáceis). As pessoas querem a saída fácil. Ser músicos e dar concertos por aí fora e fazer dinheiro, ou então serem jogadores da bola. É o caminho aparentemente fácil, contudo, ao topo, só chegam aqueles que realmente estão dispostos a deixar tudo pela sua profissão, seja modelo, futebolista ou o que quer que seja. É assim que se ganha na vida. Dando tudo e mais alguma coisa. Não apenas enveredando pelo caminho aparentemente fácil e esperar que a vida nos ajude.
O fatalismos dos portugueses, é limitarem-se a conjurar conluios que outros fizeram contra nós. É dizer "Ah o meu patrão não percebe nada, porque no outro dia disse para eu falar menos e trabalhar mais e eu só estava a explicar não sei o quê" ou "Ah as minhas colegas de trabalho estão todos contra mim e de mim não gostam, não sei porquê, devem ter inveja, e por isso é que vim para a rua".
Se há coisa que eu aprendi desde que comecei a trabalhar é que para quem trabalha bem há sempre lugar. E há muita gente que a início trabalha bem mas depois desliza para uma posição cómoda e confortável da qual não querem sair e depois não gostam quando são chamados, e bem, à atenção.

Ah e música popular portuguesa não. Música popular lisboeta, convém esclarecer

Aqui pode-se ler a seguinte declaração.

"E, de repente, uma geração inteira descobriu o seu hino."

E eu digo. Uma geração inteira o caralho. Porque eu concordo muito com o que se diz na Month of May dos Arcade Fire. How you gonna make things right with your arms folded tight? Traduzindo, como é que se vão mudar as coisas de braços cruzados? Os Deolinda só estão a ajudar as pessoas a cruzar ainda mais os braços e a sacudir a água do capote, ao invés de incentivar a trabalhar mais para consegui mudar as coisas. A levantarem a sua voz contra aquilo que é realmente injusto, que é um bando de tipos que andam na universidade a queixarem-se do preço das propinas, mas que possuem todos um belo pópó. Que queixam-se do preço dos livros e dos materiais mas que arranjam sempre dinheiro para a festarola a meio da semana.

Há por aí um dizer que é "Quem não trabuca, não manduca"

Quem não trabalha não pode aspirar a luxos. Não pode estar sempre a comprar discos, a ir a concertos a festas e etc. Não pode ter um carro e em certos casos não pode ter independência.

Quem trabalha não pode dar tudo como garantido. Não pode gastar como se não houvesse amanhã. Quando se fala da crise penso. Ainda não ouvi ninguém a dizer, vou poupar porque está crise e então vou fazer contenção. Eu vejo antes as pessoas a consumir até não poderem mais e então dizem "Ah está crise, não se pode gastar muito" mas já o gastaram.

A música dos Deolinda é o espelho perfeito, não das dificuldades, mas da geração da lamentação. A tal geração precoce que eu falei num post em Setembro de 2010. Uma geração que se resigna a músicas de intervenção de merda e a fazer uns posts no facebook e nos blogues a concordar com a onda. E são todos muito revolucionários, mas o pensamento esse, é o mais comodista possível. Provavelmente estas pessoas vão todas comprar o single o que dá que pensar. Quem ainda não pagou o carro e tem trabalho precário, como vai conseguir o dinheiro? É só uma pergunta.

Podem dizer que sou do contra, mas é assim, esta é a minha opinião, diga-se o que se disser. Da maneira que eu vejo as coisas é tudo uma grande palermice. Apenas mais um tema para os coitadinhos dos jovens dissecarem nas suas tertúlias de fim de semana, que fazem, apesar do carro estar por pagar etc etc.

Se eu tivesse que dar uma mensagem seria.

Estudem bem, aproveitem para se formar, não só nas aulas, mas nos imensos recursos que as universidades dão. Comecem a pensar num plano. Quando sairem dos estudos procurem emprego que vos dê algum dinheiro e tentem pôr o vosso plano em prática, procurando o emprego que querem ou então reunindo o material que necessitam para a vossa própria empresa. E é esperar pelo momento certo para mudar e trabalhar quando a oportunidade certa aparecer. Agarrá-la com unhas e dentes e dar tudo por tudo. E acima de tudo, pensem pela vossa cabeça. Coisa que acontece muito pouco hoje em dia.

Vou colar aqui a mesma letra que colei da outra vez que escrevi sobre a geração precoce:

Air of a temptress
Buxom and bright
We're not missing anything
At least not tonight
Chimera of charm
Innocent of hardship
Luxurious qualm
In a self-darkened daytrip
And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone
We don't really care
If the world is a mess
We are programmed to the grid
Of pleasure and bliss

But arrows or drifters
We all just pretend
That we will not succumb
To the ultimate trend
And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone

We like the attention
But we hate to be judged
As we proudly parade
Where we see others trudge

We are slaves to addictions
That have no effect
And with loving precision
Isn't it love we dissect
And then I'll take you home
Where we live and where we roam
On the bed and on the phone
Don't stop, cause every place you've known
Is a robot zone

Acontecimentos 2011

Pois bem, este post serve para que saibam as coisas pelas quais estamos à espera, para ver ou comprar.

Não que vocês nos queiram ver, mas apenas porque poderão eventualmente tirar daqui algo que achem interessante. Portanto cá vai.

Junho de 2011 - De 1 a 20 de Junho acontece a Feira do Livro do Porto. Ideal para ir dar uma volta ao Porto, comer uma francesinha no Capitólio (um bar de velhos, mas nós gostamos) e comprar a nossa remessa anual de livrinhos.

Julho de 2011 - Nomeadamente dia 15 de Julho. Tudo indica que os Arcade Fire virão ao SBSR. E nós vamos também!

Julho de 2011 - Confirmadíssimos no dia 31 estão os Bon Jovi no Parque Bela Vista. Os bilhetes já estão cá na algibeira.

Abril de 2011 - Sai o novo disco dos almighty dEUS. É uma data pela qual ansiamos porque bem, é só uma das melhores bandas de sempre. E um novo disco significa sempre um novo vício.
Algures, é provável que a gente vá ver os dEUS, porque eles certamente passarão por cá. Mas bem, só após eles lançarem o disco é que haverão datas. Update - O Disco só será editado em Setembro. A editora não tinha capacidade para a produção do disco a tempo de sair em Abril.

Aquela coisa

Hello everyone.

Aqui estou eu para falar da música mais espectacular que se pode ouvir num concerto. É aquela coisa que eu não sei bem explicar, mas esta música tem algo que definitivamente me eleva a novas galáxias de emoção. Na verdade são três músicas. Uma mais que a outra e a outra mais que a terceira. Mas todas elas me tocam bem fundo em sentimentos diferentes.

Escusado será dizer que as três músicas são dessa banda que eu nunca falei aqui antes. Os dEUS. Ora nem mais. Há muita gente que gosta deles, mas daí, apenas um décimo deles deve entender em toda a sua plenitude o que significa gostar dos dEUS e o que é que significa gostar das músicas dos dEUS.

A música que mais excita, apenas pela adrenalina do carrossel de som e esquizofrenia que contem, é a Suds & Soda. É algo naquele violino electro-maníaco-repetitivo, junto com a guitarra marcada à qual juntamos o Tom Barman a cantar quase que num hip hop subvertido num rock, junto daquela voz insistente e poderosa que grita "FRIDAY". É algo nisso tudo que caminha a olhos vistos para uma apoteose que apesar de saber que vai chegar me surpreende sempre de tão intensa que é. Seja Super Sharp ou Sabotage naquela pausa final a música ganha uma força de explosão e êxtase contido que mais nenhuma consegue ter.






Eu estive lá!



A segunda música no meu top é uma música com a qual me identifico bastante até porque foi a banda sonora do período mais feliz da minha vida :)

Começa com uma inocência semelhante àquela que sentimos quando partimos à descoberta. É um fio que puxamos com uma mão de cada vez e que traz sempre qualquer coisa nova, qualquer detalhe novo e delicioso. Na música são as guitarras, o violino ou o piano, a voz e a outra voz que aparece no refrão. É a segunda parte onde nos recriamos num jardim repleto de dentes de leão e felicidade oculta nos sentimentos que não queremos bem mostrar ainda. E volta o refrão agora cantado a dois e que acaba no início do maior splash musical de sempre. Um solo de cinco notas apenas. com uma guitarra, normalmente empunhada por um senhor que deve ser um dos melhores escritores de música de sempre e que sente esta música bem a sério quando está em palco. E ver o violino a subir. A bateria a aumentar a densidade como o pulsar de um coração que caminha para um grande momento de emoção. E a outra guitarra cada vez mais depressa e a música cada vez mais intensa, apesar de parecer impossível aumentar, ela aumenta e na minha cabeça tudo o que aparece são momentos e fotografias que nunca poderei emoldurar mas que estão bem à vista na minha cabeça e no meu coração e que significam mais que tudo para mim e com isto tudo, quando a música acaba naquele fim que se perpetua eu tenho lágrimas nos olhos. Só nesta música.







Nesta versão tal como na seguinte não estive, mas já as vi ambas três vezes. O que é fucking amazing!

Finalmente a outra música desperta em mim algo de mais selvagem. Desperta um bocado a revolta. A sample é repetitiva, mas confiem em mim. Se ouvirem aquilo ao vivo sentem a roupa a tremer com a força daquele som. Um som que não nos deixa olhar para o lado. Chama-nos. A música evolui com uma coisa de cada vez, com uma letra sobre alguém que quer impôr algo com boas maneiras. He said No More Loud Music. E quando a música nos começa a conquistar pelo seu groove e pelo seu jingar (não em ocorre palavra melhor) "I told you once I told you twice" e bum! A música rebenta a intervalos de poucos segundos. Sendo que em cada explosão há sempre algo de novo e mais forte. Ao fim de algumas explosões a banda contenta-se com por tudo no mesmo ritmo, acompanhado de loops maníacos e sinistros, enquanto alguém pergunta "You got something to say? C'mon tell me right now!" sim, eu penso nisso muitas vezes, apetece-me muita vezes perguntar a muita gente se têm problemas e às vezes faço-o e digo o mesmo, forço e tenho vontade de forçar as pessoas a terem coragem para mo dizerem na cara. E depois STOP! e alguém começa a gritar acompanhado por uma guitarra que em breve é toda uma banda num ritmo maníaco e assustador que parece um sonho mas é na verdade um puro momento de adrenalina em que nos excedemos até que a música por breves segundos volta ao ritmo compassado e poderoso em que estava antes, apenas para voltar à adrenalina com a ainda mais força. Como alguém que reforça um argumento e que não esquece o que acabou de dizer e que quer dizer. A música volta ao ritmo anterior apenas para voltar a uma versão reduzida dos gritos que a mim me soa a apenas a "Eu não esqueço! E estás avisado".

Great American Nude

Great American Nude é uma música que pertence ao primeiro disco dos (almighty) dEUS.

A música em si é muito boa, obviamente, contudo hoje falo de uma versão que anda por aí na internet, que é Great American Nude (Strip Mix), que penso que foi editada no cd single Via, em 1994.

Na verdade, não me apetece descrever a música, apetece-me apenas dizer que os dEUS, como sempre, são aquela banda que parece recriar as idealizações da minha imaginação. É muito impressionante como a maior parte das músicas deles ou soam ou falam de algo com que eu me identifico muito.

Esta música, começa com uma voz à qual se vão juntando sucessivas camadas. Primeiro uma voz, depois a bateria, depois a outra voz, depois um baixo e uma guitarra, depois um piano, depois um violino etc.
No início da música vejo alguém a expôr uma teoria, mas à medida que a música progride parece que cada instrumento é um convidado que se junta a uma festa que vai crescendo como uma bola de neve. Com naturalidade. Sem se forçar a ida a um caixote de luzes e sons aberrantes e monótonos. Ou a ida a um sítio onde por norma toda a gente está. Uma festa natural onde até um piano alegadamente desafinado e fora de ritmo fica bem. Onde nada fica de fora e os pormenores não se esquecem, porque os pormenores são feitos por cada um e não pela multidão. Onde cada um tem uma coisa a acrescentar e não se limita a ser o mesmo que os outros. Onde se pode cantar e gritar e inventar teorias sem ser recriminado por não sermos mais do mesmo. Em suma, a festa a que eu gostaria de ir e que não vou porque se existe ainda não cheguei perto de uma.

Esta música desperta esse sentimento. O tipo de festa que eu gostaria e teria prazer em ir. Uma festa onde toda a gente está confortável na sua própria pele. Infelizmente hoje toda a gente tenta ser aquilo que não é.

She had this thing about Aleister Crowley
It finally became an obssession
She had this thing about Aleister Crowley
Turn into a fascination

I don't mean to be rude...
Great American Nude

Burton in a salad bar sweet like a candy bar
No more sugar for a clean genius in quarantine
I mean where's the love, where's the hate
What's a smiling face and a sunburned prostate
For a man that great.
Richard there, Richard here,
Richard quoting Shakespeare,
Back and forth and back again,
To be or not to be a man.
Lizzy's getting dizzy,
she should've known it from the start
Being rich is just a lifestyle
Being alive is just a part

That's what makes a kilo heavier than a gram, mam
That's what makes a kilo heavier than a gram, mam

Pool smart, move fashion
And the crowning on a brown man
Black is butter count the shaky hands
I got a gift from my mother,
She got it for a dime
Maybe she got it from someone else
And I don't mind

But it's just a phase
When i get crazy
Can't tell the picture from a sound
I thought we would just call her
Great american Brown
Great american Brown

You see, I got it from my mother
She got it from a book
Get the gallery connected
Get the clientele to form
Save a demon for a duck

Burton in a salad bar sweet like a candy bar
No more bourbon for a clean genius in quarantine
I mean where's the love, where's the hate,
And what's a smiling face and a sunburned prostate
For a man that great.
Richard there,
Richard here,
Richard picks his final ear,
This was from my mother,
I never asked it back,
Because since I lost her boyfriend,
I tend to allow every man,
To get it to a little try.

Walk that walk,
Talk that talk,
Hey I wanna testify

Great american nude
Take American Express ?

dEUS é...

Ideal Crash.






A recordação de tardes de verão quentes, cá dentro. A recordação de uma energia constante, de uma vontade de dançar, de conhecer, vontade de ir ao ar e permanecer, permanecer onde ainda permaneço. Vontade de me evadir nesta música, de absorver cada notazinha, cada tempo, cada verso dentro de mim e não largar! Ouvi esta música TODOS os dias, a música e o disco, mas esta música foi das primeiras a encantar-me, com toda a sua inocência, com toda a sua verdade e diversão, a emoção que uma música a sério pode transmitir, e hoje traz-me a alegria de (não só continuar a ouvi-la e a apreciar cada bocadinho) me ter apaixonado ao som desta música, desta banda, e deste disco em particular, que me fez companhia sem igual, e que hoje marca, e me traz todos os sons, os cheiros, as sensações e a alegria que me é tão especial.

Tenho muita sorte. A banda sonora do início da relação que me irá durar para a vida não tem igual. E vai sempre ser para mim algo de inexplicável e de muito mágico, da simplicidade das coisas pequenas.
dEUS é a música que ilustra as horas que passo, dEUS é tudo aquilo que eu penso e sinto cantado, dEUS é as minhas convicções em versos, dEUS é a minha alegria em lembranças e é a melhor música para andar na rua, por comboios e por parques dez centímetros acima do chão, em dias de verão e com a segurança da sua mão! (e para todos os outros dias)

Stay by my side, it's sexy
The way that we talk about stuff
The way that we laugh with love
The way that we're falling off

Stay by my side. I want you
Continue the theme that's us
Even though it's only lust
The painkiller side of this life.

cRASH, you're life been sucking cause you wanna mess around
Can anybody down you with a cRASH
Another way of saying that you like to make it up as you move along. If it's a lot,
Show 'em what you got!
cRASH you're gonna go to hell with a certain inclination
Try and make it sell and then you cRASH,
You're gonna have to take yourself out of circulation into something else
If it's a lot, show them what you got
Right now I need my hands, to cover this shit up
I need my eyes to see where I'm going, and I need someone...

My Ideal Crash *my ideal love*

Bem-vindos à geração precoce (sarcasmo)

A juventude de hoje em dia é muito precoce. Começam a mexer em telemóveis cedo, começam a fumar mais cedo, começam a beber (cough, cough. A apanhar bebedeiras) mais cedo, trabalham com computadores mais cedo, acedem à internet mais cedo. etc etc. E então pergunto-me.


PORQUE É QUE CRESCEM TÃO TARDE?


Sim, a juventude de hoje, numa extensão dos 15 aos 30 anos, cresce muito mal.

A mim dá-me vontade de vomitar, ver pessoas com 25, 28, 30 anos, ainda na universidade. Dá-me vontade de vomitar naqueles casos em que por pura inércia, alunos se mantêm a arrastar num curso que nunca mais acabam. Pessoas (se souberem de um termo mais apropriado digam) que veem os pais, os padrinhos, os avós e outros benfeitores a pagar propinas atrás de propinas e acham perfeitamente normal. E o problema é que não são uns anormais isolados, são cada vez mais. De certeza que por aí algures há pessoas que entram na universidade e encontram lá tios, encalhados na universidade.


- Vozes do outro lado do monitor "Mas espera, encalhados não! Quem eu? Eu que estou batidinho em todas as festas de curso e o diabo a sete (mas que me farto de protestar contras as propinas porque não tenho dinheiro)? Eu que vou a todos os festivais da minha universidade e gasto dinheiro a planear as praxes (outra coisa muito interessante) do ano que vem (mas não tenho dinheiro para comprar um manual)? Que apesar de mal sucedido escolarmente sou bem sucedido no mundo alternativo dos veteranos da minha Universidade? Isso não é estar encalhado, é viver! Tu deves ser é um frustrado, é o que é!"


Eu por acaso para além da vontade de vomitar, às vezes fico frustrado, porque afinal há pessoas que ficam presas num loop. Levantar, maquilhar se for menina, sair tomar um café com aquele, falar de coisa nenhuma com outro, faltar às aulas, ou chegar tarde ao trabalho, apesar de irmos de carro e ser só a cinco minutos a pé. Acabar as aulas ou o trabalho, voltar a casa, falar mal daquele e mais de não sei quem, disparar uns filetes para o ar de uma coisa que não percebo nada, alegar que estou cansado por isso vou sair e beber mais um copo (muito mais relaxante do que um banho, um sono ou até ler um livro). E no dia a seguir, exactamente a mesma coisa. E a geração que era precoce, afinal fica encurralada no seu próprio comodismo, num círculo vicioso.


Obviamente há excepções. Há quem aos trinta anos esteja na universidade a completar um mestrado ou um doutoramento, louvores a essas pessoas que têm um projecto de vida. Há quem aos trinta anos já tenha uma casa e filhos até e uma vida estável. Até antes dos trinta. Há pessoas que sabem o que querem. Que não andam a comer sono e que fazem pela vida.


Mas a maioria das pessoas hoje em dia não passa de uns rebeldes que faltam às aulas ou que se estão nas tintas para o trabalho, mas que todos os dias perdem horas com a nerdice de actualizar o Facebook. O mundo está repleto de pessoas que fazem opções na vida, sem saber bem porquê. E eu penso no que é que essas pessoas andam aqui a fazer.


Hoje em dia, há imensos recursos que nos fazem expandir as nossas opções, perceber o que queremos e porque queremos, o que gostamos e o que não gostamos.


Ao invés toda a gente gosta da mesma merda de música (podia enunciar mas comi há pouco) e da mesma merda de livros (idem) e toda a gente diz "Oh que intenso! Que lindo!" omitindo o facto de esse livro ser o mesmo que leram da outra vez mas as personagens mudaram de nome e fizeram as férias num sítio diferente. E se leem bons livros saem-se com coisas do género "É tão profundo!", porque para essas pessoas é tudo igual, se lhes déssemos um livro de reclamações também era muito intenso, especialmente nas folhas amarelas. Até digo mais, se eu fosse dono da Colhogar elaborava uma edição especial todos os meses. Papel higénico em livro e tenho a certeza que era um best seller. Intenso como o café e preenchido como um sudoku fácil. E se ele fizesse do género, autor do mês - Nicholas Sparks (ou Stephenie Meyer, ou Christopher Paolini, ou Dan Brown etc), até eu comprava. Teria todo o prazer em usar esses textos.


Até porque agora é tudo intenso. Vai-se a um facebook ou outra porcaria do género e é uma torrente de "adoro-te", "amo-te", "és muito importante para mim", "Nunca me deixes" ou ainda "Os meus dias são mais brilhantes desde que te conheci". É um jorrar de emoções incompreensivel. Porque uma coisa é eu virar-me para a minha namorada e dizer "Gosto muito de ti". Outra coisa é "Gostei muito da tarde de hoje (em que fumamos uma erva e bebemos umas cervejas, para além do que foi a primeira vez que estivemos juntos) és muito especial. Adoro-te" Isso é apenas dissimulação e acentuação dos sentimentos, que muitas vezes não foram bem esses. Hoje em dia, não há simpatias, ou somos amigos para sempre ou não nos conhecemos. Mas se já troquei um olá com alguém, esse alguém é imediatamente meu amigo. Do peito!


Mas bem, tudo para dizer que as pessoas quantos mais mecanismos de informação têm e mais horizontes veem expandir mais ficam para trás, quando devia ser ao contrário. Era suposto ser bom termos mais hipoteses e mais oportunidades, mas parece que não.


Isto é um desabafo que faço de coisas que me incomodam, não por mim, mas pelas pessoas em questão que continuam a desperdiçar tempo, que nunca mais vão poder recuperar. Ainda hoje no comboio uma mãe e a sua criança viajavam e por duas vezes a criança pediu água e por duas vezes a mãe pegou na água, mas a criança nem uma vez bebeu porque das duas vezes a mamã recebeu umas sms's no telemóvel e então esqueceu-se de lhe dar a água. Enfim.


Esta letra é de uma música que eu gosto muito. Chama-se Is A Robot e hoje em dia a maior parte das pessoas parece estar programada para reagir de forma igual aos estímulos, por isso gosto bastante da letra. A música é dos "almighty" dEUS!


Air of a temptress

Buxom and bright

We're not missing anything

At least not tonight



Chimera of charm

Innocent of hardship

Luxurious qualm

In a self-darkened daytrip

And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone

We don't really care
If the world is a mess
We are programmed to the grid
Of pleasure and bliss

But arrows or drifters
We all just pretend
That we will not succumb
To the ultimate trend

And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone

We like the attention
But we hate to be judged
As we proudly parade
Where we see others trudge

We are slaves to addictions
That have no effect
And with loving precision
Isn't it love we dissect

And then I'll take you home
Where we live and where we roam
On the bed and on the phone
Don't stop, cause every place you've known
Is a robot zone

Oh My God That's Absurd!

Hoje estava a ir para casa e iniciou-se uma conversa sobre esse fenómeno da música Lady Gaga (para todos aqueles que estejam a ler e possam gostar, sabe-se lá porquê, eu estou a ser irónico relativamente ao fenomenal).

A curiosidade é que imediatamente fiquei com uma dor de barriga que só se resolveu com uma ida à casa de banho. É caso para dizer que estava a falar no diabo e ele apareceu!

O absurdo é algo que atrai uns e afasta outros de coisas em particular. Há músicas em que há coisas absurdas assim como na comédia e outras coisas. Mas essencialmente nestes dois.

Na comédia há bastantes grupos que usam do absurdo para executar as suas peças. Já aqui falei dos Monty Python onde havia uma certa dose de absurdez. Contudo não baste chegar lá e dizer uma série de parvoíces e pronto toda a gente se ri. Por exemplo, no vídeo presente no nosso blog do sketch”Dirty Fork” dos Monty Python. É absurdo um cliente queixar-se de um garfo sujo e toda a gente menos o cliente fazer um escândalo. Normalmente seria o cliente a fazer um grande “filme” porque é inadmíssivel um grafo sujo estar numa mesa de um restaurante. No entanto ali é ao contrário e isso é absurdo.

Por exemplo eu acho muita graça. Mas muita gente é capaz de ver e dizer “Que parvoíce! Qual é a piada de um quadro destes. Matou-se por causa do garfo sujo, estúpido”. E por um lado até compreendo o que essas pessoas querem dizer porque aquilo é de facto bastante estúpido. Não tem ponta por onde se lhe pegue se olharmos com uma certa distância. O que é certo é que para mim tem piada e acaba por ter uma certa lógica. É a piada de inverter os papéis e ver o absurdo da situação. Porque se no sketch Dirty Fork eles acabam por morrer por causa do garfo, o que é certo é que há clientes que quase morrem por causa de um garfo sujo e por outra imperfeição qualquer do local onde estejam a ser servidos. E fazem um escândalo e ameaçam gratuitamente com uma reclamação no best seller “Livro de Reclamações”.

Voltando ao assunto, o que é certo é que uns acham graça e outros não e às vezes fico a pensar porquê. Porque é que para uns é e para outros não é, porque aquilo para mim tem tanta piada, e agora não me refiro única e exclusivamente ao sketch do garfo sujo, que se eu mostrar alguem e me disser que não tem piada e que é ridiculamente estúpido, fico com vontade de esganar a pessoa em questão e dizer “Como é que é possível não gostares disto!”.

A mesma coisa se passa com a música. Há coisas que não cabem na cabeça de ninguém e que pouquíssima gente no seu perfeito juízo publicaria.

Quem alguma vez faria uma música rock bem feita que lá no meio tem umas vozes estridentes que aparecem do nada a dizer “Queen Of The Niiiight”. Poucas pessoas, no entanto eu até gosto bastante dessa música. Acho que é um grande escape do estereótipo.

Porque se ligarmos o rádio (numa rádio, note-se) apanhamos o que queremos e não queremos de músicas sem nada de novo e com uma certa sensação de "deja vu" até. E se é certo que a maior parte das músicas que passam na rádio ficam no ouvido, o que é uma virtude, também é certo que regra geral são bastante irritantes, pelo menos para mim, porque é aquela musiquinha que já ouvimos milhões de vezes só com uma letra diferente. E quando se ouve algo, aparentemente absurdo, torna-se um escape espectacular. Essas músicas para mim acabam por ser uma afirmação do género “Nós somos a banda X e estamos aqui e fazemos coisas diferentes”. E não se confunda esta frase com aquelas pessoas que dizem e teimam que são diferentes, porque esses afirmam-se pelas coisas que dizem e no caso das bandas a que me refiro eles afirmam-se pelo que fazem sem nunca terem necessidade de afirmar o óbvio.

Isto são apenas pensamentos que me vêm à cabeça quando penso no porquê de certas pessoas gostarem ou não de algo em concreto.

Há também um certo tipo de absurdo que me irrita. Por exemplo, a Lady Gaga irrita-me sobremaneira. Porque os videos e os vestidos são de facto diferentes mas não há qualquer ponta de bom gosto. Porque colocar um chapéu que parece um telefone é de facto diferente. Não há dúvidas. Mas qual é o objectivo? Porque se ela tivesse aquele chapéu e servisse-lhe de telefone a sério ainda aceitava mas assim é apenas e só ridiculo. Acho que reduz-se a uma tentativa de se fazer notar. Contudo tenho a certeza que é um daqueles fenómenos que daqui a uns tempos ainda poderá lançar 'discos' mas ninguém se vai lembrar. Ou passa pela cabeça de alguem dizer que a Beyoncé é uma das melhores e mais originais artistas de sempre? Não, e não é por ter ganho uns quantos grammys que vai ser mais relembrada que outros.

Porque no fundo o que fica na história são normalmente aqueles que fizeram a diferença de uma forma ou de outra. Os Led Zeppelin ficaram para a história porque re-inventaram tudo o que havia sido feito no rock e tornaram-se nos percussores do hard rock actual e até mesmo do heavy metal.

Os dEUS foram a primeira banda independente da europa a ter destaque e assinar numa major porque de facto a música deles era independente e diferente de tudo o resto. Não era independente apenas de nome como muitas, ou melhor, como a maioria das bandas auto intituladas de 'indie'.

Os Monty Python revolucionaram a forma de fazer humor porque quebraram convenções e pré-concepcções sobre aquilo que deveria de ser uma peça de comédia.

Tolkien é relembrado porque do nada criou um mundo fabuloso e credível, apesar de todo ele imaginário e depois disso conte-se as obras de fantasia literária que houveram, não questionando a qualidade de nenhuma em particular.

E provavelmente estes fizeram a diferença por algo que era aparentemente absurdo, pelos meos logicamente, mas que no fundo tem uma intenção e na verdade têm uma beleza inigualável. As coisas que marcam a diferença no tempo acabam sempre por ter uma razão de ser lógica e perceptivel.

Quanto a outros fenómenos não se encontra explicação e não há explicação, e normalmente essa falta de razão para ser como é, coincide com a falta de personalidade do material em questão. Normalmente também a falta de personalidade determina a futuro, isto é, coisas sem personalidade e sem grande lógica acabam por ser completamente esquecidas durante algum tempo e farão parte daquele rol de coisas estúpidas que daqui a uns anos vamos ao youtube ver para nos rirmos por ser tão estúpido e por naquele tempo (hoje) ser considerado tão revolucionário.

The Ideal Crash


Este post não se pode dizer que seja bem um review, é mais a experiência de ouvir um disco, neste caso «The Ideal Crash» dos dEUS. É uma espécie de descrição com a minha interpretação das músicas e aquilo que sinto acerca delas. Sendo assim ficamos assim combinados! Cá vai:


Ideal Crash

Silêncio. Faixa um. Um som esquisito aparentemente concebido por uma guitarra e começa. Uma música bem rock, com guitarra constante e com uma letra dupla, significados e frases um pouco dispersas, provavelmente sobre droga provavelmente sobre amor. Mas nada em concreto, mais uma música com um tom esquizofrenico, cortesia dos dEUS. Put the freaks up front, venham eles!

Faixa dois, melodia calma acompanhada de um sussurro até à entrada melodiosa da voz de Tom Barman a contar a história de um homem que matou a sua namorada e passa por três estados de espirito. O primeiro, é o estado de arrependimento "Oh my sweet sister dew what have I done?". O segundo a tentar justificar o acto "Tell me sister, please I didn't have a choice". O último maléfico "Please forgive me if I, I keep on smiling But every sad story has a funny side in", todos estes estados acompanhados pela evolução da música, os sussuros iniciais podem ser interpretados como o grito abafado da namorada ao morrer e que mais tarde voltam à sua cabeça na descrição do momento. A música volta à calma final antes se desvanecer no som de um bar ou restaurante.

Do ruido do restaurante alegando a ligação entre duas histórias que podem ser contadas em qualquer local comum onde nos podemos também cruzar com aqueles que as vivenciaram. Para a história de uma pessoa que viu a sua relação terminada e que espera eternamente "where the nighthawks fly". Espera que a sua amada o vá procurar depois de a ter encontrado e de a ter perdido, mas ela não volta e ele cai e deixa-se cair "Down on the floor, got a closer look to hell, somebody pushed me I jst pretending that I fell" a acabar numa confissão de auto clausura de alguem que vive "Weirding out strangers and laughing at those...Not that we're special it's just that we're Closing in on a place where we might get to be Living real people regularly Send you some stuff and be good like you asked..."

Faixa quatro. Sobre alguem que tem um plano a executar numa hora mágica, que se vai, gasta em algo supostamente mais importante "as cool as a sigh, as murderous as something to say". Uma musica quase em forma de oração, virada para "the God Of Small Things" com uma melodia calma, numa guiatrra limpa um pequeno interludio com violino, com a musica a crescer até se desvanecer ao som de uma guitarra encantadora com os expressivos versos "There is room if you can trust, for anyone like us".

Stay by my side, é assim que começa a colisão perfeita, num carrossel de guitaras distorcidas, pianos e sintetizadores onde não se distingue bem o que é que faz o quê com uma batida no mínimo diferente, e cantada atraves de dois canais, um distorsido e um limpo, numa musica sobre amizade ou sobre amor onde alguem liberta outro sem realmente libertar "Stay by my side it's over ... Stay by my side I want you". Soa a alguem que lamenta por algo que correu mal mas que quer recomeçar apesar da poeira de da dor que sucedeu. Belíssima e comovente musica e na minha opinião uma das melhores interpretações de Tom Barman.

The instant street. Há quem aprecie imenso esta música. Eu sou um deles. Uma melodia inocente e que soa quase a infantil, com uma voz quase colegial a cantar uma letra para muitos sobre droga, mas para mim sobre o fim do "nojo" após a quebra de uma relação. O reconhecimento da sorte em ter tido aquela pessoa ao nosso lado, ainda que a perda nos faça ter reacções desreguladas "when on every single impulse, on every other move I react". A passagem à fase seguinte "This pain in my side, I had enough, this time we go for instant street...". pode ser visto como alusão às drogas no efeito instantaneo "instant stuff" e que acaba, mas para mim é mesmo sobre amor. Dito o poema um dos mais fascinantes solos de sempre, simples, directo e arrebatador. Dois minutos em que camada sobre camada a musica vais crescendo sempre acompanhada pelo violino a subir até tudo se conjugar num ritmo forte, solo simples e um climax espectacular a terminar a musica. Sublime.

Faixa 7. Magdalena, uma ex namorada de Tom Barman. Dá a impressão que ele queria se mover para outro sítio, vontade não partilhada pela Magdalena. Ou então que ela o deixou e ele está a descobrir como se virar e seguir o caminho "I wanna move, don't figure out much, into the new, out o the blue, out of the darkness". Uma música que caminha do nada para um fim ruidoso e confuso a terminar numa guitarra bela e harmoniosa a deixar entender que a história não acabou de forma muito alegre.

EVERYBODY'S WEIRD. Todos estamos bem até alguem nos chatear. "You're such a lovely guy, but it doesn't take so much, to get all there is out, all the dirt and all the sludge". Afinal não somos assim tao estranhos, embora aos olhos dos outros possa parecer irrflectido. A música também pode ser encarada como uma critica aos posers "And everybody's weird, and they all think they're God" ou àqueles que se acham no direito de criticar porque não há defeitos a apontar-lhes. Contem também os versos mais estranhos do disco
It's easier to trust
If it comes down to this my friend
I will help you if I must
I will kill you if I can
Experience is cheap
And you know that in the end
I will kill you if I must
I will help you if I can
A parte de "I will help you if I must, I will kill you etc" deve ser creditada a Leonard Cohen. Song For Isaac.A música em si contem uma sample de uma voz feminina a repetir ciclicamente o titulo da musica, musica também que se dá um pouco à electronica e que vê os seus decibeis aumentarem com o tempo. Uma participação bem activa do violino nesta musica.

Let's see who goes down first, letra sobre uma doença mental da qual Barman foi vitima e que o pôs completamente aluado durante uns tempos, acho que é um pouco de revolta contra a doença e a sua luta tal como o titulo indica. O poema em si vai caminhando em direcção à loucura e demencia voltado a si com a frase "Next time it calls me I'll be ready, because I KNOW". A unica musica do disco em que Barman não deu opinião composta por Craig Ward e Klaas Janzoons. A melodia em si um pouco esquisita a inicio e à base de muitas progressões de guitarra diferentes, acompanhados por um sample de percussão. Sobe, sobe, sobe até ao auge no verso "Next time it calls me I'll be ready, Because I KNOW!". Gosto particularmente desta frase, pois é um contra senso sobre a doença "It doesn't lose it just lets you win".

10 e o sonho na última pérola do disco. A música e a melodia transportam quase para a dimensão dos sonhos, algo que não sei explicar, mas que a musica transmite. Mais uma vez parece ser sobre uma relação mal terminada e um pouco à semelhança da terceira faixa do disco One Advice, Space e instant street, parece simbolizar um pouco o fim do "luto" "My little dreamone, you're okay, I'm thinking about you everyday" mais à frente "I'm getting better everyday, I just don't care what they say" Uma musica que sobe também mas não como as outras, esta sobe de intensidade mas sem acrescentar muito ao som. Dream sequence é o nome.

E assim se chegou ao fim da audição do disco mais bem conseguido e regular (não o melhor) dos dEUS, com melodias bem estruturadas e sem grandes devaneios ou loucuras a tomar conta das musicas, um disco com muito génio dos cinco mas principalmente Craig Ward e Tom Barman deixando saudades nos fans uma dupla de composição tão boa e assente. Um disco gravado em Espanha e durante o qual, segundo Craig Ward, os membros da banda não se falavam, contando mesmo o episódio da fractura no pé do baterista que quando voltou viu as musicas completamente alteradas e perguntou "AH isto agora está assim?" ninguem lhe respondeu.Um disco composto numa base acustica e que em várias músicas mostra a habilidade dos dEUS em fazerem músicas que progridem até um ponto alto assim como, magic hour, instant street, magdalena, let's see who goes down first e dream sequence.Espero que deixe aqueles que nunca ouviram o disco com àgua na boca para o conhecer. Vale a pena.

dEUS - Worst Worst Case Scenario

"Worst Case Scenario permanece como uma gema perdida na história da música". A afirmação não é minha mas eu concordo perfeitamente. Já agora é de Brian Molko, vocalista dos Placebo.

Worst Case Scenario foi em Dezembro de 2009 reeditado. O original continha catorze músicas de pura arte.

Os dEUS foram a primeira banda independente a assinar um contracto por uma major. Em 1994 a Island Records comprou os direitos do primeiro disco da banda que já havia sido editado pela editora independente belga BANG! e relançou o disco em toda a Europa. Suds & Soda caiu como uma bomba e os dEUS tornaram-se a banda sensação daquele ano. Ao mesmo tempo abriram um novo capitulo na história da música "indie".

O disco não é fácil de descrever. É uma mescla alucinante de estilos e ritmos. Variações e invenções. É possivel contemplar um pouco de imensos estilos naquele disco. Rock, Progressivo, Clássico, Pop, Jazz etc. etc.

15 anos volvidos e os dEUS, não diria que esquecidos, mas estão entre aquele grupo de bandas que actualmente se apelidam de bandas de culto. Aquelas bandas que não passam quase nada na rádio mas que têm uma fiel legião de seguidores. Maior parte dos apreciadores desta banda seguem não só pela música mas também pelo espírito da banda. Solta, leve e despreocupada com tudo o que a rodeia.

Na re-edição de Worst Case Scenario os dEUS incluiram o disco original remasterizado, um disco de b-sides, verdadeiras raridades de estúdio e também algumas músicas ao vivo. O jackpot vem em forma de dvd. Um documentário de sessenta minutos com a história contada na primeira pessoa dos tempos iniciais da banda. Desde o início até ao desmembramento da formação inicial. É possível ouvir todos. Tom Barman (vocalista e guitarrista), Klaas Janzoons (sinistro violinista sem aspecto de sinistro), Stef Kamil Carlens (virtuoso baixista e um dos mais carismáticos músicos belgas), Rudy Trouvé (um artista singular que nos dEUS tocava guitarra e pintava todo o artwork da banda) e Julles De Borgher (um condutor de carrinha de material convertido em baterista).
Todos eles expressam a sua opinião sobre o que se passou e como se passou. Um documentário bastante honesto sobre uma banda excepcional mas que vai permanecer para sempre como uma banda um pouco obscura no meio do cenário alternativo europeu.

dEUS W.C.S.

Vale a pena ouvir o disco. Se arranjarem a edição deluxe com o cd b-sides e o documentário ainda mais. Mas só o disco já é uma coisa bem valiosa pois poderão não gostar mas é inegavel que não há qualquer banda que tenha conseguido criar um som tão fresco e original como os dEUS no seu primeiro disco.


dEUS - A Biografia Completa

Para começar o nome. Há várias versões quanto ao nome, há quem diga que Tom Barman se baseou num disco das Sugarcubes, das quais faziam parte Bjork, chamado Lifes too good que continha uma faixa chamada Deus. Há também a hipótese de querer dizer mesmo Deus no verdadeiro sentido que a palavra assume em português. Contudo o nome tem ainda a questão das Maiúsculas invertidas. dEUS. Maiúsculas invertidas são um simbolo do diabo. Mas há cinco hipóteses.

dEUS

dEUS é escrito com D pequeno porque eles não pretendem ser deuses.
dEUS é escrito com D pequeno porque é fixe.
dEUS é escrito com D pequeno porque sobressai na impressão.
dEUS é escrito com D pequeno porque o tecnico de impressão esqueceu-se do Caps Lock ligado quando escreveu o nome.
dEUS é escrito com D pequeno para que fiquemos todos a pensar porquê com D pequeno.

Versão oficial de Tom Barman diz que foi só para parecer melhor pois ele não gostava da forma normal de escrever Deus. A maneira de se pronunciar em inglês é como Play Us.

Pois então. dEUS foram formados em 1991 por Tom Barman e Stef Kamil Carlens semanas depois de terem tocados juntos numa jam session em Antuérpia.
A primeira formação consistia nos seguintes elementos que atingiriam a Final da Humo Rock Rally na Bélgica. Tom Barman (vocal e guitarra), Stef Kamil Carlens (vocal e baixo), Klaas Janzoons (violino), Oliver Defossez Deajean (harmónica), Mark Mayers (guitarra) e Mark Willems (bateria). Ficaram em nono na competição e fizeram uma pequena tour em Espanha.

No regresso a Antuérpia Mark Willems e Mark Meyers saíram e entraram Julles de Borgher (que era o condutor da carrinha de material dos dEUS) e Rudy Trouvé pintor e guitarrista bem mais experiente que os outros membros da banda. Assim esta formação partilhava influências por bandas como Captain Beefheart, Tom Waits e influências do Jazz como John Coltrane e apresentavam o seu show de uma forma totalmente livre e quase que improvisada acentando num estilo que abrangia desde prog rock a folk, jazz e punk. Na Bélgica abriram para várias bandas. Gravaram as suas primeiras demos que acentavam numa música ziguezagueante e irregular atravessando imensos estilos. Ainda em 1992 Peter Vermeersch (X-Legged Sally) e Pierre Vervloesem produziram o EP lançado em nome individual chamado Zea. Uma publicação muito rara entre fans portugueses que contava com três faixas. Zea, Great American Nude e Right as rain. Este Ep apenas foi lançado em 1993.

No fim do ano assinaram pela editora BANG e foram pra estúdio gravar o seu primeiro album lançado em Fevereiro de 1994. As actuações em Glastonbury e na abertura de um concerto da banda Girls Agains Boys chamaram a atenção da Columbia e da Island sendo que no final de Junho assinaram pela Island em Julho foi lançado internacionalmente o primeiro single. A caótica e brilhante Suds & Soda.

WCS

Seguiram-se vários concertos pela Europa em que nunca tocavam a mesma música duas vezes da mesma maneira e os shows incluiríam até artistas circenses em palco numa encenação caótica e nem sempre bem sucedida. Em Outubro de 94 foi lançado na Europa o disco Worst Case Scenario por mão da Island. O disco foi aclamado pela crítica recebendo até nomeação para os prémios MTV. O disco é uma mescla de estilos misturados com muita loucura e e um caos tremendo tornando cada musica mais imprevisível que a outra.

Uma extensiva tour por 17 países se seguiu sem Julles de Borgher nos primeiros 4 meses devido a uma fractura do tornozelo. Didier Fontaine, baterista de sessão, substitui-o. Nessa altura sai também o bootleg Hard Nights Daze. Gravado na capital inglesa em 15 de Março de 1995. Os outros singles foram a enigmatica Via, e a cinematografica e tensa Hotellounge (be the death of me). Refira-se que este bootleg não é oficial.

MS=

Junho de 1995 é lançado My sister = My Clock. Um trabalho quase surreal que consiste numa faixa de 25 minutos em que vêm 13 esboços de projectos de todos os membros da banda. Só disponivel por encomenda postal. Este lançamento marca também a saida de Rudy Trouvé que saiu para se concentrar nos seus imensos projectos.Foi susbsituído em Agosto pelo escocês Craig Ward que tocava com Tom Barman e Carlens na banda tENERIFE e já havia participado em algumas músicas dos dEUS.

A banda pára de dar concertos para se concentrar na gravação do seu segundo disco In a Bar Under The Sea. Escrito depois de Pukkelpops e Lowlands, Barman compôs 7 músicas, Ward 1 e Klaas uma também.

Porduzido por Eric Drew Feldman dos Captain Beefheart, este disco teve a sua primeira audição em Theme From Turnpike.

IABUTS

Baseada num riff de Charlie Mingus (Far wells, Mil valley) os dEUS adicionaram camada sobre camada de instrumentos, com uma voz sombria e distorcida a culminar num climax quase industrial. O video desta música abriu para o filme Trainspoting por toda a Europa e consistia em Seymour Cassel a caminhar pelas ruas de Paris com Sam Louwick, dançarino, a fazer figuras quase esquizofrénicas no percurso. Este video foi filmado como abertura de um filme inexistente. Refira-se também que este videoclip foi exibido em toda a Europa antes do filme "Trainspotting". Em Agosto de 1996 lançaram a "poppy" Little Arithemtics que só não teve mais sucesso comercial muito provavelmente por causa do caos que se instala no final da música.

Stef Kamil Carlens deixa a banda logo a seguir para se concentrar na sua banda Beatband, mais tarde Moondog Jr. e actualmente Zita Swoon. (versão não-oficial é de que terá deixado os dEUS depois de um desentendimento entre a namorada dele e Tom Barman). Para substituir veio o não tão original, mas não menos virtuoso Danny Mommens que também tocava nos tENERIFE. Perto do fim do ano é lançado Roses como single.

Uma música bastante calma com uma aceleração chocante de dois segundos que é o interruptor que liga o caos paranóico que evolui daí até ao fim.

No Reino Unido abriram shows de Placebo e nos EUA abriram para os Morphine e os Blur tendo tocado no South by Sothwest em Austin, concerto que lhes valeu excelentes críticas.
O último single deste disco foi Fell off the floor, men! que é uma musica que consiste numa mistura de rock e rap com harmonizações e batidas complexas. No final de 1997 Tom Barman e Craig Ward deram vários concertos acústicos na Bélgica terminando assim o periodo In a Bar under the sea.

Ainda neste disco está aquela que é considerada pelos fans a melhor música de sempre dos dEUS. O épico Gimme the heat.
Também neste disco está aquela que é considerada a pior música de sempre dos dEUS. A realmente esquisita Shocking Lack Thereof, a única música apenas escrita pelo violinista Klaas Janzoons.

Grande parte do ano de 1998 foi passado em Ronda, Espanha.

dEUS com a produção de David Botrill lançaram o disco mais regular da banda mas não menos brilhante.
The Ideal Crash é um disco que alterna entre a sombra e a luz onde aparece aquela que é para mim a pérola mais brilhante dos dEUS. Magic Hour.

TIC

O primeiro single, Instant street, uma música muito fácil de se gostar, bastante alegre e de uma simplicidade aparente apaixonante que se esborracha num final extasiante e caótico. Foi lançada em Fevereiro de 1999.

Este é também o primeiro disco sem a participação de Carlens e Trouve. É um disco que revela mais em cada audição e considerado por alguns uma obra prima do pop-rock. Não tem uma música má.
Uma extensiva tour com mais de 100 concertos se seguiu. Os concertos desta altura eram muito bons sendo uma das melhores bandas ao vivo da Europa e também uma banda estabelecida como uma das melhores bandas alternativas numa altura em que dominavam os Radiohead. Alguns críticos musicais belgas consideram que se os dEUS fossem Ingleses ou Norte Americanos teriam facilmente atingido o estatuto de bandas como os Radiohead ou R.E.M. cujo vocalista Michael Stipe é um admirador confessos dos dEUS.

Sister dew uma música sobre um homem que assassinou a sua namorada e que passa por três estados de espírito diferentes foi o segundo single. O terceiro e último single foi The ideal crash que consiste num carrossel de som assinalando uma pequena incursão electrónica da banda.

Cerca de 800.000 discos vendidos e o fim da década marcam o fim do glorioso ciclo dos dEUS. 5 anos de interregno se seguiram onde Barman aproveitou para realizar a sua primeira longa metragem "Any way the wind blows". Em 2004 a banda lança No more loud music e No more video, um cd e um dvd respectivamente com os maiores sucessos da banda. A nova música Nothing really ends figura no disco mas foi lançado em single também para que os fans não tivessem de comprar um cd por causa de uma música.

No more loud music

A banda reúne-se mas o ego de Barman e o ego de Julles de Borgher chocam numa absurda discussão sobre quem era o dono da banda (não oficial). De Borgher deixa a formação e é substituído por Stephen Misseghers ex soulwax. No fim da participação nos dEUS De Borgher diz que o momento mais alto da carreira dele foi quando no fim de um concerto o baterista de Radiohead, Phil Selway, o abordou e disse que dEUS era uma das suas bandas de eleição.

A banda começa a ensaiar para o novo disco num período conturbado onde o enorme ego de Barman terá levado à saida de Craig Ward e Danny Mommens. Craig Ward argumentou não querer mais fazer tournees extensas pois queria dedicar-se à família. Curiosamente poucos meses depois Carig Ward lança dois discos com Mauro Pawlowski e Rudy Trouvé, The Love Substitutes e um disco experimental intitulado "Pawlowski/Trouvé/Ward". Danny Mommens juntamente com a sua esposa formam os Vive La Fete e Danny sai dos dEUS para se dedicar exlusivamente ao projecto.

Assim Barman para terminar as gravações chama Alan Gevaert, baixista belga com pouco currículo e o improvável Mauro Pawlowski. Improvável porque esperava-se que Tim Vanhamel fosse o escolhido pois havia feito a tour do Ideal Crash com os dEUS e é considerado o mais talentoso guitarrista rock da Bélgica. Mauro Pawlowski que tocou com Tim Vanhamel nos Evil Superstars é também considerado uma lenda na Bélgica dada a sua extraordinária capacidade de lançar material novo sendo que consta que já tocou com 432 bandas diferentes, para além dos Evil Superstars e Mitsoobishi jackson. Os trabalhos deste homem vão desde música para teatro de marionetas até composições para musicais.

Pocket Revolution sai em 2005 e é um disco totalmente sombrio. Bad timing é o primeiro de três singles pessimamente escolhidos. Bad timing é uma excelente música mas peca por ter SETE minutos, embora a sua composição seja extraordinária dada a forma como se adiciona camada sobre camada para atingir o topo.
7 day 7 weeks sucede. Uma música banal demais para a banda em questão, isto quando no disco se encontram músicas como Nightshopping, Cold sun of circumstance, Sun Ra e If you don't get what you want e até a prórpria Pocket Revolution.
Por fim What we talk about (When we talk about love) é uma música sofrivel no disco mas bastante interessante ao vivo.

Pocket Revolution

Barman durante a tour e depois de um concerto em Lille decide acabar com os dEUS no fim da tournée. No show seguinte em Paris volta atrás na decisão após ter experienciado (segundo ele) um dos melhores concertos de sempre da banda.

Uma tour com 150 concertos em 4 continentes serviu de acentação para a formação actual que partiu para a composição de um novo disco.

0110

O fim desta tour foi no evento 0110 organizado por Tom Barman e consistia num festival de 1 dia em Antuerpia, Bruxelas, Charleroi e Gent com várias bandas belgas numa manifestação a favor da tolerância e contra o racismo. Do qual falaremos mais noutro post.

Após o final da tournée os dEUS entraram de imediato em estúdio, Tom Barman, contagiado pela velocidade com Mauro Pawlowski lança material em projectos diferentes, esperou apenas um ano para lançar um novo disco. A tour acaba em 2006 e nos finais de 2007 o album está quase pronto.
Durante a produção deste album os dEUS conseguiram também concretizar o projecto de criar o seu próprio estúdio ao qual chamaram Vantage Point.
Este estúdio localiza-se numa propriedade do violinista Klaas Janzoons e podem ser vistas algumas partes do mesmo no espectacular website que a banda criou com vistas panorâmicas do estúdio e das suas divisões. O disco que saiu chamou-se também Vantage Point.

Vantage Point

A qualidade deste disco é boa mas não compete com as pérolas Ideal Crash, Worst Case Scenario ou In a Bar Under The Sea. É um disco obviamente diferente numa vertente mais light. É um disco bastante mais fácil de ouvir que os primeiros e até mesmo que o antecessor Pocket Revolution. Os destaques deste album vão para o single Slow, uma música bastante sinistra com cantos gregorianos lá pelo meio e que conta com a participação de Karin Dreijer Anderson dos Knife.
O outro single foi Architect, uma música para pôr toda a gente a dançar. Simples mas viciante. Favorite Game foi o útlimo single e é uma música de rock bastante bem feita e conjugada com um lirismo um pouco ácido.

Das restantes citamos Oh Your God, psicadelismo e velocidade numa música exfusiante, Eternal Woman, a qual ganhou prémios para melhor videoclip em vários festivais de cinema. Lá no meio do disco aparece uma música fenomenal, Is a Robot. Excelente música desde a letra à sonoridade um pouco ácida e agridoce. Depois há Smokers Reflect, Vanishing of Maria Schneider, When She Comes Down que são músicas bastante aceitáveis. A última música chama-se Popular Culture, uma música bastantes furos abaixo do nivel da banda, mas bem, a gente perdoa.

Os concertos desta fase são de excelente qualidade, a banda firme e segura começa com setlists onde essencialmente figuram músicas dos dois últimos albuns de originais deixando os três primeiros albuns desprezados, essencialmente The Ideal Crash cuja única música presente nos concertos era a inevitável Instant Street. Fez-se notar descontentamento entre alguns fans dos dEUS e a banda na sua tour de outono introduziu jóias mais antigas como Little Arithmetics, Let's see who goes down first, Everybody's Weird, Magdalena, Morticiachair e até a mítica Gimme the Heat. Durante o Outono a banda também tocou uma música nova chamada, Dark Sets In. Neste momento os dEUS são uma banda afirmada no cenário europeu e são das melhores bandas europeias ao vivo. A mistura da exuberância de Tom Barman, com a postura e calma de Klaas Janzoons e a ausência permanente em que Mauro Pawlowski parece viver fazem desta banda um exemplo de mistura de ideias. Sempre com muita humildade e respeito pelos fans.

Uma banda simples e que os verdadeiros fans têm dificuldade em partilhar pois é tão especial que dá vontade de guardar só para nós.Agora a banda está em processo de criação e gravação do próximo disco, ainda não se sabe absolutamente nada do novo disco nem sequer uma data aproximada de publicação. Apenas que será em 2010, dado que até então Mauro Pawlowski vai estar ocupado com a companhia de teatro a Ultima Vez de Wim Wandekeybus.

Entretanto e comemorando os 15 anos da edição do primeiro disco da banda os dEUS reeditaram Worst Case Scenario com o disco original remasterizado, um cd de b-sides e um dvd com um documentário chamado "Time is the state of my jeans" e algumas performances ao vivo da época.