Musicalidades IV

Rich Kid Blues - Terry Reid / Raconteurs

Eu conheço esta música por causa dos Raconteurs que em 2008 lançaram um belo disco chamado Consolers Of The Lonely.

Contudo, originalmente esta música é do Terry Reid e na verdade não há praticamente nenhuma diferença entre o original de Terry Reid e a versão dos Raconteurs.
Porém, e como estou mais familiarizado com a versão dos Raconteurs é a essa que me refiro, embora fiquem aqui os dois vídeos para os nobres leitores ouvirem a que mais lhe aprouver.

Versão dos Raconteurs



Versão do Terry Reid



Eu gosto bastante desta música, porque é uma música bastante emocional. A letra em si não é nada de espectacularmente profundo. Mas a interpretação do Jack White com a colaboração do Brendan Benson dá um toque bastante forte à música e toda a ambiência é de reflexão, embora seja daquela reflexão que se faz ainda com o êxtase do momento a pender sobre nós.

Não que tenha muito a ver com a música, mas muitas vezes, quando na música se diz "I know what is going on" faz-me pensar que muitas vezes sabemos o que se está a passar, mas na verdade queremos acreditar noutra coisa qualquer mais conveniente. Na verdade isso acontece mais do que deveria e é algo que eu não consigo explicar, porque muitas vezes as coisas estão estampadas à frente dos nossos olhos e preferimos sempre pensar "Ah, se calhar não é bem assim" ou "se calhar só estou a dramatizar" ou ainda "se calhar estou a ser injusto". Enfim, nada a ver com a música mas quando comecei a gostar desta música andava numa dessas fases de acreditar naquilo que não tinha qualquer tipo de possibilidade de credibilidade, e lembro-me sempre disso.

Apesar de gostar bastante desta música, a verdade é que não consegue ultrapassar as outras que já aqui falei.


#1 - Magic Hour - dEUS
#2 - My Little Contessa - dEUS
#3 - Achilles Last Stand - Led Zeppelin
#4 - Tea For One - Led Zeppelin
#5 - Rich Kid Blues - Terry Reid / Raconteurs

Musicalidades III

dEUS - My Little Contessa

Album - Theme From Turnpike (CD Single) 1996



Esta música não tem letra. Apenas instrumental pelo que apenas ouvindo é que se pode tirar ilações. Esta música é carregada de um ambiente sinistro que várias vezes alterna para o assustador e aterrador.
O instrumental é basicamente piano e violino compassados com uma bateria intermitente. Duas explosões estranhas ocorrem na música, com duas sequências de violino e guitarra distorcidas.
Eu consigo imaginar uma viagem a pé, por entre igrejas abandonadas e cemitérios assustadores. Casas com as cortinas corridas mas iluminadas pela luz ululante de velas. Sombras assustadoras em noite de lua cheia e escuridão total enquanto os nossos passos se fazem acompanhar por um roçagar constante e ensurdecedor para a cabeça de quem está assustado.
Acreditem que já vi esta música num vídeo sobre um castelo bastante banal em Portugal. Com a My Little Contessa no fundo tudo se torna mais medieval naquele video. Parece que a qualquer momento as setas vão começar a caír e os escudos vão começar a embater uns nos outros como nas batalhas da Idade Média.
Toda a ambiência da música é fabulosa e é certamente um dos meus instrumentais preferidos.
Gostaria apenas de realçar que esta música foi escrita pelo violinista dos dEUS, Klaas Janzoons, que na banda não tem muita preponderância. Por isso aqui é uma boa forma de observar o que representa este senhor.

#1 - Magic Hour - dEUS
#2 - My Little Contessa - dEUS
#3 - Achilles Last Stand - Led Zeppelin
#4 - Tea For One - Led Zeppelin

Musicalidades II

Led Zeppelin - Achilles Last Stand
Album: Presence (1976)




Esta música é a primeira música do disco Presence dos Led Zeppelin.

It was an April morning when they told us we should go
As I turn to you, you smiled at me
How could we say no?

With all the fun to have, to live the dreams we always had
Oh, the songs to sing, when we at last return again

Sending off a glancing kiss, to those who claim they know
Below the streets that steam and hiss,
The devil's in his hole

Oh to sail away, To sandy lands and other days
Oh to touch the dream, Hides inside and never seen.

Into the sun the south the north, at last the birds have flown
The shackles of commitment fell, In pieces on the ground

Oh to ride the wind, To tread the air above the din
Oh to laugh aloud, Dancing as we fought the crowd

To seek the man whose pointing hand, The giant step unfolds
With guidance from the curving path, That churns up into stone

If one bell should ring, in celebration for a king
So fast the heart should beat, As proud the head with heavy feet.

Days went by when you and I, bathed in eternal summers glow
As far away and distant, Our mutual child did grow

Oh the sweet refrain, Soothes the soul and calms the pain
Oh Albion remains, sleeping now to rise again

Wandering & wandering, What place to rest the search
The mighty arms of Atlas, Hold the heavens from the earth

The mighty arms of Atlas, Hold the heavens from the earth
From the earth...

I know the way, know the way, know the way, know the way
Oh the mighty arms of Atlas, Hold the heavens from the earth..

Muito se diz sobre o significado desta música. Obviamente o nome presta-se bastante a isso. Contudo, e após alguma procura na internet sobre a letra, a teoria mais provável é Robert Plant (vocalista dos Led Zeppelin) ter escrito esta letra em alusão a umas férias que ele e a sua esposa fizeram em Abril de 1975, sem qualquer plano. Uma das localizações visitadas pelo casal terá sido a Montanha Atlas, daí a referência aos braços de Atlas.

Obviamente há aqui algumas referências susceptiveis de serem conectadas com a paixão de Plant pela obra de Tolkien. Na descida do rio Lothlorien a Irmandade do Anel passa por grandes estátuas de pedra com reis a apontar o infinito. É possível associar com o verso "To seek the man whose pointing hand, The giant step unfolds / With guidance from the curving path, That churns up into stone".

Há ainda a história ligada ao acidente de Robert Plant no qual feriu o calcanhar. Conta-se que na altura que escreveu a letra se pôs a pé mas que caiu rapidamente. Daí a referência ao calcanhar de Aquiles e o nome "Achilles Last Stand".

Apesar de todas as histórias que se contam sobre os Led Zeppelin e sobre as histórias à volta das suas músicas, nunca ninguém vai saber ao certo o que realmente significam. É isso que fascina e os Led Zeppelin são provavelmente a banda que conseguiu construir mais mitos fascinantes à sua voltal.

Voltando à música. Eu gosto bastante desta música, não só pela letra enigmática mas pela grandiosidade de toda a melodia. Cheia de variações complexas e agressivas, lideradas por uma guitarra a toda a força e acompanhada por uma das maiores intepretações em bateria, cortesia de John Henry Bonham, o melhor baterista de sempre.

Por todas as razões e mais uma é uma música de antologia dos Led Zeppelin, no seu melhor.

#1 - Magic Hour (dEUS)
#2 - Achilles Last Stand (Led Zeppelin)
#3 - Tea For One (Led Zeppelin)

Insólitos Urbanos III

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Senhoras e senhores, meninos e meninas, bebés e velhotes, cães e gatos, ovelhas e carneiros, cabras e cabritos, bombeiros e incendiários. O Youtube tem o prazer de vos anunciar que vocês não conhecem o monsto até verem o lobo. UHUHUHUHAHAHAHAHHHH!!! (suposto riso maquiavélico).

Para verem o lobo e conhecerem o monsto, têm de assistir ao rap do capuz vermelho. Pois nesse rap teraõ bué de cenas maradas.

Vai ser monstuoso!!! UHUHUHUHAHAHAHAHAHHH

Musicalidades

Hoje começo aqui aquilo que se pode considerar como o top das minhas músicas. As músicas que eu mais gosto e porquê.

Farei a descrição. Colocarei um vídeo, se houver algum disponível. E darei a minha opinião. Anuncio desde já que o post feito sobre a Magic Hour dos dEUS, já conta para esta "rubrica".

Portanto a música que decidi falar hoje é a música Tea For One dos Led Zeppelin.



Lançada em 1975 no album Presence.

How come twenty four hours, Baby sometimes seem to slip into days?
Oh twenty-four hours, Baby sometimes seem to slip into days
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way
Sittin, lookin at the clock, time moves so slow
I've been watchin for the hands to move
Until I just can't look no more
How come twenty four hours, Baby sometimes seems to slip into days?
A minute seems like a lifetime, Baby when I feel this way.

To sing a song for you, I recall you used to say
"Oh baby this one's for we two", Which in the end is you anyway

How come twenty four hours, Baby sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, baby when I feel this way.

There was a time that I stood tall, In the eyes of other men
But by my own choice I left you woman, And now I can't get back again

How come twenty-four hours, sometimes slip into days?
A minute seems like a lifetime, Baby when I feel this way
A minute seems like a lifetime
When I feel this way...I feel this way 

A música é bastante calma e simples. Contudo há uma profundidade do ritmo seco da bateria. Há uma tristeza e uma lamentação que emana de toda a música. A letra fala de horas que parecem dias por nunca mais passarem. Saudades. A construção da música é exemplar. Todas as pequenas coisinhas aparecem no momento certo. A segunda guitarra. O baixo que é praticamente inexistente, mas que aparece em alturas determinantes que tornam toda a música bastante mais profunda e sentida.
Há ainda o facto de esta música terminar o disco. Ouvir o Presence, que é um disco relativamente acelerado, e no final ouvir o silêncio que fica depois desta música, é quase como um chamar à terra. Um acalmar consequente a uma tristeza e que se sobrepõe a qualquer euforia das músicas anteriores.

Por fim. Esta música não me deixa triste. Mas é bastante pacífica e introspectiva. Faz parecer que realmente o tempo pára.

Ranking:

#1 - Magic Hour (dEUS)
#2 - Tea For One (Led Zeppelin)

O significado da Magic Hour

Há uns dias reparei nas estatísticas do blog que alguém chegou cá através da pesquisa "significado da música the magic hour deus". Sendo assim e dado que é uma das mais belas músicas que se pode ouvir, aqui deixo a minha interpretação da referida música.

Na minha opinião e tendo em conta tanto a letra como a música tenho o forte sentimento que se trata de uma história contada na primeira pessoa. A história de alguém que com o seu amor, viveu a hora mágica em que algo de muito grandioso poderia acontecer. "I had a plan, was all made up, an angel was sent for keeping all troubles away" e "I had a plan, a simple plot, I held out my hand as if she'd never pushed it away"

Contudo, o momento tão perfeito, não foi eterno e as coisas prazerosas que foram feitas foram também actos assassinos que impediram algo de muito mais grandioso de acontecer. Não sei especificar o quê, porque é uma música e uma letra sujeita a interpretação, obviamente. Na minha cabeça tenho algo de muito claro, mas não vou partilhar porque cabe a cada um encontrar em si mesmo ou perto de si as dezenas de situações em que estamos a fazer algo que nos dá prazer, por vezes de forma exagerada, e perdemos algo de muito bom no processo, porque fomos egoístas e nos viramos apenas para o nosso prazer individual, deixando coisas, muito mais importantes e gratificantes para a nossa vida, de lado.

Portanto pode-se dizer que a história em si é triste. É a história de alguém que se acaba a virar para coisas pequenas ("The God Of Small Things" era o nome original da música) em busca do que perdeu. Alguém que apesar de procurar sabe que nunca vai encontrar. Daí o nome Magic Hour. A hora mágica passou e não volta e há oportunidades que só as teremos uma vez na vida e deveremos agarrá-las com as duas mãos. É a história de alguém desiludido, até com os seus amigos. Com tudo.

A música termina com um murmúrio "There is room that you can trust, for anything like us". Repetido como alguém sussurrando pelo meio das suas tristezas implorando por um pouco de conforto e compaixão.

É complicado eleger uma música que seja a melhor de todas. Mas esta é certamente uma que estaria num eventual debate. Toda a ambiência da música. Um som quase orquestrado em que as guitarras eléctricas não soam a guitarras eléctricas e a bateria apesar de ser tocada de forma convencional, limita-se a desempenhar o papel de uma chuva leve e envolvente que dá uma atmosfera única e fabulosa à música.

Aqui fica o vídeo e a letra. Se ouvirem sintam toda a música. Esta é uma das músicas mais brilhantes que algum dia poderão ouvir. Por mim falo e tenho a certeza que muita gente pensa o mesmo. Não há um dia em que não me arrepie a ouvir esta música e não sinta algo a empurrar-me para uma emoção forte.

Não há palavras para descrever esta música.




I had a plan, was all made up
An angel was sent, for keeping all troubles away
'Cause lady and I, we could not stop
As cool as a sigh, as volatile as something to say

I had a dream, a simple plot
I held out my hand, as if she'd never pushed it away
The sun is still there, except it's not
Beside her I care to linger even though it's not safe.

Godawful I adore you
Angels were there before you
Nothing can stop what we do
It's breaking us up in two.

Hey maybe should we ask it
Could her friends be worthier.
Like things we trust for if we must
We must burn them.
And burn them good, real friends they would
Be understanding if it came to us
And us we must - we must turn to
The God of Small Things
The God of Small Things.

I had a plan, was all made up,
As good it was then the magic hour seemed to be fading.
'Cause lady and I we could not stop
As cool as a sigh, as murderous as something to say.

Godawful I adore you
Angels were there before you
Nothing can stop what we do
It's breaking us up in two.

There is room if you can trust
For anyone like us ...

Crise

Portugueses esgotam iPad 2


Cada iPad, custa à volta de 800€ não me venham dizer que as pessoas não têm dinheiro porque quando se dá 800€ por uma coisa que é uma reconversão de computadores portáteis, que hoje em dia cada vez estão mais baratos, adquirem-se desde 300€ hoje em dia, é porque se tem dinheiro.
De qualquer das maneiras foi despoletada a crise política na semana passada. Confesso que não estava à espera que este governo caísse. Aliás, estou convencido que o PSD também não. Passos Coelho estava a preparar paulatinamente o seu futuro e era isso que me parecia mais que planeado pelo partido. Esperar que José Sócrates tomasse as medidas difíceis e depois aparecer como salvador de uma pátria injustiçada.
Contudo e tanto quanto entendo, Sócrates precipitou-se, de propósito ou não, no compromisso de um novo plano em Bruxelas. O PSD não se querendo comprometer com mais coisas decide que não aprova e não negoceia este plano. Obviamente o governo cai e o caminho mais natural é ir para eleições. Não havia qualquer outra opção para o governo. Admito que José Sócrates não tenha agido propriamente bem. Se calhar até fez de propósito para precipitar esta situação. Obviamente este governo demissionário está esgotado de um mar de polémicas que sempre rodearam a governação. Polémicas essas muitas vezes de foro pessoal. Relembre-se o caso Universidade Independente. O Freeport. O presumível suborno a Luís Figo etc etc. Polémicas que ultrapassaram em muito o razoável, mas enfim. É o jornalismo que temos que infelizmente é muito fraco.
Neste momento o que me irrita mais é o PSD ter recusado o plano na assembleia mas não ter apresentado uma única solução válida que representasse uma proposta séria e alternativa. Foi não porque não. E pronto.
Agora veio dizer que se for governo avançará para privatizações da CGD e da TAP. Contudo todo o tempo de Passos de Coelho na oposição foi a pregar que se devia cortar na despesa em vez de aumentar a receita. privatizações são receitas e são propostas de merceeiro. É olhar para o que podemos vender para fazer lucro rápido em vez de olhar para o que temos a mais que não é necessário e que empanca totalmente a máquina do estado, que é desorganizada e que consequentemente é injusta e emperra toda a competitividade que o país possa ter. Se o Estado não funciona bem, o que funcionará?
Obviamente o Presidente da Republica também foi ridículo. Não dirigiu uma única palavra aos portugueses. Na campanha muitas vezes referiu que a maior arma do presidente é a palavra. Mas nem disso usou, preferindo ficar à margem do que se foi passando. Agora há-de vir dizer que não pôde fazer nada e que é tudo um grande problema. Mas que não pôde fazer nada. A palavra é que ficou no fundo do bolso. Pelo menos devia ter dito, se achava bem ou mal, a falta de consenso à volta do novo programa. Era apenas isso que deveria ter feito. Mas obviamente Cavaco também parecia interessado na queda do governo.
Enfim, agora resta-nos ver o que se passa a seguir e o que dizem os candidatos. É previsível o que se vai dizer.

José Sócrates - Portugueses! Todos vós vistes o que se passou. Não me deixaram governar e agora fazem as mesmas propostas que eu já tinha feito! (Eu avisei!)

Passos Coelho - Queremos pôr Portugal nos eixos e para isso é preciso medidas corajosas e é preciso mais sacrifícios. Mas apenas os pediremos uma vez, não o faremos às pinguinhas. (Recessão é fixe, por isso é tudo de uma vez.)

Paulo Portas - É preciso defender os reformados! (Nota: que ganham mais de 1500€ e coitadinhos não têm dinheiro para pagar a água)

Jerónimo de Sousa - É preciso atacar a banca. Eles é que têm dinheiro" (Esses pulhas)

Francisco Louçã - Há muitaxx maroxcaxx por aí! (xxxxxxx)

Quem diria?

A sério. Há coisas que me mexem nos nervos.


Citação da notícia presente aqui:

"" Atentado à dignidade


Alguém que "sente quase um atentado à sua dignidade não fazer planos, tal a instabilidade que sente", prosseguiu Ana Bacalhau.
Sempre pontuada por aplausos, a intervenção da vocalista dos Deolinda fala ainda de uma personagem que acaba "a dizer que não pode mais, que vai fazer alguma coisa pela sua vida e vai tomar a ação nas suas mãos"."

 Oh Ana Bacalhau. Vai gozar com outro. É que já é sorte vocês estarem a enganar tantos jovens com a porcaria de letra que escreveste, não estiques a corda. 

Apresento aqui a letra:


Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’,

se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’

Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

E agora pergunto, onde é que na merda da letra se lê que a pessoa vai tomar a acção nas próprias mãos? É que eu acho que vocês nos Deolinda são uma grande merda que das duas uma. Ou não sabeis o que escreveis, ou então quereis colar o vosso nome à ignóbil palhaçada que anda aqui em Portugal, porque sim. 

É que eu não vejo mesmo onde é que a pessoa acaba "a dizer que não pode mais, que vai fazer alguma coisa pela sua vida e vai tomar a ação nas suas mãos".  A sério, vão chamar estúpido ao caralho. Porque agora de repente aparecem muitos salvadores da treta como vós que nada mais fazeis senão demagogia fraca. 

Digam antes às pessoas para não comprarem o carro quando podem ir pro trabalho a pé ou de metro. Digam antes às pessoas para não gastar dinheiro em festarolas umas atrás das outras. Digam antes que só com trabalho árduo é que se chega a algum lado. 
Há toneladas de exemplos no mundo que comprovam isso. 

O José Mourinho era um tradutor ao início e agora é o melhor treinador do mundo. 

O Cristiano Ronaldo é um dos melhores do mundo e toda a gente diz que ele é o primeiro a começar a treinar e o último a acabar.

O Kobe Bryant é o melhor jogador do mundo de basquetebol e no fim de um jogo no fim de semana passado ainda foi praticar mais uma hora e meia quando os colegas estavam todos a jantar.

E muitos outros exemplos de trabalho eu poderia dar para comprovar o que digo. "Good, better, best. Never let it rest. Until your good is better and your better is best." Esta é a filosofia. E se não a querem seguir não se queixem, eu poderia ser mais aplicado no que faço, mas não venho para aqui ou para lado nenhum queixar-me do trabalho que tenho ou que faço.

Digam antes à juventude de merda que temos, que as coisas não caem do céu e não é só estudar e esperar que nos caia a oportunidade do céu. Deixem de ser hipócritas e cínicos. Deixem de querer agradar à maioria. E deixem de se aproveitar dos jovens limitados para vender cds.

Para vocês que pensam que tocam guitarra

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Se aprenderam a tocar guitarra, com ou sem professor, considerem seriamente este gráfico, pois há poucas probabilidades de pertencerem a algo que não seja o vermelho. Depois fazem bandas, e depois é a miséria que se vê por aí. E depois a música portuguesa não vale nada. E depois somos todos parvos à rasca.


E como eu não gosto de ser incluído nesse pacote, gostaria que a maioria das pessoas quando aprendessem um instrumento, o guardassem para si próprios. Poupavam muitos males à humanidade.

Estupidez Mórbida

Eu não queria referir-me muito a este caso porque é um caso mórbido, de contornos macabros e que toda a gente por aí fala.

Refiro-me ao assassinato do cronista Carlos Castro em Nova Iorque. Eu muito sinceramente nunca simpatizei com o Carlos Castro, mas o que aconteceu deixou-me chocado por causa dos contornos da situação.

A gota de água foi uma notícia em que se relata que a família e amigos do (mais que) presumível assassino, vão enviar (ou já enviaram) à Oprah Winfrey, Barack Obama, José Sócrates e Cavaco Silva um pedido de apoio ao coitado que está preso.

Vamos recapitular. Ele confessou que espancou violentamente o cronista, que tentou mutilar-lhe os genitais uma primeira vez e que não conseguiu e que após uma segunda tentativa lá conseguiu. Que lhe atirou com um computador à cabeça e que lhe bateu com um portátil. Após isso foi cortar os pulsos e enfiar-se num hospital, sendo capturado e confessando o crime aos detectives.

A família pode estar muito triste, o que é muito normal e lamento. Mas não venham agora dizer que ele foi atrás de promessas vãs e que não era gay. Nada disso é explicação para o sucedido. Porque seria triste mas seria compreensível se ele estivesse a ser ameaçado ou mesmo agredido e respondesse e eventualmente matasse o tipo, isto é, seria em legítima defesa, mas não é de todo o caso. Foi um espancamento brutal e sem qualquer piedade.

Gostava que a família e amigos desse aspirante a modelo, tivessem um pingo de vergonha e pensassem que sempre que estão a invocar as suas tristezas para o defender estão a insultar a memória do morto e a dor de todos os familiares e amigos que nunca mais poderão estar com uma pessoa de quem gostavam. E gostava que parassem de tentar arranjar justificações para o óbvio. Porque nada justifica o que se passou naquele hotel.