YouTV

Hoje em dia o Youtube já não é mais aquele site, sem anúncios, em que as pessoas punham os seus vídeos amadores ou gravados da TV para que toda a gente pudesse ver.

O Youtube, desde a sua venda à Google, transformou-se num meio de negócio sustentável.

Actualmente para além dos vídeos que qualquer um já colocava à disposição, como videoclips, excertos de concertos ou vídeos pessoais (Videoblogs) há um outro universo paralelo de vídeos.

Vídeos com conteúdo original, apenas disponíveis no Youtube através dos "partners" com quem o site tem uma relação recíproca. Nomes como Ray William Johnson, KassemG, Nigahiga, MysteryGuitarMan, entre muitos outros, sendo os que eu referi principalmente comediantes, são agora nomes conhecidos e bem conhecidos no espaço cibernáutico.

A maior parte destes artistas é suportada por uma rede de estúdios que têm contratos com o Youtube e que recebem dinheiro para fazer os vídeos e fazem dinheiro com esses vídeos. O site é sem dúvida um dos mais populares da Internet. Talvez apenas o Google e o Facebook sejam mais populares.

Contudo este formato de Youtube não é para continuar, principalmente para os produtores de conteúdo que pretendem que um dia a TV online ultrapassa a TV convencional.

Maior parte das pessoas que eu tenho ouvido falar está bastante certa que isto vai acontecer num futuro muito próximo, o final das emissões televisivas em prol de emissões online "On Demand".
Eu contudo tenho as minhas dúvidas que a TV seja totalmente aniquilada. Por vários motivos,

O primeiro é saber até que ponto os produtores de vídeos de cinco minutos conseguiram reinventar os seus conteúdos para que durem vinte, trinta ou sessenta minutos. É uma questão que a mim, olhando primariamente para os melhores artistas de comédia do youtube não me parece viável. É preciso que deixem o conceito de vídeo curto para adoptar o conceito de vídeo de longa duração. Sendo que muitos fazem um ou dois vídeos de cinco ou seis minutos por semana tenho dúvidas que o consigam fazer de forma continuada em vídeos mais longos.

O segundo, é saber até que ponto a população mundial está disposta a, dentro de um ano por exemplo (é uma perspectiva dada como viável para muitas produtoras), abdicar da facilidade do televisor com emissão contínua, até porque muitas pessoas, inclusive eu faço isso, simplesmente ligo a televisão para ouvir o barulho como se de uma estática se tratasse.

A terceira questão é saber se é possível financiar uma tv on demand sem exigir uma grande prestação por isso. A questão do financiamento é importante porque se for demasiado cara estará condenada ao fracasso ou ao desconhecimento, pelo te que arranjar novas formas de se financiar, como por exemplo publicidade, mas mais uma vez têm de o fazer de forma cuidada porque ninguém gosta dos anúncios na TV normal e se os anúncios da Tv On Demand se tornarem tão fastidiosos como os da TV bem as pessoas preferem ver TV.

A quarta questão é saber se em inglês e esporadicamente em espanhol a coisa funcionará. Apesar de a maior parte das pessoas hoje em dia conseguir falar, ou aprender a falar o que é certo é que é sempre uma barreira de distanciamento. Vão as pessoas querer ver sempre programas noutra língua que não a delas?

A quinta questão é o facto de muito do conteúdo exibido e mais visto ser normalmente conteúdo protegido como desporto etc. Será que se vai conseguir criar um canal que tenha poder financeiro para garantir por exemplo a transmissão de jogos da Liga dos Campeões? 

Finalmente há a questão do espectador por vezes gostar de ver programas fracos. Não porque gostem deles mas porque há uma certa necessidade de ver coisas que não prestam para depois voltar às coisas "boas". Estarão os espectadores com vontade de ao fim de 30 minutos escolher outro programa, ou preferem as emissões corridas dos canais actuais?

Eu pessoalmente acho que ainda falta muito tempo e quando muito acredito numa espécie de fusão entre a TV e a Internet. Vejo as emissões normais a continuarem mas espero também o aumento e eventual cobrança em conteúdos On Demand e talvez um dia a TV convencional desapareça, mas não creio que seja tão cedo.

Cavaco não dá Cavaco

O nosso nobre presidente da república mantém-se afastado das conversas dos portugueses, por vezes em alturas em que era bem preciso que falasse.

Porém nestes últimos dias o Presidente que nada diz quando certas coisas passam abriu a boca para dizer besteiras que, obviamente, vieram provocar uma certa divisão entre os portugueses.

Aparentemente agora passa-se a ideia de que há portugueses de primeira e portugueses de segunda com os cortes a que a função pública foi sujeita.

Porque o presidente decidiu dizer que estava em causa a equidade fiscal entre funcionários públicos e privados. Os cortes de subsídios são definitivamente algo de complicado. Eu compreendo isso, mas é preciso ver que os cortes que precisam de ser feitos têm de ser feitos na despesa do estado e não nas despesas das empresas. É um pormenor pequenino.

De seguida, em média qualquer funcionário público ganha mais do que qualquer funcionário privado com anos equivalentes de casa, ou de carreira na função pública. Por exemplo um funcionário privado com cinco anos de casa recebe menos, normalmente, que um funcionário público com cinco anos de carreira. Actualmente as progressões nas carreiras públicas devem estar congeladas, o que não é normal, mas enfim é um mal necessário para impedir que certas pessoas que já ganham muito ganhem ainda mais.

O Presidente da República diz que um dos seus deveres constitucionais é o de preservar a coesão social e o bom funcionamento das instituições.

Pois então o Presidente da República fez o favor de lançar uma bomba na coesão social ao afirmar que a equidade fiscal entre privado e público estava a ser violada pelo próximo Orçamento de Estado.

O que Cavaco Silva se esqueceu foi de dizer que no fundo os sacrifícios estão a ser exigidos a quem mais os pode pagar. Pessoas que ganham mais de 1000€ por mês não têm razão alguma para ficar a aguardar pelos subsídios para pagar as contas. Estas pessoas só precisam desse dinheiro porque pura e simplesmente vivem acima das suas possibilidades. Eu já digo isto há muitos anos. O português é o tipo de pessoa que se ganhar 500€ gasta tudo, o que não é difícil, diga-se de passagem. Contudo se esse mesmo português passar a ganhar 1000€ o seu orçamento vai esgotar-se todo na mesma, porque vai começar a viver como um novo rico, vai começar a ir ao restaurante sempre que possível, vai comprar um bom carro e alugar ou comprar uma boa casa e depois, quando o cinto aperta aparece aquele casal que ele e ela em conjunto ganham 2050€ por mês mas coitados não se conseguem governar o ano todo com apenas 28 000€ anuais. Eu sozinho não chego aos 11000 que daria 22000 se fosse um casal com o mesmo salário, mas eu trabalho à noite e por isso ganho mais um bocado, de contrário apenas faria 8000€. Para aquele casal de professores eu serei certamente um sem abrigo.

O que o Presidente da República se esqueceu de dizer foi que nunca houve igualdade entre funcionários públicos e privados. O acesso à saúde de um funcionário público é mais barato e mais prioritário do que um comum funcionário privado. Onde está a equidade nisto? Um funcionário público goza de constantes tolerâncias de ponto ao passo que os privados fazem uma ponte de mil em mil anos. Onde está a equidade nisso?

Um funcionário público ganha uma excelente reforma se tiver sempre trabalhado no Estado, porque no fim da carreira vai sempre receber acima de 1000€ à vontade. Um recepcionista de hotel, no máximo, se chegar a chefe de recepção recebe 1000€ senão ficar-se-à para sempre pelos 800€. Um recepcionista de um museu no final da carreira recebe para cima de 1500€ independentemente de ser bom ou não. É apenas mais um recepcionista que até podia muito bem ser incompetente. Onde está a equidade nisso?

E perante isto preocupa-se o Presidente com a equidade fiscal? Acho que definitivamente quem recebe mais e tem mais regalias deve fazer um esforço maior para evitar que famílias, já de si em situações complicadas atinjam o limite. Mas bem. Eu só gostava de ver um funcionário público a queixar-se em frente de outros portugueses que estão em situações periclitantes. isso é que eu gostava de ver, porque então existiria a confrontação de realidades e os funcionários públicos calariam a sua boca para sempre.

A ironia é que nos anos 80 quando os funcionários do privado vinham para a rua fazer greve os funcionários públicos diziam que os privados eram preguiçosos e chamavam-lhes comunistas. Talvez seja o Karma não é?

Queria acabar dizendo que o Presidente deveria ter dito era que na verdade os esforços são muito grandes e de exigência nunca vista, mas que na verdade a haver esforços devem ser os mais desafogados a fazê-los, para que os outros possam aguentar por estes tempos difíceis. E assim manteria a coesão social.

Os Traxistas

Good evening,

Li no Diário de Notícias que os taxistas de Lisboa foram considerados uns dos melhores da Europa numa avaliação que entre outros parâmetros tinha a seguinte:

"A relevância do táxi no meio de transporte urbano"

Pois bem, paritlho então convosco a seguinte narrativa.

No dia 31 de Julho de 2011 estiveram cá os Bon Jovi.  Nós fomos ver, tal como mais 55998 pessoas foram, acorrendo para tal ao Parque da Bela Vista. No final do concerto era meia noite e o metro prolongou o seu serviço até à 1:30 da madrugada. Obviamente à 1:15 ainda tinha o metro filas que vinham até à rua.

Pois então e estando alojados num hotel tinha pedido na recepção do hotel, não um, mas DOIS números diferentes de Centrais de Táxis (daqueles que são dos melhores da Europa) aos quais recorri dada a impossibilidade de apanhar o metro.

Ligo para a primeira central e sou atendido. Peço um táxi para a Estação de Metro da Bela Vista e obtenho a resposta de que só com o nome da rua é que se pode pedir um táxi, ao que respondi que a Estação era um ponto de referência tão óbvio que não percebo porque raio é que era preciso a rua.

Liguei para a segunda central e obtive a mesma resposta.

Caminhei então na esperança de ver uma placa que tivesse o nome de uma rua, coisa que diga-se foi muito difícil na nossa fabulosa capital. Deparei-me por fim com uma placa que dizia Avenida da Ucrânia  e pensei, "Que bom, já posso ligar para o táxi".

Liguei para a primeira central e disse o nome da rua ao que me responderam que não tinha conhecimento de tal rua, porque não aparecia no google maps. Depois fui posto em espera, pois a senhora ia perguntar a alguém se sabia Esperei 15 minutos, até desistir.


(As referidas Centrais de Taxistas foram a Autocoope e TeleTáxis. Devo assinalar que não me lembro qual foi a primeira para onde liguei e qual a segunda, contudo isso pouco interessa.)


Liguei para a segunda que me respondeu que também não aparecia no Google Maps. Quer dizer, onde é que eu tinha a cabeça, é claro que se não aparece no Google Maps, não existe.

A segunda perguntou-me por pontos de referência, pedido ao qual respondi com a Estação de Metro, Pingo Doce da Bela Vista, o PARQUE DA BELA VISTA. Obtive a resposta de que devia de me dirigir ao Pingo Doce enquanto me punham em espera para requisitar o taxista. Obviamente uma espera demasiado longa de 15 minutos à qual sucumbi porque ainda precisava de dinheiro no telemóvel para eventualmente chamar alguém.

Caminhei sem rumo, sem saber bem onde estava e sem qualquer direcção para o hotel, o qual dotado de um recepcionista fabuloso se limitou a dizer que não poderia fazer nada.

Havia um autocarro parado no trânsito, que era muito. O motorista, apesar de estar parado, não abriu a porta do autocarro para que lhe perguntássemos o caminho de volta ao hotel. Espero que tropeces vás com o focinho contra essa porta meu cabrão.

Por um lance de sorte apanhamos um autocarro apinhado em direcção ao Oriente onde por outro golpe de sorte apanhamos um táxi para o hotel.

Tudo isto para dizer que os taxistas de Lisboa são na sua maioria uns valentes traques ambulantes. Porque nem sequer têm a desculpa de quando estão parados no trãnsito não cobrarem porque o táximetro continua a contar mesmo com o carro parado. E eu não me importava nada de pagar 50€ pela corrida. Mas ali os traques não se quiseram dar ao trabalho de ir para o meia da confusão. Porque ninguém me diga que esses cornudos não sabem o caminho para o Parque da Bela Vista e não sabem onde é a estação de metro da Bela Vista.

E pro Diário de Notícias e todos os outros jornais que reproduziram a notícia tenho a dizer que Lisboa é uma capital ridicula em termos de tamanho face às outras capitais europeias, junto das quais foi classificada. Não sei qual é a alegria.

Mais ainda, não foi apenas por uma vez que tive para ter acidentes por causa dos táxis de Lisboa que pensam que só porque têm uma faixa reservada podem andar à velocidade que lhes apetece e ignorar os sinais de mudança de direcção de todos os carros que não são pretos nem amarelos.

Portanto tenho a dizer aos traques que conduzem táxis em Lisboa que bem podem enfiar a vossa classificação pelo cu acima, pois a mim ninguém me apanha mais a depender de vocês, meus grandes cabrões.

Gangsta!

Um dia destes numa das minhas raras viagens de autocarro apareceram dois miúdos com um ar muito parvo mas muito armados em durões com as suas roupas à bad-ass.

Não pude deixar de os achar um bocado estúpidos, mas o que mais me chamou a atenção foi estarem constantemente a cantar aquela canção da Adele, Someone like you.

Para começar não gosto da Adele, porque só essa música já jorra cliché pelas narinas. (Eu sei que a tipa agora tem muito sucesso, mas bem... é o que eu acho)

Depois, bem, antigamente os jovens com sangue na guelra ouviam o que vocês estarão a ouvir se tiverem o som ligado enquanto leem isto. Sei lá, música com power. Digo eu.

Hoje em dia é um bocado ao contrário, quer dizer os tipos ali a gozar com quem passava, baixinho claro e a conversar tipo:

"Ya eu sou bué mauzão ...Someone like you... Ya é verdade, olha aqui (mostra a carteira com os cinco euros de ganza)" e outro "Ya ...Someone like you..."

Foi mais ou menos assim que aconteceu. Não tão gay, ou se calhar mais gay ainda...

Há pessoas que fumam ganza e até ouvem coisas mais ou menos, mas outras fumam e ouvem uma grande merda, o que agora que penso, funciona exactamente da mesma forma com as pessoas que não fumam.

De qualquer das maneiras resolvi dizer isto porque de certa forma é curioso e faz-me rir.

25 de Setembro de 1980

Eu sei que já é dia 27. Atrasei-me.

Ainda assim quis prestar homenagem ao grande homem que morreu no dia 25 de Setembro de 1980.

John Henry Bonham foi baterista dos Led Zeppelin. Na minha opinião o maior baterista de sempre.

Ainda está para aparecer alguém com a simplicidade dele, que tenha tanto "power" como ele. Apesar de tocar numa bateria relativamente simples em termos de composição e apesar de ser tímido, de não gostar de estar muito tempo longe de casa e de ser bastante modesto, este homem tocava bateria com uma força e capacidade fora do normal.

Não é por acaso que a música do nosso blog é a "When the levee breaks" retirada do Led Zeppelin IV. Apesar de ser uma batida relativamente simples, a potêncuia de John Bonham torna toda a música um esplendor do rock incomparável.
É curioso que muitos bateristas tenham tentado replicar a entrada poderosa de "When the levee breaks" e todos eles não tenham sequer chegado perto da potência da original
.
Como acontece com Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones, sem John Bonham os Led Zeppelin nunca teriam existido.

Algo que ilustra bem aquilo que é John Bonham é a forma como ele apareceu nos Led Zeppelin. Jimmy Page procurava um baterista para a banda quando Plant lhe disse que tinha um amigo que tocava baterias. A intensão de Jimmy Page era ter um baterista com 'power'. Depois de ter visto Bonham, Jimmy Page afirmou que nunca tinha imaginado algo tão poderoso.
John Bonham era tão brutal que em muitos concertos a bateria não precisava sequer de microfone para ser ouvida em perfeitas condições nos recintos.
John Bonham recriou o efeito do pedal de bombo duplo, com um pedal normal. O que é bastante espectacular e ainda não vi mais ninguém a conseguir fazê-lo.

Há muitos baterista virtuosos hoje em dia e sempre houveram. Mas ninguém consegue misturar a força e virtuosismo tão bem como John Bonham.

John Bonham morreu no dia 25 de Setembro de 1980 afogado no seu próprio vómito após um dia em que bebeu excessivamente, na continuação de um problema que já o tinha feito desmaiar em palco durante um concerto. O alcoolismo.

É nestes momentos que penso que as coisas não estão certas. Uma lenda morrer de uma maneira tão aleatória. Aleatória ao ponto da sua posição de sono ser virada para cima e não para o lado, dado que se estivesse de lado (tal como se faz com os bebés) não afogaria.

Presto-lhe homenagem 31 anos volvidos do aniversário da sua morte.

John Henry Bonham.
Bonzo's Montreux


A depressão é a festa

Neste fim de semana tive de trabalhar numa festa, daquelas festas que não gosto e em que as pessoas se vestem especialmente para a ocasião como se de um casamento se tratasse. Misturas de djs recheadas de clichês etc etc.

Apesar de ser tudo, na minha opinião, bastante deprimente, as pessoas divertem-se muito, sabe-se lá porquê. Vi pessoas em êxtase e a dizer "Oh, isto está fabulástico" e uma afluente excessiva de seres ao mesmo lugar, tendo em conta que não se passou nada que não se tenha passado em um milhão de festas pelo país fora na mesma noite.

Chegando ao título do post, fiquei com a sensação de que as pessoas se deixam inebriar demasiado por estes momentos de convívio (?) social e ficam deliciadas e completamente atrapalhadas de tanta espectacularidade (eu sei, é estúpido, mas as pessoas são assim). E fico a pensar, se estas pessoas ficam tão maravilhadas com uma merda de uma festa inútil que nunca mais ninguém na sociedade se vai lembrar e que eventualmente desaperacerá perdida nas páginas do Face(vaca)book, é muito natural que fiquem extremamente deprimidas com a vida miserável que levam no dia seguinte em que acordam sóbrios para mais um dia de inutilidade.

São pessoas que só lêem merda. Ouvem merda. Pensam merda e jorram merda por todos os poros e orifícios "on a daily basis".

Há uma pessoa que admiro especialmente que diz bastantes vezes "Not get too high, not get too low" isto realtivamente ao estado psicológico. E é verdade e aplica-se a tudo.

Devemos ser centrados e fasear as nossas emoções. Isto é, há coisas que eventualmente podem ser espectaculares. Por exemplo, se eu pudesse abrir o meu frigorífico e entrar e quando saísse estivesse em los Angeles e fosse 25 de Junho 1972 e eu pudesse ir ver o concerto dos Led Zeppelin no LA Forum, certamente iria delirar e seria um momento alto da minha vida. Ou quando fui ver as minhas bandas favoritas. Isso foram ocasiões memoráveis. Ou quando conheci a minha Cerejinha e comecei a namorar com ela. Andei a planar centímetros acima do chão durante semanas. Foi um momento único.

Agora ir a uma festa, onde estão imensas pessoas para ver djs relativamente desconhecidos a põr música que passa em qualquer discoteca... É que nem sequer era o David Guetta (que por muito merdoso que possa ser, sempre é mais conhecido e era natural que o viessem ver, porque como eu disse as pessoas só ouvem merda e quanto a isso não há nada a fazer).

E depois a euforia à volta de uma coisa que acabou em bebedeira e sem forma de voltar a casa para algumas pessoas. É isso que vão contar aos vossos netos?

Neto: Avô conta-me uma estória.
Avô: Um dia fui a uma festa que se chamava...Hmm... Bem não interessa. Estava lá muita gente conhecida...Hmm...E havia muitas luzes e uns Djs muito bons que eram...Hmm...Não me lembro e então no fim tropecei e entornei o copo. (gargalhada)
Neto: (corta os pulsos)

E depois da euforia sobre uma coisa insignificante é natural (dada a desregulação de emoções que para ali vai) que quando se deparam com a vida do dia-a-dia fiquem deprimidos, porque não sabem relativizar as coisas. Ou é tudo muito espectacular ou é tudo horrível. Ou então vêem-se ao espelho e é tudo uma merda (não resisti).

Anyway, escrever isto e ouvir When the levee breaks ao mesmo tempo é um bocado desconcertante, por isso peço desculpa se o texto não fizer lá muito sentido.

Mas deixo aqui um vídeo sobre relativização das coisas.

Profecias

Um post mais pequeno.

Imaginem que eu tenho um papel e um isqueiro. E que digo que, consequentemente, vou ter um incêndio.

Tenham cuidado. Porque este é o tipo de argumentos de desconfiar.

Se papel é A e o isqueiro é Z e só tivermos em conta os dois então teremos um incêndio.

Contudo eu estou-vos a omitir todo o alfabeto de factos e elementos a considerar entre A e Z.

Por exemplo, o papel pode estar a muita distância do isqueiro. O isqueiro não se acende sozinho. Pode estar a chover. Pode o isqueiro estar sem gás. Pode o papel estar molhado. Pode o isqueiro não ter pedra. Etc.

É preciso ter cuidado quando lêem coisas na internet. Nem tudo é verdade e devemos questionar sempre o que nos aparece, porque muitas vezes aparece-nos com factos obliterados ou omitidos o que turva a visão real das coisas.

E sobretudo, não acreditem em profetas que usam este tipo de argumentação. Porque os profetas de hoje em dia são personagens relativamente perigosas porque aparecem como heróis e que nos levam a sítios sem saída e sem resposta.

É só isto por hoje, porque acho que há demasiada a gente a vender gato por lebre e a espalhar coisas que não fazem lá muito sentido be vistas as coisas.

Back and forth and back again...

Olá.

Já há muito tempo que não vinha cá escrever nada. Na verdade desde que publicamos a entrevista com o mui nobre Mauro Pawlowski, achamos por bem não publicar nada para que pudesse ser dado o devido destaque a algo de que muito nos orgulhamos.

Como devem saber Mauro Pawlowski é um dos nossos artistas favoritos e foi com muito agrado que tivemos a honra de o entrevistar. Principalmente porque nunca pensamos que seria possível que acontecesse. Mas graças a uma tentativa aleatória lá conseguimos a entrevista em questão.

De qualquer das maneiras entretanto passou-se o verão e as férias e agora está tudo a trabalhar que é para ver o que é bom. As férias correram bem, apenas o senão de terem acabado, o que na minha humilde opinião é uma parvoíce porque não deviam de acabar muito obviamente.

Actualmente o blog tem um leitor de música na qual está a ser reproduzida a música Constant Now dos dEUS, que vem no disco que sai agora no fim de Setembro. Eu sei que se calhar é chato entrar e ouvir sempre a mesma coisa, mas bem, dá-me jeito pelo menos até ao disco sair porque assim sempre que quero venho aqui e ouço, o que é fixe. Quando o disco sair mudaremos as coisas para que não reproduza automaticamente e provavelmente também mudaremos a música em questão. Se não gostarem podem sempre comentar mas aviso já que não vale de nada. Eu gosto da música e dá-me mesmo jeito vir aqui e ouvir.

Bem, de resto não há muito mais para já. Tenho visto o melhor programa de comédia da actualidade, que para quem não sabe chama-se Telejornal, no qual me tenho deleitado com as medidas do governo de Pedro Passos Coelho, que afinal também anda de PEC em PEC a saltitar, excepto que ele não lhe chama PEC, o que faz toda a diferença porque aí passa a ser totalmente diferente e muito melhor. Agora que penso acho é que as pessoas estavam fartas de ouvir PEC e votaram num partido que faz o mesmo, mas com outros nomes.

Até o Carlos Abreu Amorim deve andar sem sono. Só de participar num governo (ou partido) em que tem de compactuar com tudo aquilo que vai contra o que o senhor escrevia nas colunas da revista Notícias não deve parar de dar com a cabeça na parede. Pelo menos era o que eu faria. Sei lá, acho que tenho uma consciência (eu sei, palavra cara não é? Aposto que nenhum de vocês sabe o que isso é!)

Mas bem, para finalizar com um bocado de nonsense (só mais um bocadinho) aqui fica um vídeo daquele grupo que é só o maior de sempre em termos de comédia.

Só para dizer que Michael Palin é um excelente actor. Provavelmente o melhro, na minha opinião.

Interview - Mauro Pawlowski (English and original version)

Hello everyone! Yesterday, we published the Portuguese version of an interview with Mauro Pawlowski. Mauro, one of the best musicians in the actual European musical scene, was so kind to accept our invitation to answer some questions for our blog.

By NansieDN
Mauro Pawlowski became known for having started his band Evil Superstars (in 1994), after winning the Humo Rock Rally. With two albums and an EP released, the band was over and from that moment on, Mauro started several projects, solo or in a band. So many that we don't even dare to enumerate. Some of the most recent are Mauro - Songs From a Bad Hat (a solo and sweet album), Mauro and The Grooms - Black Europa (quite refreshing), Somnabula - Swamps of Simulation (a rock fantasy - something completely different in music), and the most recent of all: Radical Slave - Damascus. You can watch some videos on youtube. We would like to note the recent (last year) collaboration of Mauro in NieuwZwart, for the contemporary dance company Ultima Vez.


Nowadays, Mauro Pawlowski plays guitar in the belgian group dEUS, and you can hear in our automatic player the single (the album will be released in September).  

Having said this, we can only add: enjoy!

The fotographies were kindly provided by NansieDN
For more information about Mauro's work, visit MauroWorld
Mauro Pawlowski in concert with Radical Slave by NansieDN



Taste of Orange: What's your creative process? Is it always the same or changes from project to project?
Mauro Pawlowski: What I do first is go figure out a good reason to create. Because I’m perfectly happy with all the music already available. I mean there’s enough of it. But I have to do something, since I’m a professional musician. Also I like playing music. A lot. Anyway, I just book gigs and make promises without anything in mind so I’m obliged to come up with stuff. I really have to get myself in trouble. That’s how most ‘projects’ come about. Then I just start. Pick up an instrument and push record. Call the usual suspect and tell them they’re in a new band with me. (‘Hope you like the tunes, we’re playing next saturday.’) 

TO: From Evil Superstars to Radical Slave, your wrote so many lyrics, there are such sweet lyrics and at the same time others so mad, so what's your inspiration to write them? It's from books, or real life, or any other thing?
MP: I do read a lot. I love books more than anything. People who don’t indulge themselves in classic literature don’t know what they’re missing. But when I’m writing English lyrics, I don’t spend a lot of time on them. Usually it’s only a cool sounding title with some extra lines. That said, this is also why I don’t think my rock lyrics are any good. Nowadays of course I feel rather sorry about it, not taking it seriously enough. I’m actually quite embarrassed about the whole thing. Maybe I’m getting old. Wait a minute... I am. But this is about to change because I recently started to write songs with lyrics I spend more than half an hour working on. You’ll hear them next year. Just me and my guitar and, what do you know, real songs. Might be boring to some. I’m sorry.

TO: What types of projects do you have to release soon?
MP: I think I will release everything soon. There’s hours of fine stuff. And even more bad stuff.

TO: What was the idea that led you to write Somnabula – Swamps Of Simulation? 
MP: A fantasy I considered entertaining enough to release in public. Some caped rocker who flew in from reality singing to everybody’s surrogate concioussness. Not unlike a cardboard version of The Matrix or so, I don’t know. Next came Otot: half man half shodow puppet who only exists in erased
text messages. 


TO: How do you get the ideas for your videos? Because they're not conventional at all (in a good way).
MP: Hmm, I only made one video myself: Satan Is In My Ass by Evil Superstars. I wanted to know if it was any fun (it wasn’t) and just bluffed my way through it, by analysing some Bon Jovi video first and then tell everybody what to do as if it was my fifth motion picture for Dreamworks. I never prefered film, too showy. 

TO: What are the differences to you between writing for an album and writing for a project like NieuwZwart? 
MP: For NieuwZwart we had to follow the dancers, such a blast. I think they are totally awesome and very, very inspiring. Then we could do some of my favourite stuff. Irregular riffing, free rock, moody scapes... wonderful. There’s more to come in 2012.
         
Mauro Pawlowski by NansieDN
TO: Is there any difference between playing live for big audiences like you do with dEUS and playing in smallest concerts for fewer people like it happens in other projects of yours? Do you adjust your behaviour on the stage or is it always the same?
MP: There is a difference. I’m not going to walk on stage waring a cape in front of let’s say 20.000 people awaiting dEUS, and kick all equipment off stage halfway our set. I might get some unnecessary curious looks in that case. But mainly I like to move on stage. People normally pay to see you and - call me old fashioned - I believe you have to offer them some show element. They are watching you, for God’s sake! 

TO: In all of your projects, there is always the same “high-quality line”. How are you able to keep it?
MP: Well, thank you. Some might disagree though, which is fine. Basically I take my job seriously. I do have a work ethic. Still I get lots of people shaking their heads why I tragically waste all my supposed talent. I like it when an audience loves what I’m doing but let’s just not exaggerate.
And I say that in a friendly voice, not as a statement.  


TO: Do you have any favourite guitar in particular? Because when you’re playing with dEUS we see a lot the Fender Telecaster, however we have already seen you play with many others. Do you have any preference? 
MP: My Telecaster Thin Line is my best sounding one. That’s why I use it the most. A guitar needs to look good upon you. It’s like a piece of clothing. Like I said, they are watching you anyway.
I don’t treat my guitars nice. I like kicking them around every now and then. If only they weren’t so expensive...

TO: Your songs are part of some people’s special moments, memories, a part of their life. Are you aware of the impact of your music in people’s life?
MP: Not really. Sorry, I know this sounds bad, but I mean it. I do occasionally get strange, fanatic reactions from folks. So I know there’s impact somehow, sometimes, on whatever level.
Then again I find it important to present myself as a member of the audience who needs to get on stage for a while but ‘be right back to continue civilian life in a minute’.
On the other hand I’m not very social with strangers. For instance: I hate phonecalls. It’s like talking to a ghost, if you permit me to act a bit artistically for a second here.

Mauro Pawlowski by NansieDN
TO: Considering all the music you’ve made, do you have any you like specially? If so, why? 
MP: I like most collaborations because I like the people.
Some stuff I made I like more than others. But that’s just because of the way I made it. I never finished off song like I said before. Now I want to change that. I bet this will make more people really like me more. Whatever, I’m 40. I can handle nonsense more than I ever did. Bring it on.  


TO: Why and when did you decide to be a musician?
MP: I grew up in a very musical family, so it was sort of normal to rock out as a hobby. Then at 8 years I saw my uncle’s band rehearse in my grandpa’s garage. A bunch of Greeks, Italians and Turks jamming some slow, heavy 70’s riffs. In the actual fucking 70’s. Very cool. I saw the light. And their girlfriends.

TO: What advice would you give for someone aspiring to be a musician?
MP: It’s everyman for himself in showbiz.

TO: What are your most important musical influences? 
MP: Guitar heroes (Page, Iommi, Van Halen, Belew, Hendrix, etc.), Modernist composers (Feldman, Scelsi, Xenakis, Cage etc.), godlike drummers (Bonham, Rashied Ali, Billy Cobham, Ginger Baker, Bill Bruford, Andrew Cyrille, John French/Drumbo, Tony Allen etc.), female voices (Joni Mitchell, Julie London, Dinah Washington etc.), non-Western sounds, non-musicians, local people/friends/collegues and Crazy Horses by The Osmonds. 

TO: What do you like the most about Portugal? 
MP: I truly love it when they sing in Portuguese. 


We give our greatest thanks to Mr. Mauro Pawlowski for this interview. 

Entrevista a Mauro Pawlowski

Note to English readers: Tomorrow will be published the original interview, in English.


Hoje o Taste of Orange tem o prazer de apresentar algo que tem estado em segredo há algum tempo. Toda a gente sabe que Mauro Pawlowski é um dos artistas preferidos cá do sítio. Homem de imensos projectos aceitou conceder-nos uma entrevista. Foram-lhe enviadas as perguntar às quais Mauro Pawlowski respondeu de forma gentil.

By NansieDN
Mauro Pawlowski ficou conhecido após a fundação dos Evil Supertars em 1994 depois de terem vencido o Humo Rock Rally. Ao fim de dois álbuns e um EP a banda acabou e Mauro entregou-se a muitos projectos musicais. Tantos que é impossível numerar. Destaque para alguns albuns editados:
Mauro - Songs From a Bad Hat que é um disco a solo, Mauro Pawlowski & The Grooms - Black Europa, Somnabula - Swamps of Simulation, um disco de Rock Fantasia e ainda mais recentemente Radical Slave - Damascus.
Actualmente Mauro Pawlowski é o guitarrista da banda belga dEUS que irá lançar um novo disco em Setembro e que anda por aí em digressão.
Destaque ainda para a colaboração recente com a companhia de bailado Ultima Vez na peça NieuwZwart.


A entrevista original foi em Inglês e foi traduzida pela Efémera (que é finalista de tradução) para o português.
Contudo, e dado que o trabalho de Mauro Pawlowski é apreciado um pouco por toda a Europa, amanhã será publicada a versão original em Inglês para que todos possam ler. 
Portanto aqui fica esta entrevista exclusiva a Mauro Antonio Pawlowski.


As fotografias foram gentilmente cedidas por NansieDN
Para mais informações sobre o trabalho do Mauro Pawlowski visitem MauroWorld.
Mauro Pawlowski em concerto com Radical Slave by NansieDN



Taste of Orange: Qual é o seu processo criativo? É sempre o mesmo ou varia de projecto para projecto? 
Mauro Pawlowski: A primeira coisa que faço é ir procurar uma boa razão para criar, porque estou perfeitamente satisfeito com a música que já existe. Quero dizer, já existe suficientemente. Mas sendo eu um músico profissional, tenho que fazer alguma coisa, além de que gosto de tocar. Muito. De qualquer forma, eu simplesmente marco concertos e faço promessas sem ter nada em mente, então sou obrigado a criar alguma coisa. Eu tenho realmente que me meter em sarilhos, é assim que a maioria dos “projectos” nasce. Então só tenho de começar, pego num instrumento e carrego no botão gravar. Chamo os suspeitos do costume e digo-lhes que estão numa nova banda comigo. (“Espero que gostem das músicas, vamos tocar no próximo sábado.”) 

TO: Dos Evil Superstars aos Radical Slave, escreveu tantas letras, há letras doces e ao mesmo tempo outras tão doidas, assim sendo qual é a sua inspiração para as escrever? Vem de livros, da vida real, ou de outra coisa qualquer? 
MP: Eu leio bastante. Adoro livros acima de tudo. As pessoas que não se entregam ao prazer dos clássicos da literatura não sabem o que estão a perder. Mas quando estou a escrever letras em inglês, não perco muito tempo nelas. Habitualmente é apenas um título que pareça fixe com umas linhas extra. Posto isto, este é também o motivo pelo qual não acho que as minhas letras de rock sejam boas de todo. Hoje em dia, é claro que sinto pena, não levo nada disso a sério o suficiente. Na verdade, sinto-me bastante embaraçado até. Talvez esteja a ficar velho. Espera um minuto... de facto, estou. Mas isto está prestes a mudar porque comecei recentemente a escrever canções com letras em que passo mais de meia hora a trabalhá-las. Vão ouvi-las no ano que vem. Apenas eu e a minha guitarra e, quem sabe, canções a sério. Poderá ser aborrecido para alguns, desculpem.


TO: Que tipos de projectos tem para lançar no futuro?
MP: Acho que que irei lançar tudo brevemente. Há horas de bom material. E há ainda mais mau material.

TO: Qual foi a ideia que o levou a escrever Somnabula - Swamps of Simulation? 
MP: Uma fantasia que considerei ser divertida o suficiente para apresentar em público. Um rocker com uma capa que voou da realidade a cantar para a consciência alternativa de todos. Não muito diferente de uma versão em cartão do Matrix ou assim, não sei. A seguir veio Otot: metade homem, metade marionete de sombras que apenas existe em mensagens de texto apagadas. 

TO: Como é que arranja as ideias para os seus vídeos? Porque não são convencionais de todo (num bom sentido). 
MP: Hmm, eu apenas fiz um vídeo: Satan Is In My Ass dos Evil Superstars. Queria saber se seria divertido (não foi) e limitei-me a fazer bluff durante todo o processo, ao analisar primeiro alguns vídeos dos Bon Jovi e depois a dizer a toda a gente o que fazer como se fosse o meu quinto filme para a Dreamworks. Eu nunca preferi filmar, é demasiado vistoso. 

TO: Quais são as diferenças para si entre escrever para um álbum e escrever para um projecto como o NieuwZwart? 
MP: Para o NieuwZwart tivémos de seguir os bailarinos, o que é arrasador. Eu acho que eles eram totalmente fantásticos e muito, muito inspiradores. Aí nós pudémos fazer algumas das minhas coisas preferidas. Riffs irregulares, rock livre, variações temperamentais... maravilhoso. Há mais para vir em 2012. 

Mauro Pawlowski by NansieDN

TO: Existe, para si, alguma diferença entre tocar ao vivo para audiências grandes como faz com os dEUS e tocar em concertos mais pequenos, para menos pessoas, como acontece com alguns dos seus projectos? O seu comportamento em palco é sempre o mesmo ou há uma diferença de atitude, consoante o tipo de concerto? 
MP: Há uma diferença. Eu não vou entrar em palco a usar uma capa em frente a, digamos, 20.000 pessoas que esperam pelos dEUS, e atirar todo o equipamento para fora do palco a meio do concerto. Eu poderia ser alvo de alguns olhares curiosos e desnecessários nesse caso. Mas eu gosto principalmente de me mexer em palco. As pessoas normalmente pagam para te ver e - chamem-me antiquado - eu acredito que tens que lhes oferecer o elemento do espectáculo. Eles estão lá para te ver, por amor de Deus!
 TO: Em todos os seus projectos, há sempre uma linha de alta qualidade. Como é que consegue mantê-la? 
MP: Bem, obrigado. Contudo, alguns podem discordar, o que não faz mal. Basicamente, eu levo o meu trabalho a sério. Tenho uma ética de trabalho. Mesmo assim há imensas pessoas a abanar a cabeça em relação ao porquê de eu tragicamente desperdiçar todo o meu suposto talento. Eu gosto quando a audiência gosta do que eu estou a fazer, mas não vamos exagerar. E digo isto numa voz amigável, não como uma declaração. 

TO: Gosta de alguma guitarra em particular? Porque quando toca com os dEUS, vemos muito o Mauro com a Fender Telecaster, e no entanto também já o vimos tocar com muitas outras. Tem alguma preferência? 
MP: A minha Telecaster Thin Line é, das minhas guitarras, a que soa melhor. É por isso a que uso mais. Uma guitarra precisa de te assentar bem, é como uma peça de roupa. E como eu disse, eles estão a observar-te de qualquer forma. Não trato as minhas guitarras muito bem. Gosto de as atirar por aí de vez em quando. Se elas não fossem tão caras... 

TO: As suas canções fazem parte dos momentos especiais, de memórias, são parte da vida de alguém. Está consciente do impacto da sua música na vida das pessoas? 
MP: Na verdade, não. Desculpem, eu sei que soa mal, mas é verdade. Ocasionalmente obtenho reacções estranhas, fanáticas de pessoas. Por isso sei que há um impacto de alguma forma, às vezes, seja a que nível for. Mais uma vez, aí acho importante apresentar-me como um membro da plateia que precisa de subir ao palco por um bocado mas que “estará de volta num minuto para continuar a vida civil”. Por outro lado, não sou muito sociável com estranhos. Por exemplo: odeio chamadas telefónicas. É como estar a falar com um fantasma, se me é permitido agir de forma um pouco artística por um segundo. 

Mauro Pawlowski by NansieDN
TO: Considerando toda a música que fez, tem alguma que goste em especial? Se sim, porquê? 
MP: Gosto da maioria das colaborações porque gosto das pessoas. Gosto mais de algumas coisas que fiz do que de outras. Mas isso é apenas pela forma como as fiz. Eu nunca acabei canções como referi anteriormente. Agora, quero mudar isso. Aposto que vai fazer com que mais pessoas realmente gostem mais de mim. No entanto, tenho 40 anos. Posso lidar com o nonsense melhor do que alguma vez pude. Venha ele.  

TO: Quando e porque é que decidiu ser músico? 
MP: Eu cresci numa família bastante musical, por isso era normal tocar como hobby. Então, aos 8 vi a banda do meu tio ensaiar na garagem do meu avô. Um grupo de gregos, italianos e turcos a tocar riffs lentos e pesados dos anos 70. E realmente nos anos 70! Muito fixe. Vi a luz. E as namoradas deles. 

TO: Que conselho daria a alguém aspirante a músico? 
MP: É cada um por si próprio. 

TO: Quais é que são as suas influências musicais mais importantes? 
MP: Heróis da guitarra (Page, Iommi, Van Halen, Belew, Hendrix, etc.), compositores modernistas (Feldman, Scelsi, Xenakis, Cage etc.), deuses da bateria (Bonham, Rashied Ali, Billy Cobham, Ginger Baker, Bill Bruford, Andrew Cyrille, John French/Drumbo, Tony Allen etc.), vozes femininas (Joni Mitchell, Julie London, Dinah Washington etc.), sons não ocidentais, não músicos, pessoas/amigos/colegas locais e Crazy Horses dos The Osmonds. 

TO: O que gosta mais em Portugal? 
MP: Eu gosto verdadeiramente quando cantam em português.




O nosso muito obrigado a Mauro Pawlowski por esta oportunidade.