Aquela coisa

Hello everyone.

Aqui estou eu para falar da música mais espectacular que se pode ouvir num concerto. É aquela coisa que eu não sei bem explicar, mas esta música tem algo que definitivamente me eleva a novas galáxias de emoção. Na verdade são três músicas. Uma mais que a outra e a outra mais que a terceira. Mas todas elas me tocam bem fundo em sentimentos diferentes.

Escusado será dizer que as três músicas são dessa banda que eu nunca falei aqui antes. Os dEUS. Ora nem mais. Há muita gente que gosta deles, mas daí, apenas um décimo deles deve entender em toda a sua plenitude o que significa gostar dos dEUS e o que é que significa gostar das músicas dos dEUS.

A música que mais excita, apenas pela adrenalina do carrossel de som e esquizofrenia que contem, é a Suds & Soda. É algo naquele violino electro-maníaco-repetitivo, junto com a guitarra marcada à qual juntamos o Tom Barman a cantar quase que num hip hop subvertido num rock, junto daquela voz insistente e poderosa que grita "FRIDAY". É algo nisso tudo que caminha a olhos vistos para uma apoteose que apesar de saber que vai chegar me surpreende sempre de tão intensa que é. Seja Super Sharp ou Sabotage naquela pausa final a música ganha uma força de explosão e êxtase contido que mais nenhuma consegue ter.






Eu estive lá!



A segunda música no meu top é uma música com a qual me identifico bastante até porque foi a banda sonora do período mais feliz da minha vida :)

Começa com uma inocência semelhante àquela que sentimos quando partimos à descoberta. É um fio que puxamos com uma mão de cada vez e que traz sempre qualquer coisa nova, qualquer detalhe novo e delicioso. Na música são as guitarras, o violino ou o piano, a voz e a outra voz que aparece no refrão. É a segunda parte onde nos recriamos num jardim repleto de dentes de leão e felicidade oculta nos sentimentos que não queremos bem mostrar ainda. E volta o refrão agora cantado a dois e que acaba no início do maior splash musical de sempre. Um solo de cinco notas apenas. com uma guitarra, normalmente empunhada por um senhor que deve ser um dos melhores escritores de música de sempre e que sente esta música bem a sério quando está em palco. E ver o violino a subir. A bateria a aumentar a densidade como o pulsar de um coração que caminha para um grande momento de emoção. E a outra guitarra cada vez mais depressa e a música cada vez mais intensa, apesar de parecer impossível aumentar, ela aumenta e na minha cabeça tudo o que aparece são momentos e fotografias que nunca poderei emoldurar mas que estão bem à vista na minha cabeça e no meu coração e que significam mais que tudo para mim e com isto tudo, quando a música acaba naquele fim que se perpetua eu tenho lágrimas nos olhos. Só nesta música.







Nesta versão tal como na seguinte não estive, mas já as vi ambas três vezes. O que é fucking amazing!

Finalmente a outra música desperta em mim algo de mais selvagem. Desperta um bocado a revolta. A sample é repetitiva, mas confiem em mim. Se ouvirem aquilo ao vivo sentem a roupa a tremer com a força daquele som. Um som que não nos deixa olhar para o lado. Chama-nos. A música evolui com uma coisa de cada vez, com uma letra sobre alguém que quer impôr algo com boas maneiras. He said No More Loud Music. E quando a música nos começa a conquistar pelo seu groove e pelo seu jingar (não em ocorre palavra melhor) "I told you once I told you twice" e bum! A música rebenta a intervalos de poucos segundos. Sendo que em cada explosão há sempre algo de novo e mais forte. Ao fim de algumas explosões a banda contenta-se com por tudo no mesmo ritmo, acompanhado de loops maníacos e sinistros, enquanto alguém pergunta "You got something to say? C'mon tell me right now!" sim, eu penso nisso muitas vezes, apetece-me muita vezes perguntar a muita gente se têm problemas e às vezes faço-o e digo o mesmo, forço e tenho vontade de forçar as pessoas a terem coragem para mo dizerem na cara. E depois STOP! e alguém começa a gritar acompanhado por uma guitarra que em breve é toda uma banda num ritmo maníaco e assustador que parece um sonho mas é na verdade um puro momento de adrenalina em que nos excedemos até que a música por breves segundos volta ao ritmo compassado e poderoso em que estava antes, apenas para voltar à adrenalina com a ainda mais força. Como alguém que reforça um argumento e que não esquece o que acabou de dizer e que quer dizer. A música volta ao ritmo anterior apenas para voltar a uma versão reduzida dos gritos que a mim me soa a apenas a "Eu não esqueço! E estás avisado".

Os problemas que não são problemas, mas para alguns são problemas, porque eles próprios são problemas

Hoje em dia, seja na vida normal,seja na vida na Internet (blogs etc) há um drama de problemas.

Ah, porque... Bem eu ia dizer para aqui umas parvoíces mas hoje estou numa de ir directo ao assunto.

Vou escrever hoje o manual dos relacionamentos. Porque isto para as pessoas é muito mais difícil do que seria de esperar.

As pessoas de hoje em dia levam de forma leviana as decisões importantes no que concerne a relacionamentos. Por exemplo, namorar não é nada de sério hoje em dia. Pronto namoramos, como quem puxa de um cigarro e fuma ou como quem liga a tv. É um acto sem (aparentemente consequência). E depois passados meia dúzia de namorados começa-se a ter dúvidas. Já não sabemos bem quem é que nos satisfaz as medidas e não sabemos sequer controlar as nossas atitudes, ou conseguimos mas pensamos que não conseguimos tal é o medo que temos de voltar a falhar.

A conclusão a que se chega deste facto é. Fazendo a analogia com um desporto, tipo basquetebol. Quando se tem a bola tem-se 24 segundos para lançar ao cesto. Portanto o jogador pega na bola e passa a um que a passa a outro e o tempo vai escoando. Se a equipa não delinear bem uma jogada não vai ter nenhuma boa chance para lançar ao cesto. E então já se terão passados 10 segundos e a equipa tenta fazer nova jogada, só que esta está muito mais pressionada e tudo é questionado. Porque agora a equipa já não quer ser leviana pois isso deu mau resultado. E quando se dá por ela, dos 24 segundos já só sobram cinco e então a bola vai para alguém que ou não consegue lançar ao cesto ou então faz um mau lançamento e falha redondamente ou por uma hipótese de sorte acerta em cheio.

Acontece que na vida as coisas são parecidas. Porque quando somos novos não pensámos bem nas coisas (vá-se lá saber porquê porque hoje em dia há todas as hipóteses para já se estar a contar com isso) e então deixamos nos deslumbrar por pessoas que não são nada de especial. E à primeira tudo bem. É a descoberta.
O que acontece é que passados uns anos temos 25 ou 30 anos e damos por nós ainda a viver na casa dos pais ou sozinhos e com um currículo de namoradas/os extenso. E queremos dar um rumo à nossa vida sentimental e, muitas vezes, consequentemente à nossa vida social e económica. Só que vamos sair com aquela rapariga ou aquele rapaz e temos sensações, que por termos um currículo tão extenso assemelham-se a outras sensações que já tivemos. E daí volta o medo de passar pelas mesmas coisas que passamos. Então começámos a questionar as nossas atitudes e aquilo que devemos ou não fazer e dizer. E quando as coisas estão bem vemos uma fotografia, ou várias, e lá estão aquelas desilusões que por não termos ligado nenhuma a nós próprios deixamos que acontecessem. E é uma bola de neve. E depois dos 30 vem os 31 e por aí fora e quando as pessoas dão por si estão secretamente desesperadas com a sua posição. E chega o dia em que perdemos os medos e baixamos as guardas e vai qualquer um/uma. Tal como no basquetebol, no fim lança-se mas não se sabe bem para quê.

Por isso o que eu digo é, se são inteligentes pensem no que vos aguarda. Pensem se essa pessoa com quem gostariam de curtir vos fará bem ou mal a curto prazo. Pensem se fariam sacrifícios por causa dessa pessoa e se essa pessoa faria o mesmo por vós. Se essa pessoa se levantaria numa manhã fria para vos trazer algo ou se acederia antes ao seu egoísmo e se fariam o mesmo por essa pessoa.
Em última instância. Pensem se seria capazes de se excederem no que quer que seja para que essa pessoa possa ser mais feliz (nem que seja só um bocadinho) e pensem essencialmente se essa pessoa o faria por vós. E também não fiquem magoados porque a pessoa ao vosso lado errou, a principio podem ficar mas se gostam realmente têm de ultrapassar isso. Obviamente não estou a dizer que se levarem na cara devem ficar, mas às vezes há relações que acabam por coisas pequenos ou por uma sucessão de coisas pequenas, que é uma parvoíce.

Não é garantido que não errem, mas é melhor do que ser leviano.

É o que eu tenho a dizer e mais digo. Deixem-se de parvoíces e de lamentações. Sejam vocês próprios. Parem de fazer asneiras para depois chorarem rios sobre leite derramado. Se o fazem são estúpidos e criancinhas. Só não aprende quem não quer e 90% das pessoas hoje em dia tem uma memória de cão. Pouco tempo depois já não se lembram de nada, mas até os cães se lembram daquilo que fizeram mal e têm medo de voltar a fazer.

Great American Nude

Great American Nude é uma música que pertence ao primeiro disco dos (almighty) dEUS.

A música em si é muito boa, obviamente, contudo hoje falo de uma versão que anda por aí na internet, que é Great American Nude (Strip Mix), que penso que foi editada no cd single Via, em 1994.

Na verdade, não me apetece descrever a música, apetece-me apenas dizer que os dEUS, como sempre, são aquela banda que parece recriar as idealizações da minha imaginação. É muito impressionante como a maior parte das músicas deles ou soam ou falam de algo com que eu me identifico muito.

Esta música, começa com uma voz à qual se vão juntando sucessivas camadas. Primeiro uma voz, depois a bateria, depois a outra voz, depois um baixo e uma guitarra, depois um piano, depois um violino etc.
No início da música vejo alguém a expôr uma teoria, mas à medida que a música progride parece que cada instrumento é um convidado que se junta a uma festa que vai crescendo como uma bola de neve. Com naturalidade. Sem se forçar a ida a um caixote de luzes e sons aberrantes e monótonos. Ou a ida a um sítio onde por norma toda a gente está. Uma festa natural onde até um piano alegadamente desafinado e fora de ritmo fica bem. Onde nada fica de fora e os pormenores não se esquecem, porque os pormenores são feitos por cada um e não pela multidão. Onde cada um tem uma coisa a acrescentar e não se limita a ser o mesmo que os outros. Onde se pode cantar e gritar e inventar teorias sem ser recriminado por não sermos mais do mesmo. Em suma, a festa a que eu gostaria de ir e que não vou porque se existe ainda não cheguei perto de uma.

Esta música desperta esse sentimento. O tipo de festa que eu gostaria e teria prazer em ir. Uma festa onde toda a gente está confortável na sua própria pele. Infelizmente hoje toda a gente tenta ser aquilo que não é.

She had this thing about Aleister Crowley
It finally became an obssession
She had this thing about Aleister Crowley
Turn into a fascination

I don't mean to be rude...
Great American Nude

Burton in a salad bar sweet like a candy bar
No more sugar for a clean genius in quarantine
I mean where's the love, where's the hate
What's a smiling face and a sunburned prostate
For a man that great.
Richard there, Richard here,
Richard quoting Shakespeare,
Back and forth and back again,
To be or not to be a man.
Lizzy's getting dizzy,
she should've known it from the start
Being rich is just a lifestyle
Being alive is just a part

That's what makes a kilo heavier than a gram, mam
That's what makes a kilo heavier than a gram, mam

Pool smart, move fashion
And the crowning on a brown man
Black is butter count the shaky hands
I got a gift from my mother,
She got it for a dime
Maybe she got it from someone else
And I don't mind

But it's just a phase
When i get crazy
Can't tell the picture from a sound
I thought we would just call her
Great american Brown
Great american Brown

You see, I got it from my mother
She got it from a book
Get the gallery connected
Get the clientele to form
Save a demon for a duck

Burton in a salad bar sweet like a candy bar
No more bourbon for a clean genius in quarantine
I mean where's the love, where's the hate,
And what's a smiling face and a sunburned prostate
For a man that great.
Richard there,
Richard here,
Richard picks his final ear,
This was from my mother,
I never asked it back,
Because since I lost her boyfriend,
I tend to allow every man,
To get it to a little try.

Walk that walk,
Talk that talk,
Hey I wanna testify

Great american nude
Take American Express ?

Uma afirmação

Já aqui falei antes dos Monty Python. Contudo, sempre que penso no primeiro episódio do Monty Python Flying Circus, deparo-me com o pensamento de que, o primeiro episódio é uma verdadeira afirmação, do género "Aqui estamos nós!". O primeiro episódio é o resumo ideal do tipo de humor que os Monty Python desejavam fazer. Ainda antes do "And Now For Something Completely Different" já eles estavam a fazer e a mostrar algo de completamente diferente.

O programa começa com a invulgar entrada de um náufrago para dizer apenas "It's" seguido do genérico em que é anunciado o nome do programa. O primeiro sketch, é aquele incomum programa de mortes famosas, apresentado por um incomum apresentador. Wolfgang Amadeus Mozart. É verdade, mortes avaliadas pela sua espectacularidade com pontuação. Contudo antes do primeiro sketchs aparece um senhor a sentar numa cadeira e o som de um porco, seguido de um risco sobre um porco desenhado num quadro. ????????????????????????

É isto que eu acho fabuloso nos Monty Python. Porquê? Um porco? O que é certo é que a piada torna-se recorrente no programa introduzindo mais tarde o sketch do professor de italiano a ensinar italiano a italianos. Cartoons altamente "Old Fashion" de Terry Gilliam, entrevistas a realizadores que não gostam de ser tratados por diminutivos. Um compositor conhecido por dois barracões. Um viking que está no programa só para dizer "Jackson". Picasso a pintar numa bicicleta em competição com os mais variados artistas plásticos. Mais cartoons e dois generais a organizar as suas tropas num mapa, onde as tropas estavam sinalizadas com porcos (?). Entrando no último sketch sobre a piada mais engraçada do mundo, que era também mortal, transformando a guerra numa piada, bastante nonsense por sinal.

Deixo aqui dois vídeos com o primeiro episódio da série, para poderem apreciar e ler (ver) a afirmação dos Monty Python.

São apenas os maiores comediantes de todos os tempos.

Parte 1


Parte 2

dEUS é...

Ideal Crash.






A recordação de tardes de verão quentes, cá dentro. A recordação de uma energia constante, de uma vontade de dançar, de conhecer, vontade de ir ao ar e permanecer, permanecer onde ainda permaneço. Vontade de me evadir nesta música, de absorver cada notazinha, cada tempo, cada verso dentro de mim e não largar! Ouvi esta música TODOS os dias, a música e o disco, mas esta música foi das primeiras a encantar-me, com toda a sua inocência, com toda a sua verdade e diversão, a emoção que uma música a sério pode transmitir, e hoje traz-me a alegria de (não só continuar a ouvi-la e a apreciar cada bocadinho) me ter apaixonado ao som desta música, desta banda, e deste disco em particular, que me fez companhia sem igual, e que hoje marca, e me traz todos os sons, os cheiros, as sensações e a alegria que me é tão especial.

Tenho muita sorte. A banda sonora do início da relação que me irá durar para a vida não tem igual. E vai sempre ser para mim algo de inexplicável e de muito mágico, da simplicidade das coisas pequenas.
dEUS é a música que ilustra as horas que passo, dEUS é tudo aquilo que eu penso e sinto cantado, dEUS é as minhas convicções em versos, dEUS é a minha alegria em lembranças e é a melhor música para andar na rua, por comboios e por parques dez centímetros acima do chão, em dias de verão e com a segurança da sua mão! (e para todos os outros dias)

Stay by my side, it's sexy
The way that we talk about stuff
The way that we laugh with love
The way that we're falling off

Stay by my side. I want you
Continue the theme that's us
Even though it's only lust
The painkiller side of this life.

cRASH, you're life been sucking cause you wanna mess around
Can anybody down you with a cRASH
Another way of saying that you like to make it up as you move along. If it's a lot,
Show 'em what you got!
cRASH you're gonna go to hell with a certain inclination
Try and make it sell and then you cRASH,
You're gonna have to take yourself out of circulation into something else
If it's a lot, show them what you got
Right now I need my hands, to cover this shit up
I need my eyes to see where I'm going, and I need someone...

My Ideal Crash *my ideal love*

Crise. Onde?

Abre-se um jornal. Crise. Vê-se TV. Crise. Vai-se à Internet. Crise. Vai-se a um hotel fazer uma marcação para uma reserva. Já não há vagas.

É de facto paradoxal que a crise instalada não abrande muito o consumo. Dá-me a impressão que as pessoas sabem muito bem queixar-se.

Ai isto! Ai aquilo! Vamos fazer um fim de semana prolongado? Ai... Espera, para isso tenho ali uma poupança. Ou então podemos simplesmente pedir emprestado, a quem quer de seja, vamos e pagamos depois, com um dinheiro que eu prevejo ganhar na Árvore das Patacas.

A verdade é que, por todo o lado, continuam a ser
construídos centros comerciais, que são verdadeiros paraísos do consumismo. Se há uma contracção no consumo, é de prever que haja uma contracção na oferta. Penso que, logicamente, se há menos consumo, nem todas as marcas vão conseguir vender. Mas bem, Portugal é algo de paradoxal. Porque em Portugal continua-se a gastar muito dinheiro em coisas supérfluas.

Portanto, havendo menos dinheiro era de
supor que houvessem menos pessoas a encher hotéis a cada fim de semana prolongado. Mas o que é certo, pelo menos em relação aos hotéis que eu conheço, é que estão cheios, ou quase. Não consigo encontrar explicação para isso.

Penso que em Portugal há uma acomodação das classes. Onde as pessoas têm e querem mais, contudo parece-me que, pelo menos em relação ao estado, isso está estrangular a gestão de dinheiro de Portugal. Senão veja-se este caso.

Para ser mais cómico vou colar aqui parte da notícia

"Magistrados vão ficar sem subsídio de renda

Juízes e procuradores que residam na área da comarca ficam sem o complemento de ordenado. Para os que moram fora, o Governo quer reduzir verba em 20%. O actual valor do subsídio é um pouco mais de 700 euros/mês"

Portanto. A notícia em si é escrita de uma maneira bastante estúpida. A começar pelo título que induz qualquer um em erro. Pois não são todos os magistrados. E depois eu no meu trabalho não recebo subsídio de renda. Tal como a esmagadora maioria dos trabalhadores.
Neste caso é, de certa forma, bom que o Estado dê um subsídio de renda para quem tem de mudar de residência para exercer a profissão. Mas 700€ dá para alugar dois apartamentos, ou um excelente
apartamento. Ainda sobra dinheiro para pagar água, luz, telefone etc. Serviços que todos os portugueses são obrigados a pagar do seu bolso. Mas como a notícia diz, o subsídio é de apenas 700€. Coitados. Para além de ganharem salários superiores a 2000€ (em início de carreira) é muito pouco. Não sei como conseguem viver.

Sendo a redução de 20%, o subsidio ficará perto de 550€. Não é nada. Isso para um
juíz nem dá para comprar um pão. Pelo menos segundo os juízes, que já planeiam formas de luta. O que eu na minha opinião acho bastante ridículo. Ah, e na reforma eles continuam a receber o subsídio.

A crise de Portugal, e respondendo à pergunta do título do
Post, está nas classes que agem corporativamente. Que não deixam que qualquer reforma vá avante. Porque mexe nos seus direitos adquiridos, apesar de absurdos (como o caso deste subsídio). O Estado deveria ser mais autoritário. O que tem de ser, tem de ser e ponto final. Obviamente, cabe às pessoas defenderem-se quando as medidas forem injustas. Porém, o Estado tem que poupar nas suas próprias despesas. E se isso implica diminuição de certos serviços, tem obrigatoriamente de implicar uma rentabilização de recursos. Há gente a mais em certos sítios e gente a menos noutros. E o Estado não pode mover essas pessoas, porque elas se recusam. Então contrata-se mais. Sem necessidade absolutamente nenhuma. O Estado não devia permitir esse tipo de coisas. Eu se tenho uma empresa movo as pessoas consoante me dá mais jeito. Claro que não vou tirar alguém do Algarve e colocar essa pessoa em Valença do Minho, a não ser que ela queira. Mas há quem vá de Coimbra para o Porto, do Porto para Lisboa etc etc. Contudo o nosso Estado não pode fazer isso. Ou melhor, pode, mas se o fizesse o país parava com a indignação dos funcionários públicos.

Às vezes a minha mãe conta-me que nos anos setenta, quando os trabalhadores dos
têxteis iam reivindicar pelas péssimas condições de trabalho e salariais, os trabalhadores da função pública respondiam acusando os manifestantes (trabalhadores do sector privado) de serem comunistas e reaccionários. Só que na altura lutava-se por algo justo. Agora luta-se apenas pela irracionalidade de querer ter sempre o mesmo ou mais e não abdicar de nada. Por muito estúpido que possa ser.

Enfim. A crise em Portugal, está no corporativismo. Quando se ataca os
juízes, os professores aplaudem, quando se ataca os professores, os médicos aplaudem, quando se ataca os enfermeiros, os juízes aplaudem e por ai fora. É a política de olhar para o nosso umbigo, que enquanto não acabar coloca Portugal num ciclo muito vicioso e muito pouco eficiente.

Portanto, não venham afirmar que o problema está nas governações que nos últimos 20 anos têm sido todas iguais, com o Estado a não ter autoridade nos seus agentes e não
rentabilizando os recursos humanos que tem, essencialmente. O problema está aí. Enquanto o Estado não se rentabilizar a si própria vai consumir tudo o que está à volta.
E também não venham dizer que é preciso cortar nos serviços sociais. Alguns é, mas a maior parte pode ser mantida. O Estado Português, gasta 8% do produto interno bruto em Educação e outro tanto em Saúde. E ambos funcionam mal. Há países na Europa em que funciona bem e gastam apenas 8% no total das duas coisas.

Concluindo. Há mais de 10 anos que a política e a comunicação social estão a atirar areia aos olhos dos portugueses dizendo que a governação é má. Porque quem está lá é que tem de lidar com o estado das coisas e tomar as decisões e, segundo esse ponto de vista, vais estar sempre mal, mesmo que as decisões fossem à
raíz do problema. O que interessa é criticar e deitar abaixo para que o próximo seja outro partido que vai fazer o mesmo, porque não pode fazer diferente.

Bem-vindos à geração precoce (sarcasmo)

A juventude de hoje em dia é muito precoce. Começam a mexer em telemóveis cedo, começam a fumar mais cedo, começam a beber (cough, cough. A apanhar bebedeiras) mais cedo, trabalham com computadores mais cedo, acedem à internet mais cedo. etc etc. E então pergunto-me.


PORQUE É QUE CRESCEM TÃO TARDE?


Sim, a juventude de hoje, numa extensão dos 15 aos 30 anos, cresce muito mal.

A mim dá-me vontade de vomitar, ver pessoas com 25, 28, 30 anos, ainda na universidade. Dá-me vontade de vomitar naqueles casos em que por pura inércia, alunos se mantêm a arrastar num curso que nunca mais acabam. Pessoas (se souberem de um termo mais apropriado digam) que veem os pais, os padrinhos, os avós e outros benfeitores a pagar propinas atrás de propinas e acham perfeitamente normal. E o problema é que não são uns anormais isolados, são cada vez mais. De certeza que por aí algures há pessoas que entram na universidade e encontram lá tios, encalhados na universidade.


- Vozes do outro lado do monitor "Mas espera, encalhados não! Quem eu? Eu que estou batidinho em todas as festas de curso e o diabo a sete (mas que me farto de protestar contras as propinas porque não tenho dinheiro)? Eu que vou a todos os festivais da minha universidade e gasto dinheiro a planear as praxes (outra coisa muito interessante) do ano que vem (mas não tenho dinheiro para comprar um manual)? Que apesar de mal sucedido escolarmente sou bem sucedido no mundo alternativo dos veteranos da minha Universidade? Isso não é estar encalhado, é viver! Tu deves ser é um frustrado, é o que é!"


Eu por acaso para além da vontade de vomitar, às vezes fico frustrado, porque afinal há pessoas que ficam presas num loop. Levantar, maquilhar se for menina, sair tomar um café com aquele, falar de coisa nenhuma com outro, faltar às aulas, ou chegar tarde ao trabalho, apesar de irmos de carro e ser só a cinco minutos a pé. Acabar as aulas ou o trabalho, voltar a casa, falar mal daquele e mais de não sei quem, disparar uns filetes para o ar de uma coisa que não percebo nada, alegar que estou cansado por isso vou sair e beber mais um copo (muito mais relaxante do que um banho, um sono ou até ler um livro). E no dia a seguir, exactamente a mesma coisa. E a geração que era precoce, afinal fica encurralada no seu próprio comodismo, num círculo vicioso.


Obviamente há excepções. Há quem aos trinta anos esteja na universidade a completar um mestrado ou um doutoramento, louvores a essas pessoas que têm um projecto de vida. Há quem aos trinta anos já tenha uma casa e filhos até e uma vida estável. Até antes dos trinta. Há pessoas que sabem o que querem. Que não andam a comer sono e que fazem pela vida.


Mas a maioria das pessoas hoje em dia não passa de uns rebeldes que faltam às aulas ou que se estão nas tintas para o trabalho, mas que todos os dias perdem horas com a nerdice de actualizar o Facebook. O mundo está repleto de pessoas que fazem opções na vida, sem saber bem porquê. E eu penso no que é que essas pessoas andam aqui a fazer.


Hoje em dia, há imensos recursos que nos fazem expandir as nossas opções, perceber o que queremos e porque queremos, o que gostamos e o que não gostamos.


Ao invés toda a gente gosta da mesma merda de música (podia enunciar mas comi há pouco) e da mesma merda de livros (idem) e toda a gente diz "Oh que intenso! Que lindo!" omitindo o facto de esse livro ser o mesmo que leram da outra vez mas as personagens mudaram de nome e fizeram as férias num sítio diferente. E se leem bons livros saem-se com coisas do género "É tão profundo!", porque para essas pessoas é tudo igual, se lhes déssemos um livro de reclamações também era muito intenso, especialmente nas folhas amarelas. Até digo mais, se eu fosse dono da Colhogar elaborava uma edição especial todos os meses. Papel higénico em livro e tenho a certeza que era um best seller. Intenso como o café e preenchido como um sudoku fácil. E se ele fizesse do género, autor do mês - Nicholas Sparks (ou Stephenie Meyer, ou Christopher Paolini, ou Dan Brown etc), até eu comprava. Teria todo o prazer em usar esses textos.


Até porque agora é tudo intenso. Vai-se a um facebook ou outra porcaria do género e é uma torrente de "adoro-te", "amo-te", "és muito importante para mim", "Nunca me deixes" ou ainda "Os meus dias são mais brilhantes desde que te conheci". É um jorrar de emoções incompreensivel. Porque uma coisa é eu virar-me para a minha namorada e dizer "Gosto muito de ti". Outra coisa é "Gostei muito da tarde de hoje (em que fumamos uma erva e bebemos umas cervejas, para além do que foi a primeira vez que estivemos juntos) és muito especial. Adoro-te" Isso é apenas dissimulação e acentuação dos sentimentos, que muitas vezes não foram bem esses. Hoje em dia, não há simpatias, ou somos amigos para sempre ou não nos conhecemos. Mas se já troquei um olá com alguém, esse alguém é imediatamente meu amigo. Do peito!


Mas bem, tudo para dizer que as pessoas quantos mais mecanismos de informação têm e mais horizontes veem expandir mais ficam para trás, quando devia ser ao contrário. Era suposto ser bom termos mais hipoteses e mais oportunidades, mas parece que não.


Isto é um desabafo que faço de coisas que me incomodam, não por mim, mas pelas pessoas em questão que continuam a desperdiçar tempo, que nunca mais vão poder recuperar. Ainda hoje no comboio uma mãe e a sua criança viajavam e por duas vezes a criança pediu água e por duas vezes a mãe pegou na água, mas a criança nem uma vez bebeu porque das duas vezes a mamã recebeu umas sms's no telemóvel e então esqueceu-se de lhe dar a água. Enfim.


Esta letra é de uma música que eu gosto muito. Chama-se Is A Robot e hoje em dia a maior parte das pessoas parece estar programada para reagir de forma igual aos estímulos, por isso gosto bastante da letra. A música é dos "almighty" dEUS!


Air of a temptress

Buxom and bright

We're not missing anything

At least not tonight



Chimera of charm

Innocent of hardship

Luxurious qualm

In a self-darkened daytrip

And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone

We don't really care
If the world is a mess
We are programmed to the grid
Of pleasure and bliss

But arrows or drifters
We all just pretend
That we will not succumb
To the ultimate trend

And then I'll take you home
Where we live and where we roam
Is a robot zone

We like the attention
But we hate to be judged
As we proudly parade
Where we see others trudge

We are slaves to addictions
That have no effect
And with loving precision
Isn't it love we dissect

And then I'll take you home
Where we live and where we roam
On the bed and on the phone
Don't stop, cause every place you've known
Is a robot zone

Oh My God That's Absurd!

Hoje estava a ir para casa e iniciou-se uma conversa sobre esse fenómeno da música Lady Gaga (para todos aqueles que estejam a ler e possam gostar, sabe-se lá porquê, eu estou a ser irónico relativamente ao fenomenal).

A curiosidade é que imediatamente fiquei com uma dor de barriga que só se resolveu com uma ida à casa de banho. É caso para dizer que estava a falar no diabo e ele apareceu!

O absurdo é algo que atrai uns e afasta outros de coisas em particular. Há músicas em que há coisas absurdas assim como na comédia e outras coisas. Mas essencialmente nestes dois.

Na comédia há bastantes grupos que usam do absurdo para executar as suas peças. Já aqui falei dos Monty Python onde havia uma certa dose de absurdez. Contudo não baste chegar lá e dizer uma série de parvoíces e pronto toda a gente se ri. Por exemplo, no vídeo presente no nosso blog do sketch”Dirty Fork” dos Monty Python. É absurdo um cliente queixar-se de um garfo sujo e toda a gente menos o cliente fazer um escândalo. Normalmente seria o cliente a fazer um grande “filme” porque é inadmíssivel um grafo sujo estar numa mesa de um restaurante. No entanto ali é ao contrário e isso é absurdo.

Por exemplo eu acho muita graça. Mas muita gente é capaz de ver e dizer “Que parvoíce! Qual é a piada de um quadro destes. Matou-se por causa do garfo sujo, estúpido”. E por um lado até compreendo o que essas pessoas querem dizer porque aquilo é de facto bastante estúpido. Não tem ponta por onde se lhe pegue se olharmos com uma certa distância. O que é certo é que para mim tem piada e acaba por ter uma certa lógica. É a piada de inverter os papéis e ver o absurdo da situação. Porque se no sketch Dirty Fork eles acabam por morrer por causa do garfo, o que é certo é que há clientes que quase morrem por causa de um garfo sujo e por outra imperfeição qualquer do local onde estejam a ser servidos. E fazem um escândalo e ameaçam gratuitamente com uma reclamação no best seller “Livro de Reclamações”.

Voltando ao assunto, o que é certo é que uns acham graça e outros não e às vezes fico a pensar porquê. Porque é que para uns é e para outros não é, porque aquilo para mim tem tanta piada, e agora não me refiro única e exclusivamente ao sketch do garfo sujo, que se eu mostrar alguem e me disser que não tem piada e que é ridiculamente estúpido, fico com vontade de esganar a pessoa em questão e dizer “Como é que é possível não gostares disto!”.

A mesma coisa se passa com a música. Há coisas que não cabem na cabeça de ninguém e que pouquíssima gente no seu perfeito juízo publicaria.

Quem alguma vez faria uma música rock bem feita que lá no meio tem umas vozes estridentes que aparecem do nada a dizer “Queen Of The Niiiight”. Poucas pessoas, no entanto eu até gosto bastante dessa música. Acho que é um grande escape do estereótipo.

Porque se ligarmos o rádio (numa rádio, note-se) apanhamos o que queremos e não queremos de músicas sem nada de novo e com uma certa sensação de "deja vu" até. E se é certo que a maior parte das músicas que passam na rádio ficam no ouvido, o que é uma virtude, também é certo que regra geral são bastante irritantes, pelo menos para mim, porque é aquela musiquinha que já ouvimos milhões de vezes só com uma letra diferente. E quando se ouve algo, aparentemente absurdo, torna-se um escape espectacular. Essas músicas para mim acabam por ser uma afirmação do género “Nós somos a banda X e estamos aqui e fazemos coisas diferentes”. E não se confunda esta frase com aquelas pessoas que dizem e teimam que são diferentes, porque esses afirmam-se pelas coisas que dizem e no caso das bandas a que me refiro eles afirmam-se pelo que fazem sem nunca terem necessidade de afirmar o óbvio.

Isto são apenas pensamentos que me vêm à cabeça quando penso no porquê de certas pessoas gostarem ou não de algo em concreto.

Há também um certo tipo de absurdo que me irrita. Por exemplo, a Lady Gaga irrita-me sobremaneira. Porque os videos e os vestidos são de facto diferentes mas não há qualquer ponta de bom gosto. Porque colocar um chapéu que parece um telefone é de facto diferente. Não há dúvidas. Mas qual é o objectivo? Porque se ela tivesse aquele chapéu e servisse-lhe de telefone a sério ainda aceitava mas assim é apenas e só ridiculo. Acho que reduz-se a uma tentativa de se fazer notar. Contudo tenho a certeza que é um daqueles fenómenos que daqui a uns tempos ainda poderá lançar 'discos' mas ninguém se vai lembrar. Ou passa pela cabeça de alguem dizer que a Beyoncé é uma das melhores e mais originais artistas de sempre? Não, e não é por ter ganho uns quantos grammys que vai ser mais relembrada que outros.

Porque no fundo o que fica na história são normalmente aqueles que fizeram a diferença de uma forma ou de outra. Os Led Zeppelin ficaram para a história porque re-inventaram tudo o que havia sido feito no rock e tornaram-se nos percussores do hard rock actual e até mesmo do heavy metal.

Os dEUS foram a primeira banda independente da europa a ter destaque e assinar numa major porque de facto a música deles era independente e diferente de tudo o resto. Não era independente apenas de nome como muitas, ou melhor, como a maioria das bandas auto intituladas de 'indie'.

Os Monty Python revolucionaram a forma de fazer humor porque quebraram convenções e pré-concepcções sobre aquilo que deveria de ser uma peça de comédia.

Tolkien é relembrado porque do nada criou um mundo fabuloso e credível, apesar de todo ele imaginário e depois disso conte-se as obras de fantasia literária que houveram, não questionando a qualidade de nenhuma em particular.

E provavelmente estes fizeram a diferença por algo que era aparentemente absurdo, pelos meos logicamente, mas que no fundo tem uma intenção e na verdade têm uma beleza inigualável. As coisas que marcam a diferença no tempo acabam sempre por ter uma razão de ser lógica e perceptivel.

Quanto a outros fenómenos não se encontra explicação e não há explicação, e normalmente essa falta de razão para ser como é, coincide com a falta de personalidade do material em questão. Normalmente também a falta de personalidade determina a futuro, isto é, coisas sem personalidade e sem grande lógica acabam por ser completamente esquecidas durante algum tempo e farão parte daquele rol de coisas estúpidas que daqui a uns anos vamos ao youtube ver para nos rirmos por ser tão estúpido e por naquele tempo (hoje) ser considerado tão revolucionário.