Apontamentos de Leitura I

Ora hoje vamos falar de livros.

Decidi partilhar aqui convosco uma espécie de diário de leitura que mantenho.
Pois então tenho o meu caderninho de apontamentos em que num dos separadores vou sempre que acabo um livro. Tento pôr a data de início e fim, mas nem sempre me lembro nem de uma nem de outra. Portanto aqui vou pôr a digitalização da página ou páginas que eu escrevi, portanto terão a oportunidade única de admirar a minha letra.
Vou também transcrever pois a minha letra nem sempre se percebe bem.

Vou criar um separador lateral no blog com os vários posts desta rubrica. Se consultarem as nossas secções de literatura terão também links para os reviews disponíveis.

Não garanto que não haja spoilers mas na generalidade não revelo muito.

Desfrutem.

Jonathan Strange &; Mr Norrel

Susanna Clarke

É um livro fascinante.No Séc. XVIII ou XIX, já não me recordo bem, passa-se uma história mágica de dois magos em Inglaterra. O livro conta a história da paulatina evolução de Mr. Norrel e a ascensão fulminante de Strange, que não passava de um boémio que não sabia bem o que fazer da vida até que no meio dos arbustos alguém lhe disse que não só ele seria um mago, mas seria também um dos maiores de sempre.
Agora me apercebo da analogia engraçada. Norrel também teve a sua fase de Rei Corvo mas não tinha meios para conseguir grandes proezas ao longo da vida. (2ª página) Strange evoluiu depressa e teve, tal como Norrel, a sua loucura por Uskglass. Mas Strange teve a ajuda de Norrel que nesta altura já estava descrente em relação à magia do Rei Corvo.
É então que estala o verniz e os dois separam-se. A trama é extremamente bem escrita e bastante densa.
As descrições são maravilhosas e as pequenas histórias que rodeiam o enredo central são de uma beleza fabulosa.
Sabe bem este livro, é fantástico e forte. Esperemos mais 10 anos pelo próximo livro de Susanna Clarke.
Strange 1
Jonathan Strange & Mr Norrel 2

Toute ma vie...




est avec toi.


Numa retrospectiva de 2010 (ou não - vamos a ver), lembro-me de ter estado acordada até às tantas para ver o Unstaged em directo - nada de especial tendo em conta as horas a que me deito durante o verão, que não me deito tarde - já é cedo - mas estar ali, a sentir o cheiro da tinta fresca do meu quarto recentemente pintado, quase sem móveis, tu a dormir que nem um gato só te faltava o ronron, e eu em frente ao monitor a ver um concerto em directo de um sítio muito longe de uma das pouquíssimas bandas que me aquecem o coração. Só me deu mais vontade de os voltar a ver ao vivo (Super Bock Super Rock '07 HELL YEAH) , e ver assim um concerto à distância é altamente esquisito! É quase como se não fosse. Mas bem. Gostei, só fiquei um pouco nostálgica e com um pouco de ciúmes (que estupidez) de quem pode estar ali a ouvi-los. Mas se eles sempre vierem este ano lá os estarei a ver. Com toda a minha energia e esperança palerma de que se lhes acenar, eles vêem, mas é algo que faço sempre, pronto.
De acrescentar que mesmo online, foi fixe ouvir o Terry Gilliam, e ficar naquela expectativa do concerto.
Afinal uma das minhas bandas preferidas a passarem com a direcção do Terry Gilliam, que bastante admiro, o que poderia ser melhor? Só quando eles vierem, claro.
E termino agora este texto com pouco sentido referindo só que é uma pena a maioria das pessoas não perceberem de todo a mensagem deles.
Mas isso será tema para outras escrivinhações. O que interessa é que talvez eles venham e que eu os vou ver, e que se há muito tempo que espero por eles, o Unstaged certamente que me deixou ainda mais ansiosa!

Laranjadas musicais

Um dia estava numa pastelaria com um amigo meu e estava a dar música de porcaria. Naquela altura havia essa grande banda os EZ Special, que tinham aquela grande música do terererereru em que ele se confessava e dizia “I really am such a fool”. Nunca se disse tanta verdade numa canção. Mas bem, continuando. Eu e o meu amigo concordamos que se desse alguma música dessa banda tínhamos que ir embora. Basicamente, esse seria o limite que aguentaríamos. Eis senão quando, começa a dar aquela grande música da grande banda que tínhamos referido há cerca de 30 segundos. Saímos imediatamente e eu por mim falo, nunca mais lá voltei, já não me sabem bem as coisas de lá.

Uma outra ocasião passei pelo David Fonseca. Não nutria especial admiração mas também não tinha especial aversão. Obviamente, uns dias mais tarde li uma entrevista em que ele dizia algo do género (não exactamente mas com o mesmo significado), que uma tragédia era o dia em que o Jon Bon Jovi nasceu. Muito bem, eu gosto de Bon Jovi, mas analisando a música que o David Fonseca faz e aquilo que os Bon Jovi fizeram, não vejo qual é o problema dele. Até parece que ele, David, lançou algo de revolucionário na música. Isto para mim ainda é mais absurdo quando um dos riffs da música que o catapultou para a fama nos Silence 4, a Borrow, é bastante semelhante na sua composição, a um outro riff de uma música de 1986 dos Bon Jovi chamada Wanted Dead Or Alive.

Portanto, desde então abomino tudo o que ele faz. Porque bem, eu sei que parece bem dizer que Bon Jovi é parolo e é sempre a mesma coisa. Parece alternativo. Só que vindo do David Fonseca parece apenas alternativamente estúpido. Alternativamente estúpida é uma pessoa que critica as coisas que têm sucesso para parecerem diferentes mas no fundo fazem mais do mesmo, sem que a qualidade seja superior. Obviamente Bon Jovi é superior a David Fonseca. Por razões óbvias. Para além de ficar mal a um músico tão influenciado pelos anos 80 estar a criticar uma das maiores bandas dos anos 80. Hoje estava a dar música na rádio do Centro Comercial e quando reparei que era David Fonseca torci o pé, o que vem consumar a minha aversão actual à música dele.

Noutro dia tive, por circunstâncias profissionais, de atender um pedido do Pedro Abrunhosa. Nos meus tempos de empregado de mesa, a coisa que mais detestava era este tipo de diálogo:

Eu: Então o que deseja?
Cliente: Cabrito assado na sanita. Tem?
Eu: Desculpe mas de momento apenas temos assado no forno.
Cliente: Mas esteve a marinar em urina?
Eu: Com certeza.
Cliente: Então vou querer isso.
Eu: E para beber?
Cliente: Pode ser um Ice Tea?
Eu: De quê?
Cliente: Um qualquer.

Lá ia eu, pegava no primeiro Ice Tea e quando chegava lá:

Cliente: Ah de pêssego não gosto.

Era então que tinha vontade de lhe enfiar o saca rolhas nos olhos. Por essas e por outras a minha vida de empregado de mesa só durou três dias e meio. Não estou para aturar clientes parvos juntamente com patrões estúpidos e colegas de trabalho abomináveis.

Ora então o Sr Pedro Abrunhosa pede uma sandes de fiambre, implorada pelo seu representante ou lá quem era. Eu bem não queria, dado que não é minha função fazê-lo, mas após a insistência cedi e lá fui cortar fiambre para fazer a sandocha real. Quando chego, afinal o mestre já não queria de fiambre, queria de queijo. Arrependi-me logo de ter aceite fazer a porcaria das sandes de fiambre. E bem, lá fui eu fazer de queijo. Mas como vingança fiz no mesmo pão e espero que ele tenha alergia ao fiambre e que o pão tenha ficado com o sabor do fiambre. Ainda me apeteceu dizer lá ao tipo que fez o pedido “Olhe, com aqueles óculos até podia ser paté de óleo queimado. Nunca iria distinguir a diferença”. Mas pronto.

Outra parvoíce que me aconteceu foi com esse grande músico do heavy metal. Sim, aquele que participava no Amália Hoje, também esse um grande projecto de metal. Ou não. De qualquer das maneiras. Lembro-me do dia em que fui ver os dEUS ao Festival Marés Vivas no dia 17 de Julho. Antes do concerto quando estava em casa estava a ver uns vídeos no youtube de uma rubrica de humor. De entre dezenas tive de acertar em cheio naquele em que o convidado era o Fernando Ribeiro e lembro-me perfeitamente de dizer “Que chatice. Vamos ver o próximo que não me apetece ver este tipo”. Não é nada de pessoal. Apenas não gosto. Só que obviamente as coisas perseguem-me e quando após ter visto os dEUS me estava a vir embora cruzei-me precisamente com o mesmo Fernando Ribeiro e pensei “Que raio de sorte, tantos sítios no país e tinha que passar logo aqui”. Para além de que não percebi. Então não vai ver dEUS e vai ver Ben Harper? Concertos na praia? Pff.

E isto é muito giro.

Viva

10 Vivas para o livreiro que me disse que o livro Viúvas de Eastwick de John Updike não era sequela de qualquer outro, facto que me levou a comprá-lo.

Para minha felicidade fui verificar que este livro é a continuação, ou sequela, do livro Bruxas de Eastwick e agora não posso ler o livro porque acabei de o comprar, não posso agora comprar o outro.

A sério, muito obrigado.

Snob ou lógico?

Hoje num famigerado programa de TV alguém disse a uma das concorrentes "Não sejas snob em relação à música pop".


A frase é brilhante. Ora bem uma pessoa snob é alguém que aparenta e faz por aparentar ser melhor do que aquilo que realmente é. E eu não vejo mal nenhum em ser snob em relação a uma coisa snob. Porque a música pop de hoje é a snobice (não sei se isto existe mas vai assim) total.

E quando se diz "eu não gosto" ou "acho que é fraco" não se está a aparentar ser melhor do que nada. Está-se a expressar uma opinião. A sorte é que eu não sou a favor do wikileaks porque senão convocava já uma manifestação!!!!

Mas bem, na sequência disto li um artigo sobre esse concerto que passou por Lisboa um dia destes. Da autoria de Nuno Galopim. Podem ler o artigo na integra algures na internet. Procurem que eu não sou vosso pai.

Quanto a mim vou destacar algumas frases e comentar. Vou ser Marcelo por uma hora. Ora então:

"(...)na noite de sexta- -feira, perante um Pavilhão Atlântico cheio e rendido desde bem antes da entrada em cena da rainha da noite.(...)" - Rainha da Noite é um belo tema dos D'Arrasar, ora vejam lá aqui http://www.youtube.com/watch?v=X7COxfC8L0M
Se a Lady Gaga visse esta coreografia e soubesse quantos discos eles venderam nunca mais cá vinha. Ou se calhar vinha cá mais vezes.

"(...)não perdendo nunca a oportunidade para expressar uma atitude política, mais que uma vez trazendo a Lisboa uma mensagem de firme apoio à comunidade LGBT (lésbica, gay, bissexual e transgénero) que tem defendido desde os primeiros passos da sua carreira pública. (...)" Carreira essa que antes de ser pública se limitava a ser uma pianista de jazz. Quem diria. "Be yourself" - That's what she said! Ah! E Nuno então. Isso é política? Vá lá, o que é que aprendemos na faculdade? Eu acho que isso é mais uma questão social. A consequência da sociedade torna-se lei. A lei não é consequência da política. Ai ai ai.

"(...)Lady Gaga não deixou de mostrar porque muitos dela fizeram um ícone de absoluta referência.(...)" Tenho todo o prazer em explicar. O porque é parvoíce. Dela e dos que gostam.

"(...)Tratando os presentes como os seus "monstrinhos" e integrando a palavra Portugal em inúmeros instantes ao longo de todo o concerto(...)"
Tenho a dizer que não gosto desta parte. Há drogados que o nome carinhoso que lhes davam era monstrinhos. Se eles lêem isto vão apanhar uma overdose de desgosto. Tenho a dizer também que 90% da população diz que o país deles, Portugal, é uma porcaria. Mas bem, no concerto é maravilhoso. Já eu vivo num país chamado Portugal e o meu país é extraordinário. Sobretudo do Mondego para cima.

"(...)transportando até a dada altura uma bandeira portuguesa, Lady Gaga mostrou que quem a reduz a uma ideia de estrela para aparato visual e ponto final mais não faz senão expressar um preconceito mal informado. (...)" Fantástico. Eu quando vejo os corredores a ganharem medalhas de ouro penso "Hey, deve-se achar o maior" Mas quando eles pegam nas bandeiras dos países sobem imediatamente na minha consideração. Mas bem, não é só aparato visual, é também música igual a qualquer outra. Aliás, há várias acusações de plágio. E não creio que ela tenha feito plágio, mas só há esse tipo de acontecimentos se as coisas forem bastante parecidas. Acho que isto é bastante claro.

"(...)De facto, e ao contrário de outros grandes espectáculos de grande produção do nosso tempo, ficou claro que a Monster Ball Tour não se limita a uma ideia de monumento para encher o olho.(...)"
Só tenho a dizer. Led Zeppelin - Royal Albert Hall 1970. Só havia uma luz para cada músico. Isso é um espectáculo. Obviamente que a Monster Ball para além de encher o olho enche a paciência.

"(...)ela mesma tocando piano (com uma espantosa atitude showbiz, cruzando diálogos com a plateia com a canção que nos ia apresentando) (...)"
Ah. Que saudades. Do tempo em que eu tinha uma banda e adoptava a minha atitude showbiz. Era eu a tocar uma música e depois parava para contar a história do lobo mau, depois continuava e parava novamente para contar a história da Branca de Neve. O que faz de mim um artista bastante completo. Só que bem, eu não sou protegido do Akon e não tenho jeito para vestidos estúpidos. Desisti da música.

"(...)Lady Gaga é um ícone pop dos nossos dias e a Monster Ball é talhada à imagem e personalidade da figura que já inscreveu na história recente da cultura popular.(...)"
Gostava de entender o que é que foi inscrito. Deve ser parvoíce.

"(...)É uma diva vestida a excesso e glamour, mas também a figura magoada.(...)"
É a primeira vez que vejo alguém dizer que um soutien e umas cuecas é uma indumentária excessiva.

"(...)Do jogo de contrastes nascendo uma voz que a si chama incompreendidos e diferentes, com eles partilhando o baile que, se por um lado é festa e libertação(...)"
É engraçado que quando vi as reportagens pareciam ser o mesmo tipo de pessoas que foram ver os U2, só que ainda mais parolos e havia mais gente com mais de 30 anos.

"(...)apresentando uma colecção de criações de fazer inveja a muita passagem de modelos(...)"
Se a Chanel não estivesse morta, agora morria de vez. Comentário ridiculo. Tal como as "criações".


Enfim.

Há comentários que dizem que ela é a Rainha da Arte, mais do que rainha da pop. Eu tenho a dizer, que Mozart não é só um marco porque o nome dele acaba em art(e) é porque bem, ele compôs música fabulosa. Tal como muitos outros artistas clássicos. Tal como outros artistas pop, rock e de todos os estilos. Lady Gaga é mais um cliché. Tal como a Rihanna tem sucesso por ser protegida do Jay-Z. Tal como a Nelly Furtado por ser protegida do Timbaland. A Lady Gaga é uma protegida do Akon. Infelizmente aqui na Europa tudo pega. E a Lady Gaga passa a mensagem fabulosa de que somos todos iguais, mas agora desafio qualquer pessoa que goste dela a contar as bandas não americanas que tiveram sucesso nos Estados Unidos.
Porque somos todos iguais até certo ponto. Nos EUA há muito poucas bandas europeias a vingar. Tirando U2, Rolling Stones, Beatles, Pink Floyd e, acima de todos, Led Zeppelin, são poucas as bandas que realmente lá chegaram. O que prova que não somos todos iguais e nós, aliás, a maior parte das pessoas aqui come sempre a mesma merda com cheiros diferentes.
Eu não gosto especialmente de U2, Roling Stones e Pink Floyd, mas temos que admitir, todas elas são bandas drasticamente diferentes. E acho que é impossível todas as porcarias que saem dos EUA serem boas ao ponto de merecerem airplay internacionalmente.
Portanto não me venha dizer que Lady Gaga é diferente. É a mesma coisa disfarçada. A música pop de hoje em dia é uma fórmula esgotada. Paradoxal é que continua a vender bastante, apesar de ser uma fórmula repetida. Continua a vender bastante porque continua a haver gente que se deixa levar pela porcaria.
Lady Gaga defende aqueles que são diferentes, mas na verdade entregou-se ao público daqueles que são iguais. Caso contrário não vendia tantos discos como vendeu. E acham mesmo que as pessoas realmente diferentes gostam da música que ela faz? Se eu me for a lembrar de artistas com problemas próprios, relativos à sexualidade lembro-me por exemplo de Placebo. Agora vejam as similaridades.

Eu sei que eventualmente haverá gente que dirá que a minha opinião é má língua, mas é esta a minha opinião, sem preconceitos mal formados. Simplesmente analisando os factos que temos à nossa disposição e estabelecendo um padrão lógico de acontecimentos. Só não vê quem não quer.

Incongruências

Há coisas que me repugnam na sociedade de hoje em dia.

No youtube circula um vídeo de um casal que fazia sexo na Rua de Santa Catarina. Toda a gente sabe mas para quem nunca lá tenha passado é uma rua central da cidade do Porto onde passam todos os dias milhares de pessoas.

Posto isto uma senhora intervém junto do casal (ou bêbedos ou pedrados) no sentido que parem com aquele acto (vergonhoso). Posto isto a tipa que estava deitada no chão pôs-se a pé e ripostou como se tivesse muita razão. Em menos de nada já tinha levado uma chapada e já estavam a agarrar o cabelo uma à outra. O macho do casal pôs-se a pé preparando-se para agredir a senhora que tentou acabar com a vergonha. Nisto aparece um quarto interveniente que lhe atesta um soco que atira o macho ao chão partindo de seguida uma garrafa da qual o casal estava a beber.

Muito bem. Se lermos os comentários do youtube há gente a condenar aqueles que intervieram no sentido de acabar com a pouca vergonha. O que é fabuloso. Porque bem "coitadinhos só estavam a fazer sexo na rua". E as pessoas e crianças têm que aturar com coisas dessas? Será que hoje em dia não há limites para o respeito?

Ora, maior parte das pessoas que defendem a não violência e que as pessoas em vez de partir para a agressão poderiam ter chamado a polícia assumem-se como de Lisboa ou de localidades que não na zona norte.
Tudo bem que se podia ter chamado a polícia mas aquilo mais que um caso de polícia é um caso de civismo. E o civismo é imposto pela sociedade civil, na qual se inclui a polícia, obviamente, mas também se inclui uma coisa mais importante ainda. As pessoas.

Se as pessoas não fizerem nada as coisas vão piorar. Se ignorarmos as nossas responsabilidades civis a civilização vai desaparecer e seremos apenas um bando de animais sem qualquer regra social e sem qualquer respeito.

Já se sabe que para o bem ou para o mal as pessoas no norte são menos tolerantes com este tipo de actos. E sim, sobe mais a mostarda ao nariz as essas pessoas e agem de forma mais inconsequente e bruta. Mas uma coisa é certa, em dois minutos resolveu-se aquele problema. Em vez de esperarmos quinze, vinte ou trinta minutos que a polícia aparecesse e entretanto todas as pessoas que por ali passassem, velhos, adultos e crianças tinham que assistir ao espectáculo degradante. É uma palhaçada.

Consequentemente ontem foi realizada uma manifestação contra o encerramento do wikileaks.

Eu pessoalmente sou contra uma organização como a wikileaks. A liberdade de expressão é algo de valioso. Mas a nossa liberdade é algo de valioso também.

Este tipo de liberdade de expressão poderá acarretar riscos perigosos a curto prazo. A eventual revelação de alguma informação importante pode levar à precipitação de confrontos entre países cujas relações são periclitantes.

Depois há aquela questão de já terem sido revelados 20 000 ficheiros, mas desses quantos são realmente relevantes? Eu não consultei nenhum portanto não faço ideia mas temo que, pelas notícias relacionadas a esse site, dos 20 000 ficheiros pelo menos 10 000 deverão ser irrelevantes.

Finalmente há a questão de maior parte dos documentos serem informações confidenciais. Isso quer dizer que a wikileaks ultrapassa o limite da liberdade. A nossa liberdade acaba quando interfere com a liberdade dos outros. Eu penso que qualquer país deverá ter a liberdade de comunicar livremente dentro das suas próprias instituições.

Apesar disto tudo e de todos os argumentos que se possam dar a favor ou contra a wikileaks é estranho pensar que há pessoas que se virem um casal na rua a fazer sexo descaradamente em frente a crianças e tudo mais, não faz nada, mas se fecharem um site que pouco ou nenhum impacto tem na felicidade comum, é apenas um (mais um) instrumento jornalístico incendiário, nesse caso já fazemos alguma coisa.

Eu sei ou pelo menos suponho que as pessoas que se manifestaram a favor da manutenção do wikileaks poderão não ter nada a ver, ou nem sequer concordam com a falta de acção contra a pouca vergonha que se passou em Santa Catarina. Mas há aqui um padrão, que é bastante grave e é preciso ter noção de isso.

Hoje maior parte das pessoas se vir alguém a ser assaltado, vira a cara, não acode a vítima do assalto. Se vir alguém a ser violado, desvia o caminho, não acode a vítima de violação. Se vir alguém a ser agredido gratuitamente, faz de conta que não é nada com ele, em vez de defender aquele que basicamente está a ser espancado. Isto é preocupante.

Já as pessoas manifestarem-se a favor da manutenção de um site que pouco mais faz do que espalhar brasas (e ainda bem) são só pessoas estúpidas e sem qualquer objectividade.

Remodelações

A todos os leitores eu e a Efémera pedimos desculpa, desde já. Estamos a tentar mudar algumas coisas no nosso (e vosso) querido e adorado blog.

Portanto como não somos masters destas andanças vai levar um bocadinho. Mas prometemos que em breve poderão ver aqui novamente as fotos da Pantufinha, do Kafka, do Castor, da Kita e do Gato. E todas as outras coisas como vídeos etc voltarão a funcionar novamente.

Entretanto pode ser que apareçam novos posts, por isso vão passando.

Saudações citrinas para todos.

Aquela coisa

Hello everyone.

Aqui estou eu para falar da música mais espectacular que se pode ouvir num concerto. É aquela coisa que eu não sei bem explicar, mas esta música tem algo que definitivamente me eleva a novas galáxias de emoção. Na verdade são três músicas. Uma mais que a outra e a outra mais que a terceira. Mas todas elas me tocam bem fundo em sentimentos diferentes.

Escusado será dizer que as três músicas são dessa banda que eu nunca falei aqui antes. Os dEUS. Ora nem mais. Há muita gente que gosta deles, mas daí, apenas um décimo deles deve entender em toda a sua plenitude o que significa gostar dos dEUS e o que é que significa gostar das músicas dos dEUS.

A música que mais excita, apenas pela adrenalina do carrossel de som e esquizofrenia que contem, é a Suds & Soda. É algo naquele violino electro-maníaco-repetitivo, junto com a guitarra marcada à qual juntamos o Tom Barman a cantar quase que num hip hop subvertido num rock, junto daquela voz insistente e poderosa que grita "FRIDAY". É algo nisso tudo que caminha a olhos vistos para uma apoteose que apesar de saber que vai chegar me surpreende sempre de tão intensa que é. Seja Super Sharp ou Sabotage naquela pausa final a música ganha uma força de explosão e êxtase contido que mais nenhuma consegue ter.






Eu estive lá!



A segunda música no meu top é uma música com a qual me identifico bastante até porque foi a banda sonora do período mais feliz da minha vida :)

Começa com uma inocência semelhante àquela que sentimos quando partimos à descoberta. É um fio que puxamos com uma mão de cada vez e que traz sempre qualquer coisa nova, qualquer detalhe novo e delicioso. Na música são as guitarras, o violino ou o piano, a voz e a outra voz que aparece no refrão. É a segunda parte onde nos recriamos num jardim repleto de dentes de leão e felicidade oculta nos sentimentos que não queremos bem mostrar ainda. E volta o refrão agora cantado a dois e que acaba no início do maior splash musical de sempre. Um solo de cinco notas apenas. com uma guitarra, normalmente empunhada por um senhor que deve ser um dos melhores escritores de música de sempre e que sente esta música bem a sério quando está em palco. E ver o violino a subir. A bateria a aumentar a densidade como o pulsar de um coração que caminha para um grande momento de emoção. E a outra guitarra cada vez mais depressa e a música cada vez mais intensa, apesar de parecer impossível aumentar, ela aumenta e na minha cabeça tudo o que aparece são momentos e fotografias que nunca poderei emoldurar mas que estão bem à vista na minha cabeça e no meu coração e que significam mais que tudo para mim e com isto tudo, quando a música acaba naquele fim que se perpetua eu tenho lágrimas nos olhos. Só nesta música.







Nesta versão tal como na seguinte não estive, mas já as vi ambas três vezes. O que é fucking amazing!

Finalmente a outra música desperta em mim algo de mais selvagem. Desperta um bocado a revolta. A sample é repetitiva, mas confiem em mim. Se ouvirem aquilo ao vivo sentem a roupa a tremer com a força daquele som. Um som que não nos deixa olhar para o lado. Chama-nos. A música evolui com uma coisa de cada vez, com uma letra sobre alguém que quer impôr algo com boas maneiras. He said No More Loud Music. E quando a música nos começa a conquistar pelo seu groove e pelo seu jingar (não em ocorre palavra melhor) "I told you once I told you twice" e bum! A música rebenta a intervalos de poucos segundos. Sendo que em cada explosão há sempre algo de novo e mais forte. Ao fim de algumas explosões a banda contenta-se com por tudo no mesmo ritmo, acompanhado de loops maníacos e sinistros, enquanto alguém pergunta "You got something to say? C'mon tell me right now!" sim, eu penso nisso muitas vezes, apetece-me muita vezes perguntar a muita gente se têm problemas e às vezes faço-o e digo o mesmo, forço e tenho vontade de forçar as pessoas a terem coragem para mo dizerem na cara. E depois STOP! e alguém começa a gritar acompanhado por uma guitarra que em breve é toda uma banda num ritmo maníaco e assustador que parece um sonho mas é na verdade um puro momento de adrenalina em que nos excedemos até que a música por breves segundos volta ao ritmo compassado e poderoso em que estava antes, apenas para voltar à adrenalina com a ainda mais força. Como alguém que reforça um argumento e que não esquece o que acabou de dizer e que quer dizer. A música volta ao ritmo anterior apenas para voltar a uma versão reduzida dos gritos que a mim me soa a apenas a "Eu não esqueço! E estás avisado".